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Motta

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O lugar de Arlindo Cruz

14 de Setembro de 2018, 10:45 , por segundo clichê - | No one following this article yet.
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Carlos Motta

Um show no Credicard Hall, em São Paulo, reunindo uma turma boa de samba, presta hoje uma homenagem ao aniversário de 60 anos daquele que, pela sua extensa e consistente obra, talvez seja o maior compositor popular brasileiro vivo - Arlindo Cruz.

Se essa homenagem é mais que merecida e motivo de alegria, o fato de o artista estar acamado há um ano e meio, vítima de um forte AVC, e portanto impossibilitado de cantar, tocar cavaquinho e banjo e compor, funções que exercia com a maestria dos seres tocados pela genialidade, nos dá o que pensar.

Primeiro, o ocorrido nos deixa certos do quanto somos frágeis e sujeitos toda espécie de acidentes. Viver é muito perigoso, já dizia Guimarães Rosa pela boca de seu imortal personagem Riobaldo.

Fora isso, há que se lastimar a má sorte deste imenso e desgraçado país, de tão poucos sábios e tantos ignorantes, de tão escassos criadores e tantos imitadores, de tão raros artistas e tantas celebridades instantâneas.

Não era para Arlindo Cruz estar fora do bom combate.

 Uma batalha tão feroz como essa entre o belo, o perene, o sentimento de que o homem é mais do que barro, e as excrescências que nos são impostas pelos magnatas mercadores de lixo intelectual, exige um general com a autoridade, competência e sensibilidade do artista que compôs, junto com Mauro Diniz, outro craque, uma música chamada "Meu Lugar", um retrato mais que poético, realista, do verdadeiro Brasil.

https://www.youtube.com/watch?v=K7KpgDc2YLQ

O meu lugar
É caminho de Ogum e Iansã
Lá tem samba até de manhã
Uma ginga em cada andar
O meu lugar
É cercado de luta e suor
Esperança num mundo melhor
E cerveja pra comemorar
O meu lugar
Tem seus mitos e seres de luz
É bem perto de Osvaldo Cruz,
Cascadura, Vaz Lobo e Irajá
O meu lugar
É sorriso é paz e prazer
O seu nome é doce dizer
Madureir, lá laiá, Madureira, lá laiá
Ahh que lugar
A saudade me faz relembrar
Os amores que eu tive por lá
É difícil esquecer
Doce lugar
Que é eterno no meu coração
E aos poetas traz inspiração
Pra cantar e escrever
Ai meu lugar
Quem não viu Tia Eulália dançar
Vó Maria o terreiro benzer
E ainda tem jongo à luz do luar
Ai que lugar
Tem mil coisas pra gente dizer
O difícil é saber terminar
Madureira, lá laiá, Madureira, lá laiá, Madureira
Em cada esquina um pagode num bar
Em Madureira
Império e Portela também são de lá
Em Madureira
E no Mercadão você pode comprar
Por uma pechincha você vai levar
Um dengo, um sonho pra quem quer sonhar
Em Madureira
E quem se habilita até pode chegar
Tem jogo de lona, caipira e bilhar
Buraco, sueca pro tempo passar
Em Madureira
E uma fezinha até posso fazer
No grupo dezena, centena e milhar
Pelos sete lados eu vou te cercar
Em Madureira
E lalalaiala laia la la ia
Em Madureira
Fonte: http://segundocliche.blogspot.com/2018/09/o-lugar-de-arlindo-cruz.html

Motta

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