Ir para o conteúdo

Correio do Brasil

Voltar a CdB
Tela cheia Sugerir um artigo

Secretário de Guedes, em exercício de futurologia, prevê destino da dívida

22 de Outubro de 2020, 15:18 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
Visualizado 18 vezes

O horizonte ressalta os desafios para o país recolocar suas contas públicas em ordem, após uma sucessão de déficits primários desde 2014, com receitas insuficientes para cobrir as despesas públicas — quadro que foi agravado exponencialmente após os gastos extraordinários deste ano, associados ao enfrentamento da pandemia de covid-19.

Por Redação – de Brasília

Em um estudo avançado de futurologia, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, afirmou nesta quinta-feira que a dívida bruta no final da década ainda estará cerca de 20 pontos acima do nível pré-crise. Na apresentação exibida, pela internet, Rodrigues adiantou, sem detalhar os dados que embasam o estudo, que a expectativa da pasta é de que a dívida bruta — considerada o principal indicador da saúde fiscal do país — suba de 93,9% do PIB este ano até 97,9% do PIB em 2026, para então recuar a 94,5% do PIB em 2029.

O secretário Waldery Rodrigues seria o alvo do 'cartão vermelho' do presidente BolsonaroO secretário Waldery Rodrigues seria o alvo do ‘cartão vermelho’ do presidente Bolsonaro

Apesar do otimismo por detrás das projeções, a dívida seguirá distante do patamar de 75,8% do PIB atingido em 2019, no pré-pandemia. Para a dívida líquida, a perspectiva é de que chegue em 2029 a 84,4% do PIB, primeiro ano em que terá efetivamente caído após a crise.

Reformas

O cálculo apresentado por Rodrigues é de que a dívida líquida avance de 55,7% do PIB em 2019 para 67,8% do PIB neste ano. Daí em diante, ele espera que os acontecimentos sigam em trajetória ascendente até atingir 84,7% do PIB, em 2028. A trajetória dos cálculos, no entanto, abrangem uma distância tida por muitos economistas como improvável, para a realidade brasileira.

O horizonte ressalta os desafios para o país recolocar suas contas públicas em ordem, após uma sucessão de déficits primários desde 2014, com receitas insuficientes para cobrir as despesas públicas — quadro que foi agravado exponencialmente após os gastos extraordinários deste ano, associados ao enfrentamento da pandemia de covid-19.

Em sua fala, Waldery defendeu a manutenção da regra do teto de gastos como “superâncora fiscal” e ressaltou a necessidade de o Brasil continuar com sua agenda de reformas, considerada “imprescindível para o equilíbrio fiscal”.

Otimismo

O secretário destacou ainda, dentro dessa agenda, a continuidade de concessões e a realização da privatização de empresas estatais, além da aprovação do pacto federativo, medidas de liberalização comercial, redução e racionalização de subsídios e reformas administrativa e tributária. Ele confia, portanto, que o atual governo consiga permanecer de pé, após as eleições de 2022.

Completam a lista exibida por Waldery medidas como redução dos custos para contratação de trabalhadores, lei de falências, autonomia do Banco Central e modernização de marcos legais em petróleo e gás, ferrovias, cabotagem, energia e saneamento.

De acordo com Waldery, o ministério revisará sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano no início de novembro. Atualmente, a projeção oficial é de contração de 4,7% para a economia em 2020, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou recentemente ter uma expectativa de queda de 4%. As agências internacionais de risco, no entanto, têm previsto uma queda no PIB brasileiro, para esse ano, em torno dos 9%, muito distante portanto do otimismo governamental.

Regramento

Ainda segundo o secretário especial, o governo hoje dispõe de alternativas para melhorar a gestão da dívida. Ele cita a devolução de recursos pelo BNDES e o pagamento de dividendos pelos bancos públicos e de instrumentos híbridos de capital e dívida (IHCD).

No encontro promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), ele disse que o Tesouro usa as ferramentas disponíveis e que sua gestão de caixa é sustentável. Segundo Waldery Rodrigues, a transferência do resultado cambial do Banco Central, a exemplo do que já foi feito mais cedo neste ano, é outra possibilidade, desde que respeitado o regramento legal.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/secretario-guedes-exercicio-futurologia-destino-divida/

Rede Correio do Brasil

Mais Notícias