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Grave alteração no clima quebra a safra do maior produtor do mundial de laranjas

27 de Outubro de 2020, 14:42 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Segundo a CitrusBR, apesar do retorno das chuvas neste mês, é fato que a estiagem afetou fortemente algumas regiões citrícolas de São Paulo, Estado que responde pela maior parte da produção brasileira.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

O tempo seco durante o inverno e as temperaturas altas em setembro tendem a acentuar uma quebra na safra de laranjas do Brasil, maior produtor global do suco da fruta, trazendo preocupação para os estoques da temporada 2020/21, que já seriam menores devido ao ciclo de baixa da cultura.

A produção de laranjas, esse ano, ficou prejudicada por conta das mudanças no clima do BrasilA produção de laranjas, esse ano, ficou prejudicada por conta das mudanças no clima do Brasil

Apesar do retorno das chuvas neste mês, é fato que a estiagem afetou fortemente algumas regiões citrícolas de São Paulo, Estado que responde pela maior parte da produção brasileira, disse o diretor-executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto.

— Em algumas delas, mesmo áreas com sistemas de irrigação não se salvaram porque a água do subsolo secou — afirmou o executivo à agência inglesa de notícias Reuters, com base em relatos de produtores. Nas redes sociais, circulam imagens de frutas caídas nos pomares pelo efeito do clima.

Expectativas

Segundo Netto, o que não se sabe ainda é a dimensão do impacto do clima adverso, o que deve ser captado pela instituição de pesquisa Fundecitrus em sua próxima estimativa de safra, prevista para dezembro.

Até o momento, a safra 2020/21 de laranja do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais, principal região produtora para a indústria exportadora de suco do país, está estimada em 286,72 milhões de caixas de 40,8 kg, queda de 25,87% em relação à temporada anterior.

O volume já representa uma das quebras mais severas de safra dos últimos dez anos, disse anteriormente o Fundecitrus, que preferiu não comentar sobre as expectativas para o próximo levantamento de colheita.

Lavouras

O consultor de Agronegócio do Itaú BBA, César de Castro Alves, destacou que a citricultura tem os ciclos de bienalidade muito claros, assim como as lavouras de café, o que justifica — em partes — a produção atual ser “bem menor”.

Ele lembrou que, antes mesmo das “altíssimas temperaturas” de setembro, desde o início da safra, entre julho e agosto, os pomares já vinham passando por déficit hídrico.

— O efeito dessa seca vai jogar um viés negativo sobre a queda de 26% já projetada… Você tem um comprometimento das frutas que vão maturar até o fim do ano… e o ano que vem (2021/22) que está totalmente em aberto, já começa prejudicado — disse ele, ponderando que há preocupação inicial com o “pegamento” das floradas para a próxima safra.

Forte calor

O agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos, explicou que as regiões brasileiras que produzem laranja tiveram dois episódios de chuvas significativas: um próximo do dia 21 de agosto e outro perto de 21 de setembro.

— Essas duas chuvas geraram floradas só que na sequência o que veio, principalmente em setembro, foi um calor insuportável e uma seca horrível, que levou a quebras nas floradas — explicou.

Desde meados de 10 de outubro, as precipitações foram restabelecidas de maneira mais regular, abrindo espaço para a instalação de uma terceira florada com grande chance de “pegamento”, ante a tendência de continuidade das chuvas e temperaturas dentro da normalidade para o restante da primavera.

Estresse

Porém Santos acredita que a terceira florada não tem capacidade para reparar os danos deixados pelas duas anteriores, que exigiram um amplo gasto de energia das plantas. Além disso, as múltiplas florações vão deixar a safra desigual em 2021.

— Por conta do estresse hídrico, nada impede que haja mais uma florada em novembro. Isso gera um problema porque vai ter fruto de tudo quanto é tipo na planta — alertou.

O consultor do Itaú BBA cita que, neste cenário, há tendência para formação de preço mais firme tanto no mercado interno quanto externo, e enxugamento dos estoques globais de suco, visto que outros produtores do mundo, como os Estados Unidos, também devem colher menos laranjas.

Previsão

A safra 2019/20, cujo ciclo era de alta, deu origem a uma produção de 1,2 milhão de toneladas de suco no país, 37,4% acima do período anterior, conforme dados da CitrusBR. Com isso, o setor entrou em 2020/21 com estoques recompostos, a 471.138 toneladas em 30 de junho de 2020.

Para o fim de junho de 2021, a previsão preliminar para os estoques globais em poder das empresas associadas à CitrusBR é de 240 a 280 mil toneladas. Entretanto, com a possível intensificação na queda de produção, a formação de reservas da bebida também tende a ficar ainda menor, disse Alves.

Ele ressaltou também que a pandemia do novo coronavírus e as medidas de isolamento social contribuíram para elevar o consumo de suco de laranja.

— E pelo menos enquanto a covid-19 estiver no ar, a demanda deve se manter — concluiu.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/grave-alteracao-clima-quebra-safra-maior-produtor-mundial-laranjas/

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