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O problema da doméstica empregada

30 de Março de 2015, 20:57 , por Rafael Pisani Ribeiro - 1Um comentário | No one following this article yet.
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Licenciado sob CC (by-nc-sa)

   Hoje me senti mal. Muito, muito mal. Descobri que vou ter de limpar minha própria casa. Sim, isso mesmo. Esse é um grande drama. Me acostumei a ter o meu dinheiro, comprar joias, roupas, aparelhos eletrônicos e, invariavelmente encontrar tudo arrumado. Poeira retirada, café, almoço e janta prontos, pratos e sobremesas colocados a mesa, camas arrumadas e banheiro cheiroso. Afinal meu próprio cheiro tem de se encher de perfume, pois assim me torno socialmente aceita com meu DOLCE E GABBANA. Mas, a partir de hoje não vai dar. Ficará muito caro ter alguém para acordar meus filhos, fazer o almoço, janta, arrumar a cama, tirar poeira e o pior, terei de comprar menos, pois meu tempo será reduzido. Tudo isso, causado por uma maldita lei.

   Vou ter que pagar um salário mínimo a minha empregada doméstica, dar férias, combinar horários e haverá horário de almoço! Que terror, um salário mínimo para simplesmente limpar minha casa? Isso é um exagero. Minhas joias é que valem esse valor! A lei de regularização das domésticas foi mal discutida.

   Sem contar os gastos com transporte. Eu não uso, outros empregadores podem até usar, e ainda que o transporte público seja ruim e uma dificuldade para o empregador, é mais um gasto! Melhor que fossem e voltassem do trabalho a pé! Enfim, eu posso pagar. O que importa é que terei de pagar mais para ter a casa limpa. O maior problema é que essa PEC vai acabar com o meu  “Maria, pode limpar as crianças?”, minha babá a domicílio, ou quem sabe “escrava a domicilio”. Talvez não, mas com certeza minha joia de 1000 reais vale 1000 reais, mas não o mero trabalho de organizar os domicílios. Essa regularização pode inclusive gerar desemprego, como os negros libertados que não tiveram de comer sem estar nas mãos de seus donos.

   O trecho acima é o discurso de quem não apoia a lei de regularização das domésticas. Ele foi baseado no artigo publicado na Veja por Danuza Leão, no período de aprovação da lei.  A ideia que relaciona condições de trabalho e impossibilidade de cumprir as leis não faz sentido. O pensamento de legislar sobre os serviços domésticos ser um impedimento para empregos, também não faz sentido. Tem se o esperado é uma profissional 24 horas e multifuncional sem valor algum.

 É preciso pensar que a função social da mulher pela visão da sociedade conservadora, inclui limpar a casa, isto é, fazer serviços domésticos. E fazem isso sem receber quantia alguma pelo trabalho. Mas também é possível executar essa tarefa em outras casas e com remuneração. Essa situação leva a análise da lei que regulariza a profissão de empregada doméstica.

Não seria errada a visão de que as mulheres são destinadas a serviços domésticos? Por esse lado seria errado existir esse tipo de serviço remunerado, pois as pessoas não poderiam cuidar de suas residências sem ajuda de terceiros? Levantando outro lado, de qualquer forma, seria injusto, estas empregadas não receberem um valor justo com direitos e deveres legalizados. Por esse lado, a aplicação da lei é correta. No entanto, como já abordado, existem muitas formas de se pensar quando o assunto é esse, ou seja, o caso ainda trará muita discussão.

 

Lembre-se de referenciar a fonte caso utilizem algo deste blog. Dúvidas, comentários, complementações? Deixe nos comentários.

Escrito por: Rafael Pisani

Referências:

Disponível em: http://www.blogdacidadania.com.br/2013/03/danuza-leao-e-o-simbolo-vivo-de-uma-elite-inculta-egoista-e-vil   Eduquim/ http://www.blogdacidadania.com.br Data de acesso:28 de março de 2015

 

 


Tags deste artigo: trabalho informal

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