Ir para o conteúdo

Correio do Brasil

Voltar a CdB
Tela cheia Sugerir um artigo

Recife: professores denunciam demora na aprovação da aposentadoria

20 de Setembro de 2021, 13:12 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
Visualizado 33 vezes

Segundo o Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (SIMPERE), o caso de Jair não é isolado. O setor jurídico da instituição sindical está acompanhando cerca de 80 processos de professores e professoras que tentam se aposentar.

Por Redação, com Brasil de Fato – de Brasília

Jair Santana, 58 anos, é professor de história da rede municipal de ensino do Recife desde 1988. Pela idade e pelo tempo de contribuição, já deveria ser professor aposentado. E ele tenta garantir seu direito à aposentadoria desde o início de 2020, quando efetivou o pedido para se aposentar. Agora ele depende da Prefeitura Municipal do Recife para homologar através da publicação no diário oficial e o desligamento.

Além do atraso na concessão do benefício, o sindicato da categoria reprova Reforma da Previdência municipal, que aumentará em seis anos o tempo de trabalho das servidoras

– Eu fiz mestrado e me afastei por dois anos. A Prefeitura me cobrou esses dois anos. Já paguei esse tempo e ainda não consegui. Em fevereiro de 2020, eu dei entrada, mas, até agora só espero – conta.

Segundo o Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino da Rede Oficial do Recife (SIMPERE), o caso de Jair não é isolado. O setor jurídico da instituição sindical está acompanhando cerca de 80 processos de professores e professoras que tentam se aposentar.

De acordo com Cláudia Ribeiro, da diretoria do Sindicato, esta dificuldade não é uma especificidade dos professores, mas de todos os servidores municipais.

– Não são só os professores, mas, os servidores municipais como um todo que querem se aposentar têm esperado pelo menos um ano para conseguir. E aposentadoria não é concessão, é um direito previsto em lei – ressalta.

Terceirização e aposentadoria

Ribeiro defende que as possíveis causas para esta demora estão nas escolhas que a gestão municipal tem feito com o objetivo de sucatear os serviços públicos, sob o argumento de que os trabalhadores são “pesos” para a máquina pública.

– Os governos se apegam nesse argumento indicando a aposentadoria como sendo uma das que promovem esse peso. Nós já pedimos que a Prefeitura mostrasse os cálculos para isso, mas nunca tivemos acesso a nada.

Sobre a política de gestão da prefeitura, a sindicalista destaca.

– Nossa previdência tem uma lógica de solidariedade: A geração atual garante a aposentadoria do que vem depois. Na medida que ela deixa de fazer concurso ela promove esse ‘déficit’. É uma política desta gestão optar por terceirizar os profissionais, eles são contratados por tempo determinado e não contribuem para a previdência. A terceirização é bastante complicada porque precariza, não diz respeito aos profissionais, que são excelentes, mas, eles são trabalhadores sem direitos. E sem direitos trabalhistas, não contribuem para o sistema previdenciário.

O sistema que Cláudia menciona é o Reciprev, que tem o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) do município do Recife, que foi instituído com o objetivo de assegurar aos servidores públicos titular de cargo efetivo os benefícios de aposentadoria e pensão por morte, da capital pernambucana. Esse sistema acabou de passar por uma reformulação, que revisa as normas previdenciárias.

Ao todo, 19 mil servidores serão afetados pelas regras, que aumentam a idade mínima para aposentadoria e a alíquota previdenciária, além de alterar o cálculo para concessão do benefício.

– João Campos conseguiu aprovar uma Reforma da Previdência já calcada numa Reforma Administrativa.  E a da previdência é cruel, sobretudo com as mulheres. A situação de uma professora que vai se aposentar na Prefeitura do Recife hoje é pior do que a que vai se aposentar pela Reforma de Bolsonaro. A mulher vai ter que trabalhar por mais 6 anos. É de uma perversidade sem limites – defende Jair.

A reportagem procurou a Secretaria de Administração da Prefeitura para maiores esclarecimentos sobre os prazos de respostas para os pedidos de aposentadoria, mas, até o fechamento desta matéria, não teve retorno.

Tipos de aposentadoria

As formas de aposentadorias previstas para o serviço público, sob o regime próprio de previdência para os servidores de titulares de cargo efetivo previstas pelo Regime Próprio de Previdência Social, são: Por invalidez, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição -art.40,§1°, I da CF/88 ou se por acidente em serviço ou doença considerada grave pela lei, com proventos integrais; Compulsória, ao completar 70 anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição e por idade que é voluntária com proventos proporcionais ou Por idade e tempo de contribuição – voluntária com proventos integrais.

O que mudou na Reforma Previdenciária

As emendas propostas pelo prefeito João Campos (PSB) aumenta de 12,82% para 14% a alíquota previdenciária para os servidores, além de impor idade mínima de 61 e 64 anos para que mulheres e homens se aposentem, respectivamente.

A mudança de idade mínima para aposentadoria é diferente para os professores, sendo de 56 anos para as mulheres, o que antes era 550 e 59 anos para homens, o que antes era 55. Nesses casos, é preciso ter 25 anos no magistério, com a ressalva de serem dez anos no serviço público e cinco no cargo em que se aposenta.

Também foram aprovadas mudanças no Estatuto do Servidor e um Programa de Desligamento Voluntário para servidores sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em autarquias municipais. Com a mudança, para a concessão das aposentadorias, serão calculadas 90% das maiores remunerações. Antes, eram 80%. A mudança diminui o valor do que o trabalhador recebe no final do mês.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/recife-professores-denunciam-demora-aprovacao-aposentadoria/

Rede Correio do Brasil

Mais Notícias