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Ressureição

9 de Abril de 2014, 20:25 , por Rafael Pisani Ribeiro - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Licenciado sob CC (by-nc-sa)

 

 

Este foi um trabalho de faculdade, no qual tivemos que criar um final alternativo para o poema de João Cabral de Melo Neto, chamado Morte e Vida Severina. Apesar de considerar a literatura algo imutável, achei interessante esse desafio e usei da influência de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, o espetacular João Guimarães Rosa. A influência dele é clara, está presente em citações e um de seus personagens. Espero que gostem. Grato.

 

 

Na capital

Esperava encontrar vida normal

Mas o que viu foi sofrimento

E o mesmo mal

Nos manguezais

Homens misturados no barro

Precários cacos

Dormindo em barracos

Isso lhe bastou

E o desespero veio a calhar

E no mesmo rio que lhe havia despontado antes

Ele quis se afogar

Porém alguém chegou primeiro

Havia ali um garoto

A margem da água grossa e carnal

Pronto para o salto final

Cumprindo sua sina

De vida Severina

 - Ei, meninim? O que está fazendo? (S)

 - Meu nome é Diadorim e esse é meu fim. (D)

 - Não faça isso, deixe isso pra mim. (S)

 - Mas meu destino se fez assim. Minha vida, minha sina. (D)

 - O que dizer do meu? Por onde andei, a morte abracei. (S)

 - O trágico não vem a conta-gotas, retirante. (D)

 - Você está na flor da idade, como uma rosa. (S)

 - De rosa minha vida não tem nada. Estou criando coragem e vou pular. (D)

 - Coragem vem do estômago, Diadorim, tudo mais é desespero. (S)

 - Coragem pra mim é o que a vida quer da gente,

Quando esquenta e afrouxa,

Sossega e desinquieta. (D)

 - Você não sabe o que está fazendo, Diadorim. (S)

 - Retirante, o nosso espírito é cavalo que escolhe estrada, quando ruma para tristeza e morte, vai não vendo o que é bonito e bom. (D)

Diadorim pulou no rio

Severino pulou para lhe salvar

A morte estava por toda parte

Mas a daquele jovem ele podia evitar

Que o destino escolhe estrada, não se pode duvidar

Severino tinha a sina e não sabia nadar

Mas da própria morte ele havia desistido

Queria salvar o garoto

E contemplar a beleza da vida pela primeira vez em sua travessia

Travessia aquela que passava sob seus olhos

Juntamente com todas as lembranças de sua vida Severina

Era a morte, dessa vez para abraçar sua própria carne

Mas outra coisa o abraçou

Era Diadorim

Seu corpo foi sendo levado para a borda

Severino ganhou uma nova chance

Diadorim não foi visto mais

Fino, estranho, inacabado

É sempre o destino da gente

Severino se pergunta

Se ainda vale a pena se matar

Após presenciar o nascimento de sua própria vida

Ele se convence

A morte não compensa

Ainda que seja uma vida como a dele

Severina

 

Lembrem-se de referenciar a fonte caso utilizem algo deste blog. Dúvidas, comentários, complementações? Deixe nos comentários.

 

Escrito por: Matheus Franckevicius

 

Observação: No servidor anterior foi postado no dia 21/11/2013 as 22:03.


Tags deste artigo: poesia

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