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Certo que sem benefício social a eleição estará perdida, Bolsonaro se contorce

19 de Outubro de 2020, 14:42 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Bolsonaro já vinha alertando para a dificuldade de o governo manter o benefício, mas deu sinal verde, em contrapartida, para que o Congresso busque uma fonte de financiamento qualquer para um programa de distribuição de renda em substituição ao Bolsa Família, o Renda Cidadã.

Por Redação – de Brasília

Da mesma forma que o auxílio emergencial aportou um nível impensável de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a atual crise sanitária, apesar dos mais de 153 mil mortos pela covid-19, a falta dele, a partir de dezembro, tende a levar a rejeição ao mandatário de volta aos patamares pré-pandemia. Ciente do fato, Bolsonaro voltou a afirmar, nesta segunda-feira, que não tem como manter o pagamento por um período maior devido ao endividamento do país, embora esteja disposto a retomá-lo, a qualquer custo.

Jair Bolsonaro e Paulo GuedesJair Bolsonaro e Paulo Guedes enfrentam um dilema de grandes proporções, quanto a conceder, ou não, a prorrogação dos benefícios sociais do Renda Cidadã

Bolsonaro já vinha alertando para a dificuldade de o governo manter o benefício, mas deu sinal verde, em contrapartida, para que o Congresso busque uma fonte de financiamento qualquer para um programa de distribuição de renda em substituição ao Bolsa Família, o Renda Cidadã.

— Eu sei que os R$ 600 (do auxílio) é pouco para quem recebe, mas é muito para o Brasil. Tem que ter responsabilidade para usar a caneta BIC. Não dá para ficar muito tempo mais com esse auxílio porque o endividamento nosso é monstruoso. Mas, realmente, o Brasil está saindo da crise, os números mostram — argumenta, ainda que sobre dados imprecisos.

Em Plenário

O Congresso, na realidade, foi o autor da proposta de criação do auxílio emergencial no valor de R$ 600 mensais durante três meses, após acordo com o governo federal, apesar do valor inicialmente proposto pela equipe econômica de 200 reais.

Vencido no Legislativo, o governo aumentou a aposta e editou uma medida provisória que prorroga o pagamento do auxílio até o fim do ano, mas no valor de R$ 300. A MP ainda não foi votada e a oposição na Câmara dos Deputados pressiona para que ela seja incluída na pauta, uma vez que a estratégia de governistas é evitar que ela seja debatida.

Sem ir a voto, a MP surte os efeitos desejados, posto ter força de lei no momento de sua publicação, sem o risco de ser alterada durante o debate por deputados na intenção de elevar o valor do benefício.

Teto de gastos

Em diversas declarações, no entanto, o presidente da Câmara. Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem sinalizado que não tomará decisões capazes de comprometer a já delicada situação fiscal do país. Ele tem defendido, insistentemente, a regulamentação do ‘teto de gastos’ como prioridade absoluta do Congresso.

Mas, se a regulamentação dos benefícios sociais, em curso, não seguir à aprovação do Plenário, a partir de janeiro do ano que vem mais de um terço da população brasileira voltará à miséria absoluta, segundo cálculos de economistas independentes, ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil, o que se torna uma barreira aos planos eleitorais do mandatário neofascista.

Sem esconder que está de acordo com os fundamentos macroeconômicos ditados pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, contrária à prorrogação do auxílio emergencial, o presidente da Câmara negou, nesta segunda, em publicação no Twitter, uma reportagem da rede norte-americana de TV CNN, segundo a qual ele não se opõe à prorrogação dos pagamentos.

“Eu não disse isso. Já deixei claro publicamente que sou contra a prorrogação do decreto de calamidade e que é preciso encontrar uma solução dentro do teto de gastos”, disse Mais, na rede social. No sábado, Maia já havia declarado que uma melhora na regulamentação do teto de gastos é mais importante do que a instituição de um novo programa de renda mínima.

Pagamento

A realidade que será imposta aos brasileiros, na pós-pandemia, no entanto, ainda não chegou à maioria dos lares, uma vez que a Caixa Econômica Federal (CEF) tem cumprido o calendário de pagamentos do benefício. Nesta segunda-feira, foi paga a segunda parcela do auxílio emergencial residual para beneficiários do Bolsa Família. São R$ 421,6 milhões para 1,6 milhão de beneficiários do programa com Número de Identificação Social (NIS) final 1.

Ao todo, mais de 16 milhões de pessoas cadastradas no programa Bolsa Família foram consideradas elegíveis para a segunda parcela do auxílio emergencial residual e receberão, no total, R$ 4,2 bilhões durante o mês de outubro.

O pagamento da parcela segue o calendário habitual do Bolsa Família. O valor do programa é complementado pelo auxílio emergencial até chegar a R$ 300 ou até R$ 600, no caso de mulher provedora de família monoparental. Se o valor do Bolsa Família for igual ou maior que R$ 300 ou R$ 600, o beneficiário receberá o benefício de maior valor.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/sem-beneficio-social-eleicao-perdida-bolsonaro-contorce/

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