Ir al contenido

Correio do Brasil

Regresar a CdB
Full screen Sugerir un artículo

‘Homem da mala’ de José Serra confessa repasse da Odebrecht

enero 7, 2017 15:49 , por Jornal Correio do Brasil - | No one following this article yet.
Viewed 314 times

Segundo o advogado do ‘homem da mala’ de Serra, o crime relativo ao recebimento, no exterior, de R$ 23 milhões – repassados pela empreiteira Odebrecht, com recursos desviados da Petrobras – já não existe mais

 

Por Redação – do Rio de Janeiro e São Paulo

 

Banqueiro milionário, o ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (PSDB-RJ) corre o risco de, em breve, trocar sua cobertura duplex na praia do Leblon, com vista indevassável para o mar, por um cubículo no presídio de Bangu 8. Assim, poderia tomar banho de sol com o ex-governador Sergio Cabral, de quem foi aliado ao longo dos dois períodos no Palácio Guanabara.

Ronaldo Cezar Coelho coordenou as finanças da campanha de José Serra, em 2010

Ronaldo Cezar Coelho coordenou as finanças da campanha de José Serra, em 2010

A hipótese, porém, é pouco provável. Uma parcela considerável de sua fortuna tem sido usada para contratar os melhores advogados que o dinheiro pode pagar. Nem toda a riqueza do mundo, porém, poderá livrá-lo da desconfiança pública, fato que praticamente enterra sua carreira política. Mas segue na tentativa de minimizar os danos. Coelho concordou que o criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, listado na folha de pagamento do tucano, falasse à mídia conservadora em sua defesa. A entrevista foi veiculada, neste sábado, em um dos diários conservadores paulistanos.

Caixa da União

A tese do advogado chega a ser singela. Segundo o investigado, o crime relativo ao recebimento, no exterior, de R$ 23 milhões, já não existe mais. Não interessa se foram repassados pela empreiteira Odebrecht, com recursos desviados da Petrobras. Mariz de Oliveira diz que Coelho incluiu a pequena fortuna no programa de regularização de ativos no exterior.

A legalização destes recursos foi montada, em tempo recorde, entre a Câmara e o Senado. A alegação era que o pagamento de impostos sobre os bens agora legalizados atrairia recursos para o caixa da União. Transferiu, de fato, perto de R$ 4 bilhões. Mais do que isso, colocou mais uma pedra no caminho dos investigadores da Polícia Federal. Assim, o grupo político do presidente de facto, Michel Temer, que nega a intenção, segue no firme propósito de “deter a Lava Jato”. Foi o que afirmou o senador Romero Jucá, em conversa gravada e anexada ao processo.

Coelho foi citado no processo apurado pela Lava Jato como responsável por gerir, em 2010, a campanha presidencial do PSDB. Serra perdeu a eleição naquele ano para a presidenta Dilma Rousseff (PT) a um custo de R$ 264,75 milhões. É o que consta registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desconsiderados os R$ 23 milhões em dinheiro sujo. O banqueiro alega ter financiado o montante que a empreiteira, posteriormente, pagaria nas transferências para as contas secretas, na Suíça.

Pergunta difícil

Alvo secundário nas delações dos executivos da Odebrecht, Coelho e seus advogados concordaram em arriscar tudo. Acreditam que a tentativa de expor os fatos poderá conceder ao suspeito uma vantagem tática no processo. Diz que recebeu, sim, o dinheiro apurado na rede de corrupção montada para sangrar a Petrobras; alega desconhecer o esquema, diz que pagou as despesas da campanha de Serra, foi reembolsado e agora está quites com a Receita Federal. A exemplo do bordão exclamado frente às faltas nas partidas de futebol, o irmão do árbitro Arnaldo Cezar Coelho deve ter-se perguntado:

— Pode isso, Arnaldo?

Pode ser que não. Juristas ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil foram claros em afirmar que “houve um crime”. Para o advogado Paulo Henrique Machado, que acompanha o processo, “a falta é clara”, em resposta à pergunta. Fora do gramado e perante as barras dos tribunais, no entanto, Coelho responderá, uma vez indiciado, “por crime de caixa 2, por baixo”, acrescenta Machado. A pena pode chegar a cinco anos de prisão.

Serra envolvido

Diante dos fatos, fica difícil para o senador tucano José Serra (SP), atual ocupante do Ministério das Relações Exteriores, escapar do processo, na avaliação do jurista. Em nota encaminhada à mídia conservadora, Serra diz que suas campanhas “sempre foram feitas de forma lícita e com as finanças sob a responsabilidade do partido”. Ainda assim, persiste a dúvida quanto ao então candidato saber, ou não, que os recursos destinados à sustentação econômica de sua tentativa de chegar ao Planalto eram, no mínimo, suspeitos.

Um tanto desconfiado quanto à efetividade dos argumentos apresentados, o ‘homem da mala’ de Serra, como é conhecido, optou por manter os seus milhões de reais no exterior. A legislação vigente lhe faculta o direito, disse Mariz aos jornalistas. Ele afirma que a adesão ao programa envolveu os valores recebidos da Odebrecht e dinheiro resultante de investimentos do empresário.

Coelho pagou ao fisco valores equivalentes a 30% do que possui, no exterior, entre impostos e multas. Ao aderir ao programa, os titulares de valores fora do país ficaram isentos da aplicação de punições relativas a sonegação fiscal, apropriação indébita, crimes tributários, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relativa a esses delitos.

O post ‘Homem da mala’ de José Serra confessa repasse da Odebrecht apareceu primeiro em Jornal Correio do Brasil.


Origen: http://www.correiodobrasil.com.br/homem-mala-serra-confessa-repasse-odebrecht/

Rede Correio do Brasil

Mais Notícias