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Motta

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Segundo Clichê

27 de Fevereiro de 2017, 15:48 , por Blogoosfero - | No one following this article yet.

Isso é uma vergonha!

24 de Maio de 2017, 9:53, por segundo clichê

Muito já se falou sobre a indigência do jornalismo brasileiro, a falta de capacitação técnica dos profissionais, a deturpação der seus princípios básicos, a subordinação das pautas aos interesses do patrão e anunciantes, e a ampla disseminação da ideologia dominante, esse pseudocapitalismo que impera no país.

Todos os dias surgem exemplos de que o que se pratica no Brasil é tudo, menos jornalismo, seja nos jornais, nas rádios ou na televisão.

Um ótimo exemplo desse abastardamento da função jornalística é a concessão de prêmios para os profissionais, por diversas empresas da área: quase sempre os lauréis vão para os "globais", ou seja, para as figuras carimbadas da mídia empresarial, justamente essa que se dedica permanentemente a desvirtuar a função da imprensa.


Um desses eventos, o Congresso Mega Brasil de Comunicação, Inovação e Estratégias Corporativas, vai homenagear este ano com o Prêmio Personalidade da Comunicação, um dos mais antigos e resistentes reacionários da profissão, Boris Casoy, aquele que, além de seus bordões lacerdianos, ficou famoso por ter dito, numa passagem de uma reportagem sobre as festas de fim de ano de 2009, no Jornal da Band, uma frase emblemática sobreas suas convicções: "Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras - o mais baixo da escala de trabalho." 

Os patrocinadores justificam a concessão do prêmio a Casoy por ele ser "referência para o jornalismo brasileiro" e ter ajudado a formar "uma geração de jornalistas criando um estilo próprio, o de âncora com opinião".

Aquela moça que levou outro dia, ao vivo e em cores, uma bronca do seu patrão Silvio Santos por não se limitar a ler as notícias no telejornal que apresenta, provavelmente se formou na escola de Casoy, o homem que repete, com insistência irritante, platitudes como "precisamos passar o Brasil a limpo" - como se ele próprio não fosse parte da sujeira que pretende varrer.

Seu mais famoso bordão, porém, é o que mais aplica a esse tipo de premiação, promovida para perpetuar o arremedo de imprensa existente no país: "Isso é uma vergonha!"

Muita vergonha. (Carlos Motta)



Os pais da criança sumiram

23 de Maio de 2017, 10:08, por segundo clichê


O Banco Itaú enviou, dias atrás, um interessante comunicado aos seus correntistas, alertando para a queda no rendimento de algumas aplicações, principalmente os fundos multimercados, e atribuindo o "impacto negativo" às "ultimas notícias" sobre o cenário político: "É importante destacar que os acontecimentos do atual contexto aumentaram muito a incerteza, impactando, no curto prazo, os preços dos ativos no mercado como um todo", diz trecho da correspondência.

O texto, porém, não toca no principal, ou seja, o que ocasionou esse cenário político de turbulência, que se reflete negativamente em vários produtos do mercado financeiro, prejudicando, pelo menos no curto prazo, milhares de pequenos aplicadores.


O Itaú, como quase a totalidade das empresas brasileiras, de uma forma ou de outra, incentivou e colaborou para a destituição da presidenta Dilma Rousseff, e, por consequência, para a instauração desse governo formado por canalhas e corruptos. 

Muita água ainda há de passar sob essa "ponte para o futuro" que os golpistas estão tentando construir. Quem sabe, algum dia, se saberá o quanto cada personagem desta tragédia contribuiu para trazer o caos ao país. 

Hoje, achar os pais da criança, é uma tarefa muito difícil. 

A chamada "base de apoio" do Dr. Mesóclise e seu bando de picaretas dissipa-se com uma incrível velocidade: os ratos abandonam o navio pois pressentem o seu naufrágio iminente.

Do lado empresarial, com algumas raras exceções, o quadro é dramático. 

Os setores de serviço e industrial ainda sofrem com as dores da recessão, e não resta muito mais a fazer, a não ser cortar custos, o que implica a demissão de mais trabalhadores - como se os cerca de 15 milhões que foram jogados para fora do mercado de trabalho nos últimos dois anos fosse coisa pequena.

O setor financeiro é, por enquanto, o que menos sofreu com a crise, mas não vai tardar para que o peso de milhões de pessoas sem rendimento abale seus gordos lucros.

Os 50 milhões de eleitores de Aécio Neves em 2014 se reduziram a uns miseráveis milhares. 

O Dr. Mesóclise se tornou a figura mais detestada da nação.

Os protagonistas do golpe que abateu não um governo legítimo, mas a essência da democracia brasileira, se tornaram mortos-vivos.

O país se arrasta se rumo.

E os responsáveis pelo desastre se escondem, covardemente, na esperança que possam escapar do julgamento da história. (Carlos Motta)



O Brasil cor-de-rosa do Dr. Mesóclise

22 de Maio de 2017, 15:54, por segundo clichê


Num fim de feira total, resta ao governo do Dr. Mesóclise usar descaradamente tudo o que estiver ao seu alcance para tentar injetar o máximo de otimismo nos brasileiros.

A homepage da Agência Brasil de hoje, por exemplo, mostra um país à beira do paraíso de leite e mel. 

Notícia mesmo, não tem nenhuma, só propaganda.



O fim das mesóclises

22 de Maio de 2017, 10:56, por segundo clichê


E no fim nem as mesóclises resistiram.

O vice decorativo, alçado à condição de executor das mais profundas "reformas" jamais vistas nesta pobre república, não resistiu a uma conversa de um ardiloso empresário - conversa na qual não empregou, em nenhum momento, o desusado recurso gramatical de encaixar o pronome no meio do verbo.

Ao contrário, visto na intimidade, ele se revelou um homem tão absolutamente ordinário, tão igual aos seus colaboradores, notórios safardanas, que ficou pairando no ar uma questão que se mostra fundamental para todos os que se preocupam com a vida nesta miserável nação: como, afinal, foi possível que um homem dessa estatura ínfima chegasse onde chegou? 


O que fizemos de errado ao permitir que as mesóclises se sobrepusessem às palavras duras, essenciais, necessárias, tristes e doloridas, de milhões de pessoas, essas sim, que estão na raiz da pátria?

Como pode um povo ser enganado dessa maneira, ser conduzido como gado, sem um mugido, para o abatedouro?

E por que, vistas as entranhas do poder em toda a sua nauseabunda putrefação, elas ainda não foram incineradas e reduzidas a cinzas, num ato de purificação?

Estranho país este nosso, que se permite ser saqueado, vilipendiado e corrompido por uma súcia, e ainda louvá-la como se fosse a "elite" possuidora de refinado conhecimento, inesgotável sabedoria, elevada cultura, e não apenas e tão somente, de uma riqueza formada à custa da espoliação dos miseráveis, aos arranjos criminosos e clandestinos, e à jogatina na roleta da especulação. 

Nos palácios brasilienses vaga hoje o fantasma daquele que pretendeu ser, com sua alocação acaciana, o porta-voz dessa estrutura secular de poder, o homem que recolocaria o país nos trilhos que levam ao atraso, à dependência, à pérfida divisão de classes, à vergonhosa desigualdade social.

Esse espectro, nu, desprovido de suas roupas caras e da máscara de distinção que usou por décadas, representa, de certa forma, toda a espécie dos endinheirados que não permite, nunca, que o país suprima, na sua voz cotidiana, a linguagem empolada dos patifes. 

Foram-se as mesóclises; permanece, todavia, a cacofonia de uma casta cruel, que não permite objeções em seu projeto de dominação. (Carlos Motta)



O país que se tornou o lar dos canalhas

20 de Maio de 2017, 11:30, por segundo clichê


Durante décadas o Brasil foi o país do carnaval, o país do futebol, o país das praias e mulatas, o país do futuro, o gigante bobo.

E também o país da desigualdade, o país da violência no campo e na cidade, o país da miséria, o país da ignorância.

O ninho dos oportunistas, o lar dos especuladores, o berço dos aproveitadores.

Até que, durante uma década, o Brasil fez um esforço para superar aquilo que o notável cronista Nelson Rodrigues diagnosticou como "complexo de vira-lata", o irresistível desejo de se autodepreciar, de se mostrar sempre inferior aos outros, em todas as áreas.


Aos poucos, o mundo foi vendo um outro Brasil, mais sério, mais otimista, mais criativo, mais competente na tarefa de levar a sua população a viver com menos dificuldades, a realizar seus sonhos e não abandonar a esperança de possibilitar a seus filhos um conforto que não teve.

O mundo começou a respeitar esse imenso país, de inesgotáveis riquezas, e a ouvir o que ele tinha a dizer a respeito da convivência pacífica e do desenvolvimento equilibrado das nações, pois afinal ele próprio estava fazendo a lição de casa, tirando dezenas de milhões de pessoas da pobreza, ampliando o mercado consumidor, investindo como nunca em infraestrutura e habitação, criando uma rede de proteção para os mais frágeis, e reservando a maior parte dos recursos da monumental reserva de petróleo da camada do pré-sal para a educação e a saúde, cumprindo assim, com os objetivos da magnífica Carta Constitucional promulgada em 1988.

Foi uma década de avanços sociais e econômicos como nenhuma outra.

Foi, porém, um sonho, interrompido pelas forças que sempre conspiraram contra o progresso do país.

Hoje, o Brasil nem é mais o país do carnaval, o país do futebol, das praias e mulatas.

Tampouco o gigante bobo - ou o país do futuro.

O Brasil hoje é tão simplesmente o refúgio dos canalhas, a fonte de onde brotam o escárnio, a hipocrisia e o cinismo.

Um aconchegante lar para larápios, escroques e bandoleiros de variados tipos.

Uma vergonha universal, um escárnio a toda ideia de civilização.

O Brasil deixou de ser uma nação para se tornar um ajuntamento onde as pessoas se obrigam apenas a sobreviver, de qualquer maneira, a qualquer custo. (Carlos Motta)



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