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Motta

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O ditador tem duros olhos azuis

7 de Setembro de 2016, 0:00 , por carlos motta - | No one following this article yet.
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A redação de um grande jornal - sim, já tivemos isso no Brasil! - é um minimundo, onde se encontram pessoas de todo o tipo - mas todo o tipo, mesmo.


No hoje agonizante Estadão, por exemplo, durante um certo tempo um dos herdeiros da dinastia mesquitiana frequentava a redação, talvez para matar o tédio, talvez para pegar gosto pela profissão - algo que não aconteceu, pois ele se sentia mais à vontade entre cavalos e éguas que fazem a festa dos endinheirados nos jóqueis-clubes da vida.


Um belo dia, se aproximou de alguns empregados e puxou prosa. Contou que tinha ido, em viagem de negócios, ao Chile, e que ficara encantado com o país.


- Comi num restaurante com garfo e faca de prata - disse. Serviço sem igual.


As ruas eram limpíssimas, bem diferentes da imundície de São Paulo, relatou. As pessoas, ordeiras e educadas. Outro mundo.


Mas o que realmente o impressionara na viagem havia acontecido durante a cerimônia principal do evento de que participara. 


Um senhor evento, que contara com a presença, vejam só, do general Augusto Pinochet, na época ainda o manda-chuva do Chile.


- Nunca vi coisa igual. Que homem! Ficou sentado na mesa principal, mais de meia hora ouvindo um discurso, sem mover um músculo. E o seu olhar, então! Impressionante! Duro, fixo num ponto da sala, sem se desviar um instante!


E arrematou, pouco antes de um telefonema o chamar para a sua sala, longe do barulho da redação:


- Vocês sabiam que ele tem olhos azuis?


É isso. 


Quem possui a capacidade de notar que o ditador tem olhos azuis é mesmo especial. (Carlos Motta)


Tags deste artigo: estadão família Mesquita histórias do Estadão pinochet

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