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Devastação da Amazônia avança para o pior registro em uma década

10 de Julho de 2020, 12:47 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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O desmatamento na Amazônia Legal cresceu pelo 14º mês consecutivo em junho, mostraram números preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aumentando a pressão sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

O desmatamento na Amazônia Legal cresceu pelo 14º mês consecutivo em junho, mostraram números preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), aumentando a pressão sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro em um momento em que investidores e empresários passaram a cobrar do presidente uma ação mais efetiva contra a destruição da floresta.

ista aérea de área desmarada da Amazônia em Itaituba, no Paráista aérea de área desmarada da Amazônia em Itaituba, no Pará

De acordo com os dados do Deter, programa de satélite usado para acompanhar em tempo real o desmatamento, a derrubada da floresta aumentou 10,7% em junho, comparado com o mesmo mês do ano passado. Nos primeiros seis meses do ano, a área devastada cresceu 25%, chegando a 3.066 quilômetros quadrados, mostram os dados do Inpe.

– A pressão está aumentando – disse à agência inglesa de notícias Reuters Mariana Napolitano gerente de ciência da ONG WWF-Brasil. “Os dados de desmatamento por si só já mostram que a gente tem uma situação muito complicada e fora do controle na Amazônia agora.”

De acordo com Ane Alencar, diretora de ciências do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), se um novo crescimento vier em julho, o país se encaminha para uma taxa de desmatamento anual de mais de 15 mil quilômetros quadrados, equivalente a duas vezes e meia o tamanho do Distrito Federal, um aumento de quase 50% em relação aos 10.129 quilômetros quadrados desmatados em 2019 e maior número desde 2005, de acordo com os dados oficiais do governo.

Os números do Inpe, medidos através do sistema Prodes, mais detalhados do que o Deter, são levantados entre agosto de um ano a julho do ano seguinte, e estão previstos para divulgação até o final de 2020.

Pesquisadores e ativistas

Pesquisadores e ativistas ambientais acusam o governo Bolsonaro de dar poder a madeireiros ilegais, fazendeiros e grileiros de terra ao enfraquecer as agências de fiscalização ambiental e defender o aumento da mineração e do agronegócio na Amazônia como forma de desenvolvimento da economia na região.

O presidente afirma que está sendo demonizado e que o país tem um histórico exemplar na proteção ambiental e faz questão de apontar que a maior parte da Amazônia ainda é coberta pela mata nativa.

A pressão interna e externa, vinda especialmente do setor empresarial, fez com que o governo reagisse com uma tentativa de fazer um controle maior do desmatamento e das queimadas na Amazônia.

Desde maio, sob o comando do vice-presidente Hamilton Mourão, o governo autorizou uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) com as Forças Armadas na Amazônia para evitar queimadas e tentar conter o desmatamento, até agora sem muito sucesso. A GLO, que se encerraria nesta sexta-feira, foi prorrogada até novembro, de acordo com decreto publicado no Diário Oficial da União.

Na quinta-feira, depois de reunião com representantes de fundos de investimento internacionais, o governo anunciou um novo decreto, a ser publicado na próxima semana, proibindo por 120 dias as queimadas autorizadas na Amazônia e no Pantanal.

A preservação da Amazônia

Cientistas afirmam que a preservação da Amazônia, maior floresta tropical do mundo, é vital para reduzir as mudanças climáticas pelas enormes quantidades de gases de efeito estufa que a floresta é capaz de absorver.

Entre 1º de janeiro e 25 de junho, o Ipam e o centro de pesquisa norte-americano Woods Hole calcularam que o desmatamento e as queimadas na Amazônia liberaram na atmosfera 115 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono, cerca de 20% a mais do que no mesmo período do ano passado, o que equivale às emissões anuais de 25 milhões de carros.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/devastacao-amazonia-avanca-pior-registro-decada/

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