Os moradores foram obrigados a ficar nus na rua e os PMs ainda bateram nas orelhas de um garoto de 13 anos
Por Redação – do Rio de Janeiro
Policiais Militares do Estado do Rio de Janeiro estão no centro de uma investigação da Polícia Civil após denúncia de abuso de poder, tortura e formação de quadrilha. Os PMs, da UPP Coroa, Fallet e Fogueteiro, na área do bairro de Santa Teresa, são acusados de abordar quatro jovens que saiam de uma festa na comunidade Santo Amaro, no Catete, na madrugada de sexta-feira.

Segundo denúncia registrada na 6ª DP (Cidade Nova), eles foram torturados e roubados por oito PMs quando voltavam de moto, passando por Santa Teresa. A blitz terminou com uma mulher baleada. Os PMs estão presos, administrativamente.
Segundo apurou o repórter Gustavo Ribeiro, do diário popular carioca O Dia, “dois irmãos, de 23 e 20 anos, mostraram na delegacia ferimentos nas pernas e nos braços, segundo eles provocados com faca quente pelos policiais. Ambos relataram ter recebido socos no nariz. Um adolescente de 17 anos contou que teve o cabelo incinerado com isqueiro, o saco escrotal queimado com faca quente e que ainda foi obrigado a praticar sexo oral com o amigo enquanto um PM filmava a cena na rua”.
— Abordaram a gente de forma agressiva, esquentaram a faca e cortaram a gente. Queimaram o cabelo dele (jovem de 17), obrigaram dois amigos a fazerem um vídeo explícito. Gravaram rindo e xingando. Falaram que quando pegarem a gente na rua de novo vão matar. Tudo porque a gente estava sem capacete na moto. Eles alegaram que estavam com raiva por estarem de serviço no Natal — relatou o rapaz de 23 anos, ao repórter.
PMs e a ameaça à imprensa
Os moradores foram obrigados a ficar nus na rua e os policiais ainda bateram nas orelhas de um garoto de 13 anos, que também prestou depoimento, e no peito de um quinto rapaz, de 21, que teria ido para o hospital com falta de ar. “Os jovens disseram que o caso aconteceu na Rua Prefeito João Felipe e que voltavam para casa, no Rio Comprido”, relata.
“De acordo com o familiar, todos os garotos moram com os pais e nenhum tem passagens pela polícia. A Polícia Civil não quis confirmar se eles têm ou não anotações criminais porque não passa informações de vítimas”, afirma Ribeiro.
Ainda segundo o repórter e o repórter fotográfico Alexandre Brum, que estavam em frente à 6ª DP, ”um homem que se identificou apenas como ‘Geraldo, subcomandante da UPP Coroa’, fotografou, com um celular, a equipe d’O Dia enquanto os jovens concediam entrevista. Afirmou que iria ‘qualificar’ os repórteres”.


