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PT evita usar nomes e faz campanha apenas com o número 13

28 de Agosto de 2018, 16:28 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Wellington Dias acredita em um segundo turno com a presença do ex-prefeito, no caso de Lula ter sua candidatura barrada; mesmo que Haddad tenha registrado apenas 4% das intenções de voto na última pesquisa nacional do Ibope neste mês.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Um dos nomes petistas que mais brigaram para que o partido colocasse a campanha na rua e definisse logo um plano B, o governador do Piauí, Wellington Dias, afirma não ter dúvidas de que Fernando Haddad, vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, irá herdar os votos do ex-presidente, e que para isso o PT fará campanha pelo voto no 13, o número da legenda.

— Tem um segredo que eu vou contar para vocês: o número do Haddad é o mesmo do Lula. Estamos fazendo a campanha do 13. Em eleição não tem nome, não existe nem Lula nem Wellington. É o 13. O número é muito forte — disse o governador, em entrevista à agência inglesa de notícias Reuters.

A militância do PT recebe orientação para fazer campanha pelo número 13, o que beneficia HaddadA militância do PT recebe orientação para fazer campanha pelo número 13, o que beneficia Haddad

Wellington Dias, que foi o primeiro a receber Haddad em seu tour pelo Nordeste, acredita em um segundo turno com a presença do ex-prefeito, no caso de Lula ter sua candidatura barrada, mesmo que Haddad tenha registrado apenas 4% das intenções de voto na última pesquisa nacional do Ibope neste mês.

Militante

No cenário sem Lula, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) lidera, seguido por Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

— Se você pergunta quem votaria se o candidato for Alckmin, Haddad, Bolsonaro, ele é um nome solto ali dentro, ele é pouco conhecido. Agora, estamos falando aqui… este é o candidato do Lula. Então quando a gente diz Haddad, o candidato do Lula, dá isso. E é isso que o programa de televisão vai dizer, é esse nosso papel como militante no Brasil inteiro — afirmou.

O PT tem reforçado a ideia do voto no 13 como forma de associar Lula a Haddad e facilitar a vida do eleitor, que não conhece o vice e potencial substituto de Lula na chapa, mas reconhece o número do ex-presidente. Nesta terça, fazendo campanha em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, o próprio Haddad enfatizou o número.

— O povo feliz de novo tem número e sabe o número: é 13 para presidente, é 13 para governadora, é 13 para senador e assim nós vamos caminhando até vencermos essa eleição — discursou.

Candidato

Wellington disse aos jornalistas que encomendou duas pesquisas no Piauí, para consumo interno, associando o nome de Haddad como candidato de Lula. Na primeira, feita em julho, o ex-prefeito aparecia com 27% das intenções de voto, segundo o governador. A segunda, na semana passada, depois da passagem de Haddad pelo Piauí e com o reforço de aparecer como vice de Lula, o ex-prefeito já apareceria com 49%, disse.

A última pesquisa Ibope feita no Estado, neste mês, mostrou Lula com 65% das intenções de voto. Sem o ex-presidente, o Ibope mostrou Haddad com 6%.

Wellington garante que chegaram ao fim as disputas internas no PT sobre o nome que substituirá Lula caso sua candidatura seja barrada. Condenado em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente deve ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

— A outra dúvida não pode ter. Se o Lula não puder ser candidato, o nome é o Haddad, não tem nenhuma dúvida sobre isso. Há consenso — garantiu.

Bolsonaro

O governador reforça, no entanto, que o PT ainda confia no registro do presidente e acredita que agora —com uma recomendação do Comitê de Direitos Humanos da ONU que pediu ao país que garanta os seus direitos políticos— teria aumentado a chance de o registro ser concedido.

— De verdade, o nome primeiro que foi colocado era de Jaques Wagner porque a base maior do partido, a força é muito maior no nordeste. Nove governadores de diferentes partidos colocavam o nome de Jaques. Mas Jaques colocou que ele, por razões regionais, preferia mesmo o mandato de senador — disse o governador do Piauí.

Para ele, o lado bom da escolha de Haddad é que o ex-prefeito já vinha coordenando o programa de governo e fazendo uma série de contatos por conta disso.

— Na política, em uma eleição, gente com muita vontade já não é fácil, imagina sem querer. O Haddad está com muita vontade para fazer esse trabalho de levar a mensagem do presidente Lula. Hoje ele é quem melhor representa isso para a militância — acrescentou.

O governador aposta em um segundo turno entre Haddad e Bolsonaro. Afirma que, inicialmente, esperava que essa disputa se desse com o tucano Alckmin, mas que não vê mais o ex-governador de São Paulo com fôlego para crescer.

Haddad

Haddad, diz, é visto como uma pessoa preparada e, nos últimos anos, avançou na capacidade de lidar com líderes de outros partidos e poderá negociar em um eventual segundo turno.

— Uma coisa boa pode acontecer (em um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad) é uma união de diferentes líderes e partidos pensando no Brasil. É uma coisa que estamos precisando muito e não é fácil de fazer, mas poderá acontecer em razão de um provável segundo turno. Eu considero isso provável — disse.

Ainda segundo o executivo, quem for eleito precisa ter uma boa base para governar saindo do resultado das eleições.

— Nesse caso, o segundo turno tem essa vantagem de fazer com que os diferentes possam, olho no olho, sentar e pactuar que Brasil vai sair das urnas — disse, apostando numa vitória de Haddad contra Bolsonaro.

Perdão

O governador disse ser contra a possibilidade de Haddad, caso seja eleito presidente, conceder um perdão ao ex-presidente Lula, medida prevista legalmente e que poderia tirar o petista da prisão. Ele defendeu uma eventual anistia judicial a partir do Congresso.

— Aqui para você saber: eu acho que, por uma iniciativa dele, não é bom para a democracia. Eu te digo de coração. Pode alguém ter uma ideia. Uma coisa é assim, nasceu do Congresso Nacional, tal, tudo bem, e não duvido que possa nascer — afirmou.

Wellington Dias aposta que Lula deixará a cadeia após a eleição, por decisão do próprio Judiciário.

— Estou dizendo assim, é que eu tenho tanta confiança. Acho que o Judiciário brasileiro a gente tem que dar um voto de confiança. É ruim você, como se diz assim, não deixar o próprio Judiciário consertar esse negocio — disse.

‘Zero, zero’

Com 47% das intenções de voto no Piauí de acordo com a última pesquisa Ibope, enquanto o segundo colocado, Dr. Pessoa (SD), tem apenas 13%, Wellington Dias é uma das apostas de vitória consideradas certas no PT. Se reeleito, irá para seu quarto mandato desde 2002 — foi governador entre 2002 e 2010 e depois eleito novamente em 2014.

O governador disse que não sabia de denúncias, veiculadas em redes sociais e na imprensa, de que houve pagamento a influenciadores digitais para elogiarem a gestão dele e de outras lideranças do PT, uma prática proibida na campanha.

— É a coisa mais maluca que já vi na minha vida. Por que eu vou pagar para falar bem do Piauí, vamos ser sinceros? Com a situação que estou lá? Para fora… se fosse ao menos dentro do meu Estado — pontuou.

O piauiense destacou, ainda, que tem “zero” preocupação sobre uma eventual investigação.

— Pode ter investigação do que quiser. Zero. Zero. Zero. Zero — concluiu.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/pt-evita-nomes-campanha-13/

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