O dólar futuro registrava ganho de 2%. Nos quatro pregões anteriores, o dólar havia acumulado queda de 2,28% sobre o real com apostas de que Trump não sairia vitorioso da eleição
Por Redação – de São Paulo
O dólar disparava quase 2,5% ante o real nesta quarta-feira, após a surpreendente vitória do republicando Donald Trump à Casa Branca. Os fatos levaram os investidores ao redor do globo a promoverem correção nos ativos com maior aversão risco.
Às 9:59, o dólar avançava 2,28%, a R$ 3,2395 na venda, depois de bater R$ 3,2500 na máxima do pregão. O dólar futuro registrava ganho de 2%. Nos quatro pregões anteriores, o dólar havia acumulado queda de 2,28% sobre o real com apostas de que Trump não sairia vitorioso da eleição.
— Acho que o dólar pode ir a R$ 3,30 até a próxima semana porque ninguém estava precificando a vitória de Trump — comentou o analista de câmbio da corretora Gradual Investimentos, Marcos Jamelli.
Rico empresário do setor imobiliário e ex-apresentador de reality show, Trump capitalizou uma onda de revolta contra Washington para vencer Hillary. A candidata democrata, cujo currículo no establishment inclui as funções de primeira-dama, foi senadora e secretária de Estado.
Pressão
Com a onda de aversão ao risco, que elevou a busca por ativos considerados mais seguros, como ouro e iene, o dólar disparava ante divisas emergentes, destaque ao peso mexicano. Trump fez um discurso considerado conciliador após sua vitória, diferentemente do estilo agressivo adotado em toda a sua campanha, o que reduziu um pouco o temor nos mercados financeiros.
Apesar disso, os investidores devem permanecer estressados até ter conhecimento do que de fato o presidente eleito vai conseguir colocar em prática das propostas radicais que anunciou na campanha.
— Passado o primeiro momento de intranquilidade, o mercado tende a se ajustar. Mas somente quando passar o susto — comentou o gerente de câmbio corretora Fair, Mário Battistel.
Nesta manhã, o Banco Central não fez seu tradicional de leilão de swap cambial reverso, justamente para não adicionar ainda mais pressão compradora ao dólar.
Infraestrutura
Mais confiante, o grupo siderúrgico Gerdau disse em nota, nesta manhã, esperar que os EUA retomem investimentos em infraestrutura. Os recursos devem chegar, passada a eleição do republicano Donald Trump, afirmou o presidente-executivo da companhia, Andre Gerdau Johannpeter.
“Há necessidade muito forte de investimentos em infraestrutura (nos EUA) e isso estava no programa do presidente Trump. Esperamos que ele faça investimentos e isso afeta o setor de aço”, disse Gerdau. O empresário falou com jornalistas, em teleconferência, após a publicação dos resultados de terceiro trimestre do grupo.
A Gerdau obtém cerca de um terço de sua geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) nos Estados Unidos.
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