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Mário Magalhães e o fim das vozes dissonantes

julio 29, 2017 13:47 , por Jornal Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Esta semana (o diário conservador paulistano) Folha de São Paulo – mantenedor do Uol – demitiu o jornalista e blogueiro Mário Magalhães.

 

Por Fábio Lau – do Rio de janeiro

A pluralidade da Comunicação deveria ser tratada de acordo com o que de fato representa: um direito humano. Amiga e jornalista Paula Máiran, combativa ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio, foi a primeira pessoa que lembro ter dado ao tema a dimensão que merece. Mas é sabido que a cada ciclo a ideia soa como a de outras tantas liberdades que vão recebendo pás de cal: como o aborto, a legalização das drogas e outros de iguais relevância.

Mário Magalhães era uma das vozes dissonantes na mídia conservadora

Mário Magalhães era uma das vozes dissonantes na mídia conservadora. Foi demitido

Esta semana (o diário conservador paulistano) Folha de São Paulo – mantenedor do Uol – demitiu o jornalista e blogueiro Mário Magalhães. Tratava-se de uma voz, das poucas da velha mídia, a não ecoar sobre o óbvio, a velha cantilena de que o jornalista deve referendar o que dele espera seu empregador.

Interesse privado

Planos de Saúde, ajuda educação para filhos e claro, o salário, são os argumentos a embasar a lógica do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. E assim, de reportagem em reportagem, artigo em artigo, coluna em coluna, o profissional deixa de lado caros saberes e achares e reforça ainda mais o pensamento único movido pelo interesse político/empresarial.

Há quem veja neste saldo “mérito” profissional ou pessoal. São sobreviventes que muitas vezes mergulham na própria angústia, inconfessável. Por outro lado há quem veja e julgue tudo isso como o abandono de uma causa maior que é o jornalismo e sua função social por conta de interesse pessoal e privado.

Mas, entre as duas lógicas e certezas inconvivíveis, quem sabe não encontramos margem para uma terceira? A liberdade de opinião e pensamento deve sobreviver de algum modo e em algum lugar. Que não no produto profissional, pelo menos, quem sabe, na página particular do jornalista que é o dazibao destes tempos. Mário Magalhães, ao deixar o Uol, avisou que seu Facebook e Twitter serão mantidos vivos. Bom para todos nós.

Conteúdo ruim

O mercado, cada vez mais enxuto e estreito, canaliza recursos da publicidade privada e oficial para a velha mídia. E a razão é óbvia: aquele que se aventura a distribuir será implacavelmente perseguido pelos grupos sobreviventes e, ironicamente, por alguns jornalistas que veem na expansão do mercado ameaça ao trabalho.

O Brasil revive assim, em pleno terceiro milênio, a Era dos Inconfidentes. Falar, lutar, buscar algo novo e principalmente o próprio direito a expressão soa a transgredir e se colocar em perigo. “Conspirar” na organização de novas plataformas de comunicação e trabalho é interpretado como fomento a algo pecaminoso ou a suposto inimigo.

Esta semana este repórter foi repreendido: “pare de falar mal de colegas de rádio e TV”. Na prática o que o repórter faz é “criticar” a produção do mau jornalismo – esteja onde estiver. Uma bandeira que deveria ser de todos porque a sobrevivência da atividade dependerá da sua credibilidade. O risco da proliferação de conteúdo ruim ocorre porque o conteúdo que deveria ser bom anda caro e escasso.

Preservar o jornalismo e o bom jornalista na sua essência, portanto, deveria ser regra. E uma obrigação a cutucar os mais velhos nesta atividade. Deixar a preguiça e o corporativismo de lado fariam bem a todos – e especialmente leitores e consumidores da notícia. Por isso, deste canto, faço um apelo diferente:

– Parem de silenciar diante do escárnio que praticam contra o jornalismo!

Fábio Lau é jornalista, fundador do site de notícias Conexão Jornalismo.

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Origen: http://www.correiodobrasil.com.br/mario-magalhaes-e-o-fim-das-vozes-dissonantes/

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