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O abre alas de Eleonora

14 de Abril de 2018, 8:21 , por Terra Sem Males - | No one following this article yet.
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O ato político da noite desta sexta-feira 13 no Acampamento Lula Livre teve seu momento todo feminista. Saudada pelas mulheres acampadas, militantes e resistentes dos diversos pontos da cidade, a ex-ministra Eleonora Menicucci desembarcou em Curitiba e, direto do aeroporto, entrou na Praça Olga Benário ao som do hino feminista “abre alas que as mulheres vão passar”, uma readaptação da obra de Chiquinha Gonzaga.

Para quem ainda não teve a oportunidade de visitar o Acampamento Lula Livre, em Curitiba, a Praça Olga Benário é o nome de batismo do local de atos políticos do acampamento. Ali não existe um palco, mas um registro escrito no asfalto. A praça termina num cordão de isolamento, destes pretos e amarelos utilizados pela polícia, na rua que termina na sede da Polícia Federal, onde o presidente Lula está preso. O perímetro marca o isolamento obtido pela Prefeitura de Curitiba com uma liminar judicial. Com uma estrutura básica de microfones e caixas de som, as declarações públicas de apoio e solidariedade ao presidente Lula são narrativas construídas ali, com a multidão de apoiadores em volta.

Formam-se círculos em torno de quem está com a palavra, com o coletivo de imprensa providenciando fotos e transmissões ao vivo ajeitados no chão (ou em pé, se abaixando, em banquetas) para que as demais pessoas possam ver. No ato com Eleonora, houve um diferencial. A equipe de disciplina, coordenada pelo MST, formou um cordão de isolamento, de mãos dadas, camuflados entre mulheres, as que foram convidadas a entrar e se aproximar.

“Nós mulheres somos protagonistas da resistência”, bradou Eleonora Menicucci ao chegar no microfone, vinda diretamente do meio das mulheres que se aglomeravam para ouvi-la.

A ministra declarou que está na resistência há 2 anos e meio, desde que teve início o golpe que tirou a presidenta Dilma Rousseff, sua amiga. Para ela, essa segunda etapa do golpe, identificada pela prisão do presidente Lula, tem semelhanças com a ditadura civil militar de 1964, na qual foi presa e torturada, ao lado de Dilma, mas também tem diferenças: “hoje o golpe se reveste de toga”.

Diretamente de seu lugar de fala, situou seu olhar transversal para a abordagem de gênero, afirmando que o golpe que vivemos afeta diretamente a vida das mulheres, especialmente das mulheres negras, de forma violenta. Ela relembrou tudo o que Marielle e sua execução, ocorrida há exatamente um mês, representa: o assassinado de uma mulher negra, lésbica, pobre, favelada, que ascendeu à representação popular pela política. “Nós todas fomos executadas com Marielle”.

Eleonora alertou que os casos de estupro aumentaram e que a banalidade com o tema desencadeou no evento judicial protagonizado por ela com o ator pornô Alexandre Frota. “O golpe criou a impunidade, que também nos afeta”. A ministra também relatou o aumento no número de feminicídios e descreveu os três pilares de enfrentamento e resistência para o atual momento político do país, mas que são lutas históricas: a luta de classes, a luta contra o patriarcado e a luta contra a escravidão. Afirmou que a escravidão nunca foi enfrentada no país e que a PEC das domésticas, instituída no governo Dilma, retirou, pela primeira vez, a escravidão de dentro de nossas casas: com o direito à carteira assinada, férias, FGTS, jornada de trabalho para essas trabalhadoras.

Eleonora testemunhou que a resistência do Acampamento Lula Livre, sediado em Curitiba, se espalha por diversos pontos do país. E que, na última quarta-feira, 11 de abril, ela e outras mulheres idosas estavam presentes numa manifestação que fechou o vão do MASP, na Avenida Paulista. “Nós estamos fazendo pelo Brasil afora essas manifestações pela libertação de Lula. Não há outra coisa a fazer. É rua. Não podemos sair das ruas, que é lugar de quem trabalha, lugar de quem luta”, convoca.

A ministra encerrou seu discurso afirmando que Lula é o primeiro preso político do golpe de 2016. E que é preciso romper com todos os acordos com a burguesia. “Os pactos têm que vir debaixo e é isso que estamos construindo”.

As pedir palmas para as mulheres, Eleonora Menicucci disse que permanece no acampamento em Curitiba durante todo o final de semana. Ao final, foi homenageada pelas mulheres do Movimento das Pequenas Agricultoras (MPA).

Por Paula Zarth Padilha
Foto: Giorgia Prates
Terra Sem Males


Fonte: http://www.terrasemmales.com.br/o-abre-alas-de-eleonora/