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Na ânsia de eximir o ex-chefe, Queiroz leva Flávio Bolsonaro a cair em contradição

4 de Agosto de 2020, 14:42 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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No depoimento de Queiroz ao Ministério Público Federal (MPF), quando ainda estava preso em Bangu 8, ele afirmou que o filho de Bolsonaro soube de detalhes do esquema criminoso quando ainda exercia o mandato na Alerj. Aos investigadores, no entanto, o senador elogiou o ex-PM, envolvido com a milícia armada que age na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Por Redação – do Rio de Janeiro

Na tentativa de convencer os investigadores que seu ex-chefe, o hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) não tinha conhecimento da ‘rachadinha’, movimentação financeira ilícita em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o ex-assessor Fabrício Queiroz colocou mais um obstáculo na defesa do primogênito de Jair Bolsonaro (sem partido).

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio BolsonaroFabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, prestou um novo depoimento ao Ministério Público Federal quando ainda estava em Bangu 8

Aos procuradores, o parlamentar disse que tinha a intenção de contratar Queiroz, mais uma vez, agora para uma assessoria no Senado. Mesmo depois de saber que Queiroz estava envolvido na ‘rachadinha’, Flávio Bolsonaro também o elogiou, publicamente, dizendo que se tratava de “um trabalhador”.

‘Revoltado’

No depoimento de Queiroz ao Ministério Público Federal (MPF), quando ainda estava preso em Bangu 8, ele afirmou que o filho de Bolsonaro soube de detalhes do esquema criminoso quando ainda exercia o mandato na Alerj. Aos investigadores, no entanto, o senador elogiou o ex-PM, envolvido com a milícia armada que age na Zona Oeste do Rio, e disse que chegou a cogitar levá-lo para Brasília.

Queiroz confessou que teve contato com o então deputado Flávio Bolsonaro e prestou “satisfação” sobre o caso da ‘rachadinha’. Na condição de testemunha, o ex-assessor não tinha a prerrogativa de permanecer em silêncio, no inquérito que apura a suspeita de vazamento da Operação Furna da Onça.

— Eu tive um contato com o senador. Ele não era senador, era deputado, mas já estava eleito. Eu dei satisfação a ele do que aconteceu. Ele estava muito chateado, revoltado. Ele falou: ‘Não acredito que tu tenha feito isso, não acredito’ — disse Queiroz às autoridades.

Furna da Onça

Queiroz confirmou ao MPF que aguardava a nomeação para o gabinete, no Senado ou na equipe do então presidente eleito Jair Bolsonaro, no fim de 2018, antes de vir a público o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentações atípicas no valor de R$ 1,2 milhão em suas contas.

— Com um ou com outro — respondeu, ao ser questionado pelo procurador.

O MPF então perguntou se seria “em Brasília”.

— Era o certo, não é? Acho que sim. Só se eles não quisessem — responde Queiroz.

Esse foi o segundo depoimento prestado por Queiroz desde que foi preso na Operação Anjo, deflagrada no último dia 18 de junho, quando foi preso em um imóvel do advogado da família presidencial Frederick Wassef em Atibaia, interior paulista. Na segunda vez, ele praticamente repetiu as declarações à Polícia Federal (PF).

No âmbito da Operação Furna da Onça, o empresário Paulo Marinho disse que a equipe de Flávio Bolsonaro recebeu um vazamento da PF do Rio avisando que foram detectadas movimentações financeiras atípicas de Queiroz e que ele foi demitido do seu cargo por isso.

Jair Bolsonaro

O ex-assessor, todavia, diz agora que não chegou a conversar com o ex-chefe sobre uma possível nomeação no Senado, o que levou o parlamentar à contradição, uma vez que teria confirmado, à PF, da sua intenção de contratá-lo.

— Apenas esperava que isso viesse a ocorrer devido aos bons serviços que prestou durante a candidatura — desconversou.

Queiroz, dessa vez, voltou a afirmar que não sabia do vazamento e que pediu para sair do gabinete, na Alerj. Também afirmou que tomou conhecimento apenas pela imprensa, no início de dezembro, do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou que movimentação de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017 em suas contas.

Em seu primeiro depoimento, porém, Queiroz afirmou à PF que o pedido demissão ocorrera porque estava “cansado” de trabalhar como assessor político e que iria cuidar de problemas de saúde. Queiroz afirmou, por fim, que não se lembra de ter conversado com o presidente Jair Bolsonaro sobre a acusação de ‘rachadinha’.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/ansia-eximir-ex-chefe-queiroz-leva-flavio-bolsonaro-cair-contradicao/

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