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Insensatos e gananciosos

14 de Agosto de 2020, 10:03 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Nos últimos dias, diante dos desencontros e impasses em que se meteu a equipe econômica sob a liderança do ex-supeministro Paulo Guedes, setores da elite dominante e da grande mídia desenvolvem enorme pressão em favor da agenda ultraliberal.

Por Luciano Siqueira – de Brasília

Uma espécie de nau dos insensatos. Ou dos gananciosos, enredados na especulação financeira, que fazem vista grossa para o verdadeiro drama da nação.

Paulo GuedesPaulo Guedes

Nos últimos dias, diante dos desencontros e impasses em que se meteu a equipe econômica sob a liderança do ex-supeministro Paulo Guedes, setores da elite dominante e da grande mídia desenvolvem enorme pressão em favor da agenda ultraliberal.

Porque para essa gente o povo é considerado apenas nas estatísticas, para medir flutuações do mercado.

Temem o que venha acontecer fruto da incompetência do presidente e de um ministério da Economia desfalcado de quadros considerados importantes, Joaquim Levy (BNDES), Marcos Cintra (Receita Federal), Mansueto Almeida (Tesouro Nacional), Marcos Troyjo (Comércio Exterior), Rubem Novaes (Banco do Brasil), Caio Megale (Fazenda), Salim Mattar (desestatização) e Paulo Uebel (desburocratização).

É patética a cena exibida pelas redes de TV em que o presidente da República e os presidentes do Senado e da Câmara repetem de público a ladainha das reformas neoliberais e do respeito ao teto de gastos.

A realidade é dura e crua, por maior que seja a insensibilidade da horda ultraliberal.

Aqui e mundo afora.

A pandemia

A pandemia do novo coronavírus escancarou a profundidade da crise do sistema imperante no mundo e atingiu dramaticamente os países cujas economias já viviam um quadro de recessão e de acentuada vulnerabilidade e dependência dos humores externos.

No Brasil a pandemia segue sem perspectivas imediatas de declínio, seja pela dimensão continental do nosso território e pelas acentuadas diversidades regionais, seja pelo fosso imenso, criado pelo presidente da República, entre o governo central e governos estaduais e prefeituras.

Na dimensão econômica e social da crise, em que a exclusão acelerada de milhões no mercado formal de trabalho pode se converter, em médio prazo, em portentosa bomba de efeito retardado, dá-se essa impertinência entre a minoria que teima em rezar o credo fiscalista em detrimento das necessidades e aspirações da imensa maioria.

Na ampla e diversificada rede oposicionista que espontaneamente se alastra, é item nodal de um plano emergencial para tirar o país da crise o investimento pesado de recursos estatais para reaquecer as atividades econômicas, através da emissão de pedidos públicos com garantia do Banco Central.

Essa tem sido a receita da quase totalidade das economias do mundo, inclusive onde os governantes são inequivocamente adeptos das políticas ultraliberais.

O déficit público fica para solução posterior, pois agora trata-se de salvar vidas, empresas e postos de trabalho.

O recuo tático temporário de Bolsonaro

O recuo tático temporário de Bolsonaro, desde que se viu acuado pela confluência da escalada das mortes pela covid-19 com o agravamento da crise econômica e social e a revelação das relações espúrias de seus familiares mais próximos com contraventores associados a milícias, tem como ingrediente a tentativa de arregimentar apoio a nefasta agenda econômica.

Aparentemente vem conseguindo. E isso o permite respirar um pouco antes de retomar a sua estratégia de provocações de natureza golpista.
Ao multifacetado campo oposicionista cabe a resistência.

A realidade concreta precisa falar mais alto do que as vozes da conspirata de banqueiros e especuladores contra nação do povo brasileiro.

 

Luciano Siqueira, é Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/insensatos-gananciosos/

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