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Motta

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Segundo Clichê

27 de Fevereiro de 2017, 15:48 , por Blogoosfero - | No one following this article yet.

Como vai ser bom negociar diretamente com os patrões!

28 de Abril de 2017, 17:08, por segundo clichê


Vai ser interessante ver, daqui a algum tempo, quando a legislação trabalhista "modernizada" já estiver em vigor, esse pessoal que odeia os sindicatos e diz que sindicalistas não passam de um bando de vagabundos, negociar aumentos de salários com seus patrões.

Conheci vários desses tipos: os colegas do Sindicato dos Jornalistas chegavam na redação, e eles corriam para o cafezinho ou fingiam trabalhar, fazendo de conta que não prestavam atenção nos informes que eram dados, geralmente sobre as campanhas salariais.

Muitos xingavam abertamente o sindicato.


Daqui para a frente, porém, como diz a letra da famosa canção de Roberto e Erasmo Carlos, tudo vai ser diferente.

Esse povo que acredita piamente na meritocracia terá, finalmente, a oportunidade de convencer seus chefes, e por tabela, seus patrões, que eles merecem ganhar muito mais, porque são competentes, trabalhadores, e extremamente leais - vestem, como se diz, a camisa da empresa.

Agora, o problema todo é como vão fazer isso.

Alguns, mais ousados, talvez consigam chegar até a secretária do chefe e pedir para falar com ele.

Os outros, mais temerosos, mais tímidos, é bem provável que nem isso façam.

Vão, provavelmente, quando muito, reclamar que o salário está baixo, que não se ouve falar em aumento, que tudo está subindo, e que ninguém faz nada para resolver essa situação.

Em compensação ele estará vivendo num país onde, finalmente, há ordem e progresso. (Carlos Motta)



O fura-greve e o prato de camarão

28 de Abril de 2017, 12:03, por segundo clichê


Séculos atrás, pouco depois que comecei a trabalhar como "copidesque", ou, fora do jargão jornalístico, como redator, do recém-criado Caderno de Economia do Estadão, e comecei a conhecer meus colegas de trabalho, percebi que havia, entre alguns deles, algo estranho, uma espécie de rixa.

Em dois deles, um redator, como eu, e o outro o editor-assistente, ambos veteranos no jornal, a desavença se manifestava abertamente.

Não que um ofendesse o outro, a treta se manifestava de maneira mais sutil, algumas vezes com uma profunda ironia.


Como em certo dia, quando o redator, ao ver o colega se levantar de sua cadeira, me disse:

- Motta, pergunta para o ..... se o camarão que ele comeu aqui no jornal na greve dos jornalistas estava gostoso.

Não entendei nada e pedi que ele me explicasse o sentido daquela pergunta.

- Você não sabe? É que o ..... e mais alguns vieram trabalhar durante a greve. Entraram no jornal escondidos num camburão da polícia. Como recompensa, jantaram camarão todos os dias.

A greve dos jornalistas ocorreu em 1979.

Foi a segunda e última feita pela categoria em São Paulo, reivindicando, entre outras coisas, aumento salarial de 25%.

O movimento fracassou e as consequências imediatas para a categoria foram desastrosas: muitos dos profissionais que não se esconderam nos camburões da polícia nem jantaram camarão acabaram perdendo seus empregos - os donos das empresas jornalísticas vivem, até hoje, como o prefeito cashmere de São Paulo, na era pré-revolução industrial, no pré-capitalismo.

Mas a greve teve outro efeito nos jornalistas paulistas: ela permitiu que as máscaras caíssem, ou seja, que todo mundo soubesse quem estava de um lado, quem estava no muro, e quem estava do outro lado, o patronal.

Da mesma forma que aquele editor-assistente do Estadão que jantou camarão como recompensa por furar a greve nunca se livrou das gozações dos colegas que comeram o pão que o diabo amassou, hoje, quando o país vive tempos conturbados e se promove uma greve geral como forma de protesto contra as "reformas" empreendidas por um governo golpista, vai ficar mais claro quem é quem.

Foi assim no movimento das diretas já.

Foi assim com os caras pintadas na era Collor.

E está sendo assim agora: picaretas, oportunistas, canalhas, fascistas, e toda espécie de entreguistas,vendilhões e lesa-pátrias serão facilmente reconhecíveis.

Muitas máscaras voltarão a cair. (Carlos Motta)



Como destruir uma nação em apenas um ano

27 de Abril de 2017, 9:45, por segundo clichê


Os direitos trabalhistas foram pelo ralo.

O desemprego, que atinge milhões, não diminui.

O petróleo, que iria custear a educação e a saúde públicas, já não é nosso.

Os Correios, antes símbolos de eficiência, viraram sucata.


O BNDES corta o crédito subsidiado para as empresas.

A taxa Selic cai, mas os juros ao consumidor sobem.

Banco do Brasil e Caixa fecham agências.

O maior programa habitacional de mundo, o Nossa Casa, Nossa Vida, passa a financiar a alta renda.

A Previdência Social vai acabar daqui a alguns dias.

Programas educacionais que permitiam o pobre ingressar na faculdade estão extintos.

O Judiciário e o Ministério Público se tornaram instituições acima da lei.

Nas redes sociais o ódio de classes transborda.

O fascismo não tem mais medo de se expor publicamente.

Tudo isso em um ano, por obra do presidente (sic) mais impopular da história, com o apoio do Congresso mais canalha que já se viu, sob os aplausos da imprensa mais venal que já existiu, e do Judiciário e Ministério Público mais calhordas de que se tem notícia.

Os milicos que deram o golpe em 64 devem estar envergonhados por terem sido amplamente superados na eficiência de destruir uma nação por esta turma do Brazil Novo. (Carlos Motta)



Um Congresso de canalhas. Eleito pelo povo

26 de Abril de 2017, 17:48, por segundo clichê


O pior Congresso da história do Brasil é também o mais canalha.

Tão canalha a ponto de destruir todas as conquistas sociais do povo, tudo aquilo que forja uma nação.

Os brasileiros, sem contar com a Previdência Social e sem a proteção da CLT, para ficar nos casos mais evidentes e escandalosos de assalto à cidadania, podem se equiparar aos habitantes menos afortunados da Terra, àqueles pobres coitados que vivem, ou melhor, sobrevivem, em países miseráveis da África, por exemplo.

Defender os interesses da sociedade deveria ser o básico do básico para os nossos congressistas.

São pagos, regiamente, para isso.

São, ou deveriam ser, em resumo, funcionários do povo brasileiro, eleitos para aperfeiçoar o funcionamento do Estado, elaborando propostas e projetos, e debatendo com a população o que é melhor para todos.

O que se vê no Congresso, porém, é a mais abjeta súcia, a mais baixa corja, que se poderia reunir visando espoliar tudo aquilo de bom, ou ao menos de aceitável, que se fez, durante décadas, para que o Brasil ensaiasse os primeiros passos para se tornar uma democracia.

Mas o pior de tudo, o que mais dói, é saber que esse Congresso de desclassificados morais, não nasceu por acaso, por geração espontânea.

Ele está lá por culpa exclusiva do povo brasileiro.

Ironia das ironias, ele foi eleito pelo povo brasileiro, o mesmo povo que o assiste, inerte e bovinamente, estraçalhar toda a esperança de que, um dia, se construa, nestes mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, uma nação de verdade, onde haja justiça, igualdade de oportunidades, educação e saúde universais - e muita, mas muita democracia. (Carlos Motta)



Falta pouco para ser aprovada lei contra abuso de autoridade

26 de Abril de 2017, 16:03, por segundo clichê


Os lava-jatos bem que tentaram, mas não conseguiram barrar o projeto que tipifica o abuso de autoridade: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou por unanimidade o substitutivo do senador Roberto Requião (PMDB-PR) à proposta de Renan Calheiros (PMDB-AL) sobre o tema. Com a urgência da matéria aprovada na comissão, senadores pressionam para que a proposta seja apreciada pelo plenário o mais rapidamente possível.

O substitutivo de Requião só conseguiu consenso depois que senadores de vários partidos condicionaram o apoio ao texto à aprovação de uma emenda do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) que alterou a redação do Artigo 1º do texto, que trata do chamado crime de hermenêutica, que significa punir o agente por divergência na interpretação da lei.

Inicialmente, o Parágrafo 2º dizia que a divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas, necessariamente razoável e fundamentada, não configura, por si só, abuso de autoridade. No entendimento construído entre os senadores, foram retiradas do texto as expressões “necessariamente razoável e fundamentada”.


Para a maioria dos parlamentares, a antiga redação era muito subjetiva e poderia que abrir brecha para enquadrar juízes e promotores, por exemplo, no crime de hermenêutica.

"Coloquei um bode na sala, tirei o bode e o Brasil vai ganhar uma bela lei garantista de abuso de autoridade. Valeu minha gente!", escreveu, no Twitter, o senador Requião.


Na última semana, esse ponto do texto foi alvo de críticas de procuradores integrantes da Operação Lava Jato que, pela imprensa e redes sociais, pediram a retirada deste artigo da proposta. Na visão de procuradores da República e juízes, o Artigo 1º é uma ameaça à continuidade da Operação Lava Jato.

Ainda para minimizar o eco das críticas que a proposta recebeu, Requião também aceitou flexibilizar o artigo que trata da ação penal privada. Atualmente, a maioria dos crimes prevê ações penais públicas, ou seja, o Ministério Público pode apresentar a ação sem a vítima ou o ofendido ter apresentado o pedido.

Atendendo ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o senador desistiu da ideia de que qualquer pessoa pudesse ingressar com uma ação de abuso de autoridade contra um juiz, procurador ou policial, concorrendo com a ação pública.

No texto acordado com Janot, na semana passada, o acusado continua podendo representar contra o magistrado ou promotor, mas o relator adotou o mesmo texto do Código de Processo Penal (CPP), que só autoriza esse tipo de ação privada caso o Ministério Público não se posicione após uma solicitação de quem se considera vítima.

“Pelo novo texto, que é idêntico ao do CPP, quando o Ministério Público não tomar providência, a parte que se considerar injustiçada tem seis meses para entrar com uma ação privada. Isso vai acabar com a possibilidade de uma enxurrada de ações”, disse Requião, ressaltando que seis meses é um bom prazo para que o Ministério Público se manifeste.

“A lei não pune pessoas, pune abusos. É a história do carteiraço. Vamos acabar com aquela frase: você sabe com quem está falando? Isso vale para parlamentares, juízes, promotores, delegados, agentes de polícia e fiscais, por exemplo. É a segurança jurídica da população. As pessoas têm que se submeter às leis, e todos os que abusarem de autoridade precisam saber que existe uma lei que os punirá, se não a coisa fica solta, e cada um faz o que quer” justificou o relator.

O texto aprovado na CCJ diz que a proposta alcança “servidores públicos e militares, ou pessoas a eles equiparadas; integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; do Ministério Público e dos Tribunais e Conselhos de Contas”. (Informações da Agência Brasil)



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