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Alemanha enfrenta segunda onda pelo novo coronavírus

4 de Agosto de 2020, 10:31 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Sindicato alemão afirma que, com infecções em alta, temida segunda onda chegou ao país, embora mais branda. Sem vacina ou remédio, propagação só pode ser controlada com máscara e distanciamento, alerta instituição.

Por Redação, com DW – de Berlim

A Alemanha já enfrenta uma segunda onda de infecções pelo novo coronavírus, de acordo com o sindicato de médicos alemão Marburger Bund. O número de novos contágios vem aumentando no país europeu, embora não seja comparável às taxas registradas em março e abril.

Após semanas com uma média de 300 a 500 novas infecções por dia, taxas mais recentes estiveram entre 800 e 1 milApós semanas com uma média de 300 a 500 novas infecções por dia, taxas mais recentes estiveram entre 800 e 1 mil

– Já estamos em uma segunda onda plana –  disse a presidente da associação, Susanne Johna, em entrevista ao jornal alemão Augsburger Allgemeine publicada nesta terça-feira. “Portanto, existe o risco de que os sucessos que alcançamos até agora na Alemanha sejam desperdiçados com uma combinação de repressão e desejo de retorno à normalidade.”

– Mas estamos em uma condição que não é normal – acrescentou, lembrando que, enquanto não houver vacinas ou medicamentos para tratar a covid-19, a propagação do vírus precisa ser controlada. “Isso só pode ser alcançado com distanciamento social, higiene, máscara no cotidiano e quarentena local”, afirmou.

Após um protesto em Berlim ter reunido milhares de pessoas contrárias às medidas de contenção impostas devido à pandemia, Johna comparou o uso compulsório de máscara com a obrigação do cinto de segurança em veículos, contra a qual também houve resistência popular quando foi introduzida. Assim como o cinto salva vidas no trânsito, “a proteção bucal também salva vidas”, disse.

Novas infecções

A Alemanha registrou, durante várias semanas, uma média de 300 a 500 casos de novas infecções por dia. Agora, as taxas diárias mais recentes têm estado entre 800 e 1 mil. Nas últimas 24 horas, o Instituto Robert Koch (RKI), órgão alemão de controle e prevenção de doenças infecciosas, confirmou 879 novos casos de covid-19 no país.

Ao todo, a Alemanha soma 211.281 infecções e 9.156 óbitos relacionados à doença. A taxa de mortalidade, de 11,04 mortes por 100 mil habitantes, é baixa em comparação com outros países europeus duramente atingidos pela pandemia, como Bélgica (86,24), Espanha (60,94) e Itália (58,19).

A chefe da Marburger Bund assegurou que os hospitais alemães estão preparados para a temida segunda onda.

Protesto contra restrições

Apesar de as infecções pelo novo coronavírus voltarem a aumentar na Alemanha, elevando os temores de uma segunda onda da doença no país, dezenas de milhares se reuniram em Berlim no último sábado para protestar contra as restrições impostas pelo governo.

A multidão era formada por uma combinação de grupos de extrema direita, opositores da vacinação, defensores de teorias da conspiração e outros descontentes com as medidas para conter a disseminação do vírus.

“Somos a segunda onda”, gritavam alguns manifestantes, enquanto outros pregavam “resistência”, tachando a pandemia de “a maior teoria da conspiração” e exigindo a “reinstituição” dos direitos fundamentais. Outros ainda carregavam cartazes com dizeres como “Corona: alarme falso”, “Somos forçados a usar mordaças” e “Defesas naturais em vez de vacinas”.

Segundo a polícia, em torno de 20 mil participaram do chamado “Dia da liberdade”, número bem inferior ao de 500 mil anunciado pelos organizadores. Poucas máscaras forma vistas em meio aos grupos que caminhavam do portão de Brandemburgo até o parque Tiergarten.

O distanciamento de 1,5 metros, estabelecido pelas regras do governo federal, foi amplamente desrespeitado, apesar de policiais insistirem através de megafones para que as pessoas obedecessem a regra. Através do Twitter, a polícia de Berlim afirmou que abriu processos legais contra os organizadores do protesto, em razão da “desobediência às regras de higiene”.

Segundo a repórter da agência alemã de notícias Deutsche Welle (DWLeonie von Hammerstein, muitos dos participantes vieram de outras regiões do país, inclusive do sul, onde as medidas de restrição tiveram um forte impacto no setor do turismo.

Ela contou ter sido hostilizada por manifestantes, com ataques e abusos verbais, inclusive de um homem que gritou próximo a seu rosto, afirmando que o bilionário Bill Gates estaria por trás do coronavírus e o governo alemão o ajudaria fazer com que as pessoas sejam forçadas a receber a vacina.

O nome “Dia da liberdade”, escolhido como slogan do protesto, remete a um documentário de 1935 da cineasta Leni Riefenstahl que mostrava uma conferência do Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores (Nazionalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – NSDAP), de Adolf Hitler.

A Alemanha soma pouco mais de 9 mil mortes por covid-19, um número bastante inferior ao de vários outros países europeus. Apesar de os dados serem relativamente baixos, as autoridades se preocupam com o aumento das infecções no país registrado nas últimas semanas, após o relaxamento das medidas de contenção.

O ministro da Economia, Peter Altmaier, disse que o país deve adotar medidas mais rígidas contra as pessoas que violarem as regras para conter a disseminação do coronavírus. “Qualquer um que deliberadamente colocar os outros em risco deve contar com sérias consequências para si”, afirmou.

O maior número de casos é atribuído à negligência de parte da população em relação ás medidas de higiene e ao distanciamento social, segundo a avaliação de pesquisadores do Instituto Robert Koch (RKI) de controle e prevenção de doenças. Neste sábado, o país registrou 955 novos casos, um nível que não era registrado desde o dia 9 de maio.

O presidente do RKI, Lothar Wieler, alertou nesta semana que o país vinha mantendo estável o número de novos casos, com uma média diária de 300 a 500. Porém, nos últimos dias, essa tendência não se manteve. Em sua opinião, muitas pessoas ficam mais negligentes e deixam de aderir às recomendações de higiene e distanciamento social e de usar máscaras.

Ele afirmou que o controle da situação só será possível se todos fizerem a sua parte, e apelou aos cidadãos alemães não deixem os cuidados de lado, apesar das férias de verão. Assim como a Alemanha, vários países da Europa que já pareciam estar com a epidemia sob controle tiveram um número crescente de casos nos últimos dias, levando à reintrodução de algumas medidas de restrição.

Temendo surtos no país na volta das férias, o governo alemão anunciou na segunda-feira que pretende tornar obrigatório o teste do novo coronavírus para viajantes que retornem ao país vindos de territórios considerados de risco, como o Brasil ou os Estados Unidos.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/alemanha-enfrenta-segunda-onda-coronavirus/

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