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Comunicação

28 de Fevereiro de 2014, 13:43 , por Blogoosfero - | No one following this article yet.

A nova onda da "censura" no Brasil

18 de Junho de 2018, 8:08, por Desconhecido

Por Hildegard Angel, no Jornal do Brasil:

São tão edificantes os comentários dos âncoras dos telejornais, quando repercutem as falas de ministros do Supremo por uma imprensa livre, ou dos editorialistas importantes, quando condenam qualquer tipo de censura à imprensa.

No entanto, a verdade que reside por trás do “affair terço do Papa” é justamente a prática da Censura à imprensa, rotulando-se como falsa uma notícia, tendo como referência uma fonte única, o site Vatican News.

Isso levou o Facebook a punir e a ameaçar de eliminação três dos sites jornalísticos mais acessados da blogosfera: Diário do Centro do Mundo (DCM), Brasil 24/7 e a revista Fórum, do jornalista Renato Rovai, que pergunta: “Isso não é algo muito acima do papel que deveria ter uma empresa de checagem?”.

E qual seria o papel de uma empresa de checagem?

Policiar as redes sociais, justamente aquela zona da mídia onde é mais baixa a contaminação dos compromissos espúrios com o mercado?

Perseguir a imprensa virtual, aquela em que ainda bate a saudável brisa da independência do pensar?

A imprensa mais avessa às pressões da mídia hegemônica?

Criminalizar e banir os progressistas, que, quixotescamente, têm obtido sucesso, praticando um jornalismo sério, cuidadoso, liberto, sem os vínculos, que, sabemos, comprometem a atuação da grande mídia brasileira?

Quem propõe a questão é Rovai, para quem “o episódio do terço entregue a Lula na prisão de Curitiba pelo advogado Juan Grabois, um dos assessores do Papa Francisco, atesta a nossa tragédia como país, do ponto de vista do respeito aos princípios básicos que norteiam uma sociedade democrática”.

Se formos colocar uma lupa na atuação da Agência Lupa — “a primeira de fact-checking”, neste caso, teremos a sensação de um jogo de cartas marcadas.

É de se estranhar que apenas esses três sites, talvez os mais vistos e prestigiosos dos blogs progressistas, tenham sido punidos, quando dezenas de outros postaram a mesma notícia, alguns até com mais ênfase, bem como sites ligados à grande mídia, como IG e UOL, e para eles não houve retaliação do Facebook.

E por que rigor tamanho para checagem tão sem importância?

Tipo: o assessor do Papa é assessor ou não é mais? O terço foi enviado pelo Papa ou não foi?

Quando a questão da Censura se impõe, o perfil ideológico dos veículos deve ser deixado de lado e o debate principal posto na mesa.

Seja o veículo virtual ou impresso, de pequeno, médio ou imenso alcance, será que ele apoia esse tipo de Censura?

Tem legitimidade a Agência Lupa, financiada pela Editora Alvinegra, que publica a revista Piauí, de propriedade de João Moreira Salles, para definir/ decidir quem pode fazer imprensa neste país?

Em suma, e claramente, João Moreira Salles está qualificado para determinar quem pode exercer o jornalismo no Brasil?

Por fim: é pertinente um órgão de imprensa concorrente dos demais autoproclamar-se arauto da ética e da isenção, podendo decidir quem deve e quem não deve exercer a profissão?

Sendo, dessa forma, superior à academia, às entidades de classe e órgãos governamentais, que ratificam diplomas e expedem registros para o exercício profissional?

Voltando à história do Rosário, a Lupa poderia responder a essas perguntas da revista Forum:

1 – É razoável atribuir o possível erro na apuração de qualquer veículo à produção de fake news, se haviam indícios fortes de que isso poderia ser verdade?

2. Classificada esta informação como falsa, com base numa única fonte (site Vatican News), indicar que o Facebook puna e ameace de eliminação três sites jornalísticos não é algo muito acima do papel que deveria ter uma empresa de checagem?

3. Quando quase uma centena de veículos usaram a mesma fonte Lula. com para produzir a notícia (‘o Papa enviou o terço a Lula’) por que só três foram indicados para serem censurados pelo Facebook e ameaçados por ele?

4. É razoável que empresas de checagem que constituem parceria com o Facebook mantenham também parceria com veículos que disputam o mercado de notícias, como no caso da Lupa, que é da Revista Piauí?

5. Quais são os poderes que essas empresas têm na classificação de sites jornalísticos no Facebook? Se elas têm o poder de censurar conteúdos e ameaçar com a eliminação de páginas têm também o de classificar o alcance dessas páginas?

Bem, esta coluna confere todos os aplausos às empresas de fact-checking, que combatam e consigam coibir as verdadeiras fake news, não só na mídia virtual, como também na impressa, na TV, no rádio etc. (exemplo: as mentiras sobre a “Petrobrás quebrada”).

Aplausos ao combate às calúnias e manifestações indignas, que contribuem para a deterioração de nossa sociedade, da soberania do país, que atentem contra os direitos do homem.

Mas usar do pretexto de fake news para reprimir a liberdade da imprensa no Brasil ou para eliminar concorrentes, que, mesmo supondo-se não ter sido essa a intenção — supondo-se –, precisamos estar alertas e ativos para impedir mais esse retrocesso, entre tantos, a que nos últimos dois anos, o povo brasileiro tem assistido pasmo, incrédulo, entorpecido e sem reação.



Quem tem medo das fake news?

14 de Maio de 2018, 22:21, por Altamiro Borges
Por Reginaldo Moraes, no site Carta Maior:
 
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Alguns gigantes midiáticos parecem padecer de crônica falta de memória – ou de semancol, para utilizar o jargão popular. Especializados em criar realidades paralelas, dizem-se agora preocupados com o fenômeno das fake news. Afinal, as grandes empresas de mídia esmeram-se em produzir fake news – Globo, Folha, Veja, um reino de inventores de fatos, estampados em corpo gigante na capa e desmentidos na página 22 do segundo caderno. Quando acontece. Antigamente corria a piada de que os grandes jornais mentiam até nos horários de cinema. Compulsão. O uso do cachimbo entorta a boca.

Recordar é viver. Nos anos 70, um jornal paulistano, daqueles impressos com sangue, inventou uma estória de arrepiar. O bebê-diabo teria nascido em São Bernardo do Campo. Calma, leitor assombrado, não era esse que vocês estão pensando, aquele lá do ABC é outro, nasceu em outro lugar. O rebento, com chifres, rabo e coloração rubra, teria fugido da maternidade e fora visto saltando sobre os telhados. No mês seguinte, o jornal noticiava que havia chegado ao outro lado da metrópole, assombrando os habitantes de Osasco, no lado oeste da Grande São Paulo.

Nos anos 90, foi a vez do ET de Varginha. Aparentemente desabado naquela cidade mineira, vagara por vários cantos e fora finalmente capturado e abatido. O cadáver do alienígena teria sido mantido em sigilo. Até mesmo a Unicamp entrou na estória – circulava à boca pequena que o ET estava sendo periciado nos laboratórios de nossos especialistas. Como surgiu, desapareceu.

Talvez isso já fosse o que hoje se chama de fake news, não importa o rótulo. Mas eram coisas amadoras, nas dimensões do que eram os meios de comunicação de massas em que medravam. Bebê-diabo e ET de Varginha raramente chegavam à TV. Chegavam ao jornal popular e aos programas de rádio voltados para o público de baixa renda. Eram programas que novelizavam o crime e hipnotizavam ouvintes como antes faziam os dramas da Rádio Nacional ou as estórias de aventura de Jerônimo, herói do sertão.

A TV trouxe ao mundo um outro gênero de fake news e um novo alcance. Poderíamos lembrar numerosos casos, mas sem dúvida o mais espantoso e instrutivo foi a sinfonia televisiva que celebrou a escalada bushiana – a invasão do Afeganistão e, depois, do Iraque. Muito se escreveu sobre isso, lá como cá. Um ex-repórter muito competente da TV Globo foi um dos autores: Deus é inocente, a imprensa não, de Carlos Dorneles. Em pouco tempo, um presidente com baixos níveis de aprovação tirava proveito de um ataque terrorista até hoje pouco explicado e transformava completamente as relações de força. Com a sinfonia de vozes repetindo mantras de guerra, quase todos os políticos e formadores de opinião cerravam fileiras em torno de crenças nada superiores às do bebê-diabo: Sadam era sócio da Al-Qaeda, tinha armas de destruição em massa. O Afeganistão passava a coadjuvante. Sadam era a encarnação do demônio. Bebê-diabo da nova era.

A mídia militantemente “criativa” vinha de antes, é verdade. A famosa Fox News tinha sido criada por Rupert Murdoch na metade dos anos 1990. E se tornou a grande inventora de realidades paralelas. Mas, no caso do Iraque, de modo algum a Fox foi grito solitário. Pelo contrário, toda a grande imprensa “séria” e “equilibrada” se entregou ao delírio belicista e à difusão de informações sabidamente duvidosas (para dizer o mínimo). Durante alguns anos Bush conseguiu inventar uma realidade paranoica, suficiente para afundar o país numa guerra sem saída, enriquecer as empresas nela envolvidas e... deixar correr o barco que trombaria no iceberg da grande crise de 2008. Uma proeza viabilizada pelo fake geral.

No momento, temos um novo capítulo desse romance das fake news. Talvez mais saboroso e menos sangrento (por enquanto) do que aquele do Iraque. Trata-se da captura do sistema eleitoral americano pelos russos, os pérfidos bárbaros da estepe. A mídia norte-americana, quase inteiramente envolvida com a candidatura Hilary Clinton, depois de cair de suas nuvens embarcou em outra aventura igualmente delirante. Descobriu, de repente, que o sistema político norte-americano (e não apenas o eleitoral) é muito vulnerável à captura de interesses sorrateiros. Não, não eram os banqueiros de Wall Street, o complexo militar-industrial ou as sete irmãs do petróleo. Neste caso, como dissemos, vinham a cavalo os perigosos neo-vermelhos.

A farra começou a ficar engraçada porque logo alguns mais céticos lembraram o óbvio: a maior organização criminosa do planeta era especialista em fazer exatamente isso, manusear sistemas políticos e eleições em todo o planeta. Desde sua criação, depois da Segunda Guerra, a CIA criou divisões especializadas nesse delito – em operações abertas ou encobertas. A literatura sobre as suas desgraças é enorme. E fartamente documentada, sem fake news.

Uma das mais picantes cenas do debate recente ocorreu quando um antigo diretor da agência, Kent Harrington, publicou um artigo tentando explicar porque os norte-americanos eram tão vulneráveis a essas manobras de engana-trouxa.

O artigo - How Americans Became Vulnerable to Russian Disinformation – está disponível neste endereço: https://www.project-syndicate.org/commentary/russia-social-media-election-interference-by-kent-harrington-2017-11?utm_source=Project%20Syndicate%20Newsletter&utm_campaign=aae3889bb3-sunday_newsletter_18_2_2018&utm_medium=email&utm_term=0_73bad5b7d8-aae3889bb3-104315209

Harrington afirma que os serviços de inteligência de Putin escolheram bem seus meios de ataque. Facebook e Google concentram muito da informação das redes. E suas regras permitiam um assédio fácil e... barato. O problema, diz Harrington, está além das tecnicalidades daqueles que vivem falando em algoritmos inteligentes, transparência e compromisso com a verdade: essas tecnologias não foram desenhadas para diferenciar verdadeiro de falso ou coisa parecida. Eles estão preparados apenas para maximizar cliques, compartilhamentos e “curtições”. Nos últimos dias, aliás, o Guardian e o New York Times reportaram como assessores de Trump faziam diabruras com a ajuda de uma empresa especializada nisso – e o algoritmo é poderoso mas aparentemente muito simples.

Então, diz o moço da CIA, o problema está um pouco além: “um eleitorado pobremente educado, suscetível de manipulação”. E daí vêm as razões de tal devastação. Nesse desastre cumpre papel fundamental a concentração da mídia, o desaparecimento dos jornais locais, comprados por grandes corporações e a deterioração do que se chama de “jornalismo”. Os resultados? Diz ele:

“Considere a evidência: em 2005, uma pesquisa da Sociedade Americana de Advogados descobriu que 50% dos americanos não conseguem identificar corretamente os três poderes da república. O Annenberg Center for Public Policy fez a mesma pergunta em 2015 – a porcentagem de respostas como essas tinha subido para dois terços e uns 32% sequer conseguiam citar o nome de um dos ramos do governo”

A concentração da mídia veio casada com um irmão gêmeo: a busca empresarial pelo lucro máximo e rápido, de curto prazo. Harrington cita o depoimento de um manual do ramo: “Nosso cliente é o anunciante” diz o documento. “Leitores são os clientes de nossos clientes”, portanto, “nós operamos com uma equipe enxuta”.

Ao contrário do que dizem os comerciantes locais, não é exatamente com o leitor que o jornal tem rabo preso. Para bom entendedor...

Assim, o drama é muito maior do que o assalto de neo-bolcheviques perversos. Se Putin, lá de fora, conseguiu tal proeza – eleger o improvável Trump contra a glamurosa Hilary, o que não teria sido feito, ao longo do tempo, pelos gênios que povoam Wall Street, por exemplo? Basta ver como Robert Rubin forjou, com calma e engenho, o seu golpe de mestre, a educação de Obama, o melhor presidente negro que o dinheiro pode comprar. No primeiro ano de governo, salvou os bancos, deixou os endividados a ver navios e desandou a fazer shows. Enquanto isso, no plano interno, sua equipe econômica mantinha os sonhos de Wall Street e a dupla country Hillary e Kerry derrubava governos e financiava golpes. Mais até do que fizera o espalhafatoso Bush filho.

A tagarelice sobre as fake news pode até desviar os olhos de tantas notícias nada fake. E pode também reforçar o medo dos grandes monopólios de mídia com o fato de ver novos concorrentes na criação de boatos. Faz algum tempo, numa greve de jornalistas de São Paulo, um gaiato engenhoso pintou uma frase nos muros: “Não compre jornais, minta você mesmo”. Talvez a era do Facebook venha a transformar este sonho em realidade.

* Artigo publicado originalmente no Jornal da Unicamp.

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Admiramos e respeitamos quem tem inteligência acima da mídia!

6 de Abril de 2018, 15:52, por Blogoosfero

Inteligencia acima da midia



Direito à comunicação e à informação veraz? Não no capitalismo!

3 de Abril de 2018, 12:48, por Luíz Müller Blog

Zumbis digitais

 Uma coisa precisa ficar muito clara. No modo capitalista de produção não há espaço para o direito à comunicação das gentes. Desde que se consolidou, esse sistema busca, na comunicação massificada, apenas uma forma de manipular as informações e formar consciências mansas para a dominação e capazes de consumir as mercadorias desnecessárias…

Por Elaine Tavares

Uma coisa precisa ficar muito clara. No modo capitalista de produção não há espaço para o direito à comunicação das gentes. Desde que se consolidou, esse sistema busca, na comunicação massificada, apenas uma forma de manipular as informações e formar consciências mansas para a dominação e capazes de consumir as mercadorias desnecessárias que o sistema produz.  Lá nos albores do capitalismo o escritor francês Honoré de Balzac, no seu livro Ilusões Perdidas, descreveu muito bem o papel da imprensa, como um espaço de mentiras e de destruição, não apenas da informação em si, mas do próprio jornalista. Naqueles dias, era o jornal o veículo que cumpria a função de informar e, ainda que a alfabetização fosse coisa para poucos, as notícias se multiplicavam e tomavam as ruas. O que saía no jornal era tomado como verdade.

Quando o rádio nasceu no início do século 20, a potencialidade da comunicação aumentou. E, nos anos 30, quando esse veículo se massificou, até as universidades já começaram a atuar no sentido de produzir conhecimento sobre como influenciar pessoas através das ondas sonoras. A segunda grande guerra mostrou muito bem o poder do rádio e os nazistas foram mestres na manipulação das mentes. Os Estados Unidos, que emergiram como potência imperialista depois do conflito, foram os que mais investiram nisso e de lá surgiram os mais importantes pensadores da comunicação, com influência até hoje. Naqueles dias, a “teoria do projétil” definia que as informações entravam nas pessoas como se fossem uma bala, invadindo e se transformando na referência mais importante.

O experimento do radialista e cineasta Orson Welles, informando pelo rádio uma invasão alienígena, mostrou o poder do rádio. Acreditando ser verdade a narrativa de Welles, pessoas chegaram a se jogar dos edifícios, com medo de serem levadas pelos extraterrestres.  E era tudo uma encenação depois conhecida como “Guerra dos Mundos”. O rádio mostrava seu poder de convencimento e durante muito tempo esse veículo foi usado para influenciar pessoas, seja no campo do consumo ou da política.

Quando a televisão nasceu nos anos 50, o processo de manipulação ficava ainda mais forte. Não era mais apenas a voz que ocupava a cabeça das gentes, mas também a imagem. Como desconfiar do que se vê? A televisão, assim como o jornal e o rádio no seu tempo, passou a condensar a verdade.  E por ser ainda um veículo que não permitia a interação, seguia apostando na ideia do “projétil”, lançando informações pelo éter, visando invadir corações e mentes. Muitos foram os estudos sobre a televisão e seus efeitos nocivos sobre as gentes. Ludovico Silva, nos anos 80, na Venezuela, cunhava o termo de “mais-valia ideológica” para o poder de influência da televisão na vida dos telespectadores. De novo, mudava o meio da difusão da informação, mas não mudava a lógica: tal e qual o jornal e o rádio, a TV também estava a serviço do sistema vigente. Influenciar para a mansidão política e para o consumo.

Novas teorias da comunicação nasceram apontando para o fato de que as pessoas não são tábulas rasas e que a informação não é como um projétil, estourando a cabeça das gentes de maneira acrítica. Capazes de observar a realidade e com outras fontes de informação alternativas, as pessoas poderiam desenvolver um pensamento crítico e não se deixar manipular pelo que dizem os meios que estão a serviço da classe dominante. Por algum tempo, os jornais sindicais e outras propostas populares fizeram frente à dominação midiática, embora com peso pequeno. Mas, o poder de persuasão da televisão seguiu firme e ainda hoje é bastante grande. No Brasil, por exemplo, 97% dos lares possuem televisão e em algumas regiões esse é o único meio de comunicação que chega às gentes.

Agora, com o advento da internet e sua popularização estamos diante de uma nova forma de comunicação. A informação não tem mais apenas uma via. Ela pode ser interativa. É possível dialogar e reagir em tempo real.

No final dos anos 90, quando a www se consolidou a discussão que aparecia era sobre o potencial democrático da rede mundial de computadores. Todos os caminhos estavam abertos para uma integração mundial e para uma comunicação sem mediações. Liberdade suprema. Democracia informativa. Mas, como diria Garrincha, ao que parece, os otimistas da internet esqueceram de combinar com os russos. Não analisaram com eficácia a capacidade que o sistema capitalista tem de se apropriar dessas potencialidades e fazer com que se voltem contra as pessoas.

Assim, o que era para ser uma potencialidade real de democracia informacional tornou-se a mais totalitária ditadura. Com a criação das chamadas redes sociais, com destaque para o facebook, a interação comunicacional e a ligação global do mundo se fez fortíssima. Mas, ao contrário da democracia da informação, o que temos visto é um controle ainda maior sobre as pessoas.  Não bastasse isso, a empresa que controla a rede se apropria dos dados pessoais de seus usuários  – com consentimento – e os distribuiu às empresas, tornando a capacidade de influenciar e manipular ainda maior. Com todas as informações referentes aos gostos e desejos das pessoas livres e abertos na rede, os capitalistas produzem mercadorias “necessárias” e fazem girar ainda mais rápido a roda do capital.

Então, fazendo um retrospecto desde o tempo de Balzac até hoje, os meios de comunicação que existem estão sempre sendo usados para controlar e manipular. Ilusão e ingenuidade pensar que isso poderia ser diferente com a internet. Quem controla os satélites? Quem tem a posse dos servidores? Quem tem os cabos? Quem é responsável pela produção de conteúdo? Os que detêm o controle mandam. Eles definem tudo.

Até bem pouco tempo os adoradores da rede mundial de computadores afirmavam que a democracia informacional estava no fato de que, agora, qualquer pessoa poderia ser uma produtora de conteúdo. Isso é potencialmente verdade. Mas, o sistema capitalista de produção que controla materialmente a rede só permite que circule o conteúdo que lhe interessa. Basta acompanhar as mudanças que estão sendo feitas no famoso facebook. O processo de distribuição das informações produzidas pelas pessoas é manipulado por quem controla a rede de dados, sempre articulado com o poder do sistema vigente. Hoje, para uma informação chegar a toda sua rede, é necessário pagar por isso. A gratuidade da rede é uma falácia. Além disso, as grades empresas de comunicação são as que produzem a maioria dos conteúdos, e, se não, financiam experiências que funcionam como  parcerias integradas, têm outro nome, vem de outro lugar, mas são mais do mesmo. Basta verificar o aumento exponencial dos veículos disseminadores de notícias falsas. No geral são de grupos de interesses vinculados ao capital.

Também já se sabe que a maneira como o facebook foi construído leva ao vício. A pessoa fica vidrada na rotatividade da informação e vai buscando incessantemente mais uma, mais uma e mais uma, sem fixar o pensamento em nada. É quase como uma lavagem cerebral. A informação vai passando como uma dose a mais de droga, mas nunca é suficiente. Daí a maioria das gentes viver com a cara enterrada no celular. Importante salientar que a maioria das pessoas não tem acesso à banda larga, que é cara, ficando assim completamente prisioneira das redes sociais, sem poder sair de dentro dela. Então, consegue ver apenas aquilo que a rede quer que veja. A capacidade de interação real é mínima. Tanto que o facebook está limitando cada vez mais a postagem dos sítios que ficam fora da rede. Circula mais a informação produzida diretamente na postagem, e se a pessoa coloca um link para fora da rede, sua postagem chega a menos gente.

As análises e pesquisas sobre o processo de endireitização do mundo e o aumento dos preconceitos e dos ódios identitários dão conta de que há uma relação direta com os algoritmos definidos pela rede do facebook, ou do twitter ou outras similares.  A rede tem uma série de robôs atuando na disseminação de informações que interessam ao sistema. As experiências com inteligência  artificial estão acontecendo sem que a população saiba que é cobaia. O caso da falsa adolescente Tay, criada artificialmente pela Microsoft, veio a público e os meios logo trataram de informar que ela tinha sido desativada. Mas, quem pode acreditar no que diz um veículo do sistema? A garota robô insuflava ódio e ideias nazistas e em pouco tempo já tinha mais de 60 mil seguidores.  Isso não é ficção científica. São coisas que estão acontecendo agora mesmo. Outras Tays estão agindo.

Por isso causa-me espécie as declarações sobre democratização da rede. Isso não vai acontecer. Não enquanto o sistema capitalista for dominante no mundo. Foi assim com os jornais, o rádio e a televisão. Na sua expressão massiva sempre estiveram – e ainda estão – disseminando os interesses do sistema. A única maneira de mudar esse processo é a tomada dos meios pela maioria, pela classe trabalhadora. E a tomada dos meios significa a destruição do capitalismo como modo de produção e organização da vida. Enquanto a ciência e os meios materiais de suporte dos meios estiverem sob o controle da classe dominante que conforma apenas 1% da população, não haverá mudança. A comunicação seguirá sendo espaço de manipulação e orientação política.

Isso significa que não devemos resistir? Não, claro que não. A resistência é necessária e precisa ser praticada cotidianamente. Os meios materiais que temos são ínfimos e limitados, mas há que seguir lutando. Ocorre que só a resistência é insuficiente. Há que adentrar no universo desse mundo tecnológico, conhecer em profundidade e também atacar.  Se é a classe trabalhadora, em última instância, a que produz tudo o que há no capitalismo, é ela, de fato, que detém o poder. Há que tomar consciência disso e atacar. Atacar e atacar. Ou isso, ou seguiremos choramingando nas mesmas redes que nos oprimem e controlam. O que é patético!  Por isso, insisto. Mesmo – e por causa de – nesse mundo dominado pelos celulares e pelo éter internético, temos de retomar o trabalho de base, o cara-a-cara, o face-a-face, a interação humana.

A força da gente não está na rede virtual, que é viciante e paralisante. A força da gente está na vida mesma, na luta real para mudar o modo de organizar o mundo.

Elaine Tavares é jornalista.

Fonte: Direito à comunicação e à informação veraz? Não no capitalismo — Desacato

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Correio do Brasil: Chegamos à maioridade e seguimos em frente

1 de Janeiro de 2018, 0:00, por Jornal Correio do Brasil

Parece que foi ontem. Há 18 anos, aos 40, perguntei-me o que fazer por meu país, dali adiante. Fundei o Correio do Brasil.

 

Por Gilberto de Souza – do Rio de Janeiro

 

Foi necessário, à época, tanta coragem quanto agora para seguir em frente com um diário vespertino, independente e avesso aos cultos à personalidade que dominam a mídia brasileira. Apesar das indicações e convites ao longo destas quase duas décadas, o CdB jamais aceitou quaisquer espécies de prêmios de Jornalismo ou comendas equivalentes, vindos daqueles que têm como principal objetivo apenas a degradação e a pilhagem da terra onde nasci. Onde nasceram minha filha, meu neto.

O Correio do Brasil completa sua maioridade agora, em 2018

O Correio do Brasil completa sua maioridade agora, em 2018

Somos avessos à hipocrisia. Dispensamos o reconhecimento de um sistema corrompido por interesses inconfessáveis e o denunciamos, a cada oportunidade. Para isso, é preciso coragem e determinação; valores que sempre ditaram a trajetória do Correio do Brasil. A única crítica, o único aplauso que respeitamos é o dos nossos leitores; os assinantes que garantem, por uma módica quantia mensal, a existência de uma bandeira hasteada contra a iniquidade.

Cerco total

No Brasil, vigora um cerco perverso à mídia independente. Um conjunto de leis e normas servem de base a um cartel midiático; formado por oito, nove poderosas famílias que detêm o controle acionário de cerca de 80% dos meios de comunicação, no país. Eles temem, no entanto, a diversidade e a independência de veículos capazes de seguir adiante, com o único compromisso de informar – de maneira objetiva e mais isenta possível – sobre a realidade brasileira.

Ao Correio do Brasil, este cerco pode ser comparado a outros em curso, no mundo, a exemplo do que os Estados Unidos fazem com a ilha de Cuba. Na História, encontra paralelo na batalha por Leningrado. Sabemos, portanto, que apenas a determinação e o heroísmo dos nossos repórteres, redatores, colunistas, correspondentes e editores, a exemplo dos homens e mulheres que resistem ao jugo dos impérios, garantem-nos mais uma edição, sempre ao final da tarde. Um passo adiante, na conquista de um novo dia.

Parece pouco, se comparado aos jornais conservadores, mas trata-se de uma tarefa heróica chegar à edição de número 6.550. Tem sido uma jornada épica conduzir até aqui – e adiante – a linha do tempo de um país assolado por golpes de Estado, crises econômicas, sequestros de direitos, de pessoas, de sonhos. O que nos move é essa incessante busca pela verdade e a pureza dos fatos, assim como eles são; sem meias-palavras ou maquiagens tão comuns na mídia nacional. Esta, conheço de perto.

Imprensa nativa

O compromisso inalienável de levar a realidade aos nossos leitores, o que consideramos nada além da obrigação de todos aqui no jornal, é outro ponto que distingue o CdB na imprensa brasileira. Ao longo destas quase duas décadas, abominamos as ‘fake news’ que, traduzidas em bom português, querem dizer ‘notícias mentirosas’; sejam aquelas que beneficiam a esquerda, ou a direita. Aqui, o leitor sabe que pode confiar no que está escrito.

Trabalhei nas principais redações dos diários brasileiros. Fundei o Correio do Brasil exatamente por conhecer a realidade da imprensa nativa e no que ela se transformou, para atender às demandas do ‘mercado’; este ente fantasmagórico que esmaga nações inteiras, apenas para o deleite daquele 1% de seres humanos que, juntos, detêm a riqueza e a dignidade dos 99% restantes. Ao longo destes 18 anos e em outros 18 mais, enquanto respirar, nunca o CdB sairá em defesa do opressor; mas sempre cerrará fileiras com os oprimidos, os injustiçados. Ao lado daqueles que não têm voz, ou vez, neste deserto desumano em que querem transformar o Brasil.

Ora, dirá a concorrência, esta não é uma editora, uma empresa, mas um sacerdócio; uma organização sem fins lucrativos. É neste ponto que, neste 18º ano de existência, provamos ser possível levar adiante a construção de um diário de notícias que vive do prestígio e da confiança de seu público. Não é qualquer anúncio, por exemplo, que aceitamos veicular nas páginas de nossas edições, impressa e digital. Fazer Jornalismo custa caro, mas esse preço jamais será maior do que a nossa consciência.

Sigamos adiante, então, por mais um ano. Agora, na maioridade.

Gilberto de Souza é jornalista e editor-chefe do Correio do Brasil.

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