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Política

25 de Fevereiro de 2014, 16:14 , por Blogoosfero - | No one following this article yet.
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Bolsonaro escancara tutela das Forças Armadas mas não fala do ‘golden shower’

8 de Março de 2019, 8:13, por Desconhecido

Sem falar sobre a divulgação de vídeo pornográfico, Bolsonaro diz que pretende cumprir sua missão como presidente.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

Ao enfrentar a pior crise em seu recém-instalado governo, o presidente Jair Bolsonaro aprofundou, nesta quinta-feira, o fosso que o separa até de seus mais empedernidos eleitores. Nesta manhã, durante cerimônia para comemorar o aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais, no Centro do Rio, o radical de extrema direita ressaltou que a democracia e a liberdade dependem apenas do desejo das Forças Armadas, e não dos eleitores, como manda a Constituição do país.

Bolsonaro discursou para o público militar e não explicou a razão porque divulgou vídeo pornográficoBolsonaro discursou para o público militar e não explicou a razão porque divulgou vídeo pornográfico

Em seu discurso, Bolsonaro diz que pretende cumprir sua missão como presidente “ao lado das pessoas de bem do nosso Brasil; daqueles que amam a pátria, daqueles que respeitam a família; daqueles que querem aproximação com países que têm ideologia semelhante à nossa, daqueles que amam a democracia e a liberdade. E isso, democracia e liberdade só existe quando a sua respectiva Força Armada assim o quer”.

‘Golden shower’

Acompanhado de dois ministros militares, o general Fernando e Silva (Defesa) e general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Bolsonaro não disse porque publicou um vídeo pornográfico, nas redes sociais. O primeiro escalão tem ao todo oito ministro de origem militar e o desconforto nas Forças Armadas aumentou, desde a publicação do episódio em que, para completar, Bolsonaro pergunta “o que é a prática sexual “golden shower”.

Em seu discurso, Bolsonaro também disse que os militares serão atingidos pela reforma da Previdência. Mas fez a ressalva de que serão respeitadas as especificidades de cada Força. Não deu detalhes sobre a mudança nas aposentadorias dos militares, dizendo apenas que ela vai exigir sacrifícios e, ao final do evento, evitou a imprensa.

— O que eu quero dos senhores é sacrifício também, entraremos sim numa nova Previdência que atingirá os militares, mas não deixaremos de lado e não esqueceremos as especificidades de cada Força — disse ele.

O governo já encaminhou ao Congresso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência, e prometeu enviar o projeto de lei referente aos militares até o dia 20 de março.
Parlamentares, no entanto, mostraram resistência em fazer avançar a tramitação da reforma geral enquanto não for enviado pelo governo o projeto que envolve as Forças Armadas.

Muita luta

O evento com militares no Rio foi a primeira agenda oficial de Bolsonaro após a polêmica causada durante o Carnaval por um vídeo controverso publicado pelo presidente no Twitter para criticar as festividades.

— O que eu quero é colocar o Brasil em lugar de destaque que merece no mundo — acrescentou, após ser ridicularizado nos maiores jornais do mundo, por divulgar pornografia.

A reação foi imediata. Políticos da oposição reagiram fortemente ao seu discurso. A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), respondeu a ele dizendo que “a democracia foi conquistada pela luta do povo brasileiro” e que haverá “muita luta para defendê-la, apesar de vc e seus aliados”. O ex-presidenciável Fernando Haddad também ironizou Bolsonaro. E o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP), escreveu que ele cometeu “crime de responsabilidade”.

Responsabilidade

De acordo com a dirigente do PT, Bolsonaro “não tem limites na agressividade!”. “A Democracia foi conquistada pela sociedade brasileira. Não é objeto de tutela ou permissão. Terá muita luta pra defendê-la, apesar de vc e seus aliados”, disse a parlamentar no Twitter.

Haddad também criticou a declaração. “Num longo discurso de quatro minutos, Bolsonaro diz a militares que democracia só existe se as Forças Armadas quiserem. Infelizmente, o presidente não atendeu a imprensa para explicar o raciocínio”, disse na mesma rede social.

Valente também repudiou o discurso de Bolsonaro.

“Ele ataca a Constituição que diz ‘Todo poder emana do povo’. Mais uma vez comete crime de responsabilidade e atenta contra a dignidade do cargo. Pior, constrange os militares a assumirem o autoritarismo”, afirmou o congressista no Twitter.



Inferno astral do presidente esquenta com nova denúncia de fraude eleitoral

8 de Março de 2019, 8:13, por Desconhecido

Zuleide Oliveira foi a primeira candidata a denunciar, nominalmente, o hoje ministro no esquema de desvio de dinheiro público por meio de candidaturas fraudulentas do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

 

Por Redação – de Brasília

 

O esquema fraudulento de candidaturas no PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, é mais um detalhe na crise que se alastra no governo de ultradireita, recém-instalado. Filiada à legenda, Zuleide Oliveira configurou uma denúncia ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas Gerais, nesta quinta-feira. Ela afirmou que foi chamada, pessoalmente, por Marcelo Álvaro Antônio (hoje ministro do Turismo) para ser candidata-laranja nas eleições de 2018. Seu compromisso seria o de devolver ao partido parte do dinheiro público recebido do fundo eleitoral.

Antônio responde a mais de 20 processos na Justiça. A maioria deles, na esfera CívelAntônio responde a mais de 20 processos na Justiça. A maioria deles, na esfera Cível

Zuleide Oliveira foi a primeira candidata a denunciar, nominalmente, o hoje ministro no esquema de desvio de dinheiro público por meio de candidaturas fraudulentas do PSL. Segundo Oliveira, ela se encontrou com Álvaro Antônio em seu escritório parlamentar, em Belo Horizonte, em 11 de setembro, na companhia do marido e de outra testemunha.

Fraude

A candidata afirma não saber se algum dinheiro foi depositado porque o controle das contas bancárias ficou, segundo ela, com os dirigentes do partido.

— Eu não entendia de nada, eles que fizeram tudo (para registrar a candidatura). Eu não tirei uma certidão minha, eles tiraram por lá. Apenas enviei meu documento e eles fizeram tudo. Acredito, sim, que fui mais uma candidata-laranja, porque assinei toda a documentação que era necessária e não tive conhecimento de nada que eu estava fazendo. Fui usada, a minha candidatura foi usada para fazer parte de uma lavagem de dinheiro do partido — denunciou Zuleide.

Verba

Ainda segundo a candidata, neste encontro, foi levada por Álvaro Antônio a assinar requerimento de solicitação da verba, endereçado ao então presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno. Antônio tenta, agora, que o processo seja levado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

— Ele (ministro) disse pra mim assim: ‘Então a gente vai fazer o seguinte: você assina a documentação, que essa documentação é pra vir o fundo partidário pra você. (…) Para o repasse ser feito, você tem que assinar essa documentação. E eu repasso a você R$ 60 mil, e você tem que repassar pra gente R$ 45 mil. Você vai ficar com R$ 15 mil para sua campanha. E o material é tudo por nossa conta, é R$ 80 mil em materiais — concluiu.



Bolsonaro aparece nas redes sociais, no carnaval, para criticar os artistas brasileiros

5 de Março de 2019, 23:14, por Desconhecido

“Esse tipo de ‘artista’ não mais se locupletará da Lei Rouanet”. O presidente da República referiu-se a Caetano e Daniela, dois dos mais relevantes artistas do país como “dois ‘famosos”.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

Após alguns dias afastado das redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro voltou à ativa, justo na Terça-feira de Carnaval. Mas seu objetivo não foi o de elogiar a festa e, sim, criticar os artistas brasileiros, as artes e a cultura nacional. Na mensagem, o radical de extrema-direita atacou, violentamente, os compositores Caetano Veloso e Daniela Mercury. Ele afirma que eles sequer são artistas e acusou-os, falsamente, de viver às custas da Lei Rouanet:

Na charge de Maringoni, a versão do novo fascismo brasileiroNa charge de Maringoni, a versão do novo fascismo brasileiro

“Esse tipo de ‘artista’ não mais se locupletará da Lei Rouanet”. O presidente da República referiu-se a Caetano e Daniela, dois dos mais relevantes artistas do país como “dois ‘famosos”. É uma retaliação ao videoclipe “Proibido o Carnaval” lançado no início de fevereiro.

No seu tweet, Bolsonaro divulga a gravação de um artista cujo nome é omitido com uma marchinha de ataque aos dois artistas e que começa com o cantor anunciando: “Essa marchinha vai para o nosso querido Caetano Veloso e nossa querida Daniela Mercury… chupa!”. O refrão da marchinha é o ataque mentiroso aos dois: “Ê ê ê ê ê, tem gente ficando doida sem a tal Lei Rouanet”.

O ataque de Bolsonaro foi uma retaliação ao videoclipe, “Proibido o Carnaval”, que a dupla baiana lançou, no início de fevereiro. Numa música que mistura ritmos e cores carnavalescas, o vídeo retrata uma festa repleta de convidados e dançarinos de ambos os sexos. O ritmo é frenético, alegre e o vídeo é sensual. Daniela e Caetano beijam-se, assim como vários dançarinas e dançarinos de todos os sexos, com beijos entre todos.

Rosa ou azul?

O vídeo termina com uma homenagem a Jean Wyllys, que desistiu de seu mandato e exilou-se depois de mais de um ano de ameaças de morte por parte dos seguidores de Bolsonaro:

“Dedico este videoclipe ao meu amigo amado e incansável guerreiro Jean Wyllys. Estamos te esperando de volta: o Carnaval não está proibido! Axé!!!”, disse Daniela.

A letra de “Proibido o Carnaval” faz uma crítica bem humorada a todo ideário bolsonarista quanto aos direitos civis e à moral social, com uma referência direta à declaração da ministra Damares Alves (da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) para quem meninos deve vestir azul e as meninas, rosa. Cantaram Daniela e Caetano: “Vai de rosa ou vai de azul?”.

Conheça a letra de “Proibido o Carnaval”:

“Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Tô no meio da rua, tô louca
Tô no meio da rua sem roupa
Tô no meio da rua com água na boca
Vestida de rebeldia, provocando a fantasia
Tô no meio da rua, tô louca (hum)
Tô no meio da rua sem roupa (ah é)
Tô no meio da rua com água na boca
Vestida de fantasia, provocando a rebeldia
Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Só tem asinha
Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Minha alma só tem asinha
A mulherada comandando a batucada
O trio elétrico cantava, libertando a multidão
Frevo fervando no Galo da Madrugada
Pernambuco não parava de fazer revolução

Filhos de Gandhi, o afoxé na resistência
O Caboclo era soldado no Brasil da Independência
No crocodilo, Stonewall, estou aqui
No carnaval beijando free
Salvador é a nova Grécia
Quilombola, Tupinambá
O corpo é meu, ninguém toca
Vatapá, caruru
Iemanjá lá no sul
Vai de rosa ou vai de azul?
Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar
Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Tô no meio da rua, tô louca (tá louca?)
Tô no meio da rua sem roupa (uau)
Tô no meio da rua com água na boca
Vestida de rebeldia, provocando a fantasia
Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Minha alma só tem asinha
Minha alma não tem tampinha
Minha alma não tem roupinha
Minha alma não tem caixinha
Minha alma só tem asinha
A liberdade, a Caetanave, a Tropicália
O povo de Maracangalha sai dançando o meu axé
O samba ensina, o samba vence a violência
O samba é a escola de quem ama esse país como ele é
Eu falei: Faraó, e ninguém respondeu
Quem come aqui sou eu, Romeu
Libera a libido
Forró em Caruaru, é?
Vai de rosa ou vai de azul?
Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar
Abra a porta desse armário
Que não tem censura pra me segurar
Abra a porta desse armário
Que alegria cura, venha me beijar
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical
Está proibido o Carnaval
Nesse país tropical

Axé, axé, axé, axé, axé (proibido? Tá proibido proibir)
Axé (axé), axé (axé), axé, axé, axé, axé!

Ficou safada”.


Centro-esquerda brasileira comparece em peso à refundação do Ibep

12 de Fevereiro de 2019, 13:20, por Desconhecido

Em seu discurso de abertura, o senador Roberto Saturnino Braga chegou a se emocionar, diante do quadro de dificuldades porque passam os movimentos progressistas.

 

Por Gilberto de Souza – do Rio de Janeiro

Um encontro com mais de 150 pessoas identificadas com a centro-esquerda brasileira, na noite de terça-feira, em um auditório no bairro carioca de Botafogo, Zona Sul do Rio, reuniu no mesmo espaço o ex-candidato à Presidência da República Guilherme Boulos (PSOL) e a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB); além de representantes do PT e do PDT, entre as demais legendas progressistas. Foi o momento preciso para que o ex-senador Roberto Saturnino Braga e o ex-ministro de Ciências e Tecnologia Roberto Amaral lançassem o desafio de retomar o Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep) e, com ele, a prerrogativa de reordenar o pensamento político nacional.

Guilherme Boulos (PSOL) discursa após a fala do ex-ministro Amaral (E), antecedido por Saturnino BragaGuilherme Boulos (PSOL) discursa após a fala do ex-ministro Amaral (E), antecedido por Saturnino Braga

A instituição, uma iniciativa deflagrada em 2013, na iniciativa do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, do jornalista Mauro Santayana e de intelectuais como Samuel Pinheiro Guimarães, Ceci Juruá, Gizlene Nader, Saturnino Braga, Eny Moreira, Pedro Celestino, Renato Guimarães, Otávio Velho e Carlos Lessa, entre tantos outros, encaminhou-se ao ostracismo, ao longo dos anos. Segundo o jornalista Roberto Amaral, que retoma agora a tarefa de repensar os rumos dos movimentos progressistas, no país, o país vive um momento singular. E perigoso.

Pensamento nacional

Em seu discurso de abertura, o também ex-prefeito do Rio Saturnino Braga chegou a se emocionar, diante do quadro de dificuldades porque passam os movimentos progressistas, após as forças da extrema direita conquistarem o governo e, ainda mais grave, parcela significativa do pensamento nacional.

— Estamos aqui recriando um instituto que teve uma vida muito fértil e diante dessa perspectiva exigente estamos mais uma vez mobilizados e mobilizando os companheiros diante desse vendaval a que todos nós fomos submetidos. Quando criança, no colégio, aprendi que o Brasil não tinha terremoto, maremoto e, de repente, estamos nós submetidos a um terremoto político, a um vendaval que, confesso, eu não esperava — afirmou.

Frente ampla

Saturnino Braga atribui a vitória do presidente Jair Bolsonaro a uma trama internacional, com apoio dos setores mais retrógrados do capitalismo norte-americano, engendrada “há muito tempo”.

— É claro que existem os Moros, todos esses artífices brasileiros, que são títeres. Vergonhosamente, títeres. E sem-vergonhamente títeres, porque toda essa movimentação vem do fato de o Brasil ter assumido uma posição efetiva, real, de país sério, respeitado, de potência da paz e não podia, evidentemente, continuar nesse percurso. Tinha que ser submetido a uma lição. Essa é a verdade — afirmou.

Com linhas mestras definidas para o resgate da soberania do país e do retorno “ao chão de fábrica”, afirmou Amaral, o novo Ibep propõe um novo entendimento sobre a comunicação popular, uma vez superados os erros do passado recente e renovados os ânimos para que o país possa retomar o rumo, interrompido por um regime neofascista.

— A grande lição que o Ibep pretende, que não está ao seu alcance realizar mas, simplesmente, propor, é a construção de uma grande frente nacional em defesa do país. Essa frente compreende os partidos de esquerda, que devem ser o seu núcleo. Mas ela não pode restringir, não pode ser uma frente de esquerda. Precisa ser uma frente ampla e democrática, na qual devam caber todos aqueles que se opõem ao regime que aí está — conclui.

Gilberto de Souza é editor-chefe do Correio do Brasil.



Reflexão necessária em tempos de barragens rompidas

9 de Fevereiro de 2019, 21:03, por Desconhecido

A onda de destruição que se abate sobre o país, com a força do rompimento de uma barragem de rejeitos do pensamento mais tosco e rasteiro de que se tem notícia, em décadas de exercício democrático, haverá de encontrar o remanso do pensamento lógico.

 

Por Gilberto de Souza – do Rio de Janeiro

Para compreender o resultado das últimas eleições, torna-se necessário seguir até razão inicial para a maioria dos brasileiros determinar, de vontade própria, no voto, o fim da Petrobras, dos direitos trabalhistas, dos incentivos à Educação; a desmoralização do SUS, o desmonte dos movimentos sociais, dos sindicatos, de uma estrutura social pela qual heróis morreram para construí-la.

Desde a Grécia Antiga, o pensamento humano segue adiante para garantir a sobrevivência da raça humanaDesde a Grécia Antiga, o pensamento humano segue adiante para garantir a sobrevivência da raça humana

Ao longo de toda a História brasileira – da Humanidade, para se chegar ao início de tudo –, foi transmitida de geração em geração a mensagem que não existe almoço grátis e, no final das contas, é cada um por si e um determinado Deus acima de todos. No máximo, apesar das defecções, muitos seres humanos contam apenas com os círculos mais próximos da família para sobreviver, em um mundo eternamente caótico; no qual vale tudo para angariar o máximo possível de coisas que tenham valor monetário e possam ser vendidos para matar a fome, vestir-se no frio e garantir um teto sobre a cabeça; com todos os matizes de sofisticação permitidos pela vaidade, o egoísmo e a capacidade humana para inventar tais dispositivos.

Solidariedade, cidadania, sentimento de classe, companheirismo e parcerias para vencer obstáculos comuns; disseminação ampla e gratuita do Saber, bem estar social e o cumprimento das responsabilidades com o meio ambiente, com o próximo; estes são valores antagônicos ao entendimento, por exemplo, de que a floresta e os índios atrapalham a mineração. Ou de que o curso da faculdade serve para formar mão de obra destinada às empresas, no lugar de abrir uma janela para o Conhecimento e elevar a condição humana. Trata-se de visões diametralmente antagônicas.

Fascismo

A evolução – ainda que muitos dos eleitores do novo regime prefiram acreditar em Adão e Eva na origem da raça humana, comendo goiaba, digo, maçã, em uma Terra plana – tem demonstrado, ao longo de todos esses milênios de existência, que o caminho mais racional é o da comunhão entre as diversas formas humanas, sem importar a cor da pele ou dos olhos; o formato do rosto ou no que e em quem cada criatura prefere acreditar. A busca natural sempre foi pela a sobrevivência da espécie acima do indivíduo, por mais que insistam em fulanizar a História.

Na eterna busca por um equilíbrio cósmico, no entanto, avança no momento a horda daqueles que precificam valores intangíveis. Parecem prosperar sem nenhuma resistência dos homens e mulheres que sempre lutaram por uma sociedade mais justa, equânime e igualitária.

A onda de destruição que se abate sobre o país, com a força do rompimento de uma barragem de rejeitos do pensamento mais tosco e rasteiro de que se tem notícia, em décadas de exercício democrático, haverá de encontrar o remanso do pensamento lógico e regressar, submissa à força do desenvolvimento evolucionário humano, às profundezas onde habitam ainda o racismo, a homofobia, o ódio pelos professores e toda a estupidez fascista que, de tempos em tempos, insiste em ameaçar este planeta.

Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.



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