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Motta

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Segundo Clichê

27 de Fevereiro de 2017, 15:48 , por Blogoosfero - | No one following this article yet.

Vamos acabar com o samba, madame não gosta que ninguém sambe

25 de Abril de 2017, 16:02, por segundo clichê



O novo governante da capital paulista, por tudo que já fez, parece odiar a arte, justo ele, casado com uma escultora.

Depois de destruir os grafites que ajudavam a colorir um pouco a cinza metrópole e congelar metade da verba destinada à cultura, o alcaide atacou com artilharia pesada uma das importantes manifestações musicais do país, dando ordem para desalojar do Teatro Arthur de Azevedo o Clube do Choro.

Não satisfeito, o novo diretor da Biblioteca Mario de Andrade determinou que ela não abrirá mais 24 horas por dia e baniu de seu recinto as rodas de samba e choro, ali habitualmente realizadas.

Assim, rapidamente, São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, de uma riqueza artística e cultural inegável e invejável, vai se apequenando, vai se tornando do tamanho de seus administradores.

Essa gente parece viver num mundo à parte, alheio à realidade que a cerca.

O caso do Clube do Choro é emblemático.

A despesa da prefeitura com a sua manutenção deveria ser mínima, ao contrário do desconhecimento da amplitude do choro como manifestação artística não só no Brasil como em vários outros países.

O choro é tocado, como o samba, em praticamente o Brasil todo. 

É um dos principais símbolos da unidade nacional.

Sob seu ritmo se formaram gerações de ótimos músicos.

Há similares ao Clube do Choro paulistano em inúmeras cidades do planeta.

Para quem não sabe, por exemplo, o alegre "Tico Tico no Fubá", apresentado ao público pela primeira vez pelo seu autor, Zequinha de Abreu, em Santa Rita do Passa Quatro, sua cidade natal, em 1917, é uma das músicas brasileiras mais conhecidas da Terra.

As obras de Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Canhoto, Valdir Azevedo, Severino Araújo, Hermeto Paschoal, entre tantos outros artistas que compuseram choros, são estudadas e executadas pelos mais importantes artistas mundiais. 

Mas na capital paulista do prefeito cashmere, o diretor da maior biblioteca da cidade diz, aos jornais, com a maior naturalidade, que detesta chorinho.

Deve também detestar o samba.

No longínquo ano de 1945, Janet de Almeida gravou a obra-prima que compôs com Haroldo Barbosa, cantada até hoje por grandes intérpretes.

"Pra Que Discutir com Madame" é a perfeita definição desses tipos que hoje mandam em São Paulo:



Madame diz que a raça não melhora
Que a vida piora por causa do samba,
Madame diz o que samba tem pecado
Que o samba é coitado e devia acabar,
Madame diz que o samba tem cachaça, mistura de raça mistura de cor,
Madame diz que o samba democrata, é música barata sem nenhum valor,
Vamos acabar com o samba, madame não gosta que ninguém sambe
Vive dizendo que samba é vexame
Pra que discutir com madame.

No carnaval que vem também concorro
Meu bloco de morro vai cantar ópera
E na Avenida entre mil apertos 
Vocês vão ver gente cantando concerto
Madame tem um parafuso a menos
Só fala veneno meu Deus que horror
O samba brasileiro democrata
Brasileiro na batata é que tem valor.



Greves, protestos e tudo mais para se livrar dos golpistas

25 de Abril de 2017, 11:53, por segundo clichê


As entidades que organizam a greve geral desta sexta-feira, 28 de abril, em defesa dos direitos trabalhistas e da aposentadoria, produziram um interessante ponto a ponto de como os cidadãos podem ajudar a manifestação, reproduzido no fim deste texto.

A greve geral é necessária, assim como outros atos em repúdio às medidas para destruir o pouco do Estado de bem-estar social que os trabalhistas montaram,a muito custo, nos 13 anos em que governaram o país.

O que o Dr. Mesóclise e seu bando de picaretas estão fazendo é um crime de lesa-pátria e as suas ações deletérias vão atrasar em dezenas de anos o desenvolvimento social e econômico do Brasil.

Quanto a isso não há a menor dúvida entre as pessoas que têm dois neurônios.

Resistir, portanto, é uma necessidade. 

A questão que se coloca, porém, vai além dessa obviedade.

É sobre o método, a tática, a estratégia, dessa resistência.


Greves gerais são sempre bem-vindas, assim como todos os tipos de manifestações contrárias às medidas desse governo ilegítimo.

O problema é que tudo isso ainda é pouco para sequer abalar a marcha do retrocesso, centro da agenda dos usurpadores.

Eles já passaram do ponto de se preocupar com a opinião pública.

O Dr. Mesóclise, mostram as pesquisas, tornou-se o presidente mais rejeitado de toda a história.

Permanece no cargo porque tem de fazer o trabalho sujo para os seus patrocinadores, como bem explicou a presidenta deposta, Dilma Rousseff.

É urgente que o campo progressista deixe de lado picuinhas ideológicas, se una imediatamente e apresente ao país uma agenda que proponha soluções para a crise, mobilize ainda mais a sociedade na luta contra os golpistas, e rompa o controle midiático exercido pelos meios de comunicação oligárquicos.

A tarefa é difícil, mas é possível. (Carlos Motta)


Como ajudar a greve geral no dia 28 de abril


A não ser em caso de urgência:

- não vá a nenhum mercado,

- não vá a farmácias,

- não marque consultas para essa data,

- não vá a padarias,

- não vá a restaurantes de qualquer espécie,

- não compre nenhum móvel, eletrodomésticos, eletrônicos,

-não vá a nenhum shopping mesmo que  seja só para a praça de alimentação,

- não vá a lotéricas,

- não vá a bancos,

- não pague nenhuma conta,

- não abasteça seu carro justo nesse dia,

- não vá a academias,

- não vá a escola/faculdade ou cursos de qualquer espécie,

- não vá a açougues.

Essas coisas devem ser evitadas mesmo que você não vá trabalhar.



Mais más notícias econômicas

24 de Abril de 2017, 17:38, por segundo clichê


Tristes notícias de um país cuja atividade econômica derrete a cada dia:

@ A procura por crédito ao consumidor caiu 4% no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2016. A constatação é de pesquisa da Boa Vista SCPC, empresa de informações de crédito. Os dados nacionais mostram ainda que, na avaliação dos valores acumulados em 12 meses (abril de 2016 até março de 2017), houve queda de 9,3%. A avaliação em 12 meses mostrou que nas instituições financeiras houve queda de 13,7% na busca por crédito, enquanto para o segmento não financeiro a diminuição foi de 6,7%. De acordo com a empresa pesquisadora, os resultados da tendência do indicador ainda sinalizam uma demanda por crédito fragilizada.


A prévia de abril do Índice de Confiança da Indústria (ICI) ficou em 90,8 pontos, 0,1 ponto acima do resultado de março. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), os números mostram uma estabilidade do indicador, que é medido em uma escala de zero a 200 pontos. A prévia aponta para uma piora da avaliação dos empresários da indústria em relação ao momento atual. O Índice da Situação Atual caiu 0,3 ponto e chegou a 88,2 pontos. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada da Indústria  também permaneceu estável na prévia de abril (74,4%),nível baixo em termos históricos. 

@ A Dívida Pública Federal, que inclui o endividamento interno e externo, aumentou em março. O saldo da dívida subiu 3,17% em termos nominais, ficando em R$ 3,234 trilhões. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), em circulação no mercado nacional, teve o estoque ampliado em 3,08% e ficou em R$ 3,113 trilhões. O estoque da Dívida Pública Federal externa (DPFe) registrou aumento de 5,59% sobre o apurado em fevereiro, encerrando março em R$ 120,3 bilhões (US$ 37,97 bilhões).



A república dos alcaguetes

24 de Abril de 2017, 11:11, por segundo clichê


O delator, também conhecido popularmente como dedo-duro, alcagueta, cagueta, X-9 e informante, entre outros substantivos menos conhecidos, é um ser execrável em todas as culturas.

Ninguém neste planeta se sente à vontade entre esse tipo de gente.

Não dá para imaginar uma sociedade onde a delação é encarada como algo normal, onde se permite que os alcaguetas transitem com normalidade, onde alguém pode se meter numa tremenda encrenca porque seu vizinho conta um monte de mentiras para se vingar daquele dia em que o volume da música o incomodou.

O cagueta é, antes de tudo, um covarde.

Também, um mau caráter.

E, em resumo, por reunir inúmeros defeitos e ser, até mesmo, um elemento desestabilizador da ordem social, tudo o que um indivíduo desse tipo falar não pode ser, ao menos em princípio, levado a sério.


O dedo-duro deve sempre ser visto pelo que é: ou um doente que sente prazer em espalhar segredos, reais ou imaginários, e em apontar deslizes éticos, morais ou legais dos outros, ou simplesmente alguém que pretende levar alguma vantagem se prestando a esse papel.

O Brasil de hoje vive uma situação absurda, na qual o X-9 virou peça fundamental de uma megaoperação policial que, com o tempo, assumiu o fantástico propósito de varrer a corrupção que há séculos convive com toda a sociedade, se tornando mesmo parte fundamental de seu funcionamento.

Dessa forma, bandidos já condenados se livram de grande parte de sua pena, se, como se diz popularmente, abrirem o bico, não só contando detalhes de seus crimes, mas falando, em juízo, ou seja, para os autos do processo, aquilo que seus captores querem ouvir.

E todos sabem o que eles querem ouvir - a megaoperação se revelou apenas um pretexto para destruir o maior partido da esquerda latino-americano e sua principal liderança.

Tempos atrás publiquei no meu blog Contos do Motta uma pequena peça de ficção sobre o delator.

Não é uma obra-prima como as cantadas pelo mestre Bezerra da Silva, mas, acho, reflete um pouco essa figura abominável.


Dedo-duro


Começou cedo. 

Quando a professora quis saber quem havia soltado aquele peido estereofônico, foi o primeiro a dizer:

- Não fui eu. Foi o Zezinho.

E apontou o magricela com seu indicador pequeno e raquítico, duro e incisivo.

Ao episódio sonoro sucederam-se outros, de vários tipos e único gênero.

Certa vez falou para o pai que a Inezinha, sua irmã, passava no shopping as tardes em que deveria estar estudando.

Noutra ocasião contou para a mãe que viu o pai parar o carro na esquina e dar carona para a Betinha, a moça loira e bonita do terceiro andar.

Acostumou-se com a delação.

Fez dela um estilo de vida - cômodo, prático, eficaz.

Degrau a degrau, escalou metodicamente posições que o levaram a ser tudo o que sempre quis: viver a tranquilidade dos sem-consciência.

Era apontado pelos vizinhos como modelo a ser seguido.

Só uma vez teve as convicções abaladas.

O filho, adolescente quieto, chegou em casa com a cara inchada, a orelha amassada, o olho fechado.

- Fala quem foi que fez isso, fala de uma vez!

E o garoto quieto.

- Fala que eu entrego esse filho da puta pra polícia!

E nada, nadinha de nada, nem uma palavra.

Nunca entendeu a razão do silêncio, nem soube de nome nenhum.

Mas sempre quis apontar o filho para todos e gritar, o coração explodindo de orgulho:


- É o meu garoto, ele sabe ficar quieto!

(Carlos Motta)



O corruptor, o corrupto, e o meu amigo

22 de Abril de 2017, 11:01, por segundo clichê


Anos atrás, um amigo, jornalista dos bons, criativo e empreendedor, mas que infelizmente não está mais entre nós, me telefonou para que passássemos a limpo as novidades.

Conversa vai, conversa vem, ele, que na época trabalhava como assessor da diretoria de uma grande cervejaria, se mostrou indignado com o alto nível de corrupção no Brasil - como se vê, essa história que hoje é o centro da discussão política no Brasil vem de longe.

E me contou uma historinha, da qual me recordo até hoje.

A empresa queria se expandir e buscava um local no Paraná para instalar sua nova fábrica. Mas, como todo mundo, estava atrás de algumas facilidades, isenções fiscais, essas coisas. E o seu manda-chuva resolveu ir a Brasília atrás de um deputado que lhe indicaram como sendo o homem certo para tocar o negócio.


- E lá fomos nós - disse o meu amigo. Chegamos ao escritório do deputado, entramos para falar com ele, e ele, nem bem escutou o nosso pedido já foi dizendo: "Olha, combinem tudo com o meu secretário. A gente acerta depois." Assim, na lata! É incrível como os nossos políticos são corruptos!

Foi aí, nesse momento da conversa, que interrompi esse meu meu camarada:

-Mas fulano, você não percebeu que vocês, nessa história, eram os corruptores, eram quem estavam dispostos a oferecer vantagens para o deputado facilitar as coisas para a empresa?

Depois dessa, passamos a falar de futebol.

Esse papo se deu bem antes de o Brasil virar essa republiqueta de Quinto Mundo, paraíso dos criminosos de colarinhos multicoloridos, pessoal que até outro dia atrás estava se refestelando na boa vida proporcionada pelos altíssimos salários pagos pelas ilibadas companhias em que trabalhavam.

Não sei se o meu amigo jornalista, se estivesse ainda entre nós, com tudo o que está ocorrendo, continuasse achando que só os políticos roubam e os empresários são uns coitados que têm de implorar aos nossos representantes legislativos favores para que seus negócios andem - favores que saem, como estamos vendo, muito caros.

Tenho certeza, porém, que esse meu amigo jornalista, se fosse novamente solicitado a acompanhar seu chefe numa missão dessas, arranjaria uma boa desculpa para não ir junto. 

É que ele, algumas vezes, se mostrou ingênuo, mas de burro não tinha nada. (Carlos Motta)



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