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Aumento nos juros tende a impulsionar as taxas de inflação e deter crescimento

23 de Setembro de 2021, 17:35 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Desde fevereiro, quando foi sancionada a lei que garante autonomia ao Banco Central, a autoridade monetária passou operar, em tese, a partir do modelo de “mandato duplo”. Além da meta de inflação, também devem “suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego”.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

Após o aumento da taxa Selic, os juros oficiais do país, na noite passada, o país passará por um novo aumento generalizado nos preços. A previsão é do diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior.

— A atual variação da inflação tem muito mais a ver com os preços administrados – como energia elétrica e combustíveis – e com os preços internacionais de commodities (produtos agrícolas e minerais) vinculados ao dólar — explicou Augusto Junior, à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA), nesta quinta-feira.

Presidente do Banco Central, Campos Neto também preside o Conselho de Política Monetária (Copom), que regula a taxa de juros oficial do país (Selic)Presidente do Banco Central, Campos Neto também preside o Conselho de Política Monetária (Copom), que regula a taxa de juros oficial do país (Selic)

Como efeitos negativos, Fausto cita o encarecimento do crédito para famílias e empresas. Além disso, também encarece o financiamento da dívida pública.

— Ou seja, mexer na taxa básica não vai alterar nos elementos que estão causando a inflação nesse momento. Por outro lado, vai esfriar ainda mais a economia. Vamos ter mais recursos indo para mercado financeiro de um lado, e uma piora geral da economia para o brasileiro comum, do outro — acrescentou.

Pleno emprego

Desde fevereiro, quando foi sancionada a lei que garante autonomia ao Banco Central, a autoridade monetária passou operar, em tese, a partir do modelo de “mandato duplo”. Além da meta de inflação, também devem “suavizar as flutuações do nível de atividade econômica e fomentar o pleno emprego”. Contudo, essas novas atribuições parecem não estar sendo seguidas à risca, ou até mesmo ignoradas, segundo Fausto.

— Não é possível um país com quase 15 milhões de desempregados ter sucessivos aumentos na taxa de juros, aumentando o custo do capital. Durante a pandemia, estamos com uma quebradeira de empresas, que vão precisar de mais créditos. E o crédito fica mais caro. Além disso, o governo também aumentou o IOF. Tudo vai ao contrário das demandas reais para sair desse momento ruim que estamos vivendo — ressaltou.

A elevação dos juros básicos da economia em 1 ponto percentual também recebeu críticas do setor produtivo. Para instituições que reúnem o empresariado do comércio e da indústria, a alta da taxa Selic contribui para retrair o consumo e ameaçar a recuperação do emprego e da produção.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) argumentou que a alta de 5,25% para 6,25% ao ano da Selic aumenta o risco de uma nova recessão, num cenário em que nem a produção industrial, nem o emprego se recuperaram dos níveis anteriores à pandemia de covid-19.

Pandemia

“Ao perseguir a meta de inflação do ano que vem com aumentos expressivos da Selic, o Banco Central põe em risco a recuperação econômica e aumenta a probabilidade de uma recessão no próximo ano”, avaliou no comunicado o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tem avaliação semelhante. Para a entidade, o aumento nos juros básicos pune as famílias e as empresas em um momento de frágil recuperação dos efeitos da pandemia e de aumento recente no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que incide sobre o crédito.

“O percentual da renda das famílias comprometido com dívidas é recorde. Saltou de 49,4% em junho de 2020 para 59,2% em maio de 2021, último dado disponível. O aperto monetário agrava esse quadro de endividamento, reduzindo o consumo das famílias e prejudicando a atividade econômica”, destacou a entidade.

A Associação Comercial de São Paulo também criticou a elevação da taxa Selic. Na avaliação da entidade, o varejo começa a sentir o impacto do aumento dos juros e do IOF, à medida que o crédito fica mais caro e diminui o espaço para o consumo.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/aumento-juros-tende-impulsionar-taxas-inflacao-deter-crescimento/

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