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Pandemia, fake news e perseguição a adversários tumultuam eleições

28 de Setembro de 2020, 13:57 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Outra inovação destas eleições é a fim das coligações nas eleições legislativas. A principal consequência, de acordo com a especialista, será a “pulverização” das candidaturas. Proibidos de formarem chapas para a disputa nas câmaras municipais, os partidos devem ampliar a oferta de candidaturas.

Por Redação – de São Paulo

A campanha eleitoral de 2020, que teve início neste domingo, oficialmente, tendem a desembocar nas eleições mais atípicas e imprevisíveis já vistas, na história democrática do país. Segundo a cientista política e professora da PUC-SP Rosemary Segurado, em função da pandemia, o uso político das redes sociais e dos aplicativos de mensagem deve ser intensificado, o que amplia o risco de “contaminação” do processo político pela desinformação.

Guilherme Boulos (PSOL) reúne o apoio da esquerda, em São Paulo, e incomoda o candidato oficial do governo BolsonaroGuilherme Boulos (PSOL) reúne o apoio da esquerda, em São Paulo, e incomoda o candidato oficial do governo Bolsonaro

Outra inovação destas eleições é a fim das coligações nas eleições legislativas. A principal consequência, de acordo com a especialista, será a “pulverização” das candidaturas. Proibidos de formarem chapas para a disputa nas câmaras municipais, os partidos devem ampliar a oferta de candidaturas, inclusive para as prefeituras.

Ambos os fatores – a pulverização das candidaturas e o uso das ferramentas eletrônicas – amplia o desafio do eleitor para escapar das armadilhas das fake news. Em entrevista à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA), Rosemary dá dicas básicas para que o eleitor não faça parte da “cadeia produtiva da desinformação”.

Intencionalidade

Manchetes sensacionalistas são o primeiro indício de uma informação inverídica. Antes de passar adiante, o eleitor deve verificar se aquela mesma notícia aparece em diferentes veículos de mídia. Em muitos casos, a desinformação é transmitida por pessoas de confiança do interlocutor, como amigos, colegas de trabalho ou familiares.

— Mas essa pessoa pode ter compartilhado sem ter feito a devida checagem. A ‘tia Ana’ não tem intenção de mentir, principalmente para seus familiares e amigos. Mas alguém que passou a ela a informação tem essa intencionalidade — alerta a cientista política.

O principal, segundo Rosemary, é a capacidade de estabelecer a diferença entre o fato e a opinião. “Todos temos direto à liberdade de opinião. Mas o que não pode é que isso não tenha base num fato concreto verificável.” O eleitor também deve ter especial cuidado com mensagens que ataquem a reputação do candidato adversário.

— Vamos fazer o debate franco e propositivo, que é tudo o que os eleitores precisam. Podemos ter propostas e programas diferentes para as cidades, mas elas têm que ser debatidas francamente. Sem a utilização desses subterfúgios que atacam a democracia — acrescentou.

Intimidação

O jogo pesado do governo contra a oposição é outro fator que desestabiliza o processo democrático. Candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos, denunciou nesta manhã que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) utiliza de forma política a Polícia Federal para eleger Celso Russomanno (Republicanos).

— Bolsonaro está usando a PF para me intimidar e eleger Russomanno. Isso mostra que eles têm medo da nossa candidatura, porque ela é a que tem mais chances de ir ao segundo turno e derrotar o Bolsodoria em São Paulo. Nós não temos medo nem rabo preso — disse Boulos à revista CartaCapital.

Na última sexta-feira, a PF procurou os advogados de Boulos para intimá-lo a prestar esclarecimentos sobre postagens feitas por ele em que criticava o presidente. O advogado Alexandre Pacheco Martins, que representa o psolista, se encaminhava à PF em Brasília para entender do que se trata. A investigação acontece no âmbito de um inquérito aberto no Departamento de Inteligência Policial (DIP).

Guilherme Boulos aparece em terceiro lugar nas pesquisas, atrás apenas de Covas (PSBD) e Russomanno. O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) é o nome mais forte da esquerda na capital paulista.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/pandemia-fake-news-perseguicao-adversarios-tumultuam-eleicoes/

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