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Sede da Aman, Resende entra no noticiário policial nacional por conta da família Bolsonaro

24 de Setembro de 2020, 16:40 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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O vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) já responde a outro inquérito, dessa vez por supostamente empregar funcionários ‘fantasmas’ e estão relacionados no inquérito o filho e duas noras do coronel Guilherme dos Santos Hudson; além dele próprio, que nunca foi funcionário do edil.

Por Redação – de Resende – RJ

A atuação do clã Bolsonaro no Sul do Estado do Rio, em especial no município de Resende, sede da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), torna-se um novo braço no escândalo da ‘rachadinha’, prática criminosa realizada nos gabinetes dos filhos e do hoje presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), quando ocupava uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Conhecida por sua beleza natural, Resende, no Sul do Estado do Rio, passa agora à crônica policial a partir do escândalo da 'rachadinha', protagonizada pela família BolsonaroConhecida por sua beleza natural, Resende, no Sul do Estado do Rio, passa agora à crônica policial a partir do escândalo da ‘rachadinha’, protagonizada pela família Bolsonaro

Alvo de um inquérito sobre a receptação de parte dos salários de servidores públicos e apontado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ) como funcionário ‘fantasma’ do antigo gabinete do agora senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o coronel da reserva Guilherme dos Santos Hudson pagou em 2008, R$ 38 mil em dinheiro vivo por um terreno em Resende.

“Os vendedores foram o então deputado federal Jair Bolsonaro e Ana Cristina Siqueira Valle, sua segunda ex-mulher. Em valores corrigidos pelo IPCA, o montante corresponderia hoje a R$ 71 mil. O coronel é casado com Ana Maria Siqueira Hudson, tia de Ana Cristina”, revela uma reportagem do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo (Estadão), publicada nesta quinta-feira.

O imóvel, segundo o jornal, fora adquirido por Bolsonaro e Ana Cristina em novembro de 2003, pelo mesmo valor que o venderam após a separação, sem reajuste por valorização do terreno ou pela inflação de 28,76%, segundo o IPCA – o que equivaleria a pouco mais de R$ 10 mil.

‘Rachadinhas’

“A escritura da compra, obtida pelo Estadão, registra o pagamento em ‘moeda corrente do país, contada e achada certa’ – denominação usada quando a aquisição é feita em dinheiro, segundo advogada consultada pela reportagem. Resende, onde fica o imóvel, é a cidade em que vive a família de Ana Cristina”, acrescentou. Hudson e Bolsonaro serviram juntos na Aman, na década de 70.

O terreno está localizado no Limeira Tênis Clube, com piscina, spa, sauna, bar, salão de festas, campo de futebol e quadras de esportes. Dois terrenos com o mesmo tamanho – cerca de 560 metros quadrados – são vendidos atualmente, no mercado de imóveis, por R$ 430 a R$ 480 mil. “Procurados por meio de seus advogados, Hudson e a mulher não quiseram se manifestar. O presidente Bolsonaro informou, por meio da assessoria, que não vai se posicionar. Ana Valle não respondeu” aos pedidos da reportagem.

“Na investigação sobre as “rachadinhas” (apropriação de parte do salário dos servidores), o MP do Rio afirmou, em dezembro do ano passado, que o coronel da reserva sacou, em 2018, R$ 15 mil, valor equivalente a 74% dos valores recebidos durante os dois meses em que esteve lotado no gabinete de Flávio. Isso corrobora, segundo a Promotoria, a versão de que ele repassava os valores recebidos para seus chefes. Ana Maria, por sua vez, sacou R$ 430 mil, 43% dos rendimentos que teve como servidora do gabinete”, apurou o jornal.

Alerj

O vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) já responde a outro inquérito, dessa vez por supostamente empregar funcionários ‘fantasmas’ e estão relacionados no inquérito filho e duas noras do coronel; além dele próprio, que nunca foi funcionário do edil. “Em 30 de outubro do ano passado, com a apuração do MP já aberta, o oficial da reserva e seu filho Guilherme de Siqueira Hudson compareceram ao gabinete de Carlos na Câmara Municipal”, diz o Estadão. Uma semana depois, prestaram depoimento ao MPE-RJ, conforme revelou outro diário conservador, o carioca O Globo.

“No pedido de medidas cautelares apresentado à Justiça em dezembro do ano passado, na investigação sobre as “rachadinhas” de Flávio, o Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc) inseriu uma tabela com saques em espécie feitos pelos parentes de Ana Cristina quando estavam lotados na Alerj: 86% do que receberam, um total de R$ 4 milhões”, repercute o diário paulistano.

A separação foi litigiosa entre Bolsonaro e Ana Cristina, que permaneceram sob o mesmo teto entre 1997 e 2008. Em julho deste ano, a revista Época mostrou que, enquanto esteve junto, o casal adquiriu 14 imóveis, sendo cinco em dinheiro. Um deles é o que foi vendido para Hudson.

Nota oficial

“A prática de comprar apartamentos pagando em espécie não é crime, mas é apontada por órgãos de controle como suposto indício de lavagem de dinheiro. É isso que o MP do Rio investiga, entre outros supostos crimes”, ressalta a publicação.

“Todas as operações financeiras do senador Flávio Bolsonaro e de seus familiares estão dentro da lei. As informações sobre as compras e vendas de imóveis foram detalhadas junto ao Ministério Público e todos os esclarecimentos já foram dados”, afirmou o senador, em nota. 

Carlos Bolsonaro não respondeu. Na véspera, o Correio do Brasil publicou matéria sobre a compra de um um apartamento, por R$ 150 mil, na Tijuca – Zona Norte do Rio. Na época, o segundo filho de Bolsonaro tinha apenas 20 anos.


Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/sede-aman-resende-entra-noticiario-policial-nacional-conta-familia-bolsonaro/

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