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Trabalhadores sul-coreanos colocam sistema em xeque

23 de Outubro de 2021, 15:19 , por Correio do Brasil - | No one following this article yet.
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Em Seul, capital do país, 27 mil pessoas se reuniram para protestar na Gwanghwamun Plaza, local de concentração de muitas manifestações operárias, o que levou as autoridades locais a mobilizar um contingente de 12 mil policiais.

Por Redação, com Marcelo Bamonte – de Seul

Na Coreia do Sul, nesta sexta-feira, mais de 80 mil trabalhadores amanheceram em greve nas 13 maiores cidades do país, de acordo com a Confederação Coreana de Sindicatos (KCTU em inglês). Nas ruas, reivindicavam melhores condições de trabalho, com um teto mínimo salarial e segurança para os trabalhadores informais, o que coloca em xeque o neoliberalismo da metade capitalista coreana..

Round 6Trabalhadores sul-coreanos usaram o uniforme dos soldados que aparecem na série Round 6

Em Seul, capital do país, 27 mil pessoas se reuniram para protestar na Gwanghwamun Plaza, local de concentração de muitas manifestações operárias, o que levou as autoridades locais a mobilizar um contingente de 12 mil policiais para instalar “barreiras de ônibus” e cercas para controle de multidões. Além disso, alguns manifestantes apelaram para a ação direta e enfrentamento das forças policiais, que estava impedindo a livre movimentação dos atos de rua.

Na Coréia do Sul, os trabalhadores têm uma carga horária de 44,6 horas por semana em média, maior do que o número de horas de trabalho semanais médias (32,8) nos países membros da OCDE. Muitos deles saíram às ruas com roupas da série Round 6, que fez sucesso na Netflix. A produção, que estreou neste ano, coloca trabalhadores em condições de vida precária em uma disputa pela vida, os fazendo participar de jogos com diversas temáticas onde, quem perde, é assassinado, tendo sua vida convertida em dinheiro de premiação para o futuro ganhador dos desafios.

Central sindical

Segundo um dos trabalhadores, na série “você vê personagens lutando para sobreviver após serem dispensados do trabalho, lutando para operar lanchonetes de frango frito ou trabalhando como motoristas. Isso me lembrou de meus colegas de trabalho que morreram.”

Além disso, uma greve pontual com duração de um dia também aconteceu, reunindo 550 mil pessoas em todo o país. Cerca de 1.000 entregadores também desligaram seus aplicativos de telefone para aderir à greve. A KCTU, que é a maior central sindical do país com mais de 1,1 milhão de membros, foi fundamental na organização de protestos em massa por pelo menos 15 vezes, com um dos últimos sendo em junho de 2021, com reivindicações da classe trabalhadora do setor de saúde. Está anunciada também, para janeiro de 2022, uma greve ainda maior.

As autoridades do país, tentando frear a movimentação dos trabalhadores, apelaram aos sindicatos que considerassem a proliferação do Coronavírus, dizendo que greves em massa e grandes atos públicos ajudam a disseminar o vírus. O país tem, até agora, 2709 mortes pela doença, com um total de 348 mil casos para uma população de 51,78 milhões de habitantes.

Marcelo Bamonte é repórter militante da UJC e do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Fonte: https://www.correiodobrasil.com.br/trabalhadores-sul-coreanos-colocam-sistema-xeque/

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