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Terra Sem Males

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Jornalismo alternativo, ética e inovações da profissão são discutidos em Congresso em Tocantins

22 de Abril de 2018, 8:08 , por Terra Sem Males - | No one following this article yet.
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“O momento em que vive o Brasil e, consequentemente, o ensino superior, impõe desafios redobrados para o jornalismo”. Foi desta forma que Marcelo Bronosky, presidente da Associação Brasileira de Ensino de jornalismo (ABEJ) abriu o 17° encontro nacional de professores de jornalismo.

Durante quatro dias o Congresso sediado pela Universidade Federal de Tocantins debateu entre quase 50 professores de jornalismo e representantes de organizações de defesa do jornalista de todo o Brasil temas como as novas diretrizes do currículo da área, ética profissional e regulamentações do estágio na profissão.

Os impactos iminentes da reforma trabalhista na educação superior foram pontuados como extremamente preocupantes no Encontro. O professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Sérgio Gadini, comparou à situação da Espanha. Os trabalhadores do país europeu já sofrem as consequências da reforma laboral instituída em 2012, bastante semelhante à brasileira.
“Os espanhóis já comprovaram a retirada de direitos trabalhistas, a precarização das relações de trabalho e o enfraquecimento das entidades representativas. Perder a condição de reivindicar direitos torna o trabalhador mais vulnerável ao poder do capital. Nossa economia já mostra que os governos ficam reféns de sistemas que cada vez mais cortam recursos destinados a serviços públicos essenciais, como a educação, a pretexto de que isso seria um gasto”, explica.

Já fazendo uma análise mais interna do papel do professor, o pesquisador do departamento de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, Alfredo Vizeu, trouxe em conferência a reflexão sobre o ensino em tempos de crise. Para Vizeu, o jornalismo contribui para a formação de um espelho da realidade, mas tem se submetido ao falso poder de prever e sentenciar por meio da mídia, esquecendo da premissa maior da profissão: a ética. “O jornalismo tem como missão básica interpretar a realidade social e com isso contribuir para que o ser humano compreenda mais as sociedades complexas. Essa é uma função central do jornalismo: as sociedades democráticas”, enfatiza.

Práticas de ensino de relevância social foram apresentadas como fundamentais na proposta de cumprir o papel social do jornalismo. O incentivo ao jornalismo alternativo, a exemplo do próprio Terra Sem Males, foi apresentado como uma forma de luta, militância e resistência à mídia hegemônica. Para a professora da UFRGS, Sandra de Deus, “o docente abre possibilidades para que os estudantes compreendam que existem outras alternativas e que estas têm um compromisso com o jornalismo e não com empresas. Este é o papel do professor em sala e em diferentes projetos que realiza, seja na pesquisa ou na extensão”, enfatiza.

Diante da necessária atualização constante dos profissionais do ensino, uma das discussões foi o desafio de professores diante das novas plataformas e convergências em jornalismo sem precarizar o ensino e as relações de trabalho.

Atualmente, o país conta com 315 instituições de ensino em jornalismo regulamentadas. Uma constante preocupação das instituições de ensino é em como lançar esses profissionais que estão sendo formados no mercado. Para Vizeu, é simples e objetivo o papel do professor nesse momento. “Nós temos que instrumentalizar nossos alunos do ponto de vista teórico e prático para que desenvolvam atividades da profissão, mas sempre com a centralidade na ética e na qualidade da informação”.

por Silvia Valim

Terra Sem Males

Foto: Erivam de Oliveira


Fonte: http://www.terrasemmales.com.br/jornalismo-alternativo-etica-e-inovacoes-da-profissao-sao-discutidos-em-congresso-em-tocantins/