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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.

Aula pública sobre direito à moradia fortalece greve dos trabalhadores da Cohab Curitiba

14 de Junho de 2018, 15:03, por Terra Sem Males

Paralisação das atividades começou por atrasos salariais e mobilizou coletivos e entidades que lutam pela regularização fundiária para expor a dimensão social a responsabilidade da Prefeitura sobre habitações populares

Por Paula Zarth Padilha, texto e fotos

Os trabalhadores da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (COHAB) iniciaram greve na última segunda-feira, 11 de junho, numa mobilização para denunciar os atrasos salariais. O movimento, organizado por quatro sindicatos das diversas categorias profissionais que atuam na autarquia municipal, uma empresa mista mas que tem a Prefeitura como majoritária, continua nesta quinta-feira, 14 de junho, quando está marcada audiência na justiça do trabalho. A Cohab anunciou pagamento parcial dos valores em atraso, mas escolhendo que vai receber e quem tem que esperar mais. A informação dos sindicatos é de que os menores salários foram pagos e que a paralisação continua até que todos os valores sejam quitados.

A greve começou por questões econômicas mas sua dimensão social rapidamente uniu diversas articulações que atuam em coletivos na cidade para dar suporte junto ao poder público às famílias que lutam há décadas pela titulação de suas casas, pela regularização fundiária, como o coletivo Mobiliza Curitiba, que articulou uma aula pública sobre o direito à moradia em frente ao prédio da Cohab, junto aos trabalhadores grevistas, com a presença do Movimento dos Moradores de Rua.

Entre os temas abordados, o histórico de criação da Cohab, a sua função na execução de projetos de moradia, como a prefeitura se utiliza da empresa para se eximir de responsabilidades sociais e como esses mesmos funcionários em greve são colocados em conflitos com essas famílias que vivem na incerteza da ilegalidade habitacional. O Mobiliza Curitiba reuniu representantes de diversas entidades que a compõem, como o Instituto Democracia Popular, formado por advogados populares que prestam assessoria jurídica às famílias das ocupações irregulares, o Sindicato dos Arquitetos, a entidade Terra de Direitos, também formada por advogados populares, o Coletivo Trena, que presta assistência técnica e cursos de formação sobre questões habitacionais.

O professor aposentado da UFPR, Lafaiete Neves, que compõe o Mobiliza especialmente nos estudos sobre mobilidade e transporte público, situou como ponto de partida da aula o fluxo migratório para a capital, citando os tempos de Jaime Lerner quando prefeito nomeado pela ditadura, em que a construção de conjuntos habitacionais populares, como a Vila Nossa Senhora da Luz, era efetivada nas portas das fábricas, como uma forma não de promover acesso à moradia digna para a população, mas sob o viés de baratear a mão de obra (inclusive num bairro chamado “Cidade Industrial de Curitiba” – CIC). Ele falou sobre a falta de comprometimento do município, historicamenente, e que se mantém atualmente, em que menos de 1% do orçamento é para habitação. “O orçamento não é para os pobres”. O professor também alertou que as políticas públicas no país foram derrubadas com o golpe de 2016, com o desmonte dos serviços públicos, em que a população vive na “ditadura dos bancos, ditadura das empresas de transporte, ditadura dos laboratórios farmacêuticos”, disse.

O servidor da Cohab Ricardo Polucha também integrou a aula pública sobre o direito à moradia e lembrou que a acionista majortiária da Cohab é a Prefeitura de Curitiba e precisa aportar recursos para a moradia, pois a criação da companhia, ainda na ditadura, junto com o BNH (Banco Nacional de Habitação) e o FGTS, como instrumentos para fomentar a habitação de interesse social para as pessoas que não têm dinheiro para acessar financeiramente a moradia. Ele afirmou que 80% das famílias na fila da Cohab têm renda entre zero e três salários mínimos e que o funcionamento da Cohab demanda, por este motivo, aporte financeiro da prefeitura, por não ser autossustentável e por executar política pública.

A advogada Mariana Auler, do Instituto Democracia Popular, realizou abordagem na perspectiva das comunidades que demandam política habitacional. Ela falou, durante a aula pública na greve dos trabalhadores da COHAB, sobre a importância da consciência da habitação como política pública social, abordando que o município responsabiliza os funcionários da COHAB pelas ações habitacionais e isso gera conflito com as comunidades e por isso os trabalhadores devem entender o interesse social da moradia.  “O município não trata como central a questão habitacional, o interesse social não é compreendido e é preciso entender o porquê existe conflito entre a Cohab e os moradores”, disse. Auler defendeu que as questões de mobilidade, moradia, segurança pública, que estão inseridas no debate do Plano Diretor e que a prefeitura atribui como responsabilidades fragmentadas, como da Cohab, precisam ser incorporados e assumidos pela prefeitura. Sobre a greve dos trabalhadores, ela salientou que talvez nesta quita a demanda salarial seja resolvida, mas esse problema mais amplo não e por isso a Cohab deve entender o interesse social do direito à moradia e integrar na pauta trabalhista. “Nós esperamos diálogo contínuo em relação à política habitacional”.

Julio Kajewski, do Sindicato dos Arquitetos, falou sobre assistência técnica nas habitações, em que 85% da população constrói ou reforma sem essa assistência, e para ele a COHAB poderia assumir essa demanda. Ele denunciou o desinteresse do município em acessar recursos federais que poderiam beneficiar a população mais pobre para melhorias na moradia. “Curitiba não tem nenhum projeto para acessar a verba orçamentária do cartão reforma. É a gestão atuando como empresa de mercado em que o problema a ser resolvido não interessa”. Julio disse que o sindicato desenvolve projetos nas comunidades do Cajuru que para além de levar assistência, leva também conhecimento.

Alexandre Pedrozo, do Mobiliza Curitiba, convidou os funcionários da COHAB para compor o coletivo para que a atuação dos trabalhadores tirem as famílias das ocupações do mapa da invisibilidade da companhia, afirmando que a prefeitura também considera esses trabalhadores invisíveis ao deixá-los sem salário. Alexandre também abordou a tramitação da lei de zoneamento na câmara municipal, em que é a possibilidade de reverter as escolhas de onde a prefeitura vai atuar pela regularização fundiária, em que as famílias também possam decidir.

Maria Eugênia Trombini, da Terra de Direitos, falou sobre a ação civil pública que anula milhares de contratos habitacionais da COHAB , lembrando que essa demanda será dos trabalhadores da companhia para a resolução das irregularidades e lembrou que a vida dessas famílias serão alteradas e que os movimentos sociais e organizações coletivas por moradia contam com os trabalhadores da COHAB para rever esses erros do passado. Ela também retomou o debate sobre o projeto locação social, uma forma de diversificar o acesso à moradia, direcionado à população em situação de rua.

A greve dos funcionários da Cohab contra atraso de salários chegou ao quarto dia, com forte adesão das diversas categorias dos trabalhadores, de acordo com avaliação dos sindicatos dos Engenheiros (Senge-PR), do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas (Sindarq-PR), do Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização (Sindiurbano) e do Sindicato dos Assistentes Sociais (Sindasp).

A Justiça do Trabalho adiantou para esta quinta-feira (14), às 14h, uma audiência conciliatória referente a uma ação movida pelo Senge contra o atraso de salários na COHAB Curitiba. A audiência será na 6ª Vara do Trabalho. Por volta das 11h30, o setor de Recursos Humanos da Cohab informou aos funcionários que enviou para o banco todos os pagamentos que faltavam, que devem ser creditados ainda hoje. Os trabalhadores continuarão mobilizados em frente à Cohab até as 15h, no aguardo da quitação.



Entenda como estão as negociações pela data base dos servidores estaduais do Paraná e porquê os dias 18 e 19 serão decisivos

14 de Junho de 2018, 12:11, por Terra Sem Males

Por Waleiska Fernandes

Os sindicatos que integram o Fórum de Entidades Sindicais foram recebidos no início da tarde desta quarta (13) pela Chefe de Gabinete da governadora, Lucília Dias, para cobrar um posicionamento de Cida Borghetti quanto ao pagamento da data-base dos servidores estaduais do Poder Executivo.

As lideranças frisaram que já foram apresentadas ao governo todas as condições que permitem que seja pago o que é devido aos trabalhadores. “Já apresentamos as condições financeiras, do período eleitoral, da lei de responsabilidade fiscal e do teto dos gastos públicos. Agora, basta a decisão política da governadora”, relatou a coordenadora do FES, Marlei Fernandes.

Ela também lembrou que na reunião realizada na última segunda-feira (11/6) com a equipe econômica do governo, pela primeira vez, o governo admitiu que houve um aumento de receita de R$ 2,5 milhões, conforme já vinha prevendo os estudos do Fórum de Entidades Sindicais, apontando que há recursos para pagar a data base.

Os servidores exigem que a governadora dê, pelo menos, o percentual referente à inflação do último ano, de 2,76%, o mesmo que está nos projetos de data sabe dos servidores do Legislativo e do Judiciário. O prazo para que seja garantido esse reajuste é 6/7.

O presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do PR (SINDARSPEN), Ricardo Miranda, ressalta que o cenário está favorável aos trabalhadores e que, por isso, o fortalecimento da luta é essencial. “Conseguimos sair de um momento em que não tinha qualquer perspectiva pra reabrir a negociação com o governo. Mas é preciso a união de todos pra que a gente consiga sair vitorioso”, destacou o dirigente sindical.

MOBILIZAÇÃO CONTINUA

As atividades da vigília pela data base foram encerradas na tarde desta quarta. Porém, o acampamento seguirá até a próxima semana, quando as atividades voltarão a se intensificar.

O FES pede que servidores da capital e do interior procurem seus Sindicatos para participar das mobilizações nos dias 18 e 19, datas que estão sendo consideradas como cruciais para a garantia da data base desses trabalhadores.

GARANTIA DE ISONOMIA

Na segunda-feira (11), o presidente da ALEP, Ademar Traiano (PSDB), retirou de pauta os projetos para o pagamento da data base aos servidores do Legislativo e do Judiciário. Segundo o deputado, a suspensão será feita até a próxima segunda (18).

A retirada de pauta aconteceu após pressão do funcionalismo público, que, organizados pelos sindicatos que integram o FES, iniciaram nesta semana uma vigília em frente ao Palácio do Iguaçu para pressionar o governo a pagar o direito dos trabalhadores.

Os servidores do Executivo reivindicam que tais projetos só sejam votados quando a governadora Cida Borghetti enviar para a ALEP o projeto para o pagamento da data base deles. A exigência é de isonomia com os demais poderes.

“Já conversamos com os deputados da base do governo e da oposição e a opinião é quase unânime de que não há ambiente político para conceder reajuste para uns servidores e ignorar outros”, avalia o presidente do SINDARSPEN.

 

DATA BASE DOS ANOS ANTERIORES

Com dois anos e meio sem reajuste, o governo deve aos servidores um total de 11,53%, porém, como o prazo pra liberar esse reajuste já venceu porque Beto Richa não fez o pagamento, os servidores exigem que Cida Borguetti pague o que ainda é possível, dentro do prazo da legislação eleitoral, que é o percentual de 2,76%.

O FES já conseguiu que o atual governo se comprometesse em apresentar emenda à LDO 2019, derrubando a barreira criada pelo governo Richa de conceder o reajuste apenas após o pagamento atualizado de todas as promoções e progressões de servidores.

PROGRAMAÇÃO

18/06 (segunda-feira)

Às 9h – Concentração em frente ao Palácio Iguaçu

Às 13h – Presença nas galerias da Assembleia para impedir que sejam votados os projetos de reajuste dos servidores do Legislativo e do Judiciário, deixando de lado os servidores do Poder Executivo.

19/06 (terça-feira)

9h – Concentração em frente ao Palácio Iguaçu



Greve de trabalhadores da Cohab é mantida até quitação de salários atrasados

13 de Junho de 2018, 10:19, por Terra Sem Males

Os funcionários estão há 13 dias com salários atrasados, e completam o segundo dia de paralisação.

Após pagamento de parte dos funcionários, os servidores da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) decidem permanecer em greve, até que todos os salários do mês de maio sejam quitados. A decisão ocorreu por unanimidade, em assembleia encerrada por volta das 16h30 desta terça-feira (12), com presença de aproximadamente 100 pessoas. Os trabalhadores estão há 13 dias com salários atrasados, e completam o segundo dia de paralisação.

Durante a assembleia, os trabalhadores de diversas categorias reiteraram a necessidade da apresentação de solução permanente para as finanças da Cohab, para além da quitação dos salários de maio. A leitura do conjunto dos funcionários é de que a falta de recursos para um setor tão estratégico, como é o da habitação popular, reflete o desmonte das políticas públicas que ocorrem também em outras áreas.

No final da manhã, uma comissão de cinco representantes dos trabalhadores se reuniu com o presidente da Companhia, José Lupion Neto, que garantiu o pagamento, ainda nesta terça-feira, de 126 trabalhadores que recebem menores salários. Apesar de alguns trabalhadores terem identificado o recebimento do salário, até o fechamento desta matéria a Companhia não confirmou quantos pagamentos foram realizados.

Com relação aos demais funcionários, a promessa é de que sejam pagos de maneira gradativa: 77 deveriam receber entre esta terça e quarta-feira; em seguida viriam os 30 funcionários cedidos a outros órgãos da Prefeitura; por fim, seriam feitos os pagamentos dos ocupantes de cargos comissionados e da diretoria da Cohab. No total, de acordo com informações da empresa, a Companhia tem 233 empregados.

Para os 126 funcionários que devem receber hoje, o presidente da Companhia garantiu o pagamento retroativo de reajuste de 3,6% para os meses de junho, julho e agosto de 2017, conquistado em Acordo Coletivo. Este reajuste não será aplicado para gratificações e complementos.

Leandro Grassmann, vice-presidente do Senge e que esteve na reunião, relata que, apesar do compromisso firmado, o presidente José Lupion Neto afirmou ainda não ter caixa para efetuar os pagamentos e reconheceu a dificuldade financeira da Companhia. “Ele [Lupion] garante não haver previsão de entrada de recursos para pagar os funcionários neste mês, nem para os próximos. É uma situação de colapso, extremamente preocupante. A Cohab é uma empresa com papel indispensável e de interesse social, mas que está sendo desmontada”, lamenta Grassmann.

Em reunião realizada com 12 vereadores, também na manhã desta terça-feira, a presidente do Sindicato dos Assistentes Sociais do Paraná (Sindasp), Kristiane Plaisant Marcon, servidora da Cohab, defendeu independência na administração da empresa e cobrou responsabilidade dos gestores públicos. “Essa gestão [municipal] pode ficar marcada pelo fechamento ou venda da Cohab e o compromisso desse prefeito [Rafael Greca] era levantar [a empresa]”, disse. “Também somos prefeitura”, complementou.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização do Estado do Paraná (Sindiurbano-PR), Valdir Mestriner, evidenciou aos vereadores as dificuldades na relação com a diretoria da Cohab. “O sindicato sempre busca o diálogo, mas a diretoria da Cohab e o prefeito não estão dispostos a respeitar os sindicatos e os trabalhadores pagando os salários. Nós estamos sempre dispostos a buscar soluções para manter os direitos dos trabalhadores e também da população”, disse.

Ficou confirmada também uma reunião com os sindicatos e a diretoria da Cohab para esta quarta-feira (13), às 15h, a respeito do atraso salarial e das reivindicações para o Acordo Coletivo de Trabalho referente a 2018/2019, que está em processo de negociação.

Pedido de Informação e reunião com vereadores
Os oito vereadores da bancada de oposição na Câmara de Vereadores (cinco do PDT, dois do PMDB e uma do PT), formalizaram um pedido de informação à Prefeitura, a respeito da situação da Cohab. Entre as questões a serem respondidas está a razão dos atrasos salariais, os números da dívida da Companhia, e os números do quadro funcional (estatutários, celetistas, comissionados). A Prefeitura terá que responder ainda quais medidas têm tomado para regularizar a situação da Companhia. Conforme aponta a Lei da Transparência, a Prefeitura é obrigada a responder o pedido dos vereadores em um prazo de 15 dias, que pode ser prorrogado por mais 15.

De acordo com a vereadora Professora Josete (PT), a solução para a situação da COHAB deverá passar por duas questões: a definição de medidas para impedir novos atrasos salariais e a construção de um projeto de recuperação da empresa a longo prazo. Para tanto, Josete sugeriu que seja criado um grupo de trabalho na Câmara com o objetivo de reunir informações e definir soluções para o futuro da Cohab e para a política de habitação de Curitiba.

Os sindicatos que representam as categorias protocolaram um ofício em que detalham a situação por qual passa a Companhia, com relação aos atrasos salariais. Assinam o documento o Sindicato dos Engenheiros (Senge-PR), Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas (Sindarq-PR), Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização (Sindiurbano) e Sindicato dos Assistentes Sociais (Sindasp).

Apoio da população
Do lado de fora da Câmara, funcionários da Cohab e moradores do Parolin se somaram à pressão pela regularização da situação da Cohab.

A Companhia é responsável pela construção de cerca de 700 empreendimentos habitacionais populares, em 40 dos 75 bairros de Curitiba. No total, ao longo de 53 anos de criação do órgão, 139 mil habitações foram construídas.

“Moro com muita dificuldade, pagando aluguel, sofri também um infarto em 2013. Tá muito difícil, porque estou ganhando pouco e uso para comprar remédio”, contou Domingas Lopes da Rosa, 58 anos, moradora do Parolin. “Mesmo assim vim aqui apoiar a Cohab para ganhar a nossa casa. Peço a Deus muita força e para pagarem o salário atrasado que o pessoal está esperando”. Atualmente, há 51 mil pessoas inscritas na fila da Cohab, pelo acesso à casa própria.

De acordo com os moradores, foram três enchentes somente no ano passado na região do Parolin, sendo que algumas famílias estão em abrigos por não terem condições de voltar para suas casas.

Atrasos constantes
Desde junho de 2017, o pagamento ocorreu em dia apenas em dois meses. A média de atraso tem sido de 10 dias. No caso dos vencimentos referentes a maio, não foram pagos até agora.

A decisão da greve foi tomada em assembleia geral dos funcionários, na última sexta-feira (8). Os trabalhadores pretendem seguir paralisação até que todos os salários sejam pagos.

 

Fonte: Senge PR



Professores, agentes, funcionários da saúde acampam no Centro Cívico contra congelamento de salários

13 de Junho de 2018, 9:41, por Terra Sem Males

Vigília da data-base reúne Fórum das Entidades Sindicais e servidores públicos do Paraná de diversas categorias pelo pagamento de reajuste salarial, que está congelado desde 2016

O Fórum das Entidades Sindicais (FES), que articula os diversos sindicatos de trabalhadores vinculados ao Governo do Paraná, ergueu acampamento na última segunda-feira, 11 de junho, em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, em Curitiba. Os trabalhadores exigem da governadora Cida Borghetti (PP) a retomada do pagamento da reposição da inflação e o envio do projeto de lei concedendo o benefício para votação na Assembleia Legislativa do Paraná.

A data-base para reposição anual das perdas da inflação nos rendimentos dos(as) servidores(as) públicos do Paraná é no mês de maio. Desde 2016 o funcionalismo do Poder Executivo – professores(as) e funcionários(as) de escolas, funcionários(as) da saúde, agentes penitenciários(as), policiais e outras categorias – estão com os salários congelados por decisão do ex-governador Beto Richa (PSDB). A dívida com os(as) trabalhadores já está acumulada em quase 12%.

Os servidores estão acampados porque nem os 2,76% de reajuste referentes à reposição da inflação dos últimos 12 meses o governo de Cida Borghetti pretende pagar. Com a instalação do acampamento, a pressão dos servidores fez com que o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traino, retirasse da pauta de votação os projetos de reajuste do Legislativo, Tribunal de Justiça, TCE, MP e Defensoria Pública, com suspensão até a próxima segunda-feira, 18. Os demais servidores continuam de fora da pauta.

Os servidores do Executivo reivindicam que tais projetos só sejam votados quando a governadora Cida Borghetti enviar para a ALEP o projeto para o pagamento da data base deles. A exigência é de isonomia com os demais poderes. “Não somos contra o pagamento aos demais servidores. Queremos apenas ser tratados com o mesmo respeito que os trabalhadores do Legislativo e do Judiciário”, explica o presidente do SINDARSPEN, Ricardo Carvalho.

Somente os servidores do Executivo  – professores(as), funcionários(as) da educação, agentes penitenciários, servidores da saúde, policiais, entre outros da ativa e aposentados(as) – , estão com os salários congelados desde 2016, quando o governo Richa deixou de cumprir a lei e não pagou mais a reposição inflacionária.

De acordo com o presidente da APP-Sindicato, professor Hermes Leão, os estudos orçamentários já comprovaram que o Estado tem condições financeiras e legais para cumprir o pagamento da reposição. Ele explica que o funcionalismo permanece em vigília para cobrar da governadora o imediato atendimento da reivindicação em respeito aos(às) servidores(as) e a população do Paraná.

A chamada Vigília da data-base realiza atividades de formação, como o debate realizado na noite de terça-feira, 12 de junho, com educadores e a comunidade sobre a mercantilização da educação e o papel do cidadão na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Acesse aqui para saber mais sobre o debate.

Saiba mais sobre a Vigília da data-base dos servidores públicos estaduais acompanhando a cobertura dos diversos sindicatos de servidores públicos estaduais:

Sindarspen

SindiSaúde

APP Sindicato

Com informações do FES, APP, Sindarspen e SindSaúde
Foto: APP Sindicato



Interesses internacionais na conjuntura política do Brasil e a construção de projeto de hegemonia popular

13 de Junho de 2018, 8:57, por Terra Sem Males

Coordenador do MST explica que é preciso entender elementos da conjuntura internacional que atuam no país e os desafios e os instrumentos de luta da classe trabalhadora para conquistar o objetivo de construir um projeto político para o país com hegemonia popular

Durante a Plenária Estadual do Congresso do Povo, realizada em Curitiba na última sexta-feira, 08 de junho, durante a 17ª Jornada de Agroecologia, Neuri Rosseto, um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) elencou elementos internacionais que influenciam na conjuntura do país e traçou objetivos que devem ser percorridos pela classe trabalhadora urbana e rural para a concretização de um projeto político para o país com soberania popular.

As características do cenário internacional são permeadas pela crise do capitalismo, que é prolongada e profunda, mas estrutural e resultante do desenvolvimento desse sistema de governo, em que os países de periferia pagam o custo mais alto dessa crise. Internacionalmente, há também a hegemonia do capital financeiro, em que o lucro foi deslocado da produção para o rentismo, com aprofundamento da exploração da mão de obra e dos recursos naturais. E o mundo também passa pela disputa de qual país tem a hegemonia do planeta, em que a China ganhou força com a globalização, configurando uma guerra entre mercado e os armamentos dos Estados Unidos. “Esses dois países disputam também o apoio de países de periferia para consolidação da hegemonia e esses elementos causam instabilidade no mundo todo”, situou Rosseto.

Ele explica que as três saídas sinalizadas pelo capitalismo para resolver o impasse incluem restringir os espaços democráticos para a população; o aprofundamento de políticas neoliberais; e a apropriação de recursos naturais. Esse cenário inclui as mudanças aqui no Brasil, como as reformas impostas que penalizam os trabalhadores, como a trabalhista, que diminui o custo da mão de obra para aumento do lucro, mas não aumenta o emprego formal; e a criação de facilidades para a concentração de renda e riqueza. “Essas saídas do capitalismo não atendem as necessidades da população, somente atendem ao capital”, afirma. Nesse cenário também estão inseridas as guerras regionais como incremento da economia mundial. Rosseto explica que existe o viés do lucro em destruir países e na disputa pela hegemonia: destruir a Síria enfraquece a Rússia e dá lucro para empresas de armamentos. “É uma sociedade organizada pela barbárie, com valores no individualismo, no consumismo e na competição e é esse o Brasil que eles querem. O que vivemos hoje no Brasil não está deslocado desse cenário internacional”, afirmou.

O desafios para a classe trabalhadora é que essa estruturação do capitalismo internacional, que atuou no golpe de 2016, com a queda da presidenta Dilma, que permanece com a manutenção da prisão política de Lula, culminou no enfraquecimento das categorias  e também da esquerda. Rosseto afirmou que é preciso a batalha de ideias junto à população, com o envolvimento do povo na construção desse projeto político de país com hegemonia popular. “É preciso também capacidade de apresentar propostas e de luta por essas ideias, com mobilização”, diz. Esse projeto inclui vida digna para todos, igualdade e diversidade, que os bens sejam comuns a todos, com democracia, participação e autonomia da população, e soberania popular.

“O Brasil que Queremos não é o da Globo, é o dos movimentos populares”, disse, referindo-se à campanha midiática protagonizada pela emissora. “A diferença é que eles abordam direitos individuais, mantém os problemas isolados, sem relacionar com as causas, com o contexto e qual a saída para resolver. Porque a solução mexe nos interesses deles. A democracia mexe no poder do monopólio deles. Não querem mexer nas questões estruturais”, afirmou, relatando sobre como as contribuições da população ao enviarem vídeos são narradas pela Globo. “Queremos que o projeto político desse país seja uma construção popular organizada e fruto da mobilização para que o povo se sinta sujeito deste projeto”, define. “Queremos um mundo melhor e uma sociedade melhor para todos e não para poucos. É preciso mexer na estrutura que concentra poder, riquezas e privilégios na mão de uma minoria”. Para os movimentos populares que constroem o Congresso do Povo, um projeto político de país com hegemonia popular depende da capacidade da classe trabalhadora em elaborar essa proposta, se unir em torno dela e se mobilizar na luta para que se concretize.

Saiba mais: Plenária do Congresso do Povo organiza a luta durante Jornada de Agroecologia

Por Paula Zarth Padilha
FETEC-CUT-PR



Sem salários, trabalhadores da Cohab fazem manifestação na Câmara de Vereadores de Curitiba nesta terça

12 de Junho de 2018, 8:52, por Terra Sem Males

Apesar da paralisação de todas as atividades da Cohab Curitiba, os salários atrasados há 12 dias ainda não foram pagos. Por conta disso, trabalhadores e sindicatos estarão reunidos a partir das 8h, desta terça-feira, em frente à Câmara de Vereadores quando será mantido o movimento grevista.

Os vereadores Professora Josete, Felipe Braga Cortes e Ezequiel Barros estiveram presentes no piquete de greve, em frente à entrada da Cohab, na tarde de segunda, 11, quando começou a greve, e se comprometeram a criar uma comissão que terá como objetivo debater a situação da Companhia.

A comissão deverá se reunir com representantes do SINDIURBANO-PR e dos outros três sindicatos que estão à frente da greve, representantes dos arquitetos, assistentes sociais e engenheiros que trabalham na Cohab.

“A reunião de amanhã, na Câmara de Vereadores não será somente para cobrar o pagamento dos salários deste mês, mas para debater os problemas da Cohab e para que não tenha mais atraso de salários nos próximos meses”, afirmou Luiz Carlos Viana, diretor do SINDIURBANO-PR.

Para a vereadora Professora Josete, a greve é legítima, uma vez que são constantes os atrasos salariais. “Nós entendemos que a COHAB é uma empresa muito importante na construção de política pública na área de habitação, principalmente para a população de baixa renda”, disse.

“Não é possível que não exista um projeto de reestruturação da COHAB e  da garantia do reequilíbrio financeiro dessa empresa para que mantenha sua função social e ao mesmo tempo para garantir direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, cobrou a vereadora.

Esteve presente no piquete de greve, também, o vereador suplente Edson do Parolin, que falou sobre a importância da Cohab para a população das áreas periféricas da cidade, como a Vila Parolin.

O SINDIURBANO-PR solicitou uma mediação junto ao Ministério Público do Trabalho para debater os atrasos salariais recorrentes e o descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho por parte da Cohab Curitiba.

Fonte: Sindiurbano

 



Festival da Comunicação Sindical e Popular vai levar para a Cinelândia debate sobre 1968, ditadura no Brasil e resistência ontem e hoje

12 de Junho de 2018, 8:33, por Terra Sem Males

Acervo do NPC e materiais de sindicatos e movimentos populares estarão expostos em barraquinhas em praça pública

O Núcleo Piratininga irá realizar, no dia 24 de julho, o 2º FESTIVAL DA COMUNICAÇÃO SINDICAL E POPULAR. Mais uma vez, a ideia é levar para a rua a produção da imprensa sindical, popular e alternativa no nosso país desde o início do século passado. Será uma feira da comunicação dos trabalhadores, com tudo organizado em barracas e exposto para quem estiver passando pelo Centro do Rio nesse dia.

Como se trata de comunicação do povo, de ecoar as vozes do morro, não há lugar melhor do que a Cinelândia. Nesse histórico bairro, serão apresentadas lutas e histórias em aulas públicas sobre momentos vividos e que têm relação com os desafios de hoje.

Ao longo do dia, haverá rodas de conversa sobre: “a resistência no Brasil em 1968: luta armada, contracultura e movimento operário”; “pensamento de Che Guevara e Marighella nos acontecimentos de 1968”; e “Liberdade de Expressão nas favelas cariocas ontem e hoje”.

Além dos debates e exposição de materiais, haverá ainda uma intensa programação cultural. O Grupo do Teatro do Oprimido estará presente, com a participação de Geo Britto e Julian Boal coordenando uma apresentação dos alunos do curso de comunicação popular do NPC. Também haverá apresentações do ator Carlos Maia e rodas de samba, funk e hip hop para fechar o dia.

24/7: Dia da Comunicação Popular no Rio de Janeiro

24 de julho é Dia Municipal da Comunicação Popular, por iniciativa do mandato do vereador Renato Cinco (PSOL). Realizado pela primeira vez no ano passado, entrou para o calendário oficial do estado do Rio de Janeiro através de projeto de lei do deputado estadual Eliomar Coelho (PSOL-RJ). A data é em homenagem a Vito Giannotti, um grande lutador pela comunicação dos trabalhadores, que faleceu em julho de 2015.

Nesse dia, também haverá uma homenagem a Marielle Franco. Potente voz do morro em defesa dos trabalhadores, foi calada tão precocemente, em 14 de março de 2018.

Como participar do Festival

Os sindicatos, associações, coletivos de comunicação e movimentos populares poderão ter uma barraquinha para expor suas publicações. Interessados devem entrar em contato com o NPC pelo e-mail npiratininga@piratininga.org.br ou pelo telefone (21) 98556-3909.

Também foi dado início ao financiamento coletivo do festival. Todos os apoios serão divulgados! A contribuição pode ser feita pelo site https://www.kickante.com.br/campanhas/2o-festival-da-comunicacao-sindical-popular ou através de depósito na conta do NPC. As entidades terão recibo. Os dados bancários são:

NÚCLEO PIRATININGA DE COMUNICAÇÃO
CNPJ: 02.510.093/0001-20
Banco do Brasil
Agência: 3520-3
Conta: 63311-9
Em breve será divulgada a programação completa! Para saber mais sobre o Festival, acesse aqui. 


Com arrocho salarial de 11%, servidores estaduais acampam no Centro Cívico

11 de Junho de 2018, 19:46, por Terra Sem Males

Começou hoje, 11, a vigília em frente ao Palácio Iguaçu para exigir do governo a reposição salarial, que é de lei. Diversos sindicatos que representam os servidores estaduais estão se dispondo a permanecer na Praça do Massacre até que a governadora se decida.

No final de semana, o governo chamou às pressas uma reunião com os sindicatos do Fórum das Entidades Sindicais – Fes. Mais uma vez, o Fórum demonstrou que o governo tem dinheiro e pode pagar sim o que a lei permite, que é 2,76%, embora a dívida seja de 11,53%. A assessoria econômica do Fes também provou que o Estado não está descumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Que mesmo pagando a data-base, a projeção é que o Estado gaste 46% da receita em pessoal. O limite é de 46,55%.

Esse percentual de 2,76 é referente à inflação dos últimos doze meses. É pouco? É. Mas não acumula pra frente, diz uma sindicalista.

Os dirigentes do Fórum também exigiram que os projetos de lei que preveem a reposição salarial de outros poderes fossem retirados de pauta. Pelo menos até chegar a proposta de reposição para as/os servidoras/es do Poder Executivo.

A pressão foi tamanha que, já no início da tarde, o presidente da Assembleia Legislativa retirou da pauta esses projetos – Legislativo, Tribunal de Justiça, TCE, MP e Defensoria Pública. Segundo Traiano, a tramitação fica suspensa até a próxima segunda-feira, 18.

LDO – O governo ainda tem uma enorme dívida com o funcionalismo. E são 11, 53% que o ex-governador Beto Richa ignorou e deixou de pagar. Na reunião, ficou o compromisso de colocar na LDO para que as/os funcionárias/os do Poder Executivo possam recuperar o que foi perdido.

Texto: Lea Okseanberg/SindSaúde-PR

Foto: Tiago Somma/APP-Sindicato



Servidores da Cohab entram em greve por atraso de salário

11 de Junho de 2018, 9:19, por Terra Sem Males

Desde junho de 2017, o pagamento ocorreu em dia apenas em dois meses. A greve é por tempo indeterminado, até que os vencimentos sejam quitados

Servidores da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) entram em greve a partir das 8h desta segunda-feira (11), para cobrar o pagamento de salários atrasados. Desde junho de 2017, o pagamento ocorreu em dia apenas em dois meses.

A previsão legal é de que os salários devem ser depositados no último dia útil de cada mês. No entanto, a média de atraso tem sido de 10 dias. No caso dos vencimentos referentes a maio, não foram pagos até agora.

A decisão da greve foi tomada em assembleia geral dos funcionários, na última sexta-feira (8). Os trabalhadores pretendem seguir paralisação até que os salários sejam pagos. A mobilização é resultado da ação conjunta de quatro sindicatos

Edilene Pires da Silva Andreiu, Engenheira Civil da Cohab e diretora do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), diz que os atrasos refletem a postura da prefeitura com a política de habitação popular. “É um desrespeito com os trabalhadores, e também com a população, por refletir a precarização de uma área primordial para a promoção do direito à moradia para a população”. Atualmente, há 51 mil pessoas inscritas na fila da Cohab, pelo acesso à casa própria.

Na avaliação dos sindicatos que representam os funcionários, a prefeitura se exime da responsabilidade com os salários, mesmo sendo detentora de 99% das ações da Companhia.

A Companhia é responsável pela construção de cerca de 700 empreendimentos habitacionais populares, em 40 dos 75 bairros de Curitiba. No total, ao longo de 53 anos de criação do órgão, 139 mil habitações foram construídas.

Fonte: Senge PR



Agroecologia é resistência e tem o apoio da sociedade

8 de Junho de 2018, 19:40, por Terra Sem Males

“Nosso projeto de resistência existe e tem base material para contrapor o modelo do agronegócio”, afirma Ceres Hadich, da coordenação nacional do MST

Por Paula Zarth Padilha
Foto Joka Madruga
Terra Sem Males

A agricultura praticada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com a produção de alimentos sem agrotóxicos e sem transgênico, encontra acolhimento em uma necessidade real da população e os resultados são mensuráveis na 17ª Jornada de Agroecologia, realizada em Curitiba.

De acordo com Ceres Hadich, da coordenação nacional do MST, na feira localizada na Praça Santos Andrade, a estimativa é que se comercialize 30 toneladas de alimentos nestes quatro dias de jornada, a maioria produtos com certificação orgânica ou em processo de conversão. Para ela, é preciso agora que a população compreenda que outros fatores são determinantes para a agroecologia: “a democratização do acesso à terra, políticas públicas, educação no campo”, explicou durante coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira, 08 de junho, ao lado do coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile.

“Nosso projeto de resistência existe e tem base material para contrapor o modelo do agronegócio, que não é capaz de gerar segurança como um todo”, afirma Ceres. Um exemplo do que ela diz foi mencionar a quantidade de animais que morreram durante a greve dos caminhoneiros. “A insustentabilidade do modelo do agronegócio: um frango morrendo na zona rural é porque lá não se produz alimento”.

Ao ser questionado sobre uma avaliação da greve dos caminhoneiros, Stedile afirmou que foi uma greve didática e pedagógica, que o MST apoiou desde o primeiro momento pois a pauta era pela redução do preço dos combustíveis, algo que penaliza toda a população. Ele refutou que tenha sido locaute, afirmando que a paralisação iniciou com autônomos e que as empresas entraram depois e que a greve foi vitoriosa porque derrubou Pedro Parente.

Ao ser questionado pelo Terra Sem Males sobre quais as dimensões do golpe de 2016 no aumento da violência no campo, Stedile refutou a narrativa de criminalização e destacou que existem três fatores, que são a reforma trabalhista, que transformou os trabalhadores rurais em neo-escravos por possibilitar atrelar pagamento de salário a troca por moradia e comida, e que isso é violência; a suspensão pelo governo das áreas quilombolas e indígenas, incentivando vizinhos fazendeiros a invadir essas áreas; e na região de fronteira amazônica em que posseiros promoveram três massacres nesse período. Para ele, só a organização popular é capaz de proteger os povos desse tipo de agressão. “A violência no campo voltou a crescer, resultado da correlação de forças”.

Ceres destacou que o sentimento de ódio e intolerância não é só no campo, mas depois do golpe o governo federal inviabiliza os programas da agricultura familiar com corte de verbas, referindo-se ao PAA e ao PNAE, e que cada vez que um posto de saúde é fechado é também um processo de violência das cidades distantes.

Stedile declarou que a provável vitória de Lula nas eleições altera essa correlação de forças, trazendo mudanças no congresso e que a ameaça atual, do PL que libera os agrotóxicos, possivelmente haja um ganho de tempo por ser ano eleitoral. Para ele, no período pós golpe “os capitalistas se sentem com mais força para fazerem o que querem, tendo consequências para quem vive no campo”, mas também nas cidades.

Sobre o governo Temer, falou que a crise afeta o presidente, mas está difícil porque não tem diferença se ele sair agora. “A crise política é insustentável porque não tem alternativa para a direita. Para nós, a porta de saída da crise são eleições democráticas e a garantia de Lula disputar a presidência”.