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Como era boa a Editoral Abril

17 de Agosto de 2018, 10:54 , por segundo clichê - | No one following this article yet.
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Carlos Motta

Essa Editora Abril que entrou em recuperação judicial para evitar a falência e tem promovido cortes massivos em seu quadro de funcionários em nada se assemelha à Editora Abril que acompanhou a minha infância, juventude e parte da vida adulta - acompanhou e, de certa forma, foi o alicerce de minha formação cultural.

A Abril de hoje, essa empresa que se vale de um público ultrarreacionário para se manter de pé está a anos-luz daquela empresa inovadora e corajosa que foi responsável pela difusão em massa do melhor da literatura, artes plásticas, música erudita e popular, do conhecimento científico e enciclopédico e, pasmem, do pensamento filosófico!

Não é exagero dizer que a Abril faz parte da minha vida desde algumas de minhas mais longínquas lembranças, como a de meu pai, o saudoso capitão Accioly, ao meu lado, me mostrando e lendo os coloridos quadrinhos do Pato Donald e do Zé Carioca - alguns exemplares dos gibis ainda estão comigo...

Depois dos gibis, em plena adolescência, veio a Veja, não essa coisa horrorosa de agora, mas a revista dos sonhos, gráfica e editorialmente, um primor de texto e informação, uma aula de jornalismo, que certamente foi uma das mais fortes razões para, aos 16 anos, ter ingressado de corpo e alma nessa profissão.

E enquanto a Veja ia me pondo a par do que acontecia no mundo, em várias áreas, a Abril cuidava de minha formação cultural, com a coleção dos Mestre da Pintura, dos Imortais da Literatura Universal, com os fascículos de música popular brasileira, de jazz, de ópera... 

O jornaleiro da banca de revistas perto do Jornal de Jundiaí, onde trabalhei alguns anos, fazia o favor de guardar para mim os fascículos que saíam todas as semanas, e que eram compulsivamente consumidos assim que chegava em casa - meus aparelhos de som 3 em 1 que o digam.

Bem, essa Abril está morta e enterrada há muito tempo e deixa uma profunda saudade.

Já essa outra, à beira da falência, colhe os frutos que plantou nos anos todos em que se dedicou a espalhar o preconceito e o ódio de classes na sociedade brasileira.

Por essa não haverá saudade, mas sim aquele sentimento, com um gostinho de vingança - ou de justiça - de "bem feito, que se dane".

Fonte: http://segundocliche.blogspot.com/2018/08/como-era-boa-editoral-abril.html

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