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Cunha, Geddel e Moreira formam interseção na mira dos federais

13 de Janeiro de 2017, 14:54 , por Jornal Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Moreira é alvo de uma série de investigações em andamento na PF. Uma delas, capitaneada por promotores do Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro

 

Por Redação – de Brasília e Rio de Janeiro

 

O relacionamento azedo entre o ex-governador do Estado do Rio Moreira Franco, secretário sem pasta no governo do presidente de facto, Michel Temer, e o suspeito de praticar advocacia administrativa enquanto ocupava o cargo de articulador com o Congresso Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) desce, definitivamente, ao vinagre. A operação da Polícia Federal (PF) Cui Bono (do latim “a quem beneficia?”), desencadeada no início da manhã desta sexta-feira, aproxima-se perigosamente do homem de confiança de Temer.

Moreira Franco

O secretário Moreira Franco ocupa uma secretaria na equipe do presidente de facto, Michel Temer. Embora seja citado em investigações em curso

Moreira é alvo de uma série de investigações em andamento na PF. Uma delas, capitaneada por promotores do Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro. Eles investigam uma intercessão complicada entre Moreira, secretário de Temer, o ex-coordenador Vieira Lima e o presidiário Eduardo Cunha. Este último foi presidente da Câmara dos Deputados. Os fatos formam uma linha de eventos iniciada em 2008. Encerrada com a demissão de Vieira Lima, em novembro último.

O relatório da Policia Federal a que a reportagem do Correio do Brasil teve acesso revela que Vieira Lima (PMDB-BA), alvo primário da operação Cui Bono, agia “em prévio e harmônico ajuste” com Eduardo Cunha. Juntos, segundo a PF, promoviam a liberação fraudulenta de empréstimos da Caixa Econômica Federal (CEF) a empresários dos mais diversos ramos, em troca de propinas.

Cleto e Funaro

A PF apura fraudes milionárias, entre 2011 e 2013, época em que Geddel ocupava a vice-presidência de Pessoa Jurídica da instituição. A investigação da PF teve início após a perícia em um celular pertencente a Cunha. Os técnicos forenses apuraram uma “intensa troca de mensagens eletrônicas”. O diálogo ocorreu entre Cunha, presidente da Câmara à época, e o vice-presidente de Pessoa Jurídica da CEF, entre 2011 e 2013.

“Consta dos autos que, valendo-se do cargo de Vice-Presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, (Geddel Vieira Lima) agia internamente, em prévio e harmônico ajuste com Eduardo Cunha e outros, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas. (…) Para que, com isso, pudessem obter vantagens indevidas junto às empresas beneficiárias dos créditos liberados pela instituição financeira”, disse o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira no despacho em que autorizou a operação da PF.

Ainda segundo o documento, o “grupo criminoso” era formado pelo ex-vice-presidente da Caixa e delator da Operação Lava Jato Fábio Ferreira Cleto, pelo doleiro Lúcio Funaro, que está preso e é réu na Lava Jato, além de Geddel e Cunha.

Moreira na fita

O dreno ilegal de recursos da CEF também é alvo do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro. A instituição investiga um “erro” no sistema de informática do banco que pode ter causado um prejuízo de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. A linha de eventos teve início em 2008 e 2009, exatamente no setor que era comandado pelo atual secretário de Programa de Parcerias e Investimento (PPI), Moreira Franco.

O réu na Lava Jato Eduardo Cunha, durante depoimento ao juiz Sérgio Moro, titular da operação, deixou pistas sobre o envolvimento do ‘gato angorá’, como se referia a ele o líder socialista Leonel Brizola, já falecido. Durante quase um ano, de setembro de 2008 a agosto de 2009, uma falha estratégica no sistema de dados da CEF deixou que corretoras de valores comercializassem títulos de alto risco, segurados pela Caixa, por valores muito acima ao do mercado para esses papéis.

Todos suspeitos

O departamento responsável pelas falhas em série integrava a Vice-presidência de Loterias e Fundos de Governo, ocupada à época por Moreira Franco, atual secretário e braço direito de Michel Temer. Uma vez desmontada a fraude, os compradores dos títulos entraram contra a CEF, na Justiça, para cobrar prejuízos superiores a R$ 1 bilhão. Cunha deixou clara a participação de Moreira Franco, seu desafeto, ao lado de Vieira Lima, nas operações fraudulentas na CEF.

O trio Cunha, Geddel e Moreira ocupavam, até a deflagração do golpe de Estado, em Maio último, o núcleo principal do PMDB. Figuravam ao lado de Temer e do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, como gestores do partido. Todos estão citados na lista de suspeitos em investigações da Lava Jato.

Na época, por meio de sua assessoria, Moreira Franco disse que a falha aconteceu em uma empresa de informática terceirizada. E que, à época do problema, o banco apresentou queixa-crime aos órgãos responsáveis por investigar o caso. O pedido de investigação teria sido encaminhado à Polícia Federal, Ministério Público Federal e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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Fonte: http://www.correiodobrasil.com.br/cunha-geddel-moreira-formam-intersecao-mira-dos-federais/

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