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A segunda das cinco lições de Psicanálise de Freud

12 de Agosto de 2014, 13:14 , por Rafael Pisani Ribeiro - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Licenciado sob CC (by-nc-sa)

Simultaneamente ao trabalho de Breuer havia o de Charcot com as histéricas. Este influenciou fortemente as pesquisas de Freud e Breuer em   Preliminary Communication (Comunicação Preliminar) sobre o mecanismo psíquico dos fenômenos histéricos, relacionado com o tratamento catártico de Ana Ó. No entanto, Charcot não era adepto as concepções psicológicas e seu discípulo Pierre Janet penetrou mais profundamente a histeria. O ponto central da teoria de Janet para Freud era a divisão da mente e dissociação da personalidade e por isso o seguiu, além disso, Janet partia do ponto que a histeria era uma forma de alteração degenerativa do sistema nervoso, sendo que os pacientes desse tipo não teriam capacidade de lidar com a multiplicidade dos processos mentais e por isso a dissociação psíquica.

Freud compara isso a uma mulher cheia de compras a carregar quando ao recolher uma derrubava outra, afirmando assim Janet ter esquecido os fatores compensatórios, ou seja, enquanto a paciente de Breuer não falava a língua materna e outros idiomas, era tão apta no inglês por traduzi-lo a primeira vista perfeita e corretamente. Logo abandonou a teoria de Janet por diferente dele fazer um trabalho terapêutico e não experiências de laboratório, além de logo largar a hipnose em prol da catarse. Descobriu por meio de Bernheim ser possível trazer conteúdos desconhecidos pelo próprio indivíduo através de um interrogatório onde era assegurado que o sabiam e só precisavam dizer, porém com o tempo Freud notou ser um processo extenuante e inadequado para uma técnica definitiva. Com as observações concluiu a existência escondida das recordações devido a algo que as detinha permanecendo inconscientes se configurando como resistência à vinda das lembranças ao consciente.

Essa é a repressão, força que leva ao inconsciente a lembrança ruim e é a resistência suprimida para a vinda da lembrança ao consciente. Ela ocorre quando um desejo é incompatível com a moralidade e aspirações estéticas da personalidade. Ou seja, incompatibilidade entre a ideia e o ego do doente configurando-se como uma proteção à personalidade psíquica visando evitar o desprazer. Um exemplo dado por Freud é o de uma paciente que desejava o cunhado, noivo da irmã.

Isso levava ao desejo da morte da irmã e quando ela faleceu ocorreu a ideia de que o cunhado estava livre, mas logo o conteúdo foi reprimido e traduziu-se em sintomas histéricos que quando tratados deu-se a oportunidade de relembrar o acontecido e efetuar a cura. Trata também de um exemplo onde dentro de uma sala de auditório um indivíduo se comporta inconvenientemente e é expulso com duas cadeiras travando a porta para que não entre. Ele continua dando trabalho do lado de fora, e acaba sendo reconvidado para dentro por um mediador. Assim cortamos a fonte dos problemas e a palestra pode ocorrer normal e, assim é tratado com o neurótico.

Apesar disso o desejo continua a existir no inconsciente a procura de um substituto para se demonstrar. Quando restituído o conteúdo a atividade mental consciente ou o paciente aceita o conteúdo total ou parcialmente, faz dele uma sublimação ou reconhece como justa a repulsa, de todas as formas vai ao controle consciente do desejo. A sala de palestras seria o consciente, o lado de fora o inconsciente. Essa é a grande diferença entre Freud e Janet.

Um define o conflito entre forças contrárias como fonte do problema, o outro a incapacidade inata para a síntese do aparelho psíquico. A própria paciente de Breuer não deve ser vista pelo ponto da repressão pelo simples fato de ser obtido os resultados através do hipnotismo, um mecanismo que encobre a resistência deixando livre o caminho para o setor protegido, sendo a ligação entre traumas psíquicos e experiências patogênicas o tema marcante da teoria de Breuer.  Por fim, é difícil perceber a formação dos sintomas partindo da repressão, mas basta lembrar do sujeito perturbador.

Lembrem-se de referenciar a fonte caso utilizem algo deste blog. Dúvidas, comentários, complementações? Deixe nos comentários.

Escrito por: Rafael Pisani

Referências bibliográficas

 

Disponível em: http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/cincolicoespsicanalise.html . Sigmundo Freud / http://www.cefetsp.br  . Data de acesso: 06 de novembro de 2013

 


Tags deste artigo: psicanálise

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