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Quilombo Campo Grande amanhece com ameaça de despejo

13 de Agosto de 2020, 14:21 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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O Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, sul de Minas Gerais, amanheceu nesta quinta-feira  ainda sob ameaça de despejo. Policiais chegaram ao acampamento e montaram cerco às famílias, que resistem para proteger suas casas.

Por Redação, com RBA – de Brasília

O Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, sul de Minas Gerais, amanheceu nesta quinta-feira  ainda sob ameaça de despejo. Policiais chegaram ao acampamento e montaram cerco às famílias, que resistem para proteger suas casas. A ação foi iniciada na manhã de ontem, com base em determinação judicial de 2019 da Comarca de Campos Gerais.

Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) critica o despejo em meio a pandemia, onde as 450 famílias não terão onde se abrigarMovimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) critica o despejo em meio a pandemia, onde as 450 famílias não terão onde se abrigar

O governo do estado disse ter feito uma solicitação para a suspensão do cumprimento da reintegração de posse na terça-feira, com entidades como a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Estadual de Direitos Humanos. O pedido teria sido negado.

Mais tarde, após pressão da sociedade civil, mobilizações na redes sociais e manifestações de parlamentares, o governador Romeu Zema (Novo) se posicionou de forma contrária à ação, que foi paralisada.

O Quilombo Campo Grande é local de trabalho e moradia para 450 famílias há mais de 23 anos. “Seguimos em vigília. Ontem, havia mais de 150 policiais aqui e chegaram, hoje, mais 20 viaturas. Estamos resistindo e vamos denunciar a covardia do governador Zema”, alertou uma moradora do quilombo, em vídeo publicado nas redes sociais.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) critica o despejo em meio à pandemia, lembrando que as famílias não terão onde se abrigar. “O imbróglio jurídico envolvendo a falida Usina Ariadnópolis, em Campo do Meio, já dura 20 anos. Por que despejar as famílias justo na pandemia? Em poucos dias veremos os danos e a contaminação que essa operação criminosa está causando”, disse Kelli Mafort, da coordenação nacional do MST.

Pressão

Além da Escola Eduardo Galeano, um barracão coletivo onde moravam três famílias foi despejado. O MST denuncia, ainda, que o endereço do local para onde as famílias deveriam ser encaminhadas não existe. Os sem-terra avaliam que a ação é porta de entrada para o desmonte do acampamento.

O despejo de 450 famílias do quilombo interessa diretamente à empresa Jodil Agropecuária, pertencente ao empresário João Faria, maior produtor individual de café do mundo. Ele vende para, entre outras, a suíça Nestlé.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/quilombo-campo-grande-amanhece-despejo/

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