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General Santos Cruz sai do governo e nova crise se instala no Planalto

13 de Junho de 2019, 20:09 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Comandante respeitado no meio militar, o general Santos Cruz deixa o governo após denúncias contra Sérgio Moro.

 

Por Redação – de Brasília

 

General de Divisão e respeitado no meio militar por seu pensamento estratégico, o agora ex-ministro da Secretaria de Governo Carlos Alberto dos Santos Cruz foi substituído no cargo, nesta quinta-feira, por outro militar, o general de Exército Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira. O movimento, no principal núcleo de poder do governo, ocorre apenas alguns dias após as reportagens publicadas na agência norte-americana de notícias Intercept Brasil, que expõem o ministro da Justiça, Sérgio Moro

Substituto de Santos Cruz, o general Ramos exercia o Comando Sudeste do ExércitoSubstituto de Santos Cruz, o general Ramos exercia o Comando Sudeste do Exército e substitui o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Santos Cruz

A saída do cargo de um dos comandantes mais emblemáticos do país, que liderou as tropas brasileiras no Haiti a serviço das Nações Unidas (ONU), substituído por outro oficial da ativa, no Comando Militar do Sudeste, revela um “abalo na confiança do meio militar no governo Bolsonaro”, disse fonte do Palácio do Planalto à reportagem do Correio do Brasil, em condição de anonimato.

— A saída de Santos Cruz não foi tão civilizada assim, conforme divulga a versão oficial. Não resta dúvida quanto à fenda aberta na disputa entre grupos rivais, que se digladiam no governo antes mesmo da posse de Bolsonaro. Internamente, haverá repercussões, mas não creio que chegarão, de pronto, à opinião pública — afirmou.

Moro e Dallagnol

Soldado experiente, Santos Cruz cumpriu o voto de silêncio acordado com o superior hierárquico, após o embate com o guru da família Bolsonaro, o astrólogo Olavo de Carvalho, que tem o apoio irrestrito dos filhos do presidente. Mas fatos novos e desgastantes divulgados nas últimas horas, que colocam em xeque a integridade ética de um dos principais ministros da Esplanada, dissolveram os últimos elos de confiança entre o general graduado e o comandante em chefe das Forças Armadas.

Aos 67 anos, o militar gaúcho cumpriu 51 anos à frente do Exército, desde a Academia Militar das Agulhas Negras ao generalato; e construiu uma carreira sólida na caserna por sua rigidez moral. Apenas alguns dias após os vazamentos que atingiram, em cheio, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, o general Santos Cruz se calou diante das acusações ao colega de ministério.

Santos Cruz foi o único militar a não manifestar apoio incondicional ao juiz citado na suspeita de conluio com o procurador federal Deltan Dallagnol, para subverter as eleições presidenciais de 2018.

Catador

Alinhado ao substrato ideológico ideológico de Bolsonaro, o substituto de Santos Cruz é o mesmo militar que, há dois meses, considerou “um acidente” o assassinato de Evaldo Rosa dos Santos e o catador Luciano Macedo, um músico e um catador de papel, no Rio. Os tiros tiros foram disparados por militares do Exército. O músico passeava de carro com a família quando seu automóvel recebeu mais de 80 tiros.

O desgaste entre o comandante e o ex-capitão, no entanto, agrava-se desde a posse no Palácio do Planalto, em um confronto direto com os filhos do presidente e o astrólogo que aluga um apartamento nos EUA. Após as primeiras rusgas com Olavo de Carvalho, que prefere ser chamado de filósofo, o general viu sua carreira colocada em dúvida e reagiu.

A equipe de bombeiros, liderada por Augusto Heleno, colega de farda e atual ministro do Gabinete de Segurança Institucional, que tem o serviço de Informação sob seu guarda-chuva, conseguiu extinguir o incêndio, mas as chamas voltaram a subir após o risco imediato de um processo severo contra Moro, que tem no presidente seu principal fiador.

Preocupação

O general Santos Cruz, porém, integra um grupo de elite no comando das Forças Armadas, do qual o general Eduardo Villas Bôas — ex-comandante do Exército, hoje assessor do GSI — é um dos pilares.

Para estes líderes da tropa, incluído aí o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, nomes como o de Olavo de Carvalho e seus indicados, a exemplo dos ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e da Educação, Abraham Weintraub, são motivo de preocupação para as instituições brasileiras.

Ainda permanecem no governo; além do general Heleno, o engenheiro do Exército Tarcísio Gomes de Freitas, no Ministério da Infraestrutura, e o almirante Bento Albuquerque, na pasta das Minas e Energia.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/general-santos-cruz-sai-governo-nova-crise-planalto/

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