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Lerd

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Blog do Lerd

3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
Lerds do Mundo Todo, Uni-vos!

Mas que progresso, hein?

7 de Março de 2017, 10:21, por Lerd - 0sem comentários ainda

Ordem e Progresso.

Verde e Amarelo.

Desemprego Recorde!

Desemprego 2017



Amazon dá 'tilt' na Internet com um erro de digitação

3 de Março de 2017, 14:22, por Lerd - 0sem comentários ainda

Você já deve ter ouvido falar que a Internet, tendo nascido como um projeto militar, seria capaz de funcionar mesmo em caso de um ataque nuclear?

Amazon fora do ar

É um mito, é claro. Muitos usuários notaram isso  claramente na última terça-feira quando muitos dos sites e os serviços mais populares da Internet, tais como Quora, Gizmodo, Slack, Médio, Imgur, Giphy,etc., de repente pararam de funcionar.

Muitos usuários descobriram, então, que suas lâmpadas "inteligentes" e até mesmo o mouse dependiam da ligação à Internet.

Não foi um ataque cibernético, mas um acidente que aconteceu com um técnico da Amazon.

Muitos sites, de fato, dependem dos serviços online da Amazon, o Amazon Web Services ou AWS. Alguns servidores desses serviços da Amazon estavam lentos e, por isso, um técnico tentou corrigir o problema, colocando alguns dos servidores de processamento de pagamentos AWS offline, como é normal nestes casos.

Como Amazon explica em sua carta com pedido público de desculpas, o comando para colocá-los off-line foi digitado incorretamente e assim pode ter desligado da Internet muito mais do que servidores esperados, especialmente os do Simple Storage Service (S3), que alugam o espaço em disco e na memória para os aplicativos mais populares.

Alguns desses servidores não haviam sido reiniciados durante anos, por isso foi necessário um longo tempo, cerca de quatro horas, para colocá-los on-line de forma segura e confiável.

Foi nestas quatro horas que os usuários de Internet vieram a perceber que os serviços da Amazon passam de cerca de um terço de todo o tráfego de Internet, ou seja, a rede mundial de computadores está totalmente dependente de um único provedor de serviços em nuvem. E se algo dá errado neste provedor de serviços, nada mais funciona na rede!

Tradução livre do original em italiano

Amazon ha mandato in tilt mezza Internet con un errore di battitura



Moraes de Toga!

7 de Fevereiro de 2017, 8:58, por Lerd

Já temos a foto de Moraes com a toga do STF.

Moraesdetoga

Qualquer coincidência é mera semelhança!



Sorria, brazuka, o violentam e você deve ficar feliz por isso!

7 de Fevereiro de 2017, 8:43, por Lerd

Sorria

Do twitter de



A surpreendente verdade sobre a velocidade do site

30 de Janeiro de 2017, 11:47, por Lerd - 0sem comentários ainda

A velocidade do site é um assunto que vem sendo muito falado nos últimos 6 anos. Existem diversas pesquisas sobre a relevância da velocidade de carregamento das páginas, mas você sabe qual o real impacto disso no seu site?

Vou te dizer exatamente o que acontece quando um site fica mais rápido ou mais lento, mas antes vamos falar um pouco sobre como esse assunto se tornou algo tão importante.

Em meados dos anos 2010 o Google anunciou que o desempenho dos sites se tornaria mais um critério de ranqueamento de seu gigantesco motor de busca, mas não foi informado qual o nível de relevância desse requisito e até hoje não se sabe ao certo.

Porém é simples entender porque a velocidade do site deve interferir no posicionamento. O Google trabalha para garantir a melhor experiência do usuário e quanto mais rápido for o acesso ao resultado de busca, mais agradável será a navegação.

Desde então o desempenho é um critério que se torna cada vez mais poderoso, isso porque a tecnologia está avançando muito e temos acesso cada vez mais rápido à informação, mas você sabe por que isso acontece?

O nosso cérebro inconscientemente não gosta mais de esperar e a exigência de acesso rápido só aumenta.

Uma pesquisa feita pela Akamai e Forrester Consulting revela que 40% dos consumidores vão abandonar o seu site se as páginas demorarem mais de 3 segundos para carregar.

A mesma pesquisa ainda afirma que 47% das pessoas espera que o site carregue em 2 segundos ou menos, muito acima das expectativas de alguns anos atrás, quando a velocidade do site não era nenhum requisito e sites rápidos não passavam de “modinha“.

Esses dados podem te ajudar a entender porque o seu negócio não está vendendo tanto quanto você gostaria. Mas ainda vou te dar mais informações para você usar a favor do seu site.

Como a velocidade do site afeta o seu negócio online

Como a velocidade do site afeta o seu negócio

Ranqueamento no Google

Apesar de não saber qual o real valor da velocidade do site para o algoritmo do Google, dá para perceber que é um fator muito forte no posicionamento das buscas.

Digo isso porque você provavelmente já pesquisou alguma coisa através do Smartphone e viu em baixo do Link um texto informando que o site desse resultado é lento.

A conexão através dos dispositivos móveis foi o principal influenciador para colocar essa métrica no motor de busca, já que não possuem uma conexão tão rápida com a internet como os computadores.

Essa é provavelmente uma das principais vantagens de melhorar a velocidade do site, pois com posições melhores você terá mais acessos e consequentemente mais conversões.

Mas não se iluda, apenas a velocidade não fará suas páginas alcançarem o primeiro lugar, para isso você precisa de um conjunto de melhorias, incluindo SEO, conteúdo relevante para os visitantes, boa proposta, entre outras coisas.

Tráfego

Sim! Ao melhorar o desempenho do site você pode garantir muito mais visitas, boa parte se deve ao fato de que você terá uma posição melhor nos buscadores, mas nem todo o resultado está ligado a isso.

Com a boa velocidade você pode garantir que os compradores fiquem no seu site, ao invés de procurar os mesmos produtos nos outros Players do mercado.

Uma vantagem competitiva de 250 milissegundos pode garantir a visita no seu site ao invés de no do seu concorrente. Veja bem, apenas um quarto de segundo ou um piscar de olhos, pode fazer alguém continuar navegando na sua página.

Para se ter uma ideia de como a velocidade impacta na sua quantidade de visitas, uma pesquisa encontrada no Global Dots informa que a Yahoo gerou 9% a mais de tráfego no site para cada 400ms a menos no tempo de carregamento da página.

Taxa de conversão

A métrica mais importante para qualquer tipo de negócio digital. Apesar de existirem diversos modos de aumentar a taxa de conversão, a velocidade do site é a mais eficaz, sem dúvidas!

A conversão de uma página tem muito a ver com a paciência dos consumidores, como já te disse antes, o nosso cérebro mesmo que inconscientemente não quer mais esperar.

Imagine-se entrando em uma loja física, imagino que você queira ser atendido assim que colocar o pé para dentro, mas por algum motivo levam 5, 10, 15 minutos para que alguém fale com você.

Depois de esperar 15 minutos, sua paciência já se esgotou e você parte para a loja do concorrente, onde vão lhe atender mais rapidamente. O mesmo acontece na Web, mas ao invés de 15 minutos serão apenas 3 segundos.

Todas as compras, sejam elas físicas ou digitais, são feitas por impulso. Quando a demora é grande, esse impulso de completar a ação é perdido, diminuindo a sua taxa de conversão drasticamente.

Ainda na pesquisa da Global Dots, é informado que a Walmart obteve 2% de aumento na taxa de conversão diminuindo 1 segundo no carregamento das páginas e a Mozilla, gerou 60 milhões de downloads a mais do navegador Firefox por ano, diminuindo 2,2 segundos no carregamento do site.

Satisfação dos consumidores

Quando um consumidor consegue acessar a sua página, encontrar o produto que deseja e efetuar a compra rapidamente, ele sai extremamente satisfeito.

Um cliente satisfeito compartilha a sua experiência de compra, defende a marca e indica os produtos para os seus amigos. Tanto eu quanto você sabemos que uma indicação é uma venda praticamente certa!

Eu já citei o exemplo da loja física, mas ele funciona tão bem na taxa de conversão quanto na satisfação dos consumidores. A velocidade do site está diretamente ligada com ambos.

Mantendo a boa performance do seu site, você cria uma legião de clientes satisfeitos e defensores da sua marca, capaz de gerar tantas vendas ou até mais do que um bom anúncio na internet.

Uma boa dica para saber se a velocidade do site está satisfazendo os visitantes é enviar uma pesquisa de satisfação por e-mail. Elas funcionam muito bem e quando for preciso investir na performance, elas vão te dizer isso.

Redução de custos

Você deve estar se perguntando: como é possível diminuir os custos fazendo meu site ficar mais rápido? Existe uma lógica por trás disso e vou te mostrar como funciona.

Para melhorar a velocidade do site você precisa otimizá-lo, isso fará com que ele use os recursos do servidor do modo mais adequado, diminuindo a quantidade de processamento necessário para suportar suas páginas.

Existem otimizações que você mesmo pode fazer e que geram uma grande diferença no carregamento das páginas, veja as 21 dicas de ouro para turbinar seu site nesse eBook gratuito.

Após uma boa otimização a diferença no uso dos recursos pode ser tão grande que talvez não seja mais preciso usar um servidor tão poderoso como o atual.

Assim é possível suportar a mesma quantidade de pessoas on-line ou até mais do que antes com uma hospedagem mais barata.

O dinheiro que sobrar todo mês, você pode usar como Budget para anúncios no Google, Facebook, Instagram entre outros.

Se você já otimizou o seu site e ainda precisa diminuir o tempo de carregamento, use uma hospedagem com otimizações feitas especialmente para a sua plataforma seja ela Magento, OpenCart, WooCommerce ou WordPress.

O que deixa um site lento?

Velocidade do site - O que deixa um site lento

Agora que você já sabe a importância da velocidade do site para o seu negócio quero te mostrar quais são os principais causadores da lentidão.

Gostaria de informar que se o seu site se enquadrar em qualquer uma das situações abaixo, você deve buscar uma solução com urgência.

Imagens muito pesadas

As imagens são uma benção, tanto para o conteúdo quanto para a venda de produtos on-line, mas podem se tornar um tremendo pesadelo se forem usadas de forma incorreta.

Muitas vezes as imagens causam lentidão no site por serem exportadas com a extensão incorreta, com qualidade máxima (não é preciso) ou com o tamanho muito maior do que o necessário para a página.

Qualquer uma dessas opções pode deixar uma imagem com 4MB facilmente, atrasando o carregamento da sua página em segundos, o que é péssimo para os visitantes do seu site.

A compressão das imagens para a Web, pode mudar o tamanho desses arquivos consideravelmente e devolver a velocidade do site. Vou deixar o link de algumas ferramentas que podem comprimir suas imagens sem comprometer a qualidade.

Compressor.io

Compress PNG

Compress JPEG

Muitos Scripts

Para resumir os Scripts são linhas de código que farão os elementos do site abrirem de forma correta. Assim que você acessa a página, esses Scripts são requisitados para colocar tudo em ordem.

O problema é que muitas vezes cada função está em um arquivo separado, gerando muitas requisições que não podem ser executadas ao mesmo tempo pelo navegador.

Além de afetar a velocidade do site, os Scripts serão executados aos poucos e os visitantes verão o site sendo “construído” na própria tela, o que é péssimo.

O recomendado é que todos esses comandos sejam concentrados em um único arquivo, diminuindo o número de requisições na página e ganhando velocidade no carregamento.

Widgets

Os Widgets são aquelas “caixas” com previsão do tempo, rádio, notícias ou qualquer outra informação que não seja do próprio site e com certeza são os piores inimigos do desempenho.

Essas caixinhas não fazem requisições apenas na sua página, mas também em outros sites de onde vem o conteúdo, acaba que você não depende só do desempenho do seu site mas do de terceiros.

Isso joga a velocidade do site lá em baixo porque o caminho a percorrer para encontrar as informações é muito grande, então os elementos que estão abaixo do Widget não serão carregados até que ele esteja pronto.

Procure não usar esse facilitadores. Garanto que seu site vai carregar bem mais rápido e por conta do desempenho você até pode ganhar algumas posições nos motores de busca.

Publicidade excessiva

A grande maioria dos sites de conteúdo e portais de notícias usam a publicidade nas suas páginas, é um modo de monetizar todo o trabalho por trás do conteúdo disponibilizado gratuitamente.

Porém é preciso ter uma boa dose de bom senso para não infestar o site com anúncios, isso vai aumentar o número de requisições no site e atrasar o carregamento de todos os elementos.

Sem falar no aborrecimento da audiência com os inúmeros anúncios. Essas pessoas criam uma certa “blindagem” e muitas dessas propagandas passam despercebidas.

Com a velocidade do site afetada e um número excessivo de anúncios, sua página estará rumo ao abismo, então seja muito sutil ao criar espaços para outros sites.

Hospedagem

Se você já otimizou todas as causas de lentidão acima e o site continua lento, há uma grande possibilidade que sua hospedagem não esteja otimizada para a plataforma do seu site.

É claro que ainda existem outras coisas que podem afetar a velocidade do site, mas mesmo que você otimize tudo que seja possível, se o seu plano de hospedagem não for otimizado não vai adiantar nada.

Os planos comuns de hospedagem não acompanham o crescimento exponencial de um site ou aplicação, é necessário otimizar o servidor para usar os recursos de processamento e a memória da melhor forma possível.

Quando você usa um ambiente de alto desempenho que foi preparado exclusivamente para sua plataforma, é possível reduzir o tempo de carregamento das páginas em segundos!

Na SECNET você encontra servidores otimizados para diversas plataformas como, Magento, OpenCart, WooCommerce e WordPress. Se a sua plataforma não está na lista não tem problema, basta informar aquela que você usa, que a hospedagem será otimizada.

Ferramentas para testar a velocidade do site

Você já conhece as principais causas da lentidão nos sites, mas ainda existem outras funções que você pode otimizar para carregar as páginas mais rápido ainda.

Quero te apresentar algumas ótimas ferramentas on-line que verificam o desempenho do site e informam o que pode ser otimizado, eu garanto que serão de grande ajuda.

Mas antes, quero te informar que é super recomendado entrar em contato com o seu desenvolvedor antes de fazer qualquer tipo de alteração e um Backup é sempre bem vindo para evitar futuros problemas.

Veja agora as ferramentas que eu mais uso para verificar o desempenho dos sites:

GTmetrix

WebPagetest

Google Pagespeed Insights

Pingdom Website Speed Test

Load Impact

Não gostou do resultado do seu site? Veja as 21 dicas de ouro para turbinar seu site.

Espero que eu tenha conseguido te mostrar a importância de um site com alto desempenho e como isso é benéfico para o seu negócio on-line.

Procure otimizar as suas páginas sempre, o máximo que puder, tenho certeza que o número de vendas e acessos terão aumento significativo. Afinal de contas o que eu mais quero é que você aumente suas vendas.

Use as ferramentas que eu informei aqui em cima para ficar por dentro do que está acontecendo no seu site, mas não leve as considerações desses verificadores 100% a sério, em alguns casos precisamos sacrificar um pouquinho do desempenho para melhorar a experiência de navegação do usuário.

Se você gostou desse conteúdo e acha que mais pessoas podem aprender sobre a verdade por trás da velocidade do site, compartilhe com seus amigos nas redes sociais.

Quer mais dicas? Acesse a categoria Dicas e Tutoriais do Blog.

Caso você tenha alguma dúvida sobre o assunto, por favor deixe seu comentário logo abaixo que terei o prazer de conversar com você a respeito.

Um grande abraço e até a próxima!

Fonte: Secnet



Fapesp responde críticas de Alckmin sobre pesquisas "sem utilidade prática"

16 de Janeiro de 2017, 10:37, por Lerd - 0sem comentários ainda

alckmin_goldenberg01.jpg

Jornal GGN - Por meio de nota, o Conselho Superior da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) responde às críticas do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que recentemente afirmou que o órgão estaria dentro de uma "bolha acadêmica" e que financiaria pesquisa sem "nenhum serventia prática".

A Fapesp afirma que determinados estudos são realizados não para chegar a resultados práticos, "mas sim para tornar as pessoas e sociedades mais sábias", explicando que, pela própria natureza da ciência, os resultados podem ser obtidos em diferentes prazos, de maior ou menro extensão. A fundação também afirma que as pesquisas com aplicabilidade prática tem recebido mais da metade dos recursos destinados à atividades-fim do órgão. Leia mais abaixo:

Da Fapesp

 
O Conselho Superior da FAPESP divulgou, em 28 de abril de 2016, a seguinte nota: 
 
A FAPESP considera importante o debate na sociedade sobre o papel da pesquisa no Estado de São Paulo. Por determinação constitucional, esta Fundação deve apoiar o “desenvolvimento científico e tecnológico” no Estado de São Paulo (artigo 271, caput da Constituição Estadual) em todas as áreas do conhecimento (artigo 16, parágrafo primeiro da Lei 5918 de 1960).
 
Pela natureza intrínseca da ciência, resultados práticos de diferentes pesquisas podem se verificar em diferentes prazos, de maior ou menor extensão. Algumas pesquisas não se realizam para chegar a resultados práticos, mas sim para tornar as pessoas e as sociedades mais sábias e, assim, entenderem melhor o mundo em que vivemos, o que é uma das missões da ciência.
 
O Conselho Superior da FAPESP destaca que o apoio à pesquisa com vistas a aplicações tem recebido mais da metade (52% nos últimos três anos) dos recursos totais destinados às atividades-fim da Fundação. Por determinação legal, 95% do orçamento anual da FAPESP são destinados ao financiamento de pesquisas e é vedado à Fundação assumir encargos externos permanentes de qualquer natureza, inclusive salários.
 
Desde a sua criação, e por determinação legal, a FAPESP constituiu um patrimônio rentável que lhe permite, em situações de crise, não deixar de cumprir seus compromissos assumidos. Tal patrimônio tem sido administrado com rigor e eficácia ao longo de sua história e impedido que pesquisas importantes sejam interrompidas abruptamente por falta de recursos em tempos de arrecadação em baixa, como o atual.
 
O Conselho Superior afirma que a FAPESP, com a autonomia de que desfruta constitucionalmente, continuará obedecendo aos preceitos legais, atendendo às demandas de financiamento da pesquisa em todas as áreas do conhecimento científico e tecnológico.
 
A FAPESP está sempre atenta às demandas da sociedade, em busca do contínuo aperfeiçoamento do seu funcionamento, e continuará contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do Estado de São Paulo e do Brasil, como vem fazendo diligentemente em seus mais de 53 anos de existência.


Tucano Alckmin critica Fapesp por pesquisas 'sem utilidade prática'

16 de Janeiro de 2017, 10:31, por Lerd - 0sem comentários ainda

A Polêmica não é nova, mas mostra claramente o nível da política tucana relacionada à ciência e tecnologia. Eles querem que os brasileiros fiquem de joelhos, burros e totalmente idiotizados.

Leia o artigo de Thais Arbex e Reinaldo José Lopes na Folha de São Paulo.

Por THAIS ARBEX
DE SÃO PAULO
REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Durante a última reunião com seu secretariado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou a Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo), principal órgão de financiamento à ciência no Estado, por priorizar estudos sem utilidade prática.

A informação foi revelada pela coluna Radar On-line, da "Veja". Segundo a revista, Alckmin fez críticas à falta de apoio a estudos para o desenvolvimento da vacina da dengue e também ao incentivo a pesquisas de sociologia.

A Folha confirmou a fala do governador, que disse que a Fapesp vive numa bolha acadêmica desconectada da realidade, financia estudos que muitas vezes não têm nenhuma serventia prática e gasta sem orientação maior. Procurado, o Palácio dos Bandeirantes não quis comentar.

Os dados oficiais sobre o destino dado às verbas da Fapesp em 2015, porém, não corroboram a afirmação de Alckmin de que o órgão privilegia projetos de sociologia ou "projetos acadêmicos sem nenhuma relevância".

Do total de desembolsos (R$ 1,18 bilhão), apenas 10% foram destinados à área de ciências humanas e sociais (excluindo arquitetura e economia, que recebem, somadas, pouco mais de 1% do total). Quase 30% dos gastos do órgão em 2015 foram destinados a pesquisas na área de saúde (veja infográfico).

Embora o governador tenha condenado a suposta falta de apoio da Fapesp ao desenvolvimento da vacina da dengue no Instituto Butantan, a fundação desembolsou cerca de R$ 2 milhões para custear esses estudos entre 2008 e 2011.

Logo depois que a associação entre o vírus zika e o surto de microcefalia em bebês brasileiros foi detectada, o órgão aprovou recursos adicionais da ordem de R$ 500 mil para projetos de virologia já em andamento que pudessem investigar o mistério.

Neste ano, em parceria com a Finep (órgão federal), a Fapesp lançou um edital no valor de R$ 10 milhões para pequenas empresas que busquem desenvolver tecnologias contra o zika e o mosquito Aedes aegypti.
Procurada, a Fapesp preferiu não comentar as críticas feitas por Alckmin.

PESQUISA BÁSICA

"Eu sinceramente espero que essa declaração tenha sido citada fora de contexto, porque ela não é compatível inclusive com a formação acadêmica e com o histórico do governador", disse à Folha a bioquímica Helena Nader, presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), que declarou estar "chocada" com as críticas de Alckmin à Fapesp.

A pesquisadora lembrou que descobertas que estão na base da biotecnologia moderna, como a decifração da estrutura em dupla hélice (ou "escada torcida") do DNA, em 1953, não pareciam ter nenhuma aplicação prática quando foram feitas. "Também lamento muito pela menção negativa à sociologia. Quanto mais estudo, mais compreendo que as ciências humanas são fundamentais", disse Helena.

Para Ana Lúcia Vitale Torkomian, diretora executiva da Agência de Inovação da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), a dicotomia entre pesquisa aplicada (que supostamente "serve para alguma coisa") e pesquisa "puramente acadêmica" é falsa.

"Nenhum país é capaz de sustentar o desenvolvimento tecnológico a longo prazo sem pesquisa básica forte", afirma ela. "Além disso, hoje a distância entre a pesquisa básica e a inovação tecnológica está muito mais curta, as descobertas ganham aplicações com maior velocidade."

Ela cita o fato de que, na UFSCar, as pesquisas em química e física (em tese, puramente "acadêmicas") estão entre as que mais rendem patentes, ou seja, ideias prontas para serem transformadas em produtos.

O governador "parece estar mal assessorado, mal informado ou ambos", disse à Folha o sociólogo Rodrigo Augusto Prando, professor do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Os políticos usam e abusam de conhecimentos oriundos da sociologia em suas estratégias de campanha e suas ações públicas."

Para Prando, não se pode descartar a possibilidade de que o governador tenha "sutilmente" ironizado Fernando Henrique Cardoso, um do principais sociólogos do país e oponente do governador dentro do PSDB.

*

O QUE É A FAPESP
Uma instituição pública de fomento criada em 1962 para financiar a inovação científica

DE ONDE VEM O DINHEIRO
A Fapesp recebe um percentual fixo de um 1% do total de impostos do Estado de São Paulo e, com esse dinheiro, concede bolsas a alunos e professores e arca com as despesas das pesquisas por ela selecionadas

AUTONOMIA
O órgão tem autonomia garantida por lei e seus dirigentes têm mandato fixo, o que significa que a influência do governo do Estado sobre a Fapesp é limitada



Triunfo de Trump em 9/11 equivale a novo 11/9

9 de Novembro de 2016, 9:49, por Lerd - 0sem comentários ainda

Por Josias de Souza, em seu Blog

Trump 00

O espetáculo confuso que os Estados Unidos proporcionam ao mundo neste dia 9/11 produz efeitos tão devastadores quanto aqueles que se seguiram ao ataque de 11/9. Tomada pela radicalidade das mudanças que pode provocar no mundo, a eleição de Donald Trump é equiparável ao histórico ataque terrorista. A diferença é que, dessa vez, os americanos dispensaram o inimigo externo, produzindo um inusitado autoataque —uma espécie de trumpicídio.

Se o triunfo de Trump ensina alguma coisa é que todas as premissas sobre as quais o establishment americano construiu os seus valores depois da Segunda Grande Guerra estão com o prazo de validade vencido. O isolamento que a opção por Trump representa é um convite do império para que as nações comecem a planejar um novo começo. Mais ou menos como Deus fez depois do Dilúvio.

O sucesso de Trump é um prêmio à mediocridade. Seu hipernacionalismo ressentido, com traços de xenofobia, racismo, isolacionismo e desprezo à liberdade de expressão são sinais de que o mundo pós-9/11 não será o mesmo. Quando escreverem o enredo da geração atual é do topete de Trump que falarão os historiadores, e não da popularidade de Barack Obama, representado na disputa pelo ‘mal menor’ Hillary Clinton, um outro nome para desastre.

Resta agora saber o seguinte: o recomeço que se esconde sob o penteado exótico de Trump é um prenúncio do quê? Seja o que for, o mundo não será melhor do que já foi. Um presidente dos Estados Unidos que diz não acreditar no aquecimento global e que guindou à condição de prioridade a construção de um muro na fronteira com o México pode resultar em qualquer coisa, menos em coisa boa.



Trabalho análogo à escravidão, desmatamento insustentável e caça a animais em extinção: o caos na Caatinga do Piauí

21 de Setembro de 2016, 17:21, por Lerd
Como duas empresas, uma paulista e outra norueguesa, estão explorando de maneira inconsequente o Corredor Ecológico que liga os parques nacionais da Serra da Capivara e da Serra das Confusões
Por André Pessoa

Se combater o desmatamento e o trabalho escravo na imensidão do território brasileiro é uma tarefa hercúlea para os órgãos ambientais e trabalhistas, imagine quando essas irregularidades são financiadas e incentivadas com o poder do capital internacional. É a sede pela cobiçada Caatinga: da Amazônia à última fronteira agrícola no Cerrado, passando pelo mais pobre povoado do sertão nordestino, nossas matas nativas e a vitalidade dos trabalhadores são exploradas, na maioria dos casos, impunemente.

Raras são as exceções, mas elas existem. No sertão do Piauí, durante uma grande operação do Ministério Público do Trabalho (MPT-PI), com apoio do Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal (NOE), 18 trabalhadores em condições análogas às de escravidão foram encontrados na fazenda Bate-Bate, zona rural do município de Anísio de Abreu, distante 575 quilômetros da capital, Teresina. Trabalhavam de forma degradante em uma área selvagem, isolada, aparentemente longe do alcance das leis criadas em Brasília.

A madeira nativa da Caatinga era extraída para alimentar os fornos da mineradora paulista Galvani Indústria Comércio e Serviços S/A, que explora uma mina de fosfato na divisa entre a Bahia e o Piauí, zona rural do município de Campo Alegre de Lourdes, distante mais de 800 quilômetros de Salvador. A empresa tem sociedade com a multinacional norueguesa Yara, que possui 60% de suas ações – juntas, as duas companhias representam cerca de 20% da produção de fertilizantes fosfatados no Brasil. É mais um sinal da ligação entre grandes empresas e a destruição da natureza no sertão do estado, como mostrado na reportagem “A Devastação do Piauí”, publicada na edição 19 da Rolling Stone Brasil, em abril de 2008.

 

Na fazenda que fornecia madeira para a Galvani, 18 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão. Como no Brasil colonial, os homens eram obrigados a pagar até pelo material que utilizavam no desmate

 

Em pleno século 21 e diante das mudanças climáticas, utilizar matriz energética extraída de biomassa nativa é uma opção ambientalmente reprovável, que desrespeita a natureza e sua biodiversidade em favor do lucro inconsequente, comprometendo a imagem das duas indústrias. A jazida explorada pela Galvani fica ao lado da cidade de Guaribas, símbolo das desigualdades sociais do Brasil e do combalido programa Fome Zero, que terminou virando escândalo alimentado pela má gestão e desvio de verbas no início do governo Lula.

Do latim, Homo sapiens significa “homem sábio”, na perspectiva da Roma antiga. Na atualidade, no meio de uma floresta do semiárido, esse “sábio” pode ser sinônimo de vantagem, lucro imediato e interesse irracional. Levar adiante um desmatamento em uma propriedade com 11.941 hectares – o equivalente a 12 mil campos de futebol –, dentro do Corredor Ecológico que liga os parques nacionais da Serra da Capivara e da Serra das Confusões, duas das mais importantes reservas naturais brasileiras, não poderia ficar impune.

A fiscalização do ministério Público do Trabalho deixou evidente a participação da Galvani e da Yara nas irregularidades. Apesar de a retirada da mata estar sendo realizada por uma pequena empresa, a Agrosilvipastoril e Construtora Ltda., a madeira extraída do local era exclusivamente usada pela Galvani. O trabalho estava sendo feito com autorização da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar), e a ideia era explorar, por 12 anos, 8.850 hectares por meio de um Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS). Mas de sustentável o projeto não tinha nada: no local, a força-tarefa do MPT comprovou que o regime trabalhista se assemelhava ao de escravos. Apesar de aprovado pelas autoridades ambientais, o PMFS não tinha sequer um estudo e nem ao menos o relatório de impacto ambiental, conhecido como EIA-Rima, obrigatório em qualquer empreendimento desse porte.

Para o pesquisador José Alves de Siqueira Filho, autor de A Flora das Caatingas do Rio São Francisco, ganhador do prêmio Jabuti de literatura e diretor do Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas (Crad), a proliferação de planos de manejo sem entendimento científico na Caatinga, em que o único interesse é a retirada da madeira, não tem justificativa. “Todo o conhecimento que temos hoje sobre a Caatinga ainda é pífio para autorizar esse tipo de uso dos recursos naturais. Manejo florestal pressupõe conhecimento sobre a biodiversidade da região, fiscalização e restauração ecológica, principalmente em áreas do semiárido. Caso contrário, depois da retirada da mata tudo vira um deserto”, explica.

Segundo a coordenadora da Rede Ambiental do Piauí (Reapi), Tânia Martins, o prejuízo para o Brasil é imenso, pois além da perda de vegetação nativa e das condições degradantes de trabalho, as estradas da região estavam sendo danificadas pelo incessante trânsito de caminhões. “Fora os crimes ambientais, tínhamos recebido inúmeras denúncias de que, diariamente, dezenas de veículos transportavam madeira e minérios acima do peso permitido, comprometendo também a saúde dos moradores dos povoados locais, que convivem com a poeira e com os rejeitos minerais oriundos da produção industrial”, alerta.

A Reapi esclarece que, no Piauí, a empresa Galvani já tinha sido multada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por despejar esse tipo de resíduo nas estradas da região, causando doenças respiratórias na população do povoado Lagoinha, zona rural do município de Caracol. Ainda segundo a Reapi, dois outros projetos de desmatamento que se destinavam a fornecer madeira para a indústria paulista também já tinham sido embargados pelo órgão ambiental.

Na operação do ministério Público do Trabalho realizada na fazenda Bate-Bate, as irregularidades que cercavam a extração da madeira que alimenta os fornos da Galvani eram inúmeras. “Todos os 18 trabalhadores que encontramos no local estavam sem receber salários desde o início dos serviços, em abril, e a empresa não disponibilizava equipamentos de proteção individual, conhecidos como EPIs – obrigatórios pela legislação trabalhista”, dispara o procurador Carlos Henrique Pereira Leite, que coordenou a operação. “Além disso, não existia alojamento adequado e muitos dos recrutados dormiam na mata, ao relento, sem qualquer estrutura ou abrigo.”

Os funcionários da fazenda precisavam utilizar motos próprias em péssimo estado de conservação para se deslocar até as áreas de desmate e não tinham registro na carteira de trabalho. Recebiam alimentação e água com baixa qualidade e higiene, coletada de forma improvisada em um poço aberto no local. “Eles vestiam roupas desgastadas pelo uso contínuo, estavam claramente abatidos e desprotegidos de direitos e garantias”, declara Carlos Leite.

Para piorar, tinham descontadas da folha de pagamento as despesas de deslocamento, alimentação e até de materiais utilizados nos serviços, como combustível, óleo do motor e correntes de corte necessárias para operar motosserras. Isso foi comprovado com a apreensão de cadernetas que lembram métodos da colonial Casa-Grande, em que, ao final do mês, em vez de receber salários, os trabalhadores ficavam devendo ao dono da fazenda. A operação na Caatinga piauiense teve a colaboração operacional de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a participação de fiscais da Procuradoria do Trabalho, entre eles o analista pericial em Engenharia de Segurança do Trabalho, Fernando Castro Garcia, e o técnico em Segurança Institucional de Transportes, Francisco Alexandre Borges.

Apesar de a jazida de fosfato operada pela Galvani estar localizada na Bahia, a empresa será multada pelo MPT-PI, pois era a única consumidora da madeira extraída do desmatamento na fazenda Bate-Bate. “A Galvani tem contrato com essas pequenas empresas instaladas no Piauí e total conhecimento de que ali as condições eram análogas às de trabalho escravo”, garante Leite. “Os fiscais da Galvani já tinham comprovado isso, algo que foi reconhecido pelos advogados da própria empresa durante audiência pública no último mês de julho.”

Carlos Leite decidiu que outras companhias que possam estar praticando desmatamentos na área e fornecendo madeira para a Galvani serão fiscalizadas, pois é possível que estejam mantendo os funcionários nas mesmas condições. O caso já foi comunicado à Coordenação Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete), que vai montar agora uma força-tarefa para investigar a mineradora em todo o território nacional. A empresa já responde a uma ação civil pública em trâmite na Vara do Trabalho em Barreiras, oeste da Bahia, mas que, segundo seus advogados, não guarda nenhuma relação com o caso do Piauí.

O processo atual está correndo na Procuradoria do Trabalho no município piauiense de Picos. Na primeira audiência, os proprietários da fazenda Bate-Bate foram ouvidos e multados em R$ 50 mil, além de se comprometerem a indenizar os trabalhadores e paralisar imediatamente a extração. O procurador afirma que a Galvani será responsabilizada pela conivência com as irregularidades trabalhistas e terá que pagar uma multa que, pelos cálculos iniciais do MPT, pode chegar a R$ 2 milhões. “Mesmo que o trabalho degradante aconteça na ponta da cadeia produtiva, quem está no topo deve responder compulsoriamente pelas irregularidades”, sentencia Carlos Leite. A ideia é propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para que a empresa paulista se comprometa a investir esse valor como uma espécie de compensação referente aos danos morais, trabalhistas e ambientais e por todos os prejuízos coletivos causados na região, fazendo inclusive a restauração de áreas degradadas.

 

A área explorada fica a apenas 10 quilômetros dos limites do Parque Nacional da Serra das Confusões, que tem espécies da flora e fauna ameaçadas de extinção, entre elas a onça-pintada, o tatu-bola e o tamanduá-bandeira

 

Segundo registra a ata da audiência na Procuradoria do Trabalho, a gerente jurídica da Galvani, Maria Carolina de Lima Esteves, e a advogada Fábia Diogo Valente Pinto informaram que a empresa já rescindiu o contrato com a Agrosilvipastoril e suspendeu o contrato que mantinha com outro fornecedor da região (segundo a empresa, o contrato com a Agrosilvipastoril data de 1 de junho e foi rescindido no dia 30 de junho). No mesmo documento o gerente da unidade de mineração da empresa, Ricardo Guimarães Auzier, não soube informar a lista dos seus fornecedores de biomassa, mesmo confessando que compra madeira do Piauí há cerca de quatro anos, desde que assumiu o cargo na unidade baiana localizada no povoado Angico dos Dias.

Também ficou registrado que a Galvani tinha conhecimento e verificado in loco as irregularidades na fazenda Bate-Bate no momento da inspeção pré-contratual. Os próprios trabalhadores admitiram ao fiscal enviado pela empresa que não possuíam carteira de trabalho assinada, alojamento, transporte nem faziam alimentação no local. Auzier, no entanto, disse que a Galvani tinha dado um prazo para saneamento dessas irregularidades e “que possui um sistema de gestão baseado na qualificação, avaliação e desenvolvimento dos fornecedores, incluindo auditorias que costumam verificar o cumprimento dos quesitos referentes à saúde e à segurança do trabalho, além da observância das normas trabalhistas”. Por que, então, os homens que retiravam a madeira da Caatinga para os fornos da Galvani não foram tratados segundo essas premissas?

Essa não é a primeira vez que a Galvani é suspeita de incentivar, patrocinar ou ser conivente com irregularidades socioambientais praticadas na região Sudeste do Piauí. Nos últimos anos, a empresa vem sendo apontada por movimentos sociais como financiadora de um verdadeiro extermínio florestal nas matas nativas e em fazendas da região, em especial nas grandes plantações de caju e nas matas de algaroba (Prosopis juliflora). Aproveitando uma brecha da lei, a empresa consumiu uma enorme quantidade de madeira dessa espécie (a algaroba, cultivada amplamente no Nordeste, não é protegida pela legislação brasileira por ser uma árvore exótica, oriunda do deserto de Piúra, no Peru). Há relatos de que o transporte da madeira nativa pode ficar encoberto pela algaroba, o que facilita a passagem pela fiscalização . Em resposta à reportagem, a empresa diz que o uso de biomassa é permitido por lei, e que, na unidade baiana, “a biomassa se mostrou a opção adequada neste momento por ter o balanço da emissão de CO2 nulo e ser menos poluente que os combustíveis fósseis”. A Galvani também garante que seus fornecedores têm em dia todas as licenças necessárias para atuação no Piauí. O que leva a outro questionamento: por que a Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Piauí permite que Projetos sem EIA-RIMA sejam realizados?

Anos atrás, lideranças sindicais, trabalhadores rurais, líderes comunitários e vereadores contrários aos desmatamentos fizeram manifestações públicas nas cidades da região, denunciando que grande parte das áreas desmatadas nos municípios de Fartura do Piauí, Várzea Branca, Caracol, São Braz, Anísio de Abreu, Jurema, Bonfim e Guaribas, além de outras no território baiano, parecem ter as digitais da indústria paulista, que se tornou uma voraz consumidora de madeira nativa extraída das matas da Caatinga.

Um dos momentos dessa resistência às novas atividades econômicas que querem se implantar no semiárido do Piauí foi o protesto Grito do Semiárido, que no final de 2014 reuniu mais de 2 mil pessoas na cidade de São Raimundo Nonato (525 quilômetros de Teresina). O movimento foi coordenado por entidades ligadas à Igreja Católica, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Cáritas, Sindicato de Trabalhadores Rurais, Associações de Pequenos Produtores Rurais, Movimento de Mulheres e estudantes. “A reação foi porque a mineração é uma alternativa que está sendo pensada e discutida para o semiárido do Piauí e isso traz consequências para as políticas públicas que estão sendo desenvolvidas nesse mesmo território”, diz o coordenador da CPT no Piauí, Antônio Euzébio de Sousa. “Projetos de mineração irão obrigar as famílias a saírem de suas áreas e, em consequência, as políticas públicas não virão.” Ele reitera que a mineração, a derrubada da mata e a produção de carvão geram fortes impactos ambientais, fazendo com que as famílias precisem sair de suas comunidades e se estabelecer na periferia das cidades.

O promotor regional ambiental Vando da Silva Marques afirma que após o Grito do Semiárido foi elaborado um relatório sobre as atividades de mineração e desmatamentos na região e que a Promotoria Ambiental está analisando os casos. “Estamos instaurando inquéritos para investigar as supostas irregularidades até para conseguir intermediar essas ações com os interesses das comunidades locais e tomar as medidas cabíveis”, declara.

Para a Galvani, a suspeita de financiar o desmatamento na fazenda Bate-Bate é ainda mais grave em função de a região fazer parte do Corredor Ecológico Capivara-Confusões, uma importante reserva que liga os parques nacionais Serra da Capivara e Serra das Confusões, guardiãs do que restou da Caatinga selvagem no país (inclusive, a Serra da Capivara, que detém o maior número de sítios arqueológicos das Américas, foi lembrada na cerimônia de encerramento das Olimpíadas no Rio de Janeiro). A área do desmate flagrada na operação do Ministério Público do Trabalho fica a menos de 10 quilômetros dos limites do Parque Nacional da Serra das Confusões, que tem espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção, entre elas a onça-pintada, o tatu-bola e o tamanduá- -bandeira. São animais que praticamente só restaram em áreas protegidas e que são muito perseguidos pelos caçadores.

Segundo os agentes federais que participaram da ação na fazenda Bate-Bate, alguns trabalhadores admitiram que comiam animais silvestres capturados eventualmente durante a derrubada da mata, como tatus, cutias, zabelês e jacus. “Configurar um flagrante nesses casos é bem complicado, pois os trabalhadores são orientados a manter muita discrição e nunca permitir que um animal silvestre morto seja encontrado pela fiscalização. Esse tipo de atividade poderia embargar o projeto, então é um crime dissimulado, escondido”, diz o assessor do Núcleo de Comunicação Social da PRF-PI (NUCOM), Fabricio Loiola. “Como a fazenda se encontra em uma grande chapada, com terras a perder de vista, é complicado saber onde estão os limites da propriedade e, com isso, desenvolver ações preventivas.” Na última semana de agosto, por meio de uma denúncia anônima, guardas-parque da Serra da Capivara flagraram no restaurante Recanto dos Pássaros, na cidade de São Raimundo Nonato, dois empresários e um médico se preparando para consumir um tatu que pode ter sido capturado no Corredor Ecológico, já que um dos acusados é o proprietário de máquinas e caminhões que trabalhavam na fazenda Bate-Bate. No entanto, quem assinou o Auto de Infração Ambiental foi uma quarta pessoa, eximindo o representante da Bate-Bate de envolvimento com o episódio. “Nunca arriscaríamos nosso Projeto por uma ou outra caça”, declarou Álvaro Galvão, responsável pela fazenda.

 

"Todo o conhecimento que temos hoje sobre a Caatinga ainda é pífio. Manejo florestal pressupõe conhecimento, caso contrário depois da retirada da mata tudo vira um deserto", explica o pesquisador José Alves de Siqueira Filho

 

A própria questão fundiária é controversa na região. A Agrosilvipastoril, responsável pela fazenda Bate-Bate, tentou apoio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) para implantar o projeto de extração de madeira, mas a instituição bancária aparentemente suspendeu o processo de um financiamento exatamente pela não comprovação dos títulos de propriedade das terras. Como faz parte do corredor ecológico, existe grande possibilidade de estar localizada em terras devolutas do estado do Piauí. O jornal Diário do Povo, de Teresina, publicou que “a fazenda faz parte de uma gleba que está em processo de litígio familiar, herança de família ainda não definida ou reconhecida pela Justiça”.

Em nota de esclarecimento enviada para a imprensa, a Agrosilvipastoril rebate o flagrante do Ministério Público do Trabalho e todas as acusações de maneira insípida e protocolar. “Nossa empresa se pauta pelo respeito ao meio ambiente, às questões sociais, tendo junto aos órgãos responsáveis todos os procedimentos legalizados e averbados.” Em outro documento anexado ao processo, os responsáveis pela Bate-Bate contestam a ação trabalhista afirmando que no momento da fiscalização grande parte dos trabalhadores encontrados no local não eram funcionários da empresa, e que coincidentemente estavam ali em busca de emprego. No fechamento desta reportagem, os representantes disseram que qualquer irregularidade constatada será revista e que em breve irão colocar em prática um plano de integração social que prevê melhorias para as comunidades no entorno da área de onde a madeira é retirada, qualificação de mão de obra e até a construção de um viveiro de mudas para recuperação de regiões degradadas.

A Procuradoria do Trabalho determinou a suspensão imediata das atividades na fazenda até que os trabalhadores sejam regularizados com a comprovação do pagamento de todas as verbas devidas, indenizações e multas. Com isso, a Rede Ambiental do Piauí acionou o Ministério Público Federal (MPF), solicitando uma investigação sobre as supostas irregularidades na atuação da empresa e das indústrias no Piauí. Segundo o procurador imda República Tranvanvan Feitosa, toda a documentação referente ao empreendimento foi solicitada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente para análise. Além disso, o procurador determinou uma fiscalização federal e estadual na fazenda. Feitosa é conhecido por analisar as questões que envolvem o meio ambiente com rigor e já foi protagonista de importantes decisões que penalizaram projetos que descumpriam a legislação ambiental no Piauí.

Nas últimas semanas de agosto, para cumprir a determinação do MPF, uma equipe do ICMBIO sediada no Parque Nacional da Serra da Capivara fez uma vistoria na fazenda Bate Bate. Segundo a analista ambiental Melina Rangel, que coordenou a fiscalização, na análise superficial do desmate ficou claro que a empresa não tinha conhecimento das regras que precisam ser seguidas em um Plano de Manejo Florestal Sustentável. Irregularidades como derrubada de árvores jovens ou porta-sementes foram comprovadas na área. O relatório agora deve ser encaminhado para o parecer do procurador da república Tranvanvan Feitosa.

Fora a questão ambiental, a Agrosilvipastoril pode ter sua licença cassada caso fiquem comprovadas as irregularidades trabalhistas. “Um Plano de Manejo Florestal Sustentável exige que todas as áreas estejam devidamente regularizadas e a questão trabalhista está incluída. É claro que se as denúncias forem comunicadas oficialmente à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Piauí, faremos o cancelamento da emissão do Documento de Origem Florestal (DOF), que permite a retirada e o transporte da madeira”, afirma o superintendente Carlos Moura Fé, que ironicamente é o responsável pela aprovação de dezenas de PMFS dentro da Secretaria.

O caso também repercutiu no Congresso Nacional. Na tribuna da Câmara, o deputado federal José Francisco Paes Landim (PTB-PI) contestou as decisões da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Piauí, que tem aprovado projetos de desmatamento em uma área tão frágil, cercada por dois parques nacionais: “Fica aqui o questionamento: estamos autorizando a supressão da vegetação nativa da Caatinga, nosso maior patrimônio natural, sem nenhuma vantagem para o povo do Piauí, já que a empresa Galvani tem sede na Bahia e todos os impostos oriundos de suas atividades minerais são recolhidos no estado vizinho, deixando em nosso território apenas a terra devastada e as consequências futuras com secas ainda mais graves e o empobrecimento da população”.

Em seu site oficial, a mineradora Galvani explica que teve origem na década de 1930 como uma indústria de bebidas e uma empresa de transportes, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Entre as décadas de 1960 e 1970, especializou-se no transporte e no manuseio de fertilizantes. Somente em 1983 iniciou em Paulínia a implantação de um dos maiores complexos industriais de produção de fertilizantes do Brasil, envolvendo a fabricação de ácido sulfúrico, superfosfato, granulação, mistura e ensaque.

Em 1992, instalou-se em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, com uma fábrica de fertilizantes líquidos. Em seguida, vieram a primeira fábrica de superfosfato da Bahia, uma planta de granulação e a segunda unidade de sulfúrico do estado, além da única indústria de fertilizantes da região. Atualmente a empresa realiza atividades de mineração, beneficiamento, industrialização e distribuição de fertilizantes fosfatados, com unidades em São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Ceará, empregando cerca de 1.800 pessoas, entre trabalhadores próprios e terceirizados. O faturamento anual é de aproximadamente R$ 720 milhões de reais. Em dezembro de 2014, formou uma joint venture (união de duas ou mais empresas já existentes com o objetivo de iniciar ou realizar uma atividade econômica comum) com a europeia Yara, que passou a ter 60% das ações da empresa. Curiosamente, a Galvani divulga ter entre seus compromissos prioritários a busca de soluções para reduzir os impactos ambientais gerados pelo
seu processo de produção de fertilizantes.

Contrariando essas diretrizes, na ata da audiência entre a empresa e o Ministério Público do Trabalho, ficou comprovado que o combustível empregado na etapa de secagem do minério fosfato é a biomassa oriunda de florestas nativas, já que a empresa não tem propriedades na área com produção de madeira exótica como pinos, eucalipto ou outras espécies para consumo próprio.

Não é preciso ser um ambientalista fervoroso para enxergar que, se abrissem mão de parte do lucro na cadeia de produção, as indústrias poderiam substituir o uso de madeira nativa por florestas cultivadas ou outras opções ambientalmente mais controladas. Quando decidem alimentar seus fornos comprando madeira com procedência duvidosa, oriunda em alguns casos da exploração degradante do trabalho humano, empresas como a Galvani e a Yara causam consequências sérias – e muitas vezes sem volta – ao território brasileiro.

Passagem para a Vida Silvestre

Corredor Ecológico ligando a Serra da Capivara e a Serra das Confusões, no Piauí, não cumpre a promessa de proteger a região

O Corredor Ecológico Capivara-Confusões foi criado pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva em março de 2005. São 412 mil hectares unindo as porções de Caatinga que ligam os parques nacionais da Serra da Capivara (Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, com 130 mil hectares) e da Serra das Confusões (a maior reserva de Caatinga do planeta, com 825 mil hectares). O Corredor Ecológico equivale a mais de 400 mil campos de futebol e deveria ser uma espécie de “estrada verde” entre as duas unidades de conservação, ajudando a recuperar e preservar o ambiente natural da região e facilitando a dispersão de vegetais e a circulação de animais de diferentes espécies. A área engloba terras dos municípios piauienses de Caracol, Jurema, Guaribas, Anísio de Abreu, Bonfim, São Raimundo Nonato, São Braz, Tamboril, Canto do Buriti e Brejo do Piauí.

A ideia de garantir a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais do lugar parece ter ficado apenas no papel. Cercado por dezenas de assentamentos de semterra e abandonado pelas autoridades ambientais, o Corredor se transformou em uma espécie de Disneylândia para caçadores e empresas que realizam desmatamentos ilegais. Sem nenhum tipo de fiscalização, a impunidade reina na área. O governo do Piauí tentou ajudar na preservação, criando, em 2008, a Estação Ecológica da Chapada da Serra Branca, uma reserva estadual com 24 mil hectares, mas infelizmente o projeto não andou. Se estivesse sendo preservada, toda a região, que soma mais de 1 milhão de hectares de Caatinga, poderia ser tombada pela Unesco como Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade.

O duplo título que poucos lugares do mundo ostentam poderia ajudar a retirar um pedaço do Piauí dos mapas dos piores indicadores sociais do Brasil.

Com o Poder do Euro

Empresa norueguesa Yara, com mais de 60% das ações da Galvani, é conivente com as atividades da companhia brasileira

A Noruega tem histórico de ações focadas em sustentabilidade e em defesa da natureza. No Brasil, por exemplo, a nação é a mantenedora do Fundo Amazônia, que destina milhões de euros para a conservação da floresta. A empresa Yara foi fundada no país em 1905 para, segundo seus criadores, solucionar o então crescente problema da fome na Europa. Hoje é uma multinacional com presença em vários continentes e vendas para 150 países. No Brasil desde 1977, tem escritórios em Porto Alegre e em São Paulo. Diz usar seu know-how de companhia global para oferecer “soluções para a agricultura sustentável e para o meio ambiente, adotando em todas as suas unidades no mundo os padrões mais exigentes de ética e conformidade”.

Para atender o segmento agrícola no Brasil, a empresa conta com três unidades de produção, granulação e ensaque de fertilizantes e 25 unidades industriais, com presença nos principais portos e polos de produção agrícola. Aparentemente, o código de conduta da Yara fica apenas na retórica. A empresa afirma que “ética e conformidade são inegociáveis e nunca permitimos que sejam comprometidos”. E ainda desafia: “Nunca os comprometemos. Mas, afinal, por que a Yara adota essa política de tolerância zero? Porque entendemos que o sucesso só pode ser comemorado quando obtido da forma correta”. No papel, soa lindo– infelizmente, as palavras ditadas pela empresa não estão valendo para a Caatinga piauiense.

Fonte: RollingStone



Depois da Tempestade

30 de Maio de 2016, 8:43, por Lerd - 0sem comentários ainda

Madrugada 1 Como ocorre acontecer, depois da tempestade vem a calmaria. Eles adormeceram. Como anjos desfrutaram o silêncio da madrugada como se nada, absolutamente nada, tivesse acontecido.

O Sol raiou e ofuscou seus olhos ainda fechados. Brux@s encabrunhad@s, despertaram para o novo dia. Abriram as janelas e o sol já não mais iluminava. Se entreolharam, como se nada entendessem.

Como poderia aquele sol tão forte os ter despertado e segundos depois estar escondido sabe-se lá onde.

Seria a calmaria depois da tempestade? Seria ilusão de brux@s?

Seria um sonho mal vivido ou acordar mal despertado.

Ela o olha. Passa vistas em todo o seu corpo como quem busca entender o que aquilo tudo significa e do nada dispara:
"Amigo velho amar não me compete
Eu quero é destilar as emoções"

E como se estivesse no automático ele responde
"Sentimental eu fico
Quando pouso na mesa de um bar
Eu sou um lobo cansado carente
De cerveja e velhos amigos"

Eles se olham. Se enojam por tudo que foi dito e não dito. Se viram de costas. Já não mais se vem. Nada sentem. Nada pressentem. Vestem-se.

Se aprumam e caminham sem saber direito para onde, mas longe estão novamente. Tão distantes que nem sabem mais quem são ou o que ali fazem.

Sem dizer palavra caminham até a porta. Ele sai. Sem olhar para trás segue seu caminho.

Ela fica um instante ali parada. Sente-se amada e desprezada, largada, abandonada...

O que teria acontecido, por que entrou e saiu assim? O que realmente teria acontecido? Que mistério aquele bruxo guardaria consigo?

Sua poção de encanto e magia não teria funcionado? Por que ele a teria deixado?

E no meio de tantas perguntas sem respostas, ela sente um corpo a envolvê-la. A abraçá-la ternamente.

Suas vergonhas estavam novamente expostas. Ela estava desarmada, mas amada. Sentia o que não via. E não via o que sentia. Ele estava ali, de volta. Não entedera como ele entrara, de onde viera, porém ali continuava... a envolvê-la em seus braços, a acariciar sua beleza.

Ela já não o reconhecia, não o entendia. Apenas o sentia. Ele ali não estava, mas nunca estivera tão presente, tão próximo, tão querido, tão amado. Ela largou a razão.

Ligou novamente o modo bruxa e soltou toda a magia que havia dentro de si. Eles se deitaram. Abraçados, protegidos, queridos, amados. Por horas asssim ficaram, mesmo não estando, nem nunca ter estado.



Na Madrugada não passa nada!

30 de Maio de 2016, 8:38, por Lerd - 1Um comentário

Madrugada E naquela noite, @s brux@s estavam do jeito que o diabo gosta.

Ela solta. Ele livre. Brux@s. Sim, brux@s, se comunicaram. Corpos distantes.

Mesmo que não admitissem, corações e mentes estavam ligados.

Ela lhe apareceu inteira. Bem pertinho de seu rosto, o encarou como sempre fez nos mais ternos momentos a sós. Ele estremeceu. A encarou também.

Eles se conectaram numa sinergia sem fim. Faíscas voaram para todos os lados. Os corpos entrelaçados. Plugados, conectados, alta tensão.

Nada puderam entender, somente sentir, sentir como nunca o haviam feito. Simplesmente curtiram aquele curto espaço de tempo.

E, cada um a seu jeito, cada qual a seu modo, se perguntava:

- O que se passa numa madrugada, quando só há silêncio, não há vento, não há nada?



Água que brota no sertão, falta no tucanistão dos reis do Xoke de Jestão!

21 de Abril de 2014, 12:52, por Lerd - 0sem comentários ainda



Situação fiscal é um desastre... nos EUA e na Itália...

31 de Janeiro de 2014, 1:48, por Lerd - 0sem comentários ainda



Dez coisas que todo brasileiro deveria saber

30 de Janeiro de 2014, 12:05, por Lerd - 0sem comentários ainda

Por Rui Nogueira*

1 Para um país crescer e criar condições para o seu povo viver bem há necessidade de: conhecimento (saber); tecnologia (saber-fazer); recursos naturais (minérios, matérias-primas); energia; água; transportes.

2 Qual a situação do mundo? Há os países hegemônicos exploradores que possuem, e dificilmente repassam, o conhecimento e a tecnologia. Eles conseguiram acumular riquezas, porque, além das tecnologias, garantiram, até pelo uso da força, a saída dos seus produtos para venda em mercados externos, muitas vezes, com preços abusivos. Por outro lado, os produtos naturais dos países periféricos têm os preços excessivamente desvalorizados. E continuam a fazer isto até hoje.

3 No mundo, há países que têm minérios e matérias-primas — dizem que eles são ricos, têm riquezas naturais, mas os preços destas "riquezas" estão sempre artificialmente muito baixos. Por mais que trabalhem e se esforcem estão sempre sem dinheiro (Serra Leoa é um dos países mais pobres do mundo e tem minas de diamantes). Dá para aceitar?

4 Vejam! A Inglaterra garantiu mercado para os seus tecidos, com a proibição de D.Maria, a Louca, rainha de Portugal, de haver teares no Brasil, sob pena de deportação do proprietário.

Sem o silício, extraído do minério de quartzo, não há computadores , pois é com o silício que se faz sua mais importante peça: o micro processador eletrônico (chip). E, observe, o Brasil exporta o quilo do melhor quartzo do mundo a 35 centavos. Sem minério de ferro não há como fabricar o aço. O Brasil exporta-o por preços decrescentes que, hoje, chegam a 15 reais a tonelada (mil quilos)!!! Os produtos agrícolas estão sempre, também, sofrendo desvalorização, como o café, o cacau, a soja. Desvalorizam os produtos naturais e dificultam a evolução da nossa tecnologia. É justo?

5 O que representa vender uma tonelada de minério por preço tão baixo? Uma comparação demonstra o absurdo das coisas. Quando um brasileiro vai visitar os Estados Unidos e gasta 4.500 dólares, temos que vender mais de 500 toneladas de minério de ferro para que haja os dólares para a viagem. Para se comprar um computador de uso pessoal temos que vender 2.500 quilos de quartzo. Hoje o problema é cada vez mais grave porque os países hegemônicos exploradores estão ocupando todos os setores que dão lucro — alimentos, telecomunicações, energia, matérias-primas e minérios — e mantendo-se nos tradicionais setores de manufaturados, empobrecendo cada vez mais os outros países.

6 Com relação à Energia, os países hegemônicos só têm fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis: carvão de pedra e petróleo. O primeiro, com graves efeitos para a ecologia (efeito estufa e chuva ácida). O segundo, acabando.

7 O desenvolvimento tecnológico exige e exigirá cada vez mais, no século XXI, a utilização de materiais antes absolutamente ignorados. Você sabe qual mineral é fundamental para a fabricação de turbinas de avião? E de foguetes? E os tubos que exigem alta resistência? Tudo isto se faz com nióbio, mineral há pouco tempo desconhecido e do qual o Brasil detém 98% da produção mundial. E vem a questão: qual a situação dos países hegemônicos exploradores quanto aos minérios essenciais à produção industrial?

Respondemos: Muito mal! Dependem quase 100% dos países explorados. E nós, brasileiros, temos todos os minérios essenciais. Agora, podemos entender o porquê da preocupação das empresas transnacionais, com sede nos países hegemônicos, em transformarem-se em proprietárias dos minérios. Assim, poderão garantir matéria-prima barata, quase pelo custo da extração e transporte. E, defendem e defenderão os direitos de propriedade, mesmo que tenham sido obtidos por meios espúrios e até pela força.

8 Com o infeliz respaldo da lei de patentes do "governo brasileiro", as plantas da Amazônia estão sendo registradas a partir de estudos genéticos com o que, provavelmente, nos farão pagar, amanhã, taxas para se tomar um simples chá das nossas próprias plantas.

Estão purificando água, adicionando sais minerais e cobrando direitos de uma fórmula de água no país que tem a maior reserva de água potável do planeta!

9 Para a manutenção do atual cenário mundial, com os países hegemônicos (exploradores) mantendo para si altos padrões de vida e impondo aos países explorados um presente e futuro de dificuldades e pobreza, há cinco estratégias: a ocupação econômica; invasão cultural; desmoralização das Forças Armadas; desmantelamento do sistema sindical; domínio dos meios de comunicação.

A ocupação econômica evidencia-se pela compra de supermercados, editoras, bancos, empresas de seguro, transporte, engenharia. Quem domina a economia ocupa o país.

A invasão cultural está óbvia nos letreiros das lojas, na aquisição das editoras nacionais, na conquista do mercado de livros didáticos nacionais, na busca da destruição da unidade linguística, única existente no mundo — a do Brasil de extensão continental com todos falando a língua portuguesa.

Uma das mais fortes e principal fonte de nacionalismo desenvolve-se nas Forças Armadas. Por isto, observa-se a sistemática campanha para destacar alguns aspectos negativos, na tentativa de desmoralizá-las e tirar a força e liderança que exercem na defesa do País.

O sistema sindical tem sido estimulado nas questiúnculas internas e está perdido no jogo de ambições e intrigas pela busca de fatias do poder. Precisamos nos lembrar da capacidade dos europeus em desenvolver desarmonias entre grupos, pela sua atuação na África. Desagregado o sistema sindical, fica mais difícil a mobilização popular para resistir ao desmantelamento da estrutura de produção nacional.

O domínio dos meios de comunicação torna-se evidente quando apenas assuntos emocionais e superficiais são tratados, não havendo qualquer discussão dos temas de relevo para o interesse do país. Um chute à gol, dado por um jogador (de um time popular comprado por empresa estrangeira), tem todo o destaque e não há qualquer referência às consequências e implicações das privatizações, em confronto com a vontade e a necessidade do povo brasileiro.

10 "Não posso fazer nada!" É o que quase todos dizem em consequência da destruição da nossa auto-estima desenvolvida pelos meios de comunicação. Saiba que podemos fazer, e muito, no ambiente do nosso viver.

Inicie a sua micro-revolução pessoal, sem armas, sem violência. Crie uma postura brasileira e nacionalista em todos os atos da sua vida. Ninguém pode ser criticado por defender o que é nosso! Valorize a nossa língua. Não aceite letreiros, escritos, avisos e até nomes de lojas em línguas estrangeiras. Não compre importados — eles tiram os empregos dos brasileiros. Não use camisas ou roupas com desenhos, motivos e letreiros que sejam alheios a tudo o que é nosso. Em toda ocasião lembre-se que, segundo a Constituição, o idioma oficial da República Federativa do Brasil é a língua portuguesa.

Exerça, com toda coragem, o seu papel de brasileiro, contribuindo para a criação de uma consciência coletiva nacionalista. Para isto, discuta com amigos, conhecidos, vizinhos, parentes, todos os assuntos aqui destacados e que são fundamentais para o Brasil ser o País do século XXI:

Energia

O sistema elétrico mais barato e sem poluição do mundo está sendo desmantelado e privatizado, passando para estrangeiros. Energia essencial para a vida não pode virar mercadoria para jogo na bolsa!

Água

Sem água não há vida. Nenhum grupo estrangeiro pode ser dono da nossa água. Mantenha a solução brasileira: Água de todos — estatal.

Comunicações

É um absurdo um sistema, todo pronto, ser transferido para estrangeiros que agora sugam lucros gigantescos.

Minérios e matérias primas

Tudo que usamos vem da natureza. Sai minério a preço vil, ficam buracos e miséria. Minério não se repõe e não é riqueza para ficar nas mãos de estranhos, mas para servir à melhoria de vida dos brasileiros.

Incentivos fiscais para estrangeiros

Se a Prefeitura ou o Estado deixam de arrecadar impostos, ficam sem recursos para o atendimento da população. As empresas estrangeiras obtêm mais lucros com as vantagens e isenções de impostos e mandam tudo para fora. É justo?

Produção agrícola

Exportar somente o excedente! Que nenhum brasileiro passe fome.

Sementes

As nossas sementes naturais devem ser incentivadas. Não podemos ficar dependentes de financiamentos e sementes importadas. A nossa política agrícola não pode ser traçada por empresas estrangeiras.

Bancos

Banco estrangeiro recebendo os depósitos e a poupança dos brasileiros é um absurdo, pois eles os usarão como quiserem, levando para o exterior e aumentando a pobreza aqui. Reaja!

Financiamentos

Denuncie! Muitas Prefeituras e órgãos do governo obtêm financiamentos em dólar para fazer calçadas, meio-fio, galerias de águas, recapeamento de estradas. Obras que não exigem dólar! Há apenas uma contabilidade no Banco Central, para aumentar a nossa dívida. O governo (prefeitura) fica com o compromisso de pagar, ao menos, os juros da dívida e, por isto, não pode pagar decentemente os seus funcionários e dar assistência à população. É um financiamento desnecessário porque tudo é pago com a nossa moeda. Se o real aparece, por que o empréstimo? Quem ganha com isto?

A ciranda do dólar

Para importar, o Brasil precisa de dólares, para obtê-los vende muito minério a troco de quase nada ou obtém financiamentos, pagando juros altíssimos. As empresas estrangeiras, aqui instaladas, mandam cada vez mais dinheiro para fora, sob a forma de prestação de serviços e remessa de lucros. Até a camisa da seleção brasileira, hoje propriedade de firma estrangeira, envia dólares, sob a forma de direitos, para fora. Cada vez trabalhamos mais para ter uma vida mais difícil. Algo está errado!!!

Amazônia

Por posse, história e direito é nossa. Defenda-a.

Tratado de Alcântara

Permitir base estrangeira no Brasil é uma afronta à nossa tradição, além de nos transformarmos em alvos, em eventuais conflitos externos.

Petróleo

Do poço ao posto deve haver a bandeira nacional.

Fonte: Dez coisas que todo brasileiro deveria saber

*Rui Nogueira é médico e escritor. Autor de Servos da moeda, Petrobrás, orgulho de ser brasileira e Nação do sol.



Profetas do pânico: os grupos que patrocinam a campanha anticopa

28 de Janeiro de 2014, 11:33, por Lerd - 0sem comentários ainda

Vai ter Copa: argumentos para enfrentar quem torce contra o Brasil

ou

Como a desinformação alimenta o festival de besteiras ditas contra a Copa do Mundo de Futebol no Brasil

Existe uma campanha orquestrada contra a Copa do Mundo no Brasil. A torcida para que as coisas deem errado é pequena, mas é barulhenta e até agora tem sido muito bem sucedida em queimar o filme do evento.

Tiveram, para isso, uma mãozinha de alguns governos, como o do estado do Paraná e da prefeitura de Curitiba, que deram o pior de todos exemplos ao abandonarem seus compromissos com as obras da Arena da Baixada, praticamente comprometida como sede.

A arrogância e o elitismo dos cartolas da Fifa também ajudaram. Aliás, a velha palavra “cartola” permanece a mais perfeita designação da arrogância e do elitismo de muitos dirigentes de futebol do mundo inteiro.

Mas a campanha anticopa não seria nada sem o bombardeio de informação podre patrocinado pelos profetas do pânico.

O objetivo desses falsos profetas não é prever nada, mas incendiar a opinião pública contra tudo e contra todos, inclusive contra o bom senso.

Afinal, nada melhor do que o pânico para se assassinar o bom senso.

Como conseguiram azedar o clima da Copa do Mundo no Brasil

O grande problema é quando os profetas do pânico levam consigo muita gente que não é nem virulenta, nem violenta, mas que acaba entrando no clima de replicar desinformações, disseminar raiva e ódio e incutir, em si mesmas, a descrença sobre a capacidade do Brasil dar conta do recado.

Isso azedou o clima. Pela primeira vez em todas as copas, a principal preocupação do brasileiro não é se a nossa seleção irá ganhar ou perder a competição.

A campanha anticopa foi tão forte e, reconheçamos, tão eficiente que provocou algo estranho. Um clima esquisito se alastrou e, justo quando a Copa é no Brasil, até agora não apareceu aquela sensação que, por aqui, sempre foi equivalente à do Carnaval.

Se depender desses Panicopas (os profetas do pânico na Copa), essa será a mais triste de todas as copas.

“Hello!”: já fizemos uma copa antes

Até hoje, os países que recebem uma Copa tornam-se, por um ano, os maiores entusiastas do evento. Foi assim, inclusive, no Brasil, em 1950. Sediamos o mundial com muito menos condições do que temos agora.

Aquela Copa nos deixou três grandes legados. O primeiro foi o Maracanã, o maior estádio do mundo – que só ficou pronto faltando poucos dias para o início dos jogos.

O segundo, graças à derrota para o Uruguai (“El Maracanazo”), foi o eterno medo que muitos brasileiros têm de que as coisas saiam errado no final e de o Brasil dar vexame diante do mundo - o que Nélson Rodrigues apelidou de “complexo de vira-latas”,  a ideia de que o brasileiro nasceu para perder, para errar, para sofrer.

O terceiro legado, inestimável, foi a associação cada vez mais profunda entre o futebol e a imagem do país. O futebol continua sendo o principal cartão de visitas do Brasil – imbatível nesse aspecto.

O cartunista Henfil, quando foi à China, em 1977, foi recebido com sorrisos no rosto e com a única palavra que os chineses sabiam do Português: “Pelé” (está no livro “Henfil na China”, de 1978).

O valor dessa imagem para o Brasil, se for calculada em campanhas publicitárias para se gerar o mesmo efeito, vale uma centena de Maracanãs.

Desinformação #1: o dinheiro da Copa vai ser gasto em estádios e em jogos de futebol, e isso não é importante

O pior sobre a Copa é a desinformação. É da desinformação que se alimenta o festival de besteiras que são ditas contra a Copa.

Não conheço uma única pessoa que fale dos gastos da Copa e saiba dizer quanto isso custará para o Brasil. Ou, pelo menos, quanto custarão só os estádios. Ou que tenha visto uma planilha de gastos da copa.

A “Copa” vai consumir quase 26 bilhões de reais.

A construção de estádios (8 bi) é cerca de 30% desse valor.

Cerca de 70% dos gastos da Copa não são em estádios, mas em infraestrutura, serviços e formação de mão de obra.

Os gastos com mobilidade urbana praticamente empatam com o dos estádios.

O gastos em aeroportos (6,7 bi), somados ao que será investido pela iniciativa privada (2,8 bi até 2014) é maior que o gasto com estádios.

O ministério que teve o maior crescimento do volume de recursos, de 2012 para 2013, não foi o dos Esportes (que cuida da Copa), mas sim a Secretaria da Aviação Civil (que cuida de aeroportos).

Quase 2 bi serão gastos em segurança pública, formação de mão de obra e outros serviços.

Ou seja, o maior gasto da Copa não é em estádios. Quem acha o contrário está desinformado e, provavelmente, desinformando outras pessoas.

Desinformação #2: se deu mais atenção à Copa do que a questões mais importantes

Os atrasos nas obras pelo menos serviram para mostrar que a organização do evento não está isenta de problemas que afetam também outras áreas. De todo modo, não dá para se dizer que a organização da Copa teve mais colher de chá que outras áreas.

Certamente, os recursos a serem gastos em estádios seriam úteis a outras áreas. Mas se os problemas do Brasil pudessem ser resolvidos com 8 bi, já teriam sido.

Em 2013, os recursos destinados à educação e à saúde cresceram. Em 2014, vão crescer de novo.

Portanto, o Brasil não irá gastar menos com saúde e educação por causa da Copa. Ao contrário, vai gastar mais. Não por causa da Copa, mas independentemente dela.

No que se refere à segurança pública, também haverá mais recursos para a área. Aqui, uma das razões é, sim, a Copa.

Dados como esses estão disponíveis na proposta orçamentária enviada pelo Executivo e aprovada pelo Congresso (nas referências ao final está indicado onde encontrar mais detalhes). 

Se alguém quiser ajudar de verdade a melhorar a saúde e a educação do país, ao invés de protestar contra a Copa, o alvo certo é lutar pela aprovação do Plano Nacional de Educação, pelo cumprimento do piso salarial nacional dos professores, pela fixação de percentuais mais elevados e progressivos de financiamento público para a saúde e pela regulação mais firme sobre os planos de saúde.

Se quiserem lutar contra a corrupção, sugiro protestos em frente às instâncias do Poder Judiciário, que andam deixando prescrever crimes sem o devido julgamento, e rolezinhos diante das sedes do Ministério Público em alguns estados, que andam com as gavetas cheias de processos, sem dar a eles qualquer andamento.

Marchar em frente aos estádios, quebrar orelhões públicos e pichar veículos em concessionárias não tem nada a ver com lutar pela saúde e pela educação.

Os estádios, que foram malhados como Judas e tratados como ícones do desperdício, geraram, até a Copa das Confederações, 24,5 mil empregos diretos. Alto lá quando alguém falar que isso não é importante.

Será que o raciocínio contra os estádios vale também para a Praça da Apoteose e para todos os monumentos de Niemeyer? Vale para a estátua do Cristo Redentor? Vale para as igrejas de Ouro Preto e Mariana?

Havia coisas mais importantes a serem feitas no Brasil, antes desses monumentos extraordinários. Mas o que não foi feito de importante deixou de ser feito porque construíram o bondinho do Pão-de-Açúcar?

Até mesmo para o futebol, o jogo e o estádio são, para dizer a verdade, um detalhe menos importante. No fundo, estádios e jogos são apenas formas para se juntar as pessoas. Isso sim é muito importante. Mais do que alguns imaginam.

Desinformação #3: O Brasil não está preparado para sediar o mundial e vai passar vexame

Se o Brasil deu conta da Copa do Mundo em 1950, por que não daria conta agora?

Se realizou a Copa das Confederações no ano passado, por que não daria conta da Copa do Mundo?

Se recebeu muito mais gente na Jornada Mundial da Juventude, em uma só cidade, porque teria dificuldades para receber um evento com menos turistas, e espalhados em mais de uma cidade?

O Brasil não vai dar vexame, quando o assunto for segurança, nem diante da Alemanha, que se viu rendida quando dos atentados terroristas em Munique, nos Jogos Olímpicos de Verão de 1972; nem diante dos Estados Unidos, que sofreram atentados na Maratona Internacional de Boston, no ano passado.

O Brasil não vai dar vexame diante da Itália, quando o assunto for a maneira como tratamos estrangeiros, sejam eles europeus, americanos ou africanos.

O Brasil não vai dar vexame diante da Inglaterra e da França, quando o assunto for racismo no futebol. Ninguém vai jogar bananas para nenhum jogador, a não ser que haja um Panicopa no meio da torcida.

O Brasil não vai dar vexame diante da Rússia, quando o assunto for respeito à diversidade e combate à homofobia.

O Brasil não vai dar vexame diante de ninguém quando o assunto for manifestações populares, desde que os governadores de cada estado convençam seus comandantes da PM a usarem a inteligência antes do spray de pimenta e a evitar a farra das balas de borracha.

Podem ocorrer problemas? Podem. Certamente ocorrerão. Eles ocorrem todos os dias. Por que na Copa seria diferente? A grande questão não é se haverá problemas. É de que forma nós, brasileiros, iremos lidar com tais problemas.

Desinformação #4: os turistas estrangeiros estão com medo de vir ao Brasil

De tanto medo do Brasil, o turismo para o Brasil cresceu 5,6% em 2013, acima da média mundial. Foi um recorde histórico (a última maior marca havia sido em 2005).

Recebemos mais de 6 milhões de estrangeiros. Em 2014, só a Copa deve trazer meio milhão de pessoas.

De quebra, o Brasil ainda foi colocado em primeiro lugar entre os melhores países para se visitar em 2014, conforme o prestigiado guia turístico Lonely Planet (“Best in Travel 2014”, citado nas referências ao final).

Adivinhe qual uma das principais razões para a sugestão? Pois é, a Copa.


Desinformação #5: a Copa é uma forma de enganar o povo e desviá-lo de seus reais problemas

O Brasil tem de problemas que não foram causados e nem serão resolvidos pela Copa.

O Brasil tem futebol sem precisar, para isso, fazer uma copa do mundo. E a maioria assiste aos jogos da seleção sem ir a estádios.

Quem quiser torcer contra o Brasil que torça. Há quem não goste de futebol, é um direito a ser respeitado. Mas daí querer dar ares de “visão crítica” é piada.

Desinformação #6: muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, o que é um grave problema

É verdade, muitas coisas não ficarão prontas antes da Copa, mas isso não é um grave problema. Tem até um nome: chama-se “legado”.

Mas, além do legado em infraestrutura para o país, a Copa provocou um outro, imaterial, mas que pode fazer uma boa diferença.

Trata-se da medida provisória enviada por Dilma e aprovada pelo Congresso (entrará em vigor em abril deste ano), que limita o tempo de mandato de dirigentes esportivos.

A lei ainda obrigará as entidades (não apenas de futebol) a fazer o que nunca fizeram: prestar contas, em meios eletrônicos, sobre dados econômicos e financeiros, contratos, patrocínios, direitos de imagem e outros aspectos de gestão. Os atletas também terão direito a voto e participação na direção. Seria bom se o aclamado Barcelona, de Neymar, fizesse o mesmo.

Estresse de 2013 virou o jogo contra a Copa

Foi o estresse de 2013 que virou o jogo contra a Copa. Principalmente quando aos protestos se misturaram os críticos mascarados e os descarados.

Os mascarados acompanharam os protestos de perto e neles pegaram carona, quebrando e botando fogo. Os descarados ficaram bem de longe, noticiando o que não viam e nem ouviam; dando cartaz ao que não tinha cartaz; fingindo dublar a “voz das ruas”, enquanto as ruas hostilizavam as emissoras, os jornalões, as revistinhas e até as coitadas das bancas.

O fato é que um sentimento estranho tomou conta dos brasileiros. Diferentemente de outras copas, o que mais as pessoas querem hoje saber não é a data dos jogos, nem os grupos, nem a escalação dos times de cada seleção. 

A maioria quer saber se o país irá funcionar bem e se terá paz durante a competição. Estranho.

É quase um termômetro, ou um teste do grau de envenenamento a que uma pessoa está acometida. Pergunte a alguém sobre a Copa e ouça se ela fala dos jogos ou de algo que tenha a ver com medo. Assim se descobre se ela está empolgada ou se sentou em uma flecha envenenada deixada por um profeta do apocalipse.

Todo mundo em pânico: esse filme de comédia a gente já viu

Funciona assim: os profetas do pânico rogam uma praga e marcam a data para a tragédia acontecer. E esperam para ver o que acontece. Se algo “previsto” não acontece, não tem problema. A intenção era só disseminar o pânico e o baixo astral mesmo.

O que diziam os profetas do pânico sobre o Brasil em 2013?  Entre outras coisas:

Que estávamos à beira de um sério apagão elétrico.

Que o Brasil não conseguiria cumprir sua meta de inflação e nem de superávit primário.

Que o preço dos alimentos estava fora de controle.

Que não se conseguiria aprontar todos os estádios para a Copa das Confederações.

O apagão não veio e as termelétricas foram desligadas antes do previsto. A inflação ficou dentro da meta. A inflação de alimentos retrocedeu. Todos os estádios previstos para a Copa das Confederações foram entregues.

Essas foram as profecias de 2013. Todas furadas.

Cada ano tem suas previsões malditas mais badaladas. Em 2007 e 2008, a mesma turma do pânico dizia que o Brasil estava tendo uma grande epidemia de febre amarela. Acabou morrendo mais gente de overdose de vacina do que de febre amarela, graças aos profetas do pânico.

Em 2009 e 2010, os agourentos diziam que o Brasil não estava preparado para enfrentar a gripe aviária e nem a gripe “suína”, o H1N1. Segundo esses especialistas em catástrofes, os brasileiros não tinham competência nem estrutura para lidar com um problema daquele tamanho. Soa parecido com o discurso anticopa, não?

O cataclismo do H1N1 seria gravíssimo. Os videntes falavam aos quatro cantos que não se poderia pegar ônibus, metrô ou trem, tal o contágio. Não se poderia ir à escola, ao trabalho, ao supermercado. Resultado? Não houve epidemia de coisa alguma.

Mas os profetas do pânico não se dão por vencidos. Eles são insistentes (e chatos também). Quando uma de suas profecias furadas não acontece, eles simplesmente adiam a data do juízo final, ou trocam de praga.

Agora, atenção todos, o próximo fim do mundo é a Copa. “Imagina na Copa” é o slogan. E há muita gente boa que não só reproduz tal slogan como perde seu tempo e sua paciência acreditando nisso, pela enésima vez.

Para enfrentar o pessoal que é ruim da cabeça ou doente do pé

O pânico é a bomba criada pelos covardes e pulhas para abater os incautos, os ingênuos e os desinformados.

Só existe um antídoto para se enfrentar os profetas do pânico. É combater a desinformação com dados, argumentos e, sobretudo, bom senso, a principal vítima da campanha contra a Copa.

Informação é para ser usada. É para se fazer o enfrentamento do debate. Na escola, no trabalho, na família, na mesa de bar.

É preciso que cada um seja mais veemente, mais incisivo e mais altivo que os profetas do pânico. Eles gostam de falar grosso? Vamos ver como se comportam se forem jogados contra a parede, desmascarados por uma informação que desmonta sua desinformação.

As pessoas precisam tomar consciência de que deixar uma informação errada e uma opinião maldosa se disseminar é como jogar lixo na rua.

Deixar envenenar o ambiente não é um bom caminho para melhorar o país.

A essa altura do campeonato, faltando poucos meses para a abertura do evento, já não se trata mais de Fifa. É do Brasil que estamos falando.

É claro que as informações deste texto só fazem sentido para quem as palavras “Brasil” e “brasileiros” significam alguma coisa.

Há quem por aqui nasceu, mas não nutre qualquer sentimento nacional, qualquer brasilidade; sequer acreditam que isso existe. Paciência. São os que pensam diferente que têm que mostrar que isso existe sim.

Ter orgulho do país e torcer para que as coisas deem certo não deve ser confundido com compactuar com as mazelas que persistem e precisam ser superadas. É simplesmente tentar colocar cada coisa em seu lugar.

Uma das maneiras de se colocar as coisas no lugar é desmascarar oportunistas que querem usar da pregação anticopa para atingir objetivos que nunca foram o de melhorar o país.

O pior dessa campanha fúnebre não é a tentativa de se desmoralizar governos, mas a tentativa de desmoralizar o Brasil.

É preciso enfrentar, confrontar e vencer esse debate. É preciso mostrar que esse pessoal que é profeta do pânico é ruim da cabeça ou doente do pé.

(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política e torcedor da Seleção Brasileira de Futebol desde sempre.

Mais sobre o assunto:

A Controladoria Geral da União atualiza a planilha com todos os gastos previstos para a Copa, os já realizados e os por realizar, em seu portal:


Os dados do orçamento da União estão disponíveis na proposta orçamentária enviada pelo Executivo e aprovada pelo Congresso. 

O “Best in Travel 2014”, da Lonely Planet, pode ser conferido aqui.

Sobre copa e anticopa, vale a pena ler o texto do Flávio Aguiar, “Copa e anti-copa”, aqui na Carta Maior:

Sobre o catastrofismo, também do Flávio Aguiar: “Reveses e contrariedades para a direita”, na Carta Maior.

Sobre os protestos de junho e a estratégia da mídia, leiam o texto do prof. Emir Sader, "Primeiras reflexões".

Fonte: Carta Maior