Após mau resultado do partido de Merkel em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Horst Seehofer afirma que “as pessoas não querem essa política de Berlim” e que situação é altamente ameaçadora para as legendas conservadoras
Por Redação, com DW – de Berlim:
O governador da Baviera, Horst Seehofer, afirmou nesta terça-feira que o resultado “desastroso” da eleição em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental se deve à política para refugiados da chanceler federal Angela Merkel.
No domingo, o partido de Merkel, a União Democrata Cristã (CDU), ficou em terceiro lugar na eleição do Estado do nordeste alemão, com 19%, atrás do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que alcançou 20,8% dos votos. Seehofer é filiado à União Social Cristã (CSU), partido-irmão da CDU que existe apenas na Baviera.

Horst Seehofer é governador da Baviera e líder da CSU
Em entrevista ao jornal Süddeutsche Zeitung, Seehofer afirmou que suas “reiteradas exigências de correção de curso” nessa política foram ignoradas. Para ele, a situação é “altamente ameaçadora para a União (expressão usada para designar CDU e CSU)” e “as pessoas não querem essa política de Berlim”.
– As pessoas simplesmente não entendem mais como se faz política na Alemanha. Elas se sentem deixadas de lado. Precisamos de uma clara orientação programática – afirmou Seehofer. “O país está dividido como raramente se viu, e a confiança está caindo rapidamente”, declarou.
As críticas do principal líder da CSU se unem às feitas por outras lideranças do partido, que responsabilizam a política para refugiados do governo federal pelo mau resultado da CDU na eleição estadual, elevando a tensão entre os dois partidos aliados.
Segundo o secretário-geral da CSU, Andreas Scheuer, Seehofer pretende apresentar uma lista de demandas sobre a política de refugiados num encontro de líderes da CDU, da CSU e do Partido Social-Democrata (SDP) no próximo domingo. “Precisamos chegar a um acordo sobre um limite máximo para reduzir a imigração o mais rapidamente possível”, disse Scheuer ao jornal Passauer Neue Presse.
“Catástrofe”
No domingo, a CDU teve o pior resultado do partido em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Estado que é a base eleitoral de Merkel. Com 19% dos votos, o partido de Merkel foi ultrapassado pelo partido populista de direita AfD, que obteve 20,8%. O primeiro lugar ficou com o SDP, com 30,6%, que perdeu, porém, cinco pontos percentuais em relação à eleição anterior.
Em entrevista durante a cúpula do G20 na segunda, a chanceler assumiu sua parcela de responsabilidade pelo mau desempenho da coalizão, mas ressalvou que as decisões tomadas em relação à crise migratória foram corretas.
A copresidente da AfD Frauke Petry disse que o sucesso da legenda na eleição regional deve-se aos erros do governo da chanceler. “Merkel está derrubando a si mesma”, afirmou.
Políticos conservadores da CDU e CSU classificaram o resultado das urnas como “catástrofe” e “derrota amarga” e pediram mudanças na política para refugiados de Berlim.
Merkel assume responsabilidade
– O resultado da eleição fala por si. Claro que ele tem que ver com a política para refugiados. Eu sou presidente do partido, sou chanceler. Aos olhos das pessoas, não há como separar essas coisas, então é claro que eu também sou responsável – declarou a chanceler.
Apesar da derrota, Merkel defendeu sua política de portas abertas, dizendo que considera as decisões tomadas pelo seu governo corretas, “assim como elas foram tomadas”. Para ela, o importante agora é recuperar a confiança dos eleitores. “Isso também vale para mim”, acrescentou.
– Temos que reconhecer que, neste momento, muitas pessoas não têm confiança suficiente na capacidade de resolução (do governo) para esse tema (refugiados), apesar de já termos feito muito – afirmou.
AfD avança
Nos últimos meses, a AfD tem ganhado força com críticas ferrenhas à política para refugiados do governo federal. O partido já está presente no legislativo de nove dos 16 Estados alemães e tem reais chances de entrar no Bundestag (Parlamento alemão) nas eleições de 2017.
A popularidade de Merkel atingiu o pior nível em cinco anos, de acordo com uma pesquisa de opinião divulgada na semana passada. O secretário-geral da CDU, Peter Tauber, afirmou que o governo adotou uma série de medidas para diminuir a chegada de requerentes de asilo, aumentar a segurança e promover a integração dos refugiados. “Leva tempo até que as medidas comecem a fazer efeito e para recuperar a confiança perdida”, avaliou.
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