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8 de março é feminista!

9 de Março de 2018, 9:11 , por Terra Sem Males - | No one following this article yet.
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Mulheres ocuparam as ruas em Curitiba para denunciar machismo, violência e opressão do capitalismo mas também para mostrar que nenhuma mulher anda só.

Na noite de quinta-feira, 8 de março de 2018, Dia Internacional da Mulher, as ruas de Curitiba foram palco de um grande ato protagonizado pelas mulheres. As mulheres que são de luta, que se identificam em organizações coletivas, em movimentos de resistência, feministas, sociais, sindicais, estudantis, político-partidários, populares. Grandes coletivos em que o recorte de raça e de classe social têm como ponto de convergência o recorte de gênero.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

As mulheres ocuparam as ruas para denunciar, através de um mar de gente, que o 8 de março é feminista, pois são as mulheres quem mais sofrem com a violência, na “divisão” de tarefas, na responsabilidade pelos filhos e filhas, com o acúmulo de jornada, a de trabalho e a do lar. E também socialista, pois são as mulheres quem mais sofrem com as opressões do capitalismo, desde a desigualdade salarial até a objetificação dos corpos para fins comerciais.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

Essas mulheres ocuparam as ruas representando todas as outras mulheres que lá não estavam, para a realização de uma grande marcha e também de cinco atos temáticos, performatizados em diferentes pontos do centro da cidade. Contra o machismo, contra a violência, contra as opressões do capitalismo, pelo poder feminista, pela soberania de nossos corpos, da vida, do Estado e da natureza, pela pluralidade das mulheres, por mais direitos e nenhum retrocesso. Todas protagonistas de suas lutas diárias se reuniram na coletividade para reafirmar ao mundo o empoderamento de não estar só, de se reconhecer nas condições de sobrevivência de outras mulheres.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

As mulheres são sobreviventes. E as mulheres negras são mais. As mulheres negras ocuparam as ruas de Curitiba para denunciar que os assassinatos, os homicídios de suas irmãs são o dobro do que sofrem as mulheres brancas. Para denunciar que Curitiba é a 9ª capital com mais casos de feminicídio. Porque estamos em 2018 mas a mídia hegemônica ainda insiste em divulgar feminicídio, o homicídio de mulheres pela sua condição de mulher, como “crime passional”. Denunciar que a taxa de feminicídio no Brasil é a 5ª maior no mundo. Que 12 mulheres são assassinadas por dia.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

Neste ato, realizado na esquina da Rua Monsenhor Celso com a XV de Novembro, as mulheres, em coro, contavam até 11, para deitarem ao chão, numa performance para denunciar que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

A marcha seguiu, com batuque das mulheres, com palavras de ordem das mulheres, que querem a democracia, que não aceitam que toda a política do país seja governada massivamente por homens brancos. A busca pela representatividade na política se reflete na perda de direitos. Se os trabalhadores perderam muito após o golpe contra a presidenta democraticamente eleita Dilma Rousseff, as mulheres trabalhadoras perderam mais.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

Em um caldeirão, as mulheres queimaram, no último ato, cartazes que representam todos os retrocessos contra a luta, que é feminista: não queremos segregação nos espaços públicos, não queremos a criminalização da pobreza, não queremos tarifas de pedágio, não queremos a terceirização, não queremos a poluição, não queremos a privatização, não queremos que os governos limitem os investimentos do Estado em saúde e educação, não queremos assédio moral, não queremos agrotóxicos, não queremos golpe, não queremos reforma trabalhista, não queremos reforma da previdência, não queremos intervenção militar, não queremos machismo, não queremos patriarcado, não queremos violência, não queremos trabalho precário.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

As mulheres lutam pela democracia participativa feminista, pela representatividade nos espaços de poder, pelo fim da violência contra as mulheres, contra as mulheres negras, contra as mulheres pobres, contra as mulheres camponesas, contra as mulheres transgênero, contra as mulheres lésbicas. Pelo direito de ir e vir, pelo direto de estar onde quiser, de vestir o que quiser, pela tranquilidade de poder ocupar a rua e os espaços públicos sem sofrer assédio moral ou sexual.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

A Marcha de 8 de março realizada em Curitiba reuniu milhares de mulheres, convocadas e organizadas especialmente pelos coletivos feministas Rede de Mulheres Negras e Marcha Mundial das Mulheres, mas encorpada pelas mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens, pelas Promotoras Legais Populares, pelas camponesas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, pelas Mulheres do Movimento dos Moradores de Rua, de movimentos por moradia, por estudantes, pelo Levante Popular da Juventude, por coletivos feministas de partidos políticos de esquerda, pela Frente Feminista de Curitiba e região, pela Central Única dos Trabalhadores, por mulheres trabalhadoras representantes de sindicatos de diversas categorias.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

O ato das mulheres extravasou o que sentimos todos os dias ao sobrevivermos a todas essas opressões, ao sermos mulheres, mães, trabalhadoras, estudantes, donas de casa, administradoras de nossas próprias vidas e da vida dos outros, ao sermos subjugadas diariamente por atribuídas incapacidades que não temos. Estar na Marcha 8 de Março com essas mulheres é um alento e ao mesmo tempo revitalização de nossa resistência, através da certeza que só andamos bem, mas juntas andamos bem melhor. Empoderamento é resistência.

Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto Marcha 8 de março em Curitiba. Foto: Annelize Tozetto

Por Paula Zarth Padilha, editora e repórter do Terra Sem Males, formada pela turma Dandara dos Santos (2017) do coletivo feminista Promotoras Legais Populares.
Fotos de Annelize Tozetto, fotojornalista, feminista, militante LGBTI.
Terra Sem Males

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Fonte: http://www.terrasemmales.com.br/8-de-marco-e-feminista/