Maia admitiu, a jornalistas, que poderá adiar o recesso parlamentar para que a Câmara vote, o quanto antes, a abertura da ação contra Michel Temer.
Por Redação – de Brasília
Presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) concorda com a avaliação de seu aliado, o presidente de facto, Michel Temer, de que a base governista conta, ainda, com cerca de 200 parlamentares. Suficiente, portanto, para barrar possível pedido do Supremo Tribunal Federal (STF), para que seja processado por crimes de obstrução da Justiça e formação de quadrilha, entre outros.

Rodrigo Maia (C) acredita que Michel Temer teria votos suficientes na Câmara para barrar denúncia do STF. Calheiros (D), não se pronunciou
Maia admitiu, a jornalistas, que poderá adiar o recesso parlamentar para que a Câmara vote, o quanto antes, a abertura da ação contra Michel Temer. A denúncia, que inclui ainda corrupção passiva deverá chegar ao ministro do STF Luiz Edson Fachin, na próxima semana, encaminhada pela Procuradoria Geral de Justiça (PGR).
Sem recesso
O Planalto trabalha, porém, com a possibilidade da ação parar por ao menos duas semanas no gabinete do ministro Fachin. Antes de encaminhar para o aval do Congresso, Fachin tende a ouvir, novamente, todas as partes no processo, para garantir o amplo direito de defesa dos acusados.
De acordo com a Constituição, antes de o Supremo julgar se abre ou não uma ação penal contra o presidente da República, a Câmara precisa autorizar a ação.
— Não dá para ficar carregando isso para o próximo semestre. Para o Brasil, é importante que o assunto termine logo. Não pode ficar 15 dias pendurado no recesso e parando o Brasil — disse Maia a jornalistas.
Analistas políticos ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil, no entanto, foram unânimes. Afirmaram que, se Maia e Temer acreditassem que haveria risco na votação, trabalhariam para adiar ao máximo a decisão a ser tomada no Plenário da Câmara.
Pinguela caída
Diferentemente de Maia e Temer, porém, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é mais precavido. Preferiu, em entrevista à agência brasileira de notícias Lupa, reafirmar os planos da legenda. Estes seriam aprovar as reformas trabalhista e previdenciária. Estas deveriam seguir adiante com ou sem o atual governo, diz o tucano.
Michel Temer, para FHC, seria uma “pinguela” – ponte estreita e instável – após o golpe de Estado, no ano passado. Agora, diz que “preferiria atravessar a pinguela, mas, se ela continuar quebrando, será melhor atravessar o rio a nado”.
Eleições diretas
FHC revelou posicionamento diferente, por exemplo, da Executiva Nacional do PSDB. Os tucanos optaram, na terça-feira, por manter o apoio a Temer. O ex-presidente não esteve presente à reunião.
— Se tudo continuar como está, com a desconstrução contínua da autoridade (de Temer), pior ainda se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo — acrescentou.
O ex-presidente, ainda segundo a agência, também fala da necessidade de “devolver a legitimação da ordem à soberania popular”. Mas preferiu não fixar datas. Sequer esclareceu se faz uma defesa aberta da convocação de eleições diretas.
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