Orly Azoulay escreve sobre Yediot Ahronot (o diário israelita que, desde os anos '70, é o jornal com a maior difusão no País):
Desde a assinatura do acordo nuclear, o Irão não violou um único artigo. Isto foi afirmado não apenas pelos inspetores da AIEA [Agência Internacional de Energia Atómica, ndt], mas também por autoridades de segurança israelitas. Este é o único facto que o Presidente Donald Trump deveria considerar ao decidir se os Estados Unidos devem rescindir o acordo, uma medida que os iranianos dizem que os libertará imediatamente das suas obrigações de arquivar os programas de armas nucleares.
Mas não é esse o ponto: o acordo foi assinado para impedir ao Irão de ter capacidades nucleares militares. E esse objectivo foi alcançado até agora.
Trump está a pôr israel em perigo imediato.
Portanto: em israel nem todos concordam com Netanyahu, que mais do que outros pressiona para cancelar o acordo alcançado por Obama. De facto, a sua posição é minoritária uma minoria (nem o Chefe do Estado Maior do Exército, Gadi Eiskenkot, concorda). Mas Netanyahu está no governo.
Do lado iraniano há uma novidade: se até agora a posição de Teherão era "tudo ou nada", ontem o Presidente Hassan Rohani abriu outro cenário:
Mesmo se os EUA desistam do acordo nuclear, o Irão irá manter o seu compromisso se a União Europeia puder garantir que a República Islâmica possa sair beneficiada.
Trump poderia afirmar que sem ele a Europa nunca se teria preocupado tanto com o programa de mísseis balísticos iranianos, nem se teria preocupado com o comportamento regional de Teherão, considerado uma ameaça por parte dos EUA e de israel. Claro, continua Malley, Trump poderia cancelar o acordo (o que é extremamente provável) mas também poderia declarar que prefere adiar a decisão para depois das conversações entre o Irão e União Europeia. Esta suspensão seria um sinal de maturidade, pelo que é extremamente improvável (estão a ver Trump, não estão?).
Enquanto isso, o Presidente dos EUA anunciou que no dia 14 de Maio, aniversário dos setenta anos desde o nascimento de israel, não irá para a inauguração da Embaixada americana em Jerusalém. O que não deixa de ser um anúncio significativo.
Para concluir, nota para um artigo publicado ontem pela Weekly Standard, bastante corrosivo sobre Trump e os seus anúncios: como hábil vendedor qual é, o simpático Donald está a utilizar os órgãos de informação antecipando anúncios importantes que ou não são importantes ou que se revelam "inócuos". Sendo Weekly Standard é a revista oficial dos neoconservadores norteamericanos, decididamente contrários ao acordo com o Irão, esta pode ser uma forma de pressionar Turmp. Ou talvez não: o novo Conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, é parte dessa fação e, enquanto representante na Administração dos EUA, tem acesso a informações confidenciais.
Dito isto, sobra sempre a mesma pergunta que continua sem resposta: por qual razão o Irão (ou outro País do Médio Oriente) não pode ter uma bomba atómica enquanto israel tem centenas delas e nem assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares?
Ipse dixit.
Fontes: no texto.