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Concentração de gases-estufa na atmosfera foi recorde em 2020, diz ONU

25 de Outubro de 2021, 14:26 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Aumento mostra também que queimadas e desmatamento estão transformando Bacia Amazônica em emissor de poluentes. Pandemia de covid-19 não teve impacto perceptível na redução de gases de efeito estufa, diz relatório.

Por Redação, com DW – de Nova York

A concentração de gases de efeito estufa atingiu um novo recorde em 2020, com impactos especialmente graves podendo ser verificados na Bacia Amazônica. Em vez de absorver dióxido de carbono, o sudeste da floresta tropical está se transformando gradualmente num emissor de poluentes, de acordo com relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado nesta segunda-feira.

Queimadas e desmatamento reduziram capacidade de captura de CO2 na floresta tropical

Segundo a agência da ONU, a alta recorde das emissões em 2020 mostra também que a desaceleração econômica imposta pela pandemia de covid-19 “não teve um impacto perceptível” sobre o nível e a evolução da circulação de poluentes na atmosfera.

A advertência foi divulgada seis dias antes da realização da Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP26, em Glasgow (Escócia).

Ameaça grave na Bacia Amazônica

O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, identificou a evolução na região amazônica como uma ameaça particularmente grave para o clima do planeta. A floresta tropical sul-americana é um dos maiores depósitos de gás carbônico do mundo, absorvendo emissões de gás carbônico geradas pela atividade humana.

Segundo a OMM, esse quadro está se invertendo. Em julho, cientistas publicaram na revista científica Nature que partes da Bacia Amazônia agora emitem mais gás carbônico do que absorvem.

A situação é especialmente problemática no sudoeste da floresta tropical, no Brasil, afirmou Oksana Tarasova, chefe do Departamento de Pesquisa Atmosférica e Ambiental da OMM. Ela apontou que o motivo da virada é principalmente o desmatamento, mas também incêndios florestais. “Ainda é um local de captura, mas sua capacidade está substancialmente reduzida”, advertiu.

Queda passageira das emissões devido à pandemia

O órgão da ONU chegou a registrar um declínio temporário nas novas emissões devido às medidas de contenção do novo coronavírus Sars-CoV-2, com destaque para os chamados confinamentos em 2020. Mas, de acordo com a agência, a taxa anual de aumento das concentrações de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) disparou para 413,2 ppm (partes por milhão) em 2020. No ano anterior, a taxa estava em 410,7 ppm.

Essa alta em um ano foi até maior do que o aumento médio registrado para a década entre 2011 e 2020. O nível de 2020 está 149% acima de níveis pré-industriais.

Petteri Taalas alertou que, se as concentrações de gases-estufa continuarem crescendo nesse ritmo, “o aumento das temperaturas no fim do século ficará muito acima das metas do Acordo de Paris, [de limitar o aquecimento global a] 1,5 ºC a 2 ºC acima dos níveis pré-industriais. Estamos muito longe da meta”, constatou.

De acordo com a última avaliação da ONU, os compromissos assumidos por quase 200 países para reduzir as atuais emissões de gases com efeito de estufa não evitarão um aquecimento “catastrófico” de 2,7 ºC.

– Devemos repensar a indústria, o setor de energia e transporte, e todo o nosso modo de vida. As transformações necessárias são economicamente acessíveis e tecnicamente viáveis. Não há tempo a perder – instou Taalas.

O gás carbônico se origina principalmente da queima de combustíveis fósseis e a produção de cimento, sendo responsável por cerca de 66% do aquecimento da atmosfera, de acordo com a OMM.

A agência explica que o CO2 permanece na atmosfera por séculos, e por ainda mais tempo no oceano. Com isso, o aquecimento já observado persistirá por décadas, mesmo que as emissões líquidas sejam rapidamente reduzidas a zero. No total, os gases de efeito estufa já acarretaram um aquecimento global médio de 1,1 ºC.

Riscos econômicos

A ONU espera que os líderes mundiais a se reunirem em Glasgow tomem medidas para manter o planeta numa trajetória de aquecimento suportável nos próximos anos, já que os dados mostram que os níveis de CO2 continuaram a aumentar em 2021.

O governo alemão anunciou que a chanceler federal Angela Merkel irá a Glasgow para participar da COP26. Os riscos econômicos são considerados gigantescos, incluindo o impacto do aumento da temperatura mundial na subsistência humana em todo o mundo, além dos riscos para a estabilidade futura do sistema financeiro global.

Em Berlim, autoridades alemãs e canadenses queriam apresentar um plano detalhando de como os países ricos podem ajudar os mais pobres a financiarem a remodelação necessária para combater o aquecimento global. Até hoje, os países ricos não cumpriram a promessa feita em 2009 de investir 100 bilhões de dólares por ano em projetos climáticos para países pobres até 2020.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/concentracao-gases-estufa-atmosfera-foi-recorde-2020-diz-onu/

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