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A terceira das cinco lições de Psicanálise de Freud

4 de Abril de 2014, 20:29 , por Rafael Pisani Ribeiro - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Licenciado sob CC (by-nc-sa)

Nessa lição Freud fala da associação Livre, análise dos sonhos e estudo dos lapsos e atos causais. A insistência do método de Bernheim se tornou inútil e novamente se lamenta o abandono do hipnotismo, havendo necessidade de outro método. Esse vem através da definição dada pela Escola de Zurique de complexo, isto é, um grupo de elementos ideacionais interdependentes, catexados, isto é, cheios de energia afetiva.

O método é a cura pela fala e associação, porém devido à repressão o pensamento traz um conteúdo distorcido, quase como um sintoma. Talvez como palavras indiretas caso a resistência não seja muito intensa, ou um chiste

 ou pela sublimação- um mecanismo que transforma o proibido em algo permitido pela sociedade. Nesse sentido, o doente vai sempre afirmar não saber o que dizer, mas sempre haverá relação indireta ou direta com conteúdos inconscientes. Quanto maior a importância do conteúdo mais desagradável será, porque há mais resistência, sendo todos importantes, não importa o quanto pareçam insignificantes. A técnica de associação para o psicanalista é tão importante quanto a análise de sonhos.

Elas são uma grande janela para o inconsciente e sua análise é a entrada que leva a ele. Ao ponto que para fazer-se psicanalista é preciso estudar os próprios sonhos. São ao mesmo tempo semelhança com a vida externa e intimidade com as criações da alienação mental, além de compatíveis com a mais perfeita saúde na vida desperta, e nisso até os psiquiatras são leigos.

Os sonhos eram mais valorizados pelos antigos como revelação do futuro, mas atualmente perdeu-se tal valor para eles sendo tratados como algo absurdo e portanto  ignorados. Isso se dá porque possuem tendências imorais e menos regras, porém a psicanálise lhes dá um valor, mas não de previsão do futuro. Nem todos são estranhos, incompreensíveis e confusos, mas a grande diferença do sonho infantil para o sonho adulto é que o primeiro reflete a realização de desejos não realizados e com pouca resistência, bastando lembrar o dia da véspera do sonho para desvendá-lo, enquanto o segundo também reflete a realização velada de um desejo reprimido e por isso vem cheio de simbologias e distorções devido à repressão.

Por perder sua força ela permite substitutos deformados dos pensamentos inconscientes no sonho e por isso o sonhador reconhece tão mal o sentido de seus sonhos quanto o histérico com as correlações de seus conteúdos e a significação de seus sintomas. Esse disfarce mostra a existência de pensamentos latentes no sonho, além do nexo desses pensamentos com o conteúdo manifesto e, através da associação livre é possível chegar a tais pensamentos assim como o doente se surpreende com seu complexo oculto. Sobre a questão dos pesadelos, para julgar se o é de fato é preciso analisar o sonho antes de fazer qualquer juízo sobre ele, além de ser nada mais que um sonho que se pôe excessivamente a serviço da satisfação de desejos reprimidos. Tudo isso torna o sonho um meio de grande importância para o estudo do inconsciente.

Isso porque através da elaboração  do sonho é possível ter acesso a maiores conteúdos, uma vez que a resistência é reduzida dentro dele. A junção de vários agrupamentos mentais é uma característica do sonho, principalmente a condensação e o deslocamento, sendo um processo semelhante ao de criação de sintomas cuja a repressão falhou. Pela análise é possível descobrir a importância das impressões e fatos da primeira e tenra infância no desenvolvimento do homem, porque no sonho da criança se encontram suas aspirações, peculiaridades, processos de repressão, sublimação e formações que no fim formam o chamado homem normal, criação e parte vítima de sociedade tão penosamente construída.  

É possível descobrir a representação de certos complexos sexuais, simbolismo variável  individualmente e também fixo, que parecem coincidir com o que imaginamos por trás de mitos e lendas, e talvez o sonho explique tais lendas.  Assim, o estudo dos sonhos já é por si só justificado e por ele é possível encontrar os desejos ocultos e reprimidos e retirar o excesso de resistência do doente. No entanto, seus adversários ainda o questionam.

Eles ou evitam estudar os sonhos ou possuem objeções bem superficiais e são em sua maioria cientistas. A psicanálise não é necessariamente cientifica e por isso cientistas são opostos a ela. Nesse sentido ela não é factível de assentimento imediato e pretende tornar consciente aquilo que está reprimido e mesmo seus críticos estão sujeitos às repressões, talvez mantidas a custa de penosos sacrifícios. Talvez neles as resistências tidas nos doentes se transformem em impugnação intelectual e o orgulho da consciência não permita o acesso ao inconsciente, dando justificação de contradizer seu conhecimento consciente. Mas ainda assim, a técnica é moldada perfeitamente à seus fins, mas não constitui prenda inata e deve ser aprendida. Agora vem o terceiro de grupo de fenômenos psíquicos, isto é, o ato falho.

São pequenos atos aparentemente sem importância como esquecer coisas já sabidas, brincar com objetos, parte da roupa ou o próprio corpo, enfim, atos aparentemente sem importância. Na verdade são atos de extrema importância e podem trair os mais íntimos segredos do homem. Além de poder também levar a parte oculta da mente e existir em saúde perfeita ou imperfeita, mostrando que mesmo nessa situação existe a repressão e a substituição e nisso se inclui uma característica importante do psicanalista.

Ele sempre vê uma causa, talvez até mais de uma para o mesmo evento, enquanto a sociedade se vê sempre satisfeita com uma única causa psíquica. Por fim, caso seja unida a livre associação, os sonhos, falhas e ações sintomáticas, além de outros fenômenos surgidos durante o tratamento psicanalítico é possível chegar a conclusão de que a técnica psicanalítica é suficientemente capaz de trazer a consciência o material psíquico patogênico. O fato de aumentar os conhecimentos sobre a vida mental é apenas estímulo e uma das vantagens de tal trabalho.

Lembrem-se de referenciar a fonte caso utilizem algo deste blog. Dúvidas, comentários, complementações? Deixe nos comentários.

 Escrito por: Rafael Pisani

 Referencias bibliográficas

Disponível em: http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/cincolicoespsicanalise.html . Sigmundo Freud / http://www.cefetsp.br  . Data de acesso: 13 de outubro de 2013

 Disponível em: http://dimensaohumana.blogspot.com.br/2007/06/o-que-chiste.html . Daniela Augusta / http://dimensaohumana.blogspot.com.br  . Data de acesso: 17 de outubro de 2013

 


[1] Chiste é uma forma de o inconsciente trazer uma onda cômica de riso mesmo que conscientemente o sujeito saiba não ser justificado o riso. Fonte: http://dimensaohumana.blogspot.com.br/2007/06/o-que-chiste.html

 


Tags deste artigo: psicanálise

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