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Pato amarelo e ‘panelaços’ voltam a ser patrocinados pela elite brasileira

Luglio 21, 2017 15:15 , by Jornal Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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O ícone do golpe de Estado que derrubou a presidenta Dilma Rousseff (PT) está de volta. O pato amarelo da Fiesp integra, mais uma vez, os protestos patrocinados pela ultradireita.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Após reinstalar o pato de borracha amarela na porta do edifício icônico da Avenida Paulista, na manhã desta sexta-feira, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) articula, nos bastidores, um novo financiamento aos grupos sociais de ultradireita para a edição de novos ‘panelaços’. O alvo, dessa vez, não é mais a presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), mas o substituto, no golpe de Estado que ajudou a financiar.

Durante os dias que antecederam o golpe de Estado, o pato amarelo da Fiesp foi instalado em frente ao Congresso

Durante os dias que antecederam o golpe de Estado, o pato amarelo da Fiesp foi instalado em frente ao Congresso

Presidente de facto, desde Maio do ano passado, Michel Temer (PMDB) é, agora, o centro da marca para a qual a Fiesp aponta suas baterias. A volta do pato amarelo, de 5 metros de altura, retoma o manifesto encerrado em março de 2016. Remonta ao processo de impeachment contra Dilma Rousseff, que consolidava o fim da democracia no país.

O protesto, segundo a instituição, resume-se ao aumento dos impostos. Além daquele pato maior, há outro, um pouco menor, instalado na sacada do prédio. Às 10h, milhares de patinhos foram distribuídos para os pedestres, na capital paulista.

‘Mais impostos?’

Os industriais, que integram o núcleo do conservadorismo brasileiro, se levantam contra o aumento na tributação sobre os combustíveis, iniciada nesta sexta-feira. Em nota, os ministério da Fazenda e do Planejamento comunicaram a elevação da alíquota de PIS e Cofins sobre os combustíveis.

O governo reconhece que a tributação sobre a gasolina mais do que dobrou com o aumento de R$ 0,41 por litro. O prejuízo para os proprietários de automóveis chega a R$ 0,89 para cada litro de gasolina, somada a incidência da Cide, que é de R$ 0,10 por litro.

A tributação sobre o diesel subirá em R$ 0,21 e ficará em R$ 0,46 por litro do combustível. Já a tributação sobre o etanol subirá R$ 0,20 por litro.

Logo em seguida ao anúncio, a Fiesp divulgou nota­ na qual afirma estar indignada com a decisão do governo de elevar as alíquotas do PIS/Cofins sobre combustíveis.

Sob o título “O que é isso, ministro? mais imposto?”, a nota é assinada pelo presidente da Federação, Paulo Skaf. O industrial, que apoiou o golpe de Estado, é filiado ao PMDB, partido de Michel Temer. Na Presidência da Fiesp ele encabeçou a campanha contra o aumento de tributos iniciada no governo Dilma Rousseff cujo símbolo era o gigantesco pato inflável amarelo.

Pato pago

“Há apenas 3 meses, cobramos publicamente o ministro da Fazenda sobre suas declarações de que pretendia aumentar impostos. Fomos ouvidos”, diz a nota. “Nesta semana, ficamos indignados com o anúncio da alta de impostos sobre os combustíveis. Ministro, aumentar imposto não vai resolver a crise; pelo contrário, irá agravá-la bem no momento em que a atividade econômica já dá sinais de retomada, com impactos positivos na arrecadação em junho”, segue o texto.

Ainda segundo a nota da Fiesp, o aumento de imposto “recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo”. Skaf afirma que “o caminho correto é cortar gastos, aumentar a eficiência e reduzir o desperdício”.

A Fiesp também critico o aumento de gastos do governo com pessoal, no total de R$ 12 bilhões. E, ainda, os gastos com a Previdência, de R$ 15 bilhões. Segundo a nata do empresariado, o pagamento aos mais pobres, que dependem de pensões e aposentadorias, levaram “por água abaixo” o esforço de corte de R$ 11 bilhões em investimentos e de R$ 12 bilhões em despesas

“Somos contra o aumento de impostos porque acreditamos que isso é prejudicial para o conjunto da sociedade. Chega de Pagar o Pato”, diz Skaf, no encerramento da nota.

No Rio

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), por sua vez, vai na mesma linha da coligada paulista. Em nota, divulgada também nesta manhã, afirma que “que a saída para a crise fiscal não passa por mais aumento de impostos, mas na adequação dos gastos públicos ao novo cenário econômico e na urgência da aprovação da reforma da previdência”.

Segundo a Firjan, PIS e Cofins foram criados para financiar o regime de previdência e assistência social no Brasil. Estes impostos arrecadavam R$ 107 bilhões no ano 2000, mais de quatro vezes o déficit da seguridade social à época, que era, segundo a Firjan, de R$ 26 bilhões.

“Hoje, o déficit da seguridade social (R$ 259 bilhões) é muito superior à arrecadação destas contribuições (R$ 165 bilhões); apesar do PIS/Cofins ter sofrido um aumento 54% acima da inflação no período”, diz a nota.

Duras críticas

Outro representante do empresariado brasileiro, o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso fez duras críticas ao aumento de impostos nos combustíveis executado por Michel Temer. Para Velloso, Temer fracassou no ajuste fiscal. 

— E o plano fracassou por culpa da própria equipe econômica. Insistiu no corte de gastos em meio à maior recessão da história do país. E não se preocupou em criar mecanismos para a retomada do crescimento. Ao contrário. As ações foram todas no sentido de afugentar investimentos — disse Velloso a jornalistas.

O empresário disse, ainda, que dos oito pontos de queda do PIB dos últimos três anos, “cinco foram causados pela falta de investimento”. Ele criticou, ainda, a lentidão do governo na redução da taxa de juros. Segundo Velloso, a taxa real de juros dobrou em meio à recessão. Em 2015, disse, o país teve perto de 10,5% de inflação e taxa Selic de 14,25% ao ano. Atualmente, a inflação gira em torno de 4%, a taxa básica caiu, mas ainda permanece em 10,25%.

O presidente da Abimaq atacou, por último, a falta de estímulos à exportação. Ele atacou, porfim, a valorização do real, “que tira competitividade dos produtos brasileiros”.

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Source: http://www.correiodobrasil.com.br/pato-amarelo-panelacos-patrocinados-elite-brasileira/

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