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O chato

12 de Abril de 2014, 12:05 , por Rafael Pisani Ribeiro - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Licenciado sob CC (by-nc-sa)

Numa pequena cidade vivia um sujeito chamado Guilherme. Teve uma vida que pode ser definida como “confortável”. Tinha boa família quando criança, mãe e pai que cuidavam, mas não suportavam coisas muito fora de sua rotina, dando o nome de “chato” para tudo o que estivesse nessa classificação, ainda assim Guilherme cresceu “feliz”. Na sua adolescência podia sair à vontade, bastava seguir as regras do pai de ajudar em algumas tarefas de casa e avisar o horário em que voltaria. Gostava de bebida e danceterias, um sujeito bastante social e mulherengo, apesar de não gostar de acordar da ressaca no outro dia e sentir seus efeitos, até porque tinha que descobrir como foi sua noite anterior e isso causava certos problemas.

 Perguntava a um, a outro ligava, para aquele enviava email etc... Isso tudo era muito chato, afinal ter que perguntar a cada um o que fez na noite passada não é fácil. Pior quando as pessoas mentiam sobre o que ele tinha ou não feito, ai ficava realmente chato, pois dificultava a descoberta. Nesse dia era bom esquecer de papo com ele, pois se tornava ranzinza, um chato. As crianças da rua jogavam bola em frente a sua casa e ele dizia : “sai daí caramba, ta incomodando.” O amigo buzinava para cumprimentar e ele dizia : “pô cara, to cansado. Desconfia não?”, se no filme ocorresse  uma cena sem lógica ele dizia: “ô filme idiota, vô até parar de ver”, se dá muita propaganda reclamava que parava de mais, se não dava nenhuma diz que não dava nem pra ir no banheiro que perde cena, nesse dia tudo é incômodo. De resto fazia suas tarefas de casa por pura obrigação, voltando ao seu normal sóbrio no outro dia, um sujeito agradável. Certo dia decidiu começar a ler.

 Isso o levou a participar de movimento estudantil e foi sua primeira vez em um congresso nacional. Era legal, muito gente interessante, cheia de conhecimento e sempre animados, mas também bota chatisse nesse congresso. Depois de algumas horas era cansativo ver tanta gente, fala de cá, fala de la, pisa no pé aqui, perde da galera num canto e acha em outro, eita lugar chato. Nessa hora não esperava a hora de beber. Chegava no bar rolava conversa de política, música e tudo quanto é assunto, mais cadê o garçom? Achou realmente um péssimo bar, mas enfim chegou o garçom com sua porção. Depois de algumas horas bateu o sono e queria ir embora, mas tinha que esperar a galera, ô coisa chata ter de ouvir aquela conversa e esperar para ir embora. Também teve algo ruim na hora de dormir, a galera não parava de conversar. Chegou o fim do congresso e o ônibus para ir embora demorava a chegar, e quando chegou estava  chovendo, essa viagem de volta foi realmente ruim. Chegando em casa foi dormir e acordou de bem com a vida.

 Tudo parecia bom e foi se encontrar com uns amigos para se divertir e foi legal, tirando algumas poucas conversas chatas sobre religião. Dentre um de seus amigos existe um adepto da cultura Hippie e é realmente incômodo ver aqueles cabelos diferentes. Enfim, viveu seus dias normais até que recebeu uma surpresa.

 Uma de suas “ficantes” mais recentes descobriu que estava grávida e ele era o pai, teve um filho indesejado.  Aí então apareceram outros incômodos, o gasto aumentou, as saídas a noite pararam e o pior é que teve de ir morar junto com a moça. Ela tinha certos hábitos realmente irritantes como colocar as coisas em lugares diferentes do de costume, uma pessoa realmente bagunceira. Também dormia mexendo de mais, isso o incomodava a dormir, além dos enjôos matinais. Certo dia o pai da moça disse: “ou você casa, ou eu te mato” e casou, sendo que a partir daí sustentava a família sozinho, sem ajuda dos pais.

 Todo o processo de procurar emprego foi cansativo, e quando conseguiu havia um sujeito da paz, que dizia ser possível fazer as coisas sem violência, outro que tentava fazer as coisas até conseguir e outro que nunca concordava com suas opiniões políticas. Todos eram chatos, pois nunca o ouviam quando dizia que era impossível um mundo de paz, quando era a hora para desistir de alguma coisa, ou que certas ações políticas são positivas, que tal candidato era bom e etc... Viveu assim até que certo dia, sempre xingando e gritando para conseguir as coisas certas e bem feitas topou com alguém parecido no trânsito e teve de ir ao hospital, pois foi ferido por uma bala. Quando voltou recuperado parou de repreender e passou a compreender.

 Passou a perceber que não é chato aquele sujeito que discorda ou pensa diferente, aquele que tem um jeito diferente ser e outro que organiza as coisas de forma diferente. Ou o que fala de experiências diferentes com outro visão e principalmente, que o que considera certo pode não ser o certo para o outro e isso há de respeitar e chegar a uma nova síntese passando a se perguntar : “afinal de contas o que é ser “chato”?

Lembrem-se de referenciar a fonte caso utilizem algo deste blog. Dúvidas, comentários, complementações? Deixe nos comentários.

Escrito por: Rafael Pisani


Tags deste artigo: preconceito senso comum

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