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Água em protesto

23 de Março de 2015, 13:26 , por Rafael Pisani Ribeiro - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Licenciado sob CC (by-nc-sa)

      Bom dia. Hoje é dia dezesseis de março de dois mil e quinze e, para variar estou vendendo água em protesto. Sim, sou um daqueles sujeitos que pega seu carrinho, enche de garrafas de água mineral e as oferece nos protestos: “Água 5 reais, olha a água a 5 reais.”. Bem, essa é uma experiência muito mais rica do que o valor financeiro arrecadado. E essa quantia é grande. É só imaginar o quanto as pessoas andam em uma manifestação ou ainda pior, em um ato de vandalismo ideológico, de acordo com os noticiários. Portanto, elas precisam consumir água e é por isso é que pagam 5 reais por uma garrafinha de água.

     Já vi muitas pessoas e ideias diferentes, ainda que todas se pareçam um pouco iguais. Cada uma com seu cartaz e em cada um deles algo escrito com o objetivo de transmitir ideias. Parece uma massa cheia de indivíduos separados. Mais um comprador. “Quanto tá?”. “É 5 reais.” “Me dá uma.”

Vendedor: “Pra que veio aqui nesse domingo? Sabe quem entra se a Dilma sair?”

Consumidor e manifestante: “Aí entra o Aécio né?

Vendedor; “Não, é o Temer.”

Consumidor e manifestante: “Aí fica difícil, né?”

      O incrível é que o cliente ainda ficou com cara de triste, como se tudo tivesse perdido o sentido. Fico pensando se esse povo sabe o que quer. Esse comprador veio ao movimento com uma informação falsa e quase perdeu o sentido de estar aqui. Quem sabe ele seja um de muitos. Ele ainda segurava uma placa dizendo “Dilma, se você ama o Brasil renuncie.” Mal sabe ele que isso tem a ver com a frase da ditadura “Brasil, ame-o ou deixe-o”. E ainda um presidente não tem que amar o país e sim servir a ele e fazer isso pelo povo. Mas é preciso saber que não está sozinho no governo em nenhuma das esferas. Só um ditador decide tudo! Opa, mais um. “Quanto tá?”. “É 5 reais.” “Me dá um.”

Vendedor: “Pra que veio aqui nesse domingo? E essa placa de Paulo Freire?”

* Consumidor e manifestante: “É um cara que defende uma escola mais consciente socialmente.”

Vendedor: “Pois é. Chega de Doutrinação Marxista. Basta de Paulo Freire.”

       A partir dessas vivências fica mais interessante. Parece que essas pessoas não sabem o que querem. Simplesmente estão aqui, algo como “Maria vai com as outras”. Mas não é só isso. Também vendi água no protesto de quatorze de Março de dois mil e quinze, que visava defender o governo, enquanto esse tem uma intenção desorganizada de Impeachment, seja lá, como o povo escreve essa palavra. Lá notei algo parecido, porém mais refinado.

       Discursos com alguma lógica, mais organizado do que vejo aqui, mas sempre prontos, aparentemente automatizados, sem uma real compreensão. Parece que estão sendo criados dois polos de força, onde ambos querem a mesma coisa, mas interpretam de formas diferentes. É importante encontrar o ponto em comum e a mensagem que os dois ideais deixam. Quem diz: “Não a corrupção”, parece não saber o que quer, busca um governo mais justo, mas não sabe que para isso é preciso uma divisão justa de poderes e independência, sem ser tutelado pelo estado. Para aqueles eternos defensores, talvez seja preciso mais senso crítico. Ao menos tudo isso traz alguma movimentação social. Para onde é que é o problema.

      O mais interessante nisso tudo, é o meu trabalho. Não digo que sou estudado. Fiz ensino médio e leio muito, mas nada formal. Só consigo trabalhar informalmente, porque as empresas de água mineral têm vendido muito, principalmente em tempos de crise na qual estamos enfrentando. Em termos de venda, sempre alguém perde para outro ganhar. Em todo grau, o povo paga pelos impostos, as empresas já tem total ajuda e povo ainda paga pela água em protesto.

Lembrem-se de referenciar a fonte caso utilizem algo deste blog.Dúvidas, comentários, complementações? Deixe nos comentários.

Escrito por: Rafael Pisani

 

 

 


Tags deste artigo: trabalho informal

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