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A quinta das cinco lições de Psicanálise de Freud

5 de Abril de 2014, 8:15 , por Rafael Pisani Ribeiro - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Introdução

As Cinco lições de Freud foram feitas e apresentadas em 1909 ao fim de sua vida. Nelas ele explica de forma breve os preceitos da psicanálise, podendo ser considerados como ótimos textos introdutórios para a teoria geral. A própria leitura desse texto pode não ser simples, isso porque a leitura de psicanálise não é simples. Mesmo sendo complexa é mais simples que a original listada na fonte de referências. Para facilitação da leitura essa lição foi dividida em quatro temas da qual trata a mesma. Como explicação, prazer sexual para Freud na infância não se refere ao ato sexual, e sim o prazer vindo através dos instintos sexuais que estão na infância, isto é, prazer no que ela faz.

A descoberta da sexualidade infantil e a cultura

 Com a descoberta da sexualidade infantil e atribuição dos componentes instintivos eróticos aos sintomas das neuroses descobriu-se fórmulas inesperadas para sua natureza e tendência. Indivíduos podem adoecer por obstáculos exteriores ou ausência de adaptação interna. Faltando-lhes no fim satisfação das necessidades sexuais resultando em fuga na moléstia para satisfação substitutiva[1].

Encontra-se nela certa parcela da atividade sexual do sujeito ou toda ela e no caso de realidade insatisfatória mesmo a doença proporciona um prazer imediato, regredindo as primeiras fases da vida sexual onde não faltou satisfação. Nesse sentido a regressão é tanto temporal quanto formal, a primeira porque volta à época onde encontrava o prazer, a segunda porque emprega meios psíquicos originários e primitivos para satisfazer a necessidade.  Nesse sentido, quanto mais estudadas as afecções nervosas[2] mais as conexões com as produções da vida mental do homem serão apreciadas.

 Em nossa cultura, com suas elevadas aspirações e íntimas repressões compensamos a insatisfação da realidade com uma vida de fantasia onde os desejos são realizados. Nestas fantasias vão estar à natureza constitucional do sujeito e os sentimentos reprimidos, onde homem energético e vencedor é aquele capaz de transformar seus castelos de ar em realidade. Caso contrário, seja por fraqueza ou oposição ao mundo exterior o indivíduo vai para o mundo de fantasias onde pode alcançar o gozo, ou se configurar como um sintoma em caso de moléstia.

Em boas condições é possível encontrar outros caminhos para tal, por exemplo: caso o sujeito tenha dotes artísticos psicologicamente ainda enigmáticos, as fantasias podem se tornar criações artísticas e não sintomas, mantendo a ligação com a realidade.  Quando não há nada como via escapatória chega-se a neurose, sendo que, os mesmos componentes existem nos neuróticos e saudáveis, a diferença é a quantidade e proporção que dará um resultado de neurose, saúde ou sublimação compensadora[3]. Quanto ao tratamento psicanalítico, no caso de um neurótico ocorre a “transferência”, isto é, uma série de sentimentos afetuosos as vezes de hostilidade que são dados ao médico.

A transferência

 Ela não é justificada em relações reais e sim em antigas fantasias tornadas inconscientes. Só por esse fator é possível convencer o doente da existência do poder desses sentimentos sexuais inconscientes e transformá-los em outros produtos psíquicos. Segundo Ferenczi o médico desempenha o papel de atrativo para a energia afetiva dos pacientes. Por meio do estudo da transferência é possível perceber que a hipnose era um meio terapêutico, mas removia as resistências psíquicas do território transformando-as em muralhas intransponíveis nos confins de si mesmo, constituindo um empecílho ao conhecimento científico em questão.

A transferência não é produzida pela psicanálise, ela surge em todas relações humanas, inclusive com o médico. É o verdadeiro veículo de ação terapêutica e age mais quanto mais se pensa não existir, portanto a psicanálise só a traz a consciência, sendo importante tanto para o médico quanto para o paciente. Nesse contexto a resistência ao tratamento é algo natural porque o ego do doente recusa-se a livrar da repressão. Isso antes de ter certeza de uma melhor prenda da realidade e para evitar o encontro com as disposições originárias. Como a psicanálise faz para guiar  os desejos inconscientes libertados e como são tornados inofensivos ao indivíduo?

O tratamento e seus meios

Quando o sujeito se acha com a psiquê organizada não precisa reprimir os conteúdos, e sim dominá-los mesmo que sejam hostis. Pode também torná-los úteis como seriam se não tivesse sido perturbada a evolução. A extirpação radical dos desejos infantis não é o fim ideal, pois retira muitas fontes de energia mental que poderiam ser de grande valor na formação de caráter e na luta pela vida, sendo esse  o caso do neurótico. A sublimação é o caminho mais saudável para guiar os desejos do sujeito, pois os torna úteis para algo além da ordem sexual. Isto é, de maior valor social  que provavelmente fez as maiores conquistas da civilização e a repressão prematura exclui tal caminho.

Existe também uma terceira forma de desenlace do tratamento psicanalítico. Pode-se obter o controle dos impulsos sexuais, sublimá-los para o bem do social e por essas duas formas evitar as neuroses e o afastamento da realidade. No entanto a felicidade individual não deve ser negada pela civilização e por isso a energia do instinto sexual não deve ser totalmente desviada de sua finalidade própria, além de não ser possível isso. Caso seja excessivo, o cerceamento da sexualidade trará todos os danos de uma exploração abusiva. Com todas essas explicações duas são as características que suscitam a crítica da psicanálise.

Das criticas a psicanálise ao cavalo sem aveia

A primeira é a falta de hábito com o determinismo mental. A segunda o desconhecimento dos processos mentais inconscientes e seus pormenores que se diferenciam dos conscientes que nos são familiares. Teme-se que trazendo impulsos sexuais reprimidos a consciência sejam aniquiladas as aspirações morais, privando o homem das conquistas da civilização. Assim como em uma cirurgia, para retirar o incômodo é preciso tocá-lo, e assim causar certos incômodos até mesmo durante o pós operatório. Tudo isso é justificado desde que a cura, supressão definitiva do estado mórbido seja alcançada. 

A mesma lógica vale para os conteúdos sexuais reprimidos da psicanálise. A destruição do caráter civilizado através da libertação desses impulsos instintivos é um desfecho temido, mas, absolutamente impossível. Este temor não leva em conta que quando inconsciente o poder mental e somático de um desejo se manifesta muito mais forte que quando consciente, a esse nível só pode enfraquecer. Quando inconsciente escapa a qualquer influência, sendo independente de tendências contrárias, enquanto o consciente já é possível de ser regrado. Para finalizar basta uma história contada na literatura Alemã.

Havia um vilarejo chamado Schilda onde histórias fantásticas eram contadas. Nele existia um ótimo cavalo com força e trabalho bastante satisfatórios, mas consumidor de muito aveia, e esta era cara. Ela foi tirada aos poucos simultaneamente ao costume do animal até que quando foi reduzir de um grão para nada, o animal amanheceu morto e os cidadãos não sabiam o porque. Certamente morreu de fome e sem ração de aveia alguma nada podia ser esperado do animal.[4]

Conclusão 

Finalmente teve fim a série de resumos sobre as 5 lições de Freud. Infelizmente, só na semana de postagem da quarta lição veio uma crítica de uma leitora. Essa crítica foi bastante útil porque demonstrou a necessidade de explicar o que eram as 5 lições e dar a noção de que mesmo mais simplificadas ainda eram complexas. Também como forma de facilitação veio à ideia da divisão em tópicos. Ainda assim, esses resumos mantiveram uma característica do original, isto é, os conteúdos de cada uma são contínuos e só podem ser totalmente compreendidos se lidos como um conjunto. Portanto, a leitura de uma única lição certamente ficará confusa, principalmente para aqueles não acostumados a linguagem Freudiana. Enfim, fica claro que se toda energia psíquica for retirada, o sujeito já não consegue mais se mover.

 Lembrem-se de referenciar a fonte caso utilizem algo deste blog. Dúvidas, comentários, complementações? Deixe nos comentários.

Escrito por: Rafael Pisani

 

Referências bibliográficas:

Disponível em: http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/cincolicoespsicanalise.html . Sigmundo Freud / http://www.cefetsp.br  . Data de acesso: 27 de outubro de 2013


[1] Quando o prazer não é encontrado de uma forma, procura-se alcança-lo de outra.

[2] Doenças do ponto de vista psicanalítico.

[3] Quando o desejo não realizado é sublimado, isto é, demonstrado de uma forma aceita socialmente e assim tal desejo é realizado.

[4] Assim como o cavalo não podia viver sem ração de aveia, psicanaliticamente falando o ser humano não pode viver sem a libido.

 

 


Tags deste artigo: psicanálise

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