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Segundo Clichê

February 27, 2017 15:48 , par Blogoosfero - | 1 person following this article.

Ópera brasileira "Anastácia" ganha formato de fotonovela

June 17, 2026 9:10, par segundo clichê



Estreada em janeiro em Recife, no Teatro Santa Isabel, a ópera “Anastácia” - drama musical do compositor e multiartista pernambucano Armando Lobo, inspirado na obra de Fiódor Dostoiévski – está sendo lançada em um formato inovador no meio da música contemporânea de câmara. 

No formato de foto-ópera”, o projeto ganha uma publicação impressa em papel, e tem estilo assemelhado ao das fotonovelas populares no Brasil nos anos 70 e 80. As cenas foram fotografadas em um antigo presídio localizado no centro do Recife, e que hoje abriga a Casa da Cultura da cidade. 

"Anastácia" segue exatamente o modelo das fotonovelas melodramáticas tradicionais, com fotografias e balões de diálogos acompanhando as peripécias do roteiro. A música da foto-ópera pode ser acessada facilmente e gratuitamente por smartphone através de QR CODE  impresso na revista. 

Na publicação, além da inspiração em fotonovelas, há elementos de histórias em quadrinhos e a presença de páginas de variedades (entrevista, horóscopo, receita culinária etc.), como em um publicação comercial de décadas atrás, voltada ao entretenimento. A revista tem 32 páginas e serve também de libreto impresso para a performance do espetáculo em palco

A ópera é uma tragédia contemporânea inspirada em passagens tocantes de algumas obras de Fiódor Dostoiévski, notadamente “Recordação da Casa dos Mortos”, “Os Demônios” e “Crime e Castigo”. O libreto também possui influência marcante de Georg Büchner, Nelson Rodrigues, e Erich Neumann e citações a Eurípedes, Arthur Rimbaud e William Shakespeare. O espetáculo é uma realização da mesma equipe criativa da “Ópera do Claustro”, que teve temporada de grande sucesso no Recife em 2025, com superlotação e aclamação ruidosa em todas as récitas.

O ENREDO

Toda a ação da ópera se passa em uma colônia penal feminina. O enredo mostra uma presidiária, de nome Anastácia, que assassina outra detenta porque ela não lhe devolvera uma Bíblia. O projeto nos propõe uma reflexão catártica sobre questões de patologia, exclusão, vazio, confinamento, culpa e expiação. Com o objetivo de conjugar imaginação poética e dados da realidade social, o projeto realizou entrevistas com ex-detentas, de onde foram extraídos elementos concretos que são poetizados na encenação, que também apresenta situações fantásticas e elementos da cultura popular nordestina. Há também uma inusitada ciranda - dançada e cantada não à "beira-mar", mas ao redor de um cadáver -, e a abordagem de temas cruéis como perversão sexual, canibalismo e auto-imolação.

A OBRA MUSICAL

“Anastácia” combina elementos da ópera erudita contemporânea, ópera-rock e teatro contemporâneo, em uma abordagem dramatúrgica que se aproxima do naturalismo fantástico. Na obra, recitativos operísticos são evitados em favor de diálogos teatrais que facilitam o entendimento da trama. 

Todo o conteúdo harmônico e melódico da música é derivado da escala do blues e de modos da escala nordestina. Esse conteúdo recebe um tratamento orquestral que remete a texturas da música contemporânea de concerto. Há também passagens com programações eletrônicas feitas a partir da sonoridade de um berimbau, somado a vozes fantasmagóricas processadas. Um trio de metais (trompete, trompa e trombone) faz a metáfora sonora do meio marcial/policialesco; violoncelo, guitarra elétrica, bateria e berimbau completam a sonoridade agressiva e muito brasileira da música. 



Maestro Isaac Karabtchevsky assume Cadeira nº1 da Academia Brasileira de Música

April 22, 2026 15:16, par segundo clichê



A Academia Brasileira de Música (ABM) realiza, na sexta-feira, 24 de abril, às 18 horas, a cerimônia de posse do maestro Isaac Karabtchevsky. Um dos nomes mais expressivos da regência mundial, Karabtchevsky passará a ocupar a Cadeira nº 1, fundada por Heitor Villa-Lobos e anteriormente ocupada pelo compositor Marlos Nobre.

Somente para convidados, o evento solene será realizado no Polo Cultural Italiano - Casa d'Italia, no centro do Rio de Janeiro. A saudação oficial ao novo acadêmico será proferida pelo também acadêmico e compositor João Guilherme Ripper.

A cerimônia contará com uma homenagem musical de alto nível: o Quarteto de Cordas da Orquestra Petrobras Sinfônica executará obras de Villa-Lobos (patrono da cadeira) e de Marlos Nobre, celebrando a continuidade do legado artístico da instituição.

Isaac Karabtchevsky iniciou sua carreira como regente do Madrigal Renascentista, de Belo Horizonte. Atuou como diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileia, de 1969 a 1994, do  Teatro La Fenice, em  Veneza, entre 1995 e 2001, da Orquestra Tonkunstler, em Viena, entre os anos de 1988 e 1994, da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, de 2003 a 2010 e atualmente é o diretor artístico e regente principal da Orquestra Petrobras Sinfônica. Além disso, foi diretor musical da Orchestre National des Pays de la Loire entre os anos de 2004 a 2009.

É ainda diretor artístico do Instituto Baccarelli, em São Paulo, projeto social na Comunidade de Heliópolis, que reúne 1.500 estudantes distribuídos entre cinco orquestras sinfônicas e 17 corais.

 





Sylvia Thereza e Orquestra Sinfônica Municipal levam Beethoven ao Municipal de SP

April 8, 2026 9:08, par segundo clichê



O Theatro Municipal de São Paulo será palco, nos dias 10 e 11 de abril, sexta-feira e sábado, de um encontro entre a Orquestra Sinfônica Municipal, o maestro Roberto Minczuk e a pianista brasileira Sylvia Thereza, que irá interpretar o “Concerto para Piano nº 4, Op. 58”, de Ludwig van Beethoven, uma das obras mais emblemáticas da história da música — símbolo de uma arte que nasce da experiência humana e se transforma em linguagem universal. A orquestra apresentará ainda “Nirai”, de Misato Mochizuki; “Francesca da Rimini”, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky; e “Der Zorn Gottes”, de Sofia Gubaidulina, com ingressos que variam de R$ 13 a R$ 100.

O concerto marca um momento significativo na trajetória de Sylvia Thereza, que se consolidou como uma das principais pianistas brasileiras da atualidade, com presença regular na Europa e crescente projeção internacional. Reconhecida por sua intensidade interpretativa e por uma trajetória construída com rigor e independência artística, Sylvia Thereza pertence a uma linhagem musical que valoriza a escuta, a integridade e a fidelidade ao sentido profundo da música.

 

Sua formação está diretamente ligada a dois dos maiores nomes do piano contemporâneo: a pianista Maria João Pires, que a convidou para atuar como sua assistente em projetos artísticos e pedagógicos internacionais durante mais de uma década, e o pianista Nelson Freire, cuja confiança precoce e generosidade artística foram decisivas no início de sua carreira.

 

Essa herança artística — marcada pela exigência musical e pela liberdade interior — consolidou uma identidade reconhecida internacionalmente. Hoje, Sylvia atua em todo o mundo, apresentando-se em importantes salas e festivais internacionais e desenvolvendo uma carreira que integra concertos, formação de jovens talentos e projetos culturais e sociais de impacto.

 

Entre os marcos recentes de sua trajetória está a participação, a convite do violinista Daniel Hope, em CD lançado pela prestigiosa Deutsche Grammophon, consolidando sua presença no circuito internacional. Gravações para a importante TV Europeia - Arte - executando Villa Lobos, duos com Sting e outros músicos do mainstream internacional, e gravação de obras de Beethoven para a NPR TV (USA) realizada na Beethoven Haus em Bonn, cidade Natal de Beethoven na Alemanha.

 

A trajetória de Sylvia Thereza também se insere em um movimento de renovação no cenário da música clássica, marcado pelo surgimento de mulheres que não apenas interpretam, mas constroem projetos, lideram iniciativas e formam novas gerações.

 

Beethoven como medida

de uma vida artística

 

O Concerto nº 4 de Beethoven não é apenas uma obra central do repertório pianístico. É uma afirmação de maturidade — artística e humana. Escrita em um momento de intensa transformação interior, a obra inaugura uma nova maneira de estar no mundo: menos baseada na exibição, mais na escuta; menos na conquista exterior, mais na fidelidade a uma convicção profunda.

 

Na trajetória de Sylvia Thereza, Beethoven ocupa esse lugar de referência essencial e sua interpretação desse mestre tem recebido elogios da crítica e músicos referentes na Europa - na Noruega, o Harstad Tidende descreveu sua interpretação de Beethoven como um “deleite” e o Belga Le Soir se referiu à artista como “a pianista com o temperamento de fogo”, destacando a intensidade e forças expressivas de suas interpretações.

 

“Há, nessa música, uma ideia silenciosa e exigente: a de que a beleza não nasce da facilidade, mas da integridade”, afirma Sylvia. “É essa ideia que orienta sua leitura, uma interpretação que não busca efeito imediato, mas sentido duradouro....Que entende a arte não como espetáculo, mas como forma de consciência. Porque Beethoven, no fundo, nos lembra de algo simples — e radical: a verdadeira grandeza não está em vencer o mundo, mas em permanecer fiel ao que se é”, conclui.

 

Formação de talentos

e inovação cultural

 

Paralelamente à carreira de concertista, Sylvia Thereza tem desenvolvido iniciativas culturais que ampliam o alcance da música para além do palco. Fundadora da Uaná – Association for the Arts, a pianista lidera projetos que unem excelência artística e responsabilidade cultural, promovendo formação musical, intercâmbio internacional e acesso à música de qualidade para jovens de diferentes contextos sociais.

 

Nos últimos anos, vem atuando na criação de um selo fonográfico beneficente com modelo inovador de financiamento cultural; na realização de concertos, festivais e residências artísticas na Bélgica; em programas de formação e intercâmbio para jovens músicos de comunidades com acesso limitado à educação musical; e em iniciativas internacionais que conectam instituições europeias e novos talentos.



Baterista Alfredo Dias Gomes lança álbum ao vivo exaltando o jazz fusion

March 3, 2026 9:04, par segundo clichê


O músico Alfredo Dias Gomes tem novo trabalho na praça: o álbum “Ao Vivo", gravado em abril de 2025, é o registro fiel de uma noite onde a música e a arte cinematográfica caminharam juntas. O cenário não poderia ser mais emblemático: um cinema em Copacabana, durante a noite de lançamento do seu premiado filme de animação, “A Escritora”, que recebeu a indicação de Melhor Filme de Inteligência Artificial (Best AI Film) no World Film Festival, em Cannes, e venceu na mesma categoria no Swedish Film Festival. O álbum chega às plataformas digitais dia 6 de março, sexta-feira.

Com uma carreira sólida que atravessa décadas — tendo colaborado com ícones como Hermeto Pascoal e Ivan Lins, além de integrar a formação original do grupo Heróis da Resistência — Alfredo vive um momento de efervescência criativa. Nos últimos anos, sua inquietude o levou para o audiovisual, acumulando prêmios internacionais em festivais de prestígio como Cannes e Nova York. O curta “Saudade” (2021) foi o grande abre-alas, arrebatando prêmios de melhor animação no Cannes Indie Festival e no New York Independent Cinema Awards. 

O álbum “Ao Vivo” reflete essa versatilidade. Se nos curtas “Saudade” e “A Escritora” Alfredo explorou a memória afetiva e o legado familiar - ele é filho dos dramaturgos Dias Gomes e Janete Clair -, neste novo disco ele reafirma sua virtuosidade na bateria, unindo a tradição do Jazz à vanguarda tecnológica de suas produções visuais.

 

Com o quinteto formado ainda por Widor Santiago (sax), Yuval Ben Lior (guitarra), Berval Moraes (baixo) e Renan Francioni (teclados), o álbum traz interpretações de clássicos do jazz fusion e temas que marcaram a história do gênero, abrindo com a explosiva “Some Skunk Funk” (Brecker Brothers), pura eletricidade, com o quinteto encarando um dos temas mais desafiadores do fusion com precisão cirúrgica. Em seguida, um dos clássicos do gênero, “Red Baron” (Billy Cobham) traz um groove hipnótico que ganha novas texturas, fôlego e frescor com o quinteto.

 

Momento lírico e contemplativo da noite, “A Remark You Made” (Joe Zawinul) ganha uma interpretação carregada de emoção, destacando a sensibilidade melódica do grupo. A música evoca imagens cinematográficas, conectando-se diretamente com o momento premiado de Alfredo no audiovisual. A faixa seguinte, “Funky Waltz” (Alphonse Mouzon) é uma aula de balanço em 3/4. Como o nome sugere, é uma "valsa funky" onde a banda explora a métrica ternária com um suingue raro.


A balada “Shoreline”, composição de Joachim Kühn gravada por Alphonse Mouzon, é um exercício de sensibilidade, repleta de pausas estratégicas e uma dinâmica cuidadosa. Encerrando em alta voltagem, “Quadrant 4” (Billy Cobham) une velocidade e técnica extrema que culmina em um solo de bateria apoteótico de Alfredo Dias Gomes. É o momento em que o artista reafirma sua posição como um dos grandes mestres do instrumento, fechando a noite em Copacabana de forma monumental.


Nascido no Rio de Janeiro, Alfredo Dias Gomes estreou profissionalmente na música instrumental aos 18 anos, tocando na banda de Hermeto Pascoal, com quem gravou o disco “Cérebro Magnético" e participou de inúmeros shows, com destaque para o "II Festival Internacional de Jazz de São Paulo/Montreux". Também tocou e gravou com Márcio Montarroyos, Ricardo Silveira, Arthur Maia, Nico Assumpção, Ivan Lins e muitos outros, além de participar da primeira formação do grupo Heróis da Resistência.

 

Em sua discografia, Alfredo lançou os álbuns: “Tributo a Elvin Jones” (2024), “Metrópole” (2021), “Jazz Standards” (2020), “Solar” (2019), “JAM” (2018), “Tributo to Don Alias” (2017), “Pulse” (2016), “Looking Back” (2015), “Corona Borealis” (2010), “Groove” (2005), “ECOS” (2000), “Atmosfera” (1996) e “Alfredo Dias Gomes” (1991). E os singles: “Clair de Lune In Jazz” (2025), “Quadrant 4” (2024), “A Lenda” (2023) e “Serviço Secreto” (1985).

 

Link álbum:

https://alfredodiasgomes.hearnow.com/ao-vivo



Denise Emmer navega entre a prosa e a poesia em seu novo livro

December 8, 2025 9:30, par segundo clichê


Denise Emmer, escritora de múltiplas expressões e um dos grandes nomes da poesia brasileira contemporânea, acaba de lançar o livro “Só os loucos batem palmas para o céu” (Editora Cavalo Azul), mais uma vez diluindo as fronteiras entre prosa e poesia para compor um mosaico de narrativas que soam como partituras, sonatas e visões. O livro não apenas continua o diálogo com obras ficcionais anteriores —   "O cavalo cantor" e "O barulho do fim do mundo" —, mas aprofunda a vertente estética da autora, que flerta com o realismo mágico, e lhe confere uma densidade rara.

Ao longo dos 17 contos reunidos em seu novo livro, a solidão emerge como eixo magnético, um sentimento que não se apresenta como ausência, mas como território existencial a ser percorrido. Não à toa, Denise escolhe para epígrafe um fragmento de "Cem anos de solidão", de Gabriel García Márquez: “Ele realmente tinha passado pela morte, mas retornou porque não suportava a solidão.” Essa frase é a chave do livro. Cada conto mostra personagens que, de algum modo, retornam — da morte, do esquecimento, da infância, do nunca — para viver a solidão da existência. São órfãos, náufragos, criaturas suspensas entre mundos, cujos gestos se inscrevem no palco íntimo do leitor.

"Sou uma poeta, que, por vezes, resolve sair da sua métrica para viver algumas aventuras”, comenta Denise. “Ao escrever estas histórias, eu as vivo intensamente. Sou, ou parte do enredo, ou a observadora que narra os acontecimentos sem entrar nas polêmicas. Para mim, escrever contos é uma forma de viajar sem sair do quarto", conclui.


A vocação para a música sempre se fez presente nas expressões artísticas de Denise. Inicialmente bacharela em física, buscou a formação, logo em seguida, no bacharelado em música (violoncelo), despontando, no início dos anos 80, como compositora e cantora. Com vários CDs gravados, também integra, como violoncelista, orquestras e grupos de câmera. Apesar da versátil personalidade, a essência de sua criação, é, fundamentalmente, a poesia, conquistando importantes títulos, como o Prêmio ABL de poesia 2009 (Academia Brasileira de Letras), o Prêmio Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), o Prêmio José Martí (UNESCO) e Prêmio Olavo Bilac (ABL), dentre muitos outros.

Enquanto poeta, participou de relevantes antologias da poesia brasileira, tais como “41 poetas do Rio” (org. Moacyr Félix, Minc), “Antologia da Nova Poesia Brasileira”(org. Olga Savary, Ed Hipocampo), “Poesia Sempre” (Fundação Biblioteca Nacional), bem como das revistas Califórnia College of the at Eleven (EUA), Newspaper Surreal Poets, (EUA), Revista da Poesia (Metin Cengiz -Turquia), Revista Crear in Salamanca (Espanha) - traduzida pelo poeta Alfredo Pérez Alencart. Participou do XXVI Encuentro de Poetas Ibero-Americanos 2021 (Salamanca - Espanha) e da Brazilian Poems” edição e tradução Abay K. Da Antologia Selvagem Ed. Cavalo Azul, organização Alexandre Bonafim, Histórias brasileiras de cavalos Ed. Maralto, organização Ricardo Ramos e Antologia Ponte de Versos, Ed Ibis Libris, organização Thereza Roque da Motta.

Livro “Só os loucos batem palmas para o céu” – Denise Emmer

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