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Facebook apoia ultradireita e distribui fake news, afirma consórcio de mídia

24 de Outubro de 2021, 15:28 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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As reportagens alcançaram todo o território norte-americano, nas últimas 24 horas. O New York Times, por exemplo, mostrou que funcionários do Facebook alertaram por anos sobre a desinformação e potencial risco de radicalizar os usuários da plataforma.

Por Redação, com agências internacionais – de Nova York, NY-EUA

O consórcio de veículos de comunicação chamado The Facebook Papers sustentou, neste domingo, as denúncias de que a rede social do empresário Mark Zuckerberg contribui, há anos, para a disseminação de notícias falsas (fake news, em inglês). Reportagens exibidas em veículos como The New York Times (NYT), CNN e Washington Post (WP) mostram que o Facebook amplificou a mobilização de grupos de extrema-direita que culminou na invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro, o que resultou em cinco mortes. O consórcio é formado por um total de 17 organizações jornalísticas norte-americanas.

FacebookMark Zuckerberg, dono do Facebook, apoia os partidos da extrema direita

As reportagens alcançaram todo o território norte-americano, nas últimas 24 horas. O New York Times, por exemplo, mostrou que funcionários do Facebook alertaram por anos sobre a desinformação e potencial risco de radicalizar os usuários da plataforma. E que apesar de sempre terem solicitado ações para frear o fenômeno, a empresa falhou e não resolveu os problemas.

Embora a rede social tenha culpado Trump pela disseminação de notícias falsas, vários funcionários acreditam que poderia ter sido feito mais para evitar a proliferação de fake news. O alerta veio, inclusive, por meio de um estudo interno, intitulado Jornada de Carol para QAnon.

Algoritmo

Em julho de 2019, uma funcionária do departamento de pesquisas do Facebook criou uma conta-teste, passando-se por uma “mãe conservadora” da Carolina do Norte. Uma semana depois, sua página começou a receber recomendações de conteúdo de teorias da conspiração.

Entre as sugestões recebidas, ela optou por seguir páginas, como as das Fox News e da Sinclair Broadcasting, impérios de mídia que controlam 294 estações de televisão e chegam a cerca de 40% dos lares norte-americanos, com conteúdo de tom conservador. Em questão de dias, vieram sugestões para a pesquisadora seguir páginas e grupos relacionados ao QAnon. Até mesmo uma fake news de que Trump estaria enfrentando uma conspiração obscura feita por pedófilos democratas foi enviada pelos algoritmos do Facebook.

Algum tempo depois, segundo a reportagem, a mesma funcionária criou outra conta-teste, desta vez simulando perfil esquerdista. Notou então que os mesmos algoritmos do Facebook alimentavam o novo perfil com memes de “baixa qualidade” e desinformação política. Ela deixou a empresa em agosto de 2020.

Rede exposta

Em seu pedido de demissão, divulgado pelo BuzzFeed News, a pesquisadora disse que o Facebook estava “conscientemente expondo os usuários a riscos de danos à integridade” e citou a lentidão da empresa em agir contra o QAnon como um dos motivos para sua saída.

“Já sabemos, há mais de um ano, que nossos sistemas de recomendação podem levar os usuários rapidamente ao caminho de grupos e teorias de conspiração. Nesse meio tempo, o grupo extremista QAnon ganhou proeminência nacional, com candidatos ao Congresso”, escreveu.

Os documentos expostos agora pelo The Facebook Papers reforçam as revelações feitas no mês passado por Frances Haugen, ex-gerente de produtos da plataforma. Segundo ela, a rede de Zuckerberg mentiu sobre ações da empresa para combater o discurso de ódio, violência e fake news. Frances disse que o Facebook desmontou sua equipe de “integridade cívica” logo após a eleição de 2020, assim que Joe Biden foi declarado vencedor.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/facebook-apoia-ultradireita-distribui-fake-news-consorcio-midia/

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