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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | 1 person following this article.
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Bora, constuir coletivamente o novo?

18 de Abril de 2016, 11:05, por Bertoni - 66 comentários

O resultado da votação do processo de impedimento de Dilma Rousseff na Câmara Federal neste domingo, 17/04/2016, gerou toda uma série de avaliações, críticas e acusações.Todas elas são importantes, mas o calor da emoção pode nos fazer exagerar.

O processo que levou a derrota de ontem não teve início em 2014, nem em 2013, nem 2010 e muito menos em 2002.

Por paradoxal que possa parecer, este processo teve início em meados de 1980, quando o movimento sindical e o PT viviam um momento de crescimento. Naquela época acontecem alguns movimentos importantes que podem indicar porque chegamos ao que chegamos:

  • O trabalho como conceito moral, como valor social, é sistematicamente desqualificado, criando a ideia de quem trabalha é otário;
  • A Igreja Católica da Teologia da Libertação é dizimada pelo anti-comunista papa polonês (Józef Wojtyła) e seu buldog alemão (Natzinger);
  • A Teologia da Prosperidade (dos neopentecostais) cresce e leva os católicos a pregar a renovação carismática e uma guinada à direita;
  • O movimento sindical tira o pé do acelerador e começa a deixar o trabalho de base de lado em nome de uma possível eleição de Lula;
  • O neoliberalismo ganha força no mundo todo (inclusive na URSS), cuja derrubada do Muro de Berlim foi o símbolo maior;
  • A esquerda mundial entra numa crise de criatividade sem precedentes;
  • A socialdemocracia europeia rende-se ao neoliberalismo;
  • A esquerda que sempre teve um papel importante no imaginário das pessoas e forte influência na área cultural, perde o espaço para a direita;
  • Direitos Humanos e o Humanismo são ridicularizados. O deus mercado e o lucro fácil tomam contam de corações e mentes das mais distintas classes sociais;
  • A utopia cede espaço para o pragmatismo, que na prática se traduz em vantagens de curto prazo colocadas acima dos objetivos históricos de longo prazo;
  • Passa-se a acreditar que não há alternativas ao capitalismo e que, portanto, basta melhorar a situação econômica dos mais pobres. E isso garantiria seu apoio aos programas de governos;
  • Passa-se a tolir todo e qualquer debate que possa levar a um crítica ao capitalismo e desqualifica-se àqueles que lembram que a Luta de Classes não terminou com o fim da URSS.

Por outro lado, os problemas e as mazelas no Brasil eram e são tão profundos que até mesmo pequenas reformas e alguns programas sociais teriam um efeito enorme sobre toda a sociedade, conforme pudemos notar nos últimos anos. Isso também gerou a atual onda de fúria e ódio da CasaGrande que culminou na votação de ontem.

Lembro-me que em 1984, ainda na ditadura civil-militar, durante a campanha das Diretas Já, era um comício maior que o outro e havia uma disputa saudável para ver qual cidade colocava mais gente nas ruas. Colocamos mais de 2 milhões no Anhangabaú depois do Rio de Janeiro ter colocado mais de 1 milhão na Cinelândia.  E perdemos. Fomos derrotados pela mesma turma que nos derrotou ontem em plenário. Os nomes podem ser outros, mas os interesses e os esquemas são os mesmos. Nem por isso deixamos de lutar. Nos reorganizamos e seguimos em frente.

Também é claro que não se reconstrói em 13 anos toda uma estrutura cuidadosamente montada em 502 anos. Ainda mais quando deixamos de fazer trabalho de conscientização e organização de base, coisas, aliás, que fizemos muito bem no final dos anos 1970, começo dos anos 1980.

Enfim, muitos foram os erros. Muitos foram os acertos. E é claro que não listei acima nem 1% deles. Resta-nos saber se teremos capacidade para avaliar todo este processo, fazer autocrítica, aprender com os próprios erros, reconquistar o imaginário das pessoas e avançar.

Bora, junt@s, construir o novo, a Democracia Direta, a horizontalidade, a pluralidade?

Leia também: Ciberguerra potencializa guerra informacional



O morro mandou avisar: se a Senzala descer ninguém vai segurar!

15 de Abril de 2016, 12:18, por Bertoni

O morro mandou avisar
Se a senzala descer
Ninguém vai segurar
O morro mandou avisar
Se a senzala descer
Ninguém vai segurar

Pátria de Cunha
De listas obscuras
De mídia seletiva
De pouca alternativa
Dizem estão lutando contra a corrupção
Mas essa gangue de ladrão rasga a Constituição
Para tentar voltar ao poder eles querem te foder
Vão rasgar a CLT, esse papo é você
Viés que tem, PSDB, PMDB, quem está por trás na verdade tem até OAB
Diz pra Rede Globo que o povo não é bobo
Repetir 64, retroceder tudo de novo
Se querem investigar, que investiguem geral
Quantos se salvariam no Congresso Nacional?
Deputado, Senador
Igreja e empreiteira
Conta no exterior
Fruto dessa roubalheira
Partidos, políticos
Quase todos envolvidos
E você vem me dizer que só um é o perigo
Sai fora maluco
O buraco é mais embaixo
O problema é o sistema
Que só vive de esculacho
Se derrubar a presidente fosse mesmo resolver
Você pode ter certeza, eu estaria com você
Se eu estou satisfeito?
Claro que não, quem está?
O que não posso admitir
Tentaram me enganar
Essa porra desse impeachment
É um golpe de estado
Pra colocar no poder de novo, esse bando de safado
Interromper a lava-jato e escapar da prisão
Depois diz que resolveu e acabou a corrupção
Passa na televisão, fica tudo resolvido
E o povo enganado vai seguindo iludido

O morro mandou avisar
Se a senzala descer
Ninguém vai segurar
O morro mandou avisar
Se a senzala descer
Ninguém vai segurar

Meu bonde bolado, de rona na pista
Só louco treinado
Toma cuzão!
Se prepara racista, fascista
A cabeça dos falsos, cortadas serão
Nem Jesus.com vai te salvar
É pra temer, tremer
Nós vamos lutar
Sobrevivemos ao front em costa montes e fardas
No asfalto bala perdida, nos morros sempre achada
O filho da empregada que nasceu no lixão
Hoje tá na facu, virou um de livro na mão
O mundo só muda na mudança da mente
Se você não mudar, nada vai ser diferente
Se aos olhos da lei somos todos iguais
Não estaríamos perdidos a procura de um cais
Corrupção, desvio, propina e arrego
Quer fazer a diferença? Então faça direito
Bem vindos ao Brasil, onde o dinheiro é quem manda
Manda um TED pra Suíça, mas não pisa na grama

Como posso ignorar no meio dessa confusão
De quem quer tomar o poder
Vive atolado em corrupção?

O povo indignado tem sua razão
Mas a luta deve ser pela reformulação
Reforma política, reforma geral
O alvo na verdade é o Congresso Nacional

Fascistas não passarão, não
Racistas não passarão, não
Homofóbicos não passarão, não
Corruptos não passarão
Fascistas não passarão, não
Racistas não passarão, não
Machistas não passarão, não
Corruptos não passarão
Fascistas não passarão, não
Racistas não passarão, não
Homofóbicos não passarão, não
Corruptos não passarão
Fascistas não passarão, não
Racistas não passarão, não
Machistas não passarão, não
Corruptos não passarão



Vocês perderam em 1945, mas inisistem na revanche até hoje!

15 de Abril de 2016, 11:21, por Bertoni - 0sem comentários ainda

A ala mais radical da direita mundial,o nazi-fascismo, foi derrotada em 1945.

Os nazi-fascistas capitularam e se renderam aos soviéticos em Berlim. (veja ato de rendição incondicional abaixo)

Até hoje insistem na revanche.

A partir de Reagan e Thatcher uniram-se liberais e nazi-fascistas que, com seu neoliberalismo, avançam contra as Trabalhadoras e Trabalhadores do mundo inteiro.

Os povos não se rendem e resistem!

Акт о капитуляции Германии 1945



Polícias estaduais a serviço do Golpe: terrorismo de estado

8 de Abril de 2016, 13:03, por Bertoni - 0sem comentários ainda

Já que as forças armadas não toparam dar o golpe eles usam as polícias estaduais para tanto, assim como tentaram dar o golpe contra Corrêa no Equador.

Assassinato do presidente do PT de Mogeiro (PB), vinculado à CPT, assassinato de sem-terras no Paraná, prisão do Frei Sérgio (MPA/RS), invasão, pela polícia, do ato de apoio a Lula (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC), Ministério Público de Goiás atacando manifestações anti-golpe nas universidades, depredação das sedes dos partidos de esquerda, espancamento da garota que usava bicicleta vermelha, médico recusando atender filho de petista.

ISTO É SÓ O COMEÇO SE NÃO DERROTARMOS O GOLPE EM CURSO.

e tem mais...

Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) sofre ameça de linchamento no Aeroporto Internacional de Curitiba. (Veja vídeo abaixo)

Casa de acolhimento a adolescentes é invadida por homens armados em Curitiba (Clique no link para ler a reportagem)

PM de SP tentando intimidar o acampamento da Frente Brasil Popular na Praça do Patriarca. (Veja Nota de Repúdio da FBP-SP abaixo)

Cacique Babau e um de seus irmãos, José Aelson, foram presos e conduzidos à PF de Ilhéus.

Caciques ilhéus

A intolerância com o diferente é a principal característica do fascismo.

Nota de Repúdio: Polícia Militar intimida Acampamento da Democracia na Praça do Patriarca

A Frente Brasil Popular em São Paulo repudia a covarde ação da Polícia Militar em intimidar os participatentes do Acampamento em Defesa da Democracia e Contra o Golpe, organizado por nossos movimentos na Praça do Patriarca, no centro da capital paulista, desde o começo deste mês.

O fato ocorreu hoje (8/4), por volta das 10h. Duas viaturas da PM invadiram a entrada do Acampamento, indagando sobre o que se tratava.

Mesmo tendo sido informados, os policiais permaneceram no local por 25 minutos.

Esse é mais um fato lamentável da PM de São Paulo, do governo Alckmin, e demontra mais uma vez que a Polícia Militar tem tomado partido a favor das forças políticas que defendem o golpe.

O outro lado tem apoio, como vimos no acampamento formado por apenas 12 pessoas da direita na Avenida Paulista que permaneceu 36 horas pedindo golpe e intervenção militar e permanece por lá com apoio. Que absurdo! Já as nossas ações têm sido constantemente intimidadas e dificultadas.

Diante disso, repudiamos a parcialidade com que os aparatos de controle e poder do Estado de SP têm agido. O governador deve dar esclarecimentos sobre a situação, do contrário ele está sendo conivente com o que vem acontecendo.

Nosso Acampamento permanece.

Não vai ter golpe!

São Paulo, 8 de abril de 2016.
Frente Brasil Popular-SP

Artigo editado a partir de vários posts no Telegram



Brasil: Universidade sem Tecnologia?

8 de Abril de 2016, 12:00, por Bertoni - 0sem comentários ainda

Burocratizadas e inertes, instituições entregam a Google e Microsoft serviços pedagógicos e comunicacionais estratégicos. Na era da Economia do Conhecimento, país pode conformar-se à submissão

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Por Rafael Evangelista

Cansadas dos ataques e dos constantes cortes de verba, as universidades públicas parecem não querer mais existir. Mantêm o mínimo, mas vão fazendo cortes lentos que implicam, na prática e no médio prazo, na cessão para parceiros privados de várias coisas que as definem, que historicamente fazem parte da sua missão. Com isso, vão abdicando de sua autonomia intelectual e de implementação de tecnologias orientadas de acordo com seus princípios públicos.
 
O exemplo mais recente e flagrante vem da área de tecnologia da informação. Google e Microsoft vêm estabelecendo parcerias com diversas universidades públicas brasileiras para oferecer “tecnologias educacionais”. Na prática, as instituições vão abrindo mão de seu parque computacional, ao mesmo tempo que promovem os produtos dos parceiros. Os alunos, funcionários e docentes recebem, com frequência, e-mails vindos dos centros de computação das universidades convidando para a adesão aos serviços. Com o convite feito de maneira institucional é fácil prever o resultado: adoção de tecnologias externas em detrimento de algo produzido e gerenciado autonomamente.
 
Em sua grande maioria, são aplicações que a universidade já oferece, como serviço de e-mail e ferramentas tecnológicas de acompanhamento didático. A Unicamp, uma das que estabeleceu acordos, oferece serviço de e-mail e ferramentas como o Moodle, um software livre produzido colaborativamente; e o Teleduc, ferramenta também livre mas concebida pelo Núcleo de Informática Aplicada à Educação. Agora as inciativas livres competem com a GAFE, Google Apps for Education, serviço da empresa do Vale do Silício já altamente criticado por organizações internacionais como a Electronic Frontier Foundation (EFF), que mantém a campanha “Espionando Estudantes: aparelhos educacionais e a privacidade dos estudantes”.
 
O discurso oficial das universidades é o da liberdade de escolha. Cada indivíduo seria livre para escolher qual tecnologia usar, pesando individualmente as eventuais facilidades contra os riscos e prejuízos. Dá até pra chamar de “falácia Microsoft”, de tanto que a empresa usou esse tipo de argumento quando combatia as políticas de incentivo ao software livre. Só que no mundo real as coisas não funcionam exatamente assim, os indivíduos não seres independentes e absolutos num vácuo de poder. O dinheiro pesa, assim como a publicidade e a interligação entre os produtos. De um lado, temos universidades pressionadas sempre a cortar custos. De outro, empresas bilionárias interessadas nos dados de navegação e nos conteúdos produzidos pelos estudantes, capazes de explorar economicamente essas informações (no mercado publicitário ou onde a imaginação delas permitir). Tudo é oferecido gratuitamente mas, se é verdade o dito neoliberal de que “não há almoço grátis”, só podemos imaginar que as empresas sabem muito bem como extrair valor dessa massa informacional.
 
O desfecho não é difícil de imaginar. As instituições públicas tendem a abandonar a prestação desses serviços de infraestrutura educacional, fazendo cortes e reduzindo custos, mas ao mesmo tempo abdicando de sua missão de produzir e aplicar tecnologias em seu corpo estudantil. Dá pra se imaginar também que aqueles que não se juntarem à maioria, os “chatos” que insistem em discutir e problematizar as decisões tecnológicas, vão ter que conviver com um serviço cada vez mais sucateado e abandonado. A estratégia aí se parece com a de outro gigante da tecnologia, a Monsanto, que foi produzindo um fato consumado em favor dos transgênicos, de modo a forçar a aceitação das variedades da sua soja via contaminação.
 
E, é claro, é preciso falar de privacidade e vigilância. Instituições federais como a UFPE e a UTFPR já usam a GAFE (a sigla tem um efeito cômico ótimo em português, registre-se) e outras, como a Unifesp, já estudam sua adoção. Porém, na esteira das revelações de Edward Snowden, há um decreto federal (8.135, de 2013) que diz, em seu artigo primeiro que “as comunicações de dados da administração pública federal direta, autárquica e fundacional deverão ser realizadas por redes de telecomunicações e serviços de tecnologia da informação fornecidos por órgãos ou entidades da administração pública federal, incluindo empresas públicas e sociedades de economia mista da União e suas subsidiárias”. Ao que tudo indica, os acordos não se conformam ao decreto, cuja preocupação efetiva era a inviolabilidade das comunicações.
 
As críticas da EFF, feitas no contexto dos EUA, vão nesse sentido. Ela já apresentou queixa à Comissão Federal de Comércio (Federal Trade Commission) acusando o Google de violar acordos que estabelecem a proibição da venda de informações de alunos e a necessidade de políticas transparentes sobre a coleta e uso de dados. Após as queixas, a Google desativou a coleta de dados dos estudantes para fins publicitários nos serviços do GAFE. Porém, em outras plataformas interconectadas pela mesma senha usada no GAFE valem as mesmas regras de todos os outros serviços como Drive, Blogger, YouTube e Gmail: os usuários são monitorados e vigiados eletronicamente o tempo todos, para fins de extração informações a serem usadas com objetivos publicitários, além de serem submetidos a anúncios escolhidos a partir desses dados de navegação.
 
O uso do e-mail é, em particular, especialmente perigoso. No caso das universidades, trata-se de uma massa especial de usuários, reunindo pesquisadores ativos na produção de conhecimento e tecnologias sensíveis. Essas informações não ficam em solo brasileiro, nem respondem às leis brasileiras. Estão na Califórnia, regidas pelas leis daquele estado norte-americano. Ao mesmo tempo que se omitem e não estimulam o uso de dados criptografados por parte de seus usuários, as universidades transferem as bases de dados para países que notoriamente abusam da vigilância, também com fins econômicos.
 
E há a questão da exploração econômica da base de dados em si mesma, como recurso a ser minerado para a extração de informações que vão orientar o desenvolvimento de produtos, campanhas de marketing, identificar tendências de comportamento etc. A comunidade acadêmica peca em não reconhecer o altíssimo valor econômico desses dados e, ingenuamente, parece pensar estar fazendo uma boa troca. No curto prazo, facilita a vida do administrador espremido com o encolhimento das verbas. No médio e longo prazo, ameaça os empregos do corpo técnico da universidade e a autonomia tecnológica. Terceirizada em sua estrutura — segurança, limpeza, alimentação e em certo sentido até na docência, com professores colaboradores e pós-graduandos –, esquálida, torna-se incapaz de cumprir sua função social, que vai muito além da formação de mão de obra para o mercado.
 
Desde o inicio dos anos 2000, nas conflituosas disputas da Organização Mundial do Comércio, os países ricos vêm tentando estabelecer regras que lhes permitam vender serviços, como pacotes educacionais, aos países pobres. Pelo visto, encontraram novas formas de lucrar com os mesmos pacotes, na era da extração de valor em cima de bases de dados e informações.
 
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