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Análise:
 O vulcão social do Brasil bolsonarista

3 de Agosto de 2020, 16:15 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Em outras palavras, o país de Michel Temer e de Jair Bolsonaro passa por um rápido processo de empobrecimento da classe média e de transformação dos pobres em miseráveis.

Por Val Carvalho – do Rio de Janeiro

A defesa ou o desmonte da possível candidatura do ex-juiz Sérgio Moro a presidente da República é o que está por trás da briga aberta entre o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) e o Grupo Globo, por conta das revelações do procurador Geral da República (PGR), Augusto Aras, das ilegalidades da Operação Lava Jato.

As informações reveladas tanto pelo programa dominical Fantástico quanto pelo PGR ajudam, colateralmente, a informar a sociedade o quanto a sua opinião e o seu voto foram manipulados pelos dois braços da oligarquia dominante: o da extrema-direita e o da direita neoliberal.

A disputa é tão acirrada que a oligarquia dividida não percebe que está brigando em cima de um vulcão, em cujo interior a pressão aumenta rapidamente. Ao lado da média diária de mais de mil mortes pelo coronavírus, que tentam inutilmente naturalizar, o país mergulha na maior crise econômica e social de sua história. O desemprego explode, a desigualdade se alastra e mais de 700 mil pequenas e médias empresas foram fechadas por não contaram com a ajuda do governo federal.

Privatizações

Recente matéria do diário progressista Correio do Brasil mostra esse crescimento da desigualdade social no país. Com dados concretos revela que, ao contrário da ascensão social dos governo Lula/Dilma, quando o movimento era da Classe E e D para a Classe C, no período pós-golpe o movimento é de retorno para baixo, da Classe C para as Classes D e E, e também do empobrecimento acelerado da classe B.

Em outras palavras, o país de Temer e de Bolsonaro passa por um rápido processo de empobrecimento da classe média e de transformação dos pobres em miseráveis.

Alheio a toda essa crise social, o ministro da Economia, Paulo Guedes, age como um alienado preso a dogmas superados do passado neoliberal. Ele continua, como se nada tivesse acontecido, defendendo a privatização das empresas estatais que sobreviveram ao golpe de 2016 e a extinção do que ainda resta da CLT e de direitos sociais.

Movimentos

E o mais grave, sua alienação se estende ao mercado financeiro e à grande mídia, que formam a coluna vertebral da oligarquia que oprime o povo brasileiro e esmaga o interesse nacional. O pós-pandemia, que vai ocorrer misturado às eleições municipais e, principalmente no próximo ano, prenuncia a depressão da economia e uma queda do PIB entre 6% e  9%; isto sobre uma situação econômica que já estava estagnada antes da crise sanitária.

A pressão social é tão grande que o até então poderoso mecanismo do antipetismo começa a não dar mais conta para desviar ou neutralizar a enorme insatisfação popular. Inclusive das classes médias, que se acumulam no fundo da caldeira chamada Brasil.

Repetem-se, assim, situações do passado histórico quando os movimentos democráticos e populares irromperam nas brechas abertas pelas divisões dos setores oligárquicos.

Lenha na fogueira

Mesmo com todo o cuidado para não ajudar o PT, a reportagem do Fantástico teve que falar da mentira do kit gay, o maior responsável pela eleição de Bolsonaro. Do mesmo modo, Augusto Aras não consegue deixar mostrar a inocência de Lula quando procede ao desmonte desse poder paralelo que é a Lava Jato e revela seus métodos ilegais e arbitrários.

A briga dos de cima fragiliza o até então unificado ilusionismo antipetista e acaba ajudando os de baixo a identificarem melhor seus verdadeiros inimigos, os culpados de fato pela piora de suas condições de vida.

O PT e as esquerdas devem botar mais lenha nessa fogueira e se preparar para levantar as massas na defesa do Estado democrático de direito e pelo resgate dos nossos direitos roubados.

Val Carvalho é articulista do Correio do Brasil.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/analise%e2%80%a8-vulcao-social-brasil-bolsonarista/

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