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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.

Bancários de Curitiba denunciam descaso do Bradesco com condições de trabalho e atendimento

24 de Abril de 2018, 11:43, por Terra Sem Males

Na manhã desta terça-feira, 24 de abril, uma ação do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região é realizada em seis agências bancárias da capital para denunciar a falta de condições de trabalho e a precarização no atendimento do Bradesco, denunciando que a população aguarda até quatro horas nas filas, e a culpa é das demissões promovidas pelo banco.

De acordo com Cristiane Zacarias, diretora da entidade, nas agências bancárias Palácio Avenida, Hauer, Ceasa, Comendador, Centro e CIC o atendimento ao público será retomado a partir de meio dia. A mobilização tem como objetivo uma reunião da entidade com o banco.

“Mais essa atividade de denúncias contra o Bradesco é devida à falta de funcionários, acúmulo de serviço, adoecimento. Inclusive o atendimento precarizado que é oferecido aos clientes hoje é pela falta trabalhadores”, explica Cristiane. “Nós compreendemos isso como um descaso por parte do banco não só com trabalhadores e clientes mas também com o Sindicato, que representa os interesses dos trabalhadores porque dificilmente nós conseguimos conversar com o banco. E quando conseguimos encaminhar nossas demandas, nós não temos retorno, e se existe é negativo”, afirma a dirigente. “A gente vai continuar com paralisações até que o banco escute os trabalhadores”.

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males



Dilma diz que somente eleição de Lula pode barrar o golpe

24 de Abril de 2018, 9:04, por Terra Sem Males

Ex-presidenta foi impedida pela Justiça Federal de visitar Lula nesta segunda-feira (23) em Curitiba

“Eu gostaria de dar um abraço nele, demonstrar minha solidariedade e conservar com ele sobre o que ele mais gosta: o Brasil e o povo brasileiro”. A frase foi dita na tarde desta segunda-feira (23) pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), na saída da superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde pretendia visitar o ex-presidente Lula, detido no local desde o dia 7 de abril. Ela estava acompanhada da amiga e ex-ministra Eleonora Menicucci, da senadora Gleisi Hoffmann, dos senadores Lindberg Farias e Roberto Requião, e da deputada Maria do Rosário.

A petista foi mais uma personalidade que teve seu pedido de visita barrado pela juíza federal Carolina Lebbos, assim como aconteceu na semana passada com o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel e com o teólogo Leonardo Boff. O Partido dos Trabalhadores e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, que também foi impedida de fazer uma diligência na sede da PF, alegam que as proibições ferem tratados internacionais e a Lei de Execução Penal brasileira. Além de Esquivel e Boff, já foram barrados a senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, uma comitiva de onze governadores, além dos deputados da Comissão de Direitos Humanos.

Dilma conversa com a imprensa na Polícia Federal em Curitiba-PR, após seu direito de visitar Lula ser negado. Foto: Joka Madruga/Agência PT

Na saída da sede da PF, Dilma falou sobre a situação que passa seu companheiro de partido, especialmente sobre as restrições impostas pela Justiça Federal de Curitiba. “Essa situação nos estranha muito, essa condição de isolamento sem que possa receber amigos. Estou estarrecida com essa situação. Tenho experiência em estar presa, pois estive encarcerada por três anos na ditadura militar e isso não acontecia lá”, comparou Dilma, que esteve presa entre os anos de 1970 e 1972 e passou pelo horror das torturas em uma cela do presídio Tiradentes, em São Paulo.

Destacando que o Brasil passar por um regime de exceção, Dilma Rousseff citou que na época dos “anos de chumbo” os presos políticos tinham condições de recursos. “Nunca deixamos de ter condições de recursos (não funcionava muito, mas tínhamos). Ninguém pode ser preso antes de esgotados todos os recursos. Foi por isso que lutamos, foi por isso que muitos morreram lutando”, citou a petista, acrescentando que Lula é um “prisioneiro político que não teve respeitado seu direito a recursos e condenado sem o direito constitucional da presunção de inocência”.

Dilma Rousseff participa de ato político no Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR, na tarde desta segunda-feira 23/04/2018. Foto: Joka Madruga/Agência PT

Citando que foi derrubada em 2016 sem que tivesse cometido qualquer crime de responsabilidade, a ex-presidenta afirmou que a prisão de Lula é o desfecho para consolidar o golpe iniciado há dois anos. “Vivemos um momento em que uma “camarilha” que se especializou em levar vantagens dos cargos que ocupa está solta e o presidente Lula está preso sem ter cometido nenhum crime. Essa é etapa do golpe, prende-lo para que não possa ser candidato. Somente ele pode interromper e barrar esse golpe, por isso ele foi preso. Prende-lo é uma forma de deixar o golpe vivo”.

Questionada sobre o processo eleitoral deste ano, Dilma Rousseff afirmou que o Partido dos Trabalhadores seguirá na luta para que Lula exerça seu direito de ser candidato. “Há uma obsessão da grande mídia pelo tal “plano B” do PT. A troco de que esse plano B? Só consideraríamos um plano B se o Lula fosse culpado de algo”, resumiu.

Por Júlio Carignano / Porém.net
Fotos: Joka Madruga/Agência PT



Fotos | Domingo de resistência em Curitiba

23 de Abril de 2018, 9:11, por Terra Sem Males

Imagens registradas pelo repórter fotográfico Joka Madruga do domingo de sol em Curitiba, no Acampamento Lula Livre:

Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Debate “Em defesa da Educação e da Democracia” no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Debate “Em defesa da Educação e da Democracia” no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Debate “Em defesa da Educação e da Democracia” no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Roda de samba com Maria Navalhas & Sindicatis no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Roda de samba com Maria Navalhas & Sindicatis no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Roda de samba com Maria Navalhas & Sindicatis no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Retratos do Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Retratos do Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Retratos do Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Retratos do Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Retratos do Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Cancioneiro para los Hermanos com o Grupo D’America no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Cancioneiro para los Hermanos com o Grupo D’America no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Cancioneiro para los Hermanos com o Grupo D’America no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Celebração e bênçãos com religiosos de Angola, Minas Gerais e Paraná no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Celebração e bênçãos com religiosos de Angola, Minas Gerais e Paraná no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT Celebração e bênçãos com religiosos de Angola, Minas Gerais e Paraná no Acampamento #LulaLivre na tarde deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT “Boa noite companheiro Lula” com a deputada federal Benedita da Silva (RJ) e o deputado federal Marco Maia (RS) no Acampamento #LulaLivre na noite deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT “Boa noite companheiro Lula” com a deputada federal Benedita da Silva (RJ) e o deputado federal Marco Maia (RS) no Acampamento #LulaLivre na noite deste domingo, 22/04/2018, em Curitiba-PR. Foto: Joka Madruga/Agência PT

“As mulheres precisam ocupar os espaços de poder para transformar o poder em algo não violento”, defende Márcia Tiburi

22 de Abril de 2018, 22:09, por Terra Sem Males

A filósofa, professora e escritora Márcia Tiburi, que viaja o Brasil para lançar seu 25° livro, Feminismo em Comum (editora Rosa dos Tempos), em Curitiba trocou o habitual ambiente das livrarias para fazer o lançamento no acampamento #LulaLivre, ao lado da Polícia Federal.

“É momento de prestar solidariedade ao PT, partido que foi transformado numa metáfora do mal pra grande parte da população brasileira”, justificou a escritora, que também participou de um ato político pela liberdade do ex-presidente.

Marcia Tiburi realizou lançamento de seu livro em Curitiba no acampamento Lula Livre. Foto: Giorgia Prates.

O lançamento aconteceu no último sábado (21), em parceria com a livraria Vertov, que vendeu vários títulos de Tiburi no local. Somente do Feminismo em Comum foram 295 unidades, todas devidamente autografadas na sessão que durou quase duas horas.

Antes do lançamento, o Terra Sem Males conversou com Márcia Tiburi sobre feminismo, Brasil pós-golpe, caça aos intelectuais que se opõem ao sistema dominante, entre outros temas.

Você tem dito que a revolução necessária no mundo deve vir pelas mãos das mulheres. Por que você defende isso?

Porque a razão é patriarcal, a sociedade é patriarcal, o sistema capitalista é patriarcal. Então, a luta contra o patriarcado machista, sexista, capitalista e racista é uma luta que envolve esses corpos escravizados, marcados e heterodenominados pelo patriarcado como sendo mulheres.

Você acredita é que importante que as mulheres ocupem os espaços de poder?

É absolutamente essencial até porque a gente precisa transformar o poder em outra coisa. O poder, por si só, se transforma em pura violência e é isso que os homens têm feito contra as mulheres ao longo da história.

Marcia Tiburi é a idealizadora do coletivo feminista partidA. Foto: Giorgia Prates

Quando você idealizou a partidA feminista foi dentro dessa perspectiva?

A partidA Feminista é uma ideia, é o resultado de um desejo de transformação, de um desejo que é uma luta política, mas que é uma luta também pela verdade, uma luta intelectual, uma luta por uma outra racionalidade, capaz de desmontar esse estado de coisas injusto, que é onde a gente está vivendo.

E como esse coletivo atua hoje no país?

A partidA hoje está espalhada pelo Brasil. Como ela não é um movimento hierárquico – porque ela não é machista – ela é autocriativa. Então, ela depende muito do modo como as pessoas elaboram sua relação umas com as outras e o modo como elas desenvolvem uma ideia de democracia. Agora, qual é a nossa proposta, aquilo que a gente coloca como começo da conversa? Ocupar os espaços de poder para que a gente possa transformar o poder em outras potências, pra que a gente possa dar espaço para que as singularidades floresçam, para que as pessoas que vivem a vida política, que vivem as relações democráticas, pra que essas pessoas possam inventar sua própria história junto com as outras. Reinventar, assim, as cidades, os lugares, as instituições, refazer o sentido dos encontros.

Isso tem a ver com o que você aborda no livro “Feminismo em Comum”?

O Feminismo em Comum é uma vontade de colocar em cena a diferença que é constitutiva do feminismo. O feminismo não é unitário, nem sectário, nem universal. Feminismo é o nome que a gente dá pra toda uma diversidade teórica e prática que envolve pessoas que lutam contra sistemas de opressão. O antiracismo, o anticapitalismo, o anticorporativismo, o antisexismo, o anarquismo, o socialismo, o comunismo e a autocrítica disso tudo compõe o que a gente chama, hoje em dia, de feminismo. O feminismo é uma vontade de construir um outro comum e, nesse caso, a gente tem que passar também pela compreensão da nossa diversidade. A gente não precisa estar de acordo, vivendo consenso, vivendo a cordialidade. A gente precisa só pensar com radicalidade e preservar a vida das pessoas, da natureza, as relações que visam, enfim, a democracia no sentido radical.

Você se candidataria a algum cargo eletivo?

Não. Não acho que esse é um caminho. Quer dizer, me candidataria se fosse uma coisa que fizesse muito sentido, mas eu acho que cada um faz a sua política também no espaço em que ocupa, né? Então, hoje em dia, eu sou mais a favor da gente fomentar uma grande transformação no Congresso Nacional e ajudar a preparar isso do que eu me candidatar sozinha. Isso correria o risco de ficar uma coisa meio personalista. Agora, um grande projeto, de muita gente tentando construir uma outra história, até talvez pudesse ser. Em que pese que nesse momento eu acho que tenho um papel mais importante junto com os intelectuais, que, pro meu gosto, por sinal, estão muito escondidos. Cadê meus colegas?

O que você acha do fato de mulheres, negros e outros oprimidos defenderem ideias reacionárias e conservadoras que atentam, inclusive, contra os seus próprios direitos?

Eu acho uma pena quando uma pessoa cai em contradição em relação aos marcadores de opressão e à tática de opressão que depõem contra ela. Você ser pobre e defender o capitalismo, você ser negro e defender o racismo, você ser mulher e defender o machismo é uma autocontradição. Você está apoiando seu algoz. É como se você fosse um masoquista. Mas eu fico mesmo é preocupada com o funcionamento das elites, daqueles que são donos dos sistemas de privilégios e que criam esquemas de argumentos, pensamentos e afetividades na tentativa de cooptar pessoas fragilizadas pelos marcadores de opressão. São machistas que tentam convencer mulheres de que eles estão certos, racistas que tentam convencer os negros de que eles estão lhes oferecendo alguma coisa boa, capitalistas que tentam convencer os pobres de que o neoliberalismo é maravilhoso.

Foto: Giorgia Prates

Você acha que estamos vivendo no Brasil um momento de caça às bruxas?

Com certeza. Todo mundo que pensa diferente do sistema colocado hoje está, de alguma forma, sendo caçado. E o mais triste é ser caçado pelo seu próprio vizinho, familiar, amigo. A gente tem que pensar muito nisso porque isso não pode continuar. As instituições fascistizam, elas entram e promovem processos de autoritarismo exacerbado, de preconceito exacerbado, de maneira estratégica contra os outros de um jeito muito fácil. A gente precisa interromper isso também nas nossas afetividades. Nós não podemos interiorizar essa lógica que se transformou em razão de estado hoje no Brasil, onde o autoritarismo, o preconceito e o neoliberalismo viraram realmente razão de Estado. Tudo se faz em nome do racismo, do preconceito, do machismo, do autoritarismo, da rasgação da Constituição e parece que isso é normal. Nós temos que interromper esse processo, do contrário, não sei onde nós vamos parar. Mas é bom que as pessoas imaginem um pouco porque não vai ser nada bonito, nem bom, nem verdadeiro, nem razoável para a continuidade na vida de ninguém.

A execução da Marielle está inserida nesse processo?

Eu acho que a gente tem um Brasil antes do golpe de 2016 e outro depois. O assassinato brutal de Marielle Franco faz parte desse golpe que continua, não está deslocado dessa lógica proposta no golpe. Assim como a prisão de Lula não está. Pra que essa lógica siga funcionando é preciso que o sistema veja cada pessoa se engajando nessa luta porque se as pessoas forem contra, se o indivíduo for contra tudo isso, ele se torna perigoso pra o sistema. Hoje estão sendo caçadas diversas pessoas, dos mais diversos territórios, atuando nas mais diversas frentes, que estão contra o golpe, que percebem essa lógica e a denunciam. Estão sendo caçadas porque elas interrompem uma programação que foi estabelecida previamente. E o cidadão comum, esse que trabalha o dia inteiro e não tem tempo pra pensar ou que está de alguma forma situado num sistema de privilégios no qual ele se sente mais seguro aderindo à tendência dominante, esse cidadão precisa às vezes ser avisado mesmo, né? Eu não acho que todo mundo entra numa proposta de fascitização assim só porque tem um coração ruim. As pessoas se entregam a esse tipo de lógica porque faz parte de um discurso pronto e muita gente funciona mentalmente repetindo clichês. E o pensamento pronto está aí justamente para ser comprado. Esse esforço de pensar por conta própria é mais complexo, exige outras mediações que são mais difíceis de se ter numa sociedade em que você tem acesso fácil à televisão, mas não tem ao livro. Tem também o problema da consciência dissociada, né? O cidadão que estudou muito, que viu muita coisa, mas não consegue juntar o que ele conhece em termos de ciência e artes à sociedade como um todo.

Por que você fez questão de vir lançar seu último livro no acampamento #LulaLivre?

Tem muitos aspectos. Primeiro, porque eu quero estar com as feministas, então, eu vou com as feministas. Mas acho também que é o momento de prestar solidariedade ao PT, partido que foi transformado numa metáfora do mal pra grande parte da população brasileira, que realiza seu ódio com relação ao PT como os nazistas realizavam seu ódio com relação aos judeus na Alemanha nos anos 30 e 40 do século passado. A Alemanha acabou numa catástrofe terrível do ponto de vista humano e eu espero que o Brasil não chegue a esse nível de delírio. Por isso, eu resolvi me filiar ao PT, apoiar o PT, defender Lula, como defendi Dilma, como defenderei qualquer pessoa que tem o direito da presunção de inocência. Sem falar que as instituições têm feito um desfavor à cultura, à nação, à política à democracia, rasgando a Constituição, sobretudo, o Judiciário, do qual a gente se envergonha muito hoje em dia no Brasil. Assim como a gente se envergonha da mídia tradicional. Por sorte, existe a mídia alternativa, pessoas que estão denunciando, criticando; pessoas que estão lúcidas, acordadas, alertas com relação ao sono dogmático de grande parcela da nação. Então, eu vim pra cá por isso, pra estar perto das feministas e das pessoas que têm senso de história, noção de lógica, de inteligência, de conhecimento, que valorizam a democracia que está em risco pra nós agora. E quando a democracia cai por terra, não existe mais chance de país nenhum. Vai ser muito ruim pra todo mundo.

Você tem esperança de um Brasil melhor?

A gente, hoje, vive que nem naquele livro do [Thomas] Hobbes, no Leviatã, entre o medo e a esperança. O medo é gêmeo da esperança, os dois nascem juntos. Acho bom a gente nunca esquecer o medo no meio da esperança e, ao mesmo tempo, não se deixar levar por ele. Porque o medo é uma estratégia plantada também pelos donos do poder pra que a população fique prostrada e deprimida. A gente conhece essa política toda do neoliberalismo, essa tática de terror do neoliberalismo, porque hoje a gente não está vivendo só um terror político, a gente está vivendo um terror econômico. E não é, inclusive, que a economia tenha suplantado a política. Na verdade, há em curso uma destruição da economia e da política ao mesmo tempo e isso é uma tática de terror que é lançada contra a população, contra os grupos que batalham pela democracia, por um estado de bem-estar social que sirva ao povo. A gente precisa acordar pra isso também porque que país vai sobrar pras pessoas quando elas não tiverem mais um país? Há uma construção da guerra de todos contra todos e o neoliberalismo como economia política faz isso entre nós. A esperança implica em poder desconstruir essa lógica neoliberal entre nós. Não vai ser fácil, mas a gente tá aí justamente pra isso.

Por Waleiska Fernandes
Fotos: Giorgia Prates
Terra Sem Males



Jornalismo alternativo, ética e inovações da profissão são discutidos em Congresso em Tocantins

22 de Abril de 2018, 8:08, por Terra Sem Males

“O momento em que vive o Brasil e, consequentemente, o ensino superior, impõe desafios redobrados para o jornalismo”. Foi desta forma que Marcelo Bronosky, presidente da Associação Brasileira de Ensino de jornalismo (ABEJ) abriu o 17° encontro nacional de professores de jornalismo.

Durante quatro dias o Congresso sediado pela Universidade Federal de Tocantins debateu entre quase 50 professores de jornalismo e representantes de organizações de defesa do jornalista de todo o Brasil temas como as novas diretrizes do currículo da área, ética profissional e regulamentações do estágio na profissão.

Os impactos iminentes da reforma trabalhista na educação superior foram pontuados como extremamente preocupantes no Encontro. O professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Sérgio Gadini, comparou à situação da Espanha. Os trabalhadores do país europeu já sofrem as consequências da reforma laboral instituída em 2012, bastante semelhante à brasileira.
“Os espanhóis já comprovaram a retirada de direitos trabalhistas, a precarização das relações de trabalho e o enfraquecimento das entidades representativas. Perder a condição de reivindicar direitos torna o trabalhador mais vulnerável ao poder do capital. Nossa economia já mostra que os governos ficam reféns de sistemas que cada vez mais cortam recursos destinados a serviços públicos essenciais, como a educação, a pretexto de que isso seria um gasto”, explica.

Já fazendo uma análise mais interna do papel do professor, o pesquisador do departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, Alfredo Vizeu, trouxe em conferência a reflexão sobre o ensino em tempos de crise. Para Vizeu, o jornalismo contribui para a formação de um espelho da realidade, mas tem se submetido ao falso poder de prever e sentenciar por meio da mídia, esquecendo da premissa maior da profissão: a ética. “O jornalismo tem como missão básica interpretar a realidade social e com isso contribuir para que o ser humano compreenda mais as sociedades complexas. Essa é uma função central do jornalismo: as sociedades democráticas”, enfatiza.

Práticas de ensino de relevância social foram apresentadas como fundamentais na proposta de cumprir o papel social do jornalismo. O incentivo ao jornalismo alternativo, a exemplo do próprio Terra Sem Males, foi apresentado como uma forma de luta, militância e resistência à mídia hegemônica. Para a professora da UFRGS, Sandra de Deus, “o docente abre possibilidades para que os estudantes compreendam que existem outras alternativas e que estas têm um compromisso com o jornalismo e não com empresas. Este é o papel do professor em sala e em diferentes projetos que realiza, seja na pesquisa ou na extensão”, enfatiza.

Diante da necessária atualização constante dos profissionais do ensino, uma das discussões foi o desafio de professores diante das novas plataformas e convergências em jornalismo sem precarizar o ensino e as relações de trabalho.

Atualmente, o país conta com 315 instituições de ensino em jornalismo regulamentadas. Uma constante preocupação das instituições de ensino é em como lançar esses profissionais que estão sendo formados no mercado. Para Vizeu, é simples e objetivo o papel do professor nesse momento. “Nós temos que instrumentalizar nossos alunos do ponto de vista teórico e prático para que desenvolvam atividades da profissão, mas sempre com a centralidade na ética e na qualidade da informação”.

por Silvia Valim

Terra Sem Males

Foto: Erivam de Oliveira



Petroleiros paralisam refinarias em reação contra a privatização

20 de Abril de 2018, 12:51, por Terra Sem Males

Trabalhadores da Petrobras protestaram contra a tentativa de privatização de quatro refinarias, inclusive a Repar. A maior batalha desta geração de petroleiros está apenas começando.

A reação da categoria petroleira veio menos de 24 horas após o anúncio de que Pedro Parente, presidente da Petrobrás, pretende privatizar quatro refinarias e seus ativos logísticos (dutos e terminais). Trabalhadores das refinarias Presidente Getúlio Vargas (Repar-Paraná), Abreu e Lima (RNEST-Pernambuco), Landulpho Alves (RLAM-Bahia) e Alberto Pasqualini (Refap-Rio Grande do Sul) protestaram contra a venda das unidades com atraso de duas horas na entrada do expediente desta sexta-feira (20).

Petroleiros de outras unidades da Petrobrás se solidarizaram e também realizaram manifestações, como aconteceu no Terminal Transpetro de Vitória, no Espirito Santo, e nas refinarias Gabriel Passos (Regap-Minas Gerais), Capuava (Recap-São Paulo) e Isaac Sabbá (Reman-Amazonas). Ainda pela manhã, o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR e SC) realizou uma reunião setorial com os trabalhadores do Terminal Transpetro de Paranaguá tendo como pauta a privatização.

Foto: Davi Macedo

As mobilizações desta sexta-feira marcaram o início de uma longa jornada de luta da categoria petroleira contra o desmonte da empresa. “Os atos de hoje foram apenas o começo da guerra que temos pela frente contra Pedro Parente e os demais golpistas da direção da empresa e governo federal. As reuniões setoriais estão debatendo as formas de ação contra a privatização e logo em seguida serão convocadas assembleias para deflagrar uma grande greve por tempo indeterminado. Será o maior desafio da atual geração de petroleiros”, explica Mário Dal Zot, presidente do Sindipetro PR e SC.

Foto: Davi Macedo

O modelo de privatização apresentado pela direção da empresa na quinta-feira (19) prevê a venda de 60% das quatro refinarias e seus sistemas integrados de logística. O impacto do plano significa a perda de comando da Petrobrás em quase todas as unidades localizadas no Paraná e Santa Catarina. “A Petrobrás quase deixará de existir nos dois estados e os prejuízos para os governos locais e municípios com bases da empresa serão gigantescos. Vamos lutar até o fim para que isso não se concretize”, complementa Dal Zot.

Saiba mais: Petrobras anuncia venda da Repar e mais três refinarias

Por Davi Macedo
Sindipetro PR/SC



Leonardo Boff e Adolfo Perez Esquivel são impedidos de visitar Lula

19 de Abril de 2018, 22:12, por Terra Sem Males

Esta quinta-feira, 19 de abril, foi marcada pela recusa da Justiça Federal do Paraná em permitir a visita de Adolfo Perez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, que pleiteou uma inspeção na custódia do ex-presidente Lula baseado em regras humanitárias para tratamento de presos definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), das quais o Brasil é signatário, incluindo publicação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2016, denominado “Regras de Mandela”.

A imagem do dia foi protagonizada pelo teólogo Leonardo Boff, também da Sede da Polícia Federal, em Curitiba. Confira fotos do repórter fotográfico Joka Madruga, editor do Terra Sem Males, que acompanha o Acampamento Lula Livre pela Agência PT desde sua constituição, com a chegada de Lula a Curitiba, na noite de 07 de abril:

Leonardo Boff aguarda em frente ao prédio da Superintendência da Polícia Federal, na manhã desta quinta-feira em Curitiba-PR, para ver o Lula. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT Adolfo Pérez Esquível (Prêmio Nobel da Paz) tentou visitar Lula e inspecionar sua cela, na manhã desta quinta-feira em Curitiba-PR, mas foi impedido pela justiça. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT Adolfo Pérez Esquível (Prêmio Nobel), Leonardo Boff (teólogo), João Paulo (MST) e Emídio de Souza (PT Nacional) estiveram no Acampamento#LulaLivre, na manhã desta quinta-feira em Curitiba-PR. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT Acampamento #LulaLivre, na tarde desta quinta-feira em Curitiba-PR. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT Acampamento #LulaLivre, na tarde desta quinta-feira em Curitiba-PR. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT Atividade cultural no Acampamento #LulaLivre, na tarde desta quinta-feira em Curitiba-PR. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

Yoga, meditação e roda de conversa sobre Pachamama no Acampamento #LulaLivre, na tarde desta quinta-feira em Curitiba-PR. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT Acampamento #LulaLivre, na tarde desta quinta-feira em Curitiba-PR. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT Acampamento #LulaLivre, na tarde desta quinta-feira em Curitiba-PR. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT Acampamento #LulaLivre, na tarde desta quinta-feira em Curitiba-PR. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT Acampamento #LulaLivre, na tarde desta quinta-feira em Curitiba-PR. 19/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT



Petrobras anuncia venda da Repar e mais três refinarias

19 de Abril de 2018, 12:23, por Terra Sem Males

Modelo preliminar de privatização inclui o pacote fechado, com os chamados ativos logísticos (terminais terrestres, aquaviários e dutos)

Em notícia divulgada na manhã desta quinta-feira (19) no Portal Petrobras, a direção da empresa comunicou a força de trabalho que irá vender 60% das refinarias Presidente Getúlio Vargas (Repar), Abreu e Lima (RNEST), Landulpho Alves (RLAM) e Alberto Pasqualini (Refap).

O modelo inclui os chamados ativos logísticos (dutos e terminais) administrados pela Transpetro, ou seja, a entrega do patrimônio nacional ao mercado será de porteira fechada. Segundo informe da empresa, o modelo ainda não foi apreciado formalmente pela Diretoria Executiva ou Conselho de Administração.

Pedro Parente, presidente da Petrobras, e os diretores Ivan Monteiro, Jorge Celestino e Eberaldo de Almeida Neto, farão uma transmissão interna à categoria na tarde desta quinta (a partir das 15h00) para explicar a privatização.

Para o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina, Mário Dal Zot, apesar de todo o esforço da direção em tentar emplacar a venda como uma ação necessária para atrair investimentos e mitigar riscos, a privatização de grande parcela do parque do refino nacional nada mais é do que uma parcela do golpe em curso no país. “Alcançar o poder sem o endosso do sufrágio universal tem um preço e sabe-se que ele é demasiadamente alto, talvez até impagável”, afirma.

Desde sua fundação, a Petrobras é alvo da cobiça do mercado. Atravessou períodos problemáticos da história do país, como o suicídio de seu criador Getúlio Vargas e diversos anos de governos neoliberais referendados pelo voto popular. “Em todos esses momentos, a resistência da categoria foi fundamental para manter a companhia como patrimônio nacional”, explica Dal Zot.

Luta contra a privatização!
A oficialização da privatização do parque de refino nacional causa revolta na categoria petroleira, mas não surpreende. A Petrobrás está em evidência na mídia desde o início da Operação Lava Jato e a partir daí a empresa passa por um processo de venda de ativos e desinvestimentos. “É a principal vítima do golpe e a cereja do bolo para o mercado financeiro internacional”, disse o presidente do Sindicato.

O processo de privatização da Petrobrás já abocanhou as subsidiárias Liquigás e BR Distribuidora, bem como grandes áreas do Pré-Sal. Agora bate à porta das refinarias, dutos e terminais. Em âmbito regional, o modelo anunciado nesta quinta-feira atinge a refinaria de Araucária (Repar), os terminais aquaviários da Transpetro de Paranaguá (Tepar) e de São Francisco do Sul-SC (Tefran), os terrestres de Biguaçu, Guaramirim e Itajaí, todos em Santa Catarina, além dos Oleodutos Opasc, Olapa e Ospar.

Ao que tudo indica, o processo de privatização do refino não será tarefa fácil para os gestores da Petrobras. A categoria petroleira promete resistir para evitar a abertura de mercado. “Já estamos debatendo as formas de ação para impedir a privatização, inclusive com indicativo de greve nacional na companhia. Agora é resistir e lutar até vencer”, concluiu Dal Zot.

Por Davi Macedo
Sindipetro PR/SC



Estudantes que apoiam terceirizados do RU desocupam reitoria da UFPR

18 de Abril de 2018, 13:09, por Terra Sem Males

Após uma semana de ocupação da reitoria da Universidade Federal do Paraná, os estudantes da Frente de Apoio à Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras Terceirizados (FALTT), desocuparam o prédio na noite de segunda-feira, 16, num acordo com a UFPR.

A Frente divulgou uma nota em sua fanpage sobre o movimento de resistência e sobre o acordo pela desocupação. De acordo com nota divulgada pelos estudantes, “O acordo foi firmado a partir do compromisso da Reitoria da UFPR de constituir um processo administrativo interno da Universidade, que culminará em uma comissão permanente cujo objetivo é avaliar a procedência da pauta da ocupação, dentre os diversos outros problemas das categorias dos trabalhadores terceirizados. A composição dessa comissão contará com estudantes da FALTT e outras entidades da comunidade acadêmica”. Confira:

NOTA DE DESOCUPAÇÃO DO DSG

Informamos que nessa noite de segunda-feira (16) para terça-feira (17), após 7 dias de uma firme ocupação e de incessantes mesas de negociação, chegou-se a um acordo entre ocupantes e Reitoria.

A ocupação foi iniciada no dia 10 de Abril como um momento de radicalização de uma luta que já se seguia desde o início de Março, quando os estudantes da FALTT, em contato com a realidade dos trabalhadores terceirizados dos Restaurantes Universitários da UFPR, perceberam que algo de errado acontecia.

Após muitas reuniões dos estudantes da FALTT, muitas conversas com trabalhadores, muitas reuniões com o sindicato, muita investigação, atos em apoio, tentativas de assembleia puxadas por meios legais (sabotadas por reacionários) e infindáveis tentativas de resolução através dos meios “comuns”, se deu o processo de ocupação como esforço máximo empreendido até então na luta contra a exploração de trabalhadores, que foram demitidos por perseguição política. Isso deve ficar demarcado agora e deverá ficar claro sempre: os 13 trabalhadores terceirizados do RU foram demitidos por PERSEGUIÇÃO POLÍTICA.

A ocupação recebeu grande apoio de diversos setores da comunidade acadêmica, principalmente de estudantes, professores, técnicos e terceirizados, bem como de entidades, organizações e apoiadores até mesmo de fora da Universidade.

A ocupação também recebeu ataques de todos os tipos de setores de dentro e fora da Universidade, desde pelegos até declaradamente fascistas. Não nos espanta a posição de muitos desses contra a ocupação. Não é novidade que existam aqueles que se posicionem contra a luta unificada de trabalhadores e estudantes. Não estamos aqui para agradar ou para sermos adorados, e desde o início da ocupação sabíamos que essa atitude iria cindir opiniões dentro da Universidade.

O acordo foi firmado a partir do compromisso da Reitoria da UFPR de constituir um processo administrativo interno da Universidade, que culminará em uma comissão permanente cujo objetivo é avaliar a procedência da pauta da ocupação, dentre os diversos outros problemas das categorias dos trabalhadores terceirizados. A composição dessa comissão contará com estudantes da FALTT e outras entidades da comunidade acadêmica.

A luta contra a terceirização, tantas vezes repetida da boca pra fora e de forma abstrata por muitos nessa universidade, se manifestou um enfrentamento concreto aos males reais da terceirização. Podemos todos ter certeza que não mais combatemos apenas um “fantasma” da terceirização, mas combatemos diretamente e a fundo o que há de mais desgraçado na precarização da universidade pública.

Agradecemos a todos aqueles que, cada um à sua maneira, apoiaram, contribuíram e construíram essa justa luta em defesa dos trabalhadores do setor mais precarizado da universidade.

Dessa luta, podemos ter uma certeza: saímos ainda mais firmes e mais dispostos a apoiar e lutar junto às trabalhadoras e trabalhadores terceirizados. A todos que apoiaram e ajudaram a construir essa luta, são convidados a seguir um incansável combate à terceirização!

Terceirizados, contem comigo, aqui tem um movimento combativo!

Contra o desmonte da universidade pública!

O Terra Sem Males acompanhou a ocupação. Confira o que foi publicado:

Estudantes da FALTT decidem manter ocupação da reitoria da UFPR

Reitoria da UFPR nega pauta de estudantes e plenária decide rumo da ocupação

Estudantes ocupam reitoria da UFPR, em Curitiba, em defesa de terceirizados



Precisamos politizar a luta dos trabalhadores, diz Gleisi em encontro com petroleiros

18 de Abril de 2018, 12:02, por Terra Sem Males

Uma comitiva de políticos e militantes do Partido dos Trabalhadores (PT) visitou a Sede do Sindipetro Paraná e Santa Catarina na tarde desta segunda-feira (16) para se reunir com a Direção Executiva da entidade.

O objetivo foi debater sobre a conjuntura política nacional e o Acampamento Lula Livre. Participaram os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), que também é presidente nacional do partido.

Para a senadora, o momento é importante para politizar a luta dos trabalhadores. “Tudo o que está acontecendo no cenário político nacional é porque quem está hoje no poder age diferente de quem estava lá anteriormente. A retirada de direitos dos trabalhadores e o desmonte da Petrobrás estão no contexto da prisão de Lula, uma continuidade do golpe em curso no país”, disse.

O senador Lindbergh afirmou que a prisão de Lula gerou um impasse. “Prenderam, mas não venceram. A crise é gigantesca e o país está estagnado. Tudo que apostaram deu errado. O golpe era para colocar Temer por dois anos e efetuar as maldades. Depois, naturalmente, um tucano assumiria e continuaria a agenda neoliberal”, analisou.

De acordo com o secretário de comunicação da FUP e diretor do Sindiquímica-PR Gerson Luiz Castellano a falta de investimento por parte da Petrobrás em todas as unidades é um reflexo do golpe de 2016. “Vivemos tempos sombrios no país, em que após a ditadura de 64 nós temos um preso político que se chama Luiz Inácio Lula da Silva. O processo que vem ocorrendo com a Fafen-PR também vai atingir a Repar, se essa luta não for travada pela sociedade toda. Poderemos ver Araucária desaparecer financeiramente com o fim dessas empresas”, afirmou.

O presidente do Sindipetro Paraná e Santa Catarina, Mário Dal Zot, afirmou que a população sente na pele os efeitos do golpe, mas ainda permanece inerte. “Antes, setores da sociedade reclamavam dos prejuízos que a Petrobrás tinha com o controle dos preços dos combustíveis pelo governo, mas mesmo assim a estatal apresentava cifras gordas de lucros. Agora, com a redução da carga de produção nas refinarias e a liberação das importações de combustíveis, a empresa amarga gigantescos prejuízos e a sociedade se cala. Até quando?”, questionou Dal Zot.

O Sindipetro Paraná e Santa Catarina apoia o Acampamento Lula Livre, que também é um espaço de debate sobre a conjuntura política e de defesa da Petrobrás enquanto empresa estatal e indutora do desenvolvimento econômico e social do país. Vários petroleiros estão participando da mobilização nas cercanias da Superintendência da Polícia Federal, em regime de revezamento.

Fonte: Sindipetro PR/SC