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Política

25 de Fevereiro de 2014, 16:14 , por Blogoosfero - | No one following this article yet.
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Defesa de Lula poderá gravar todo interrogatório, queira Moro ou não

9 de Maio de 2017, 14:17, por Jornal Correio do Brasil

Novo Código do Processo Civil garante à defesa do ex-presidente Lula o registro em áudio e imagens do depoimento ao juízo, no Paraná

 

Por Redação – de Brasília e Curitiba

 

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apelou na noite passada contra a decisão do juiz Sérgio Moro de proibir a gravação do depoimento ao juízo, se quiser, poderá registrar o interrogatório. Com ou sem a concordância do magistrado que coordena a Operação Lava Jato.

O juiz federal Sérgio Moro aceitou nesta segunda-feira mais uma denúncia da força-tarefa da Operacão Lava Jato contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O juiz federal Sérgio Moro comandará o interrogatório ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

A Frente Brasil de Juristas pela Democracia (FBJD), em nota divulgada na manhã desta terça-feira, cita o quinto e o sexto parágrafos do Artigo 367 do Código do Processo Civil para amparar tal decisão:

“Novo Código do Processo Civil, Art. 367, § 5º A audiência poderá ser integralmente gravada em imagem e em áudio, em meio digital ou analógico, desde que assegure o rápido acesso das partes e dos órgãos julgadores, observada a legislação específica. § 6º A gravação a que se refere o § 5º também pode ser realizada diretamente por qualquer das partes, independentemente de autorização judicial”.

Leia, adiante, a nota da FBJD:

A Frente Brasil de Juristas pela Democracia (FBJD) intransigente na defesa do Estado Democrático de Direito e reiterando preocupação com o resguardo do “justo processo” para todos e, em especial, para o ex Presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato, vem a público ALERTAR sobre a necessidade de que a gravação do depoimento remarcado para o dia 10/05 seja ampla de modo a proteger a defesa e não frustrar o propósito legal de dar a conhecer a totalidade da dinâmica da audiência, formada por acusação, defesa e juízo. 

A forma pela qual as gravações têm sido feitas, centrando o registro apenas na imagem fixa e nas respostas do depoente, somando-se aos vazamentos seletivos, fere o sentido da prerrogativa legal do registro fidedigno e pode dar azo a alegações de cerceamento de defesa.

O registro audiovisual dos atos processuais de forma ampla, irrestrita, capaz de transmitir o momento da audiência na sua totalidade, é garantia para ampla defesa e contraditório, com o fim de evitar que as audiências sejam instrumento de abuso contra o próprio acusado em posição vulnerável, maculando o rito processual e o sentido de justiça.

Exceção

Na noite passada, horas depois de negar o pedido da defesa de gravar de forma independente o interrogatório de Lula, o juiz Sergio Moro permitiu que os advogados do ex-presidente gravassem o áudio do depoimento do ex-presidente da UTC Ricardo Pessoa. O executivo foi ouvido durante a tarde como testemunha de acusação do Ministério Público Federal (MPF) em um dos processos contra Lula na Justiça Federal de Curitiba. Desta feita, envolvendo a compra de um terreno para a construção de uma nova sede do Instituto Lula.

No início do depoimento, um dos advogados de Lula pede para gravar o depoimento.

— Vossa Excelência disse que a audiência está sendo gravada em áudio, então a defesa do ex-presidente Lula, com base no artigo 367, parágrafo sexto do Código de Processo Civil, gostaria de fazer o registro da audiência, comunicar a Vossa Excelência que com base na autorização legal, gostaria de fazer o registro da audiência — disse.

— O áudio? — pergunta Moro.

— Quando for em áudio apenas, em áudio. Se for em áudio e vídeo, é o que diz a lei, que assegura não só à parte, como é uma prerrogativa do advogado fazer esse registro. A própria OAB do Paraná encaminhou à Vossa Excelência uma manifestação nesse sentido — responde o advogado.

— Certo. Aqui tem uma lei especial que é a 12.850, que protege a imagem daqueles que fizeram colaboração. E ela é especial em relação a essa disposição. Então em relação aos depoimentos de pessoas que fizeram colaboração ou leniência fica indeferido qualquer registro de imagem — rebate Moro.

— Eu disse quando houver registro de imagem. Aí a defesa também gostaria de fazer o registro de imagem — comentou o advogado.

Moro interrompe

Ele foi foi interrompido por Moro:

— Quando houver o interesse da defesa de filmar, faça o requerimento concreto. Eu não decido em abstrato, certo?

— Por ora eu estou, por lealdade, comunicando o registro em áudio — rebateu o advogado.

— Certo, registro em áudio não tem problema — concordou Moro.

A decisão difere, pelo menos em parte, da proferida naquela manhã. Moro negou à defesa de Lula a possibilidade de gravar o interrogatório. O processo envolve o tríplex no Guarujá.

Moro alega que negou o pedido por ver risco de que o material seja usado com fins político-partidários. A entrada de telefones celulares na sala de audiência foi igualmente proibida para evitar gravações clandestinas.

A defesa de Lula recorreu da decisão do magistrado.

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A greve parou o Brasil! E o monstro midiático da mentira mostrou as garras – de novo!

28 de Abril de 2017, 20:15, por Escrevinhador - 0sem comentários ainda

20170428 greve geral sp ricardo stuckert Greve não é comício! Objetivo de greve não é encher as ruas, mas esvaziar locais de trabalho, e barrar a produção. As cenas de um Brasil quase vazio, em plena sexta-feira, indicavam a vitória total da maior greve dos últimos 30 anos.

por Rodrigo Vianna

Logo pela manhã, cruzei a região de Pinheiros e Perdizes, na zona oeste de São Paulo, e tive o primeiro impacto: a cidade estava vazia, parecia manhã de domingo. Com um agravante: não vi sequer um ônibus circulando num trajeto de cerca de oito quilômetros.

Pelas redes sociais, saltavam imagens idênticas Brasil afora: ruas vazias, terminais de ônibus desertos. Esse era o mundo real. Mas do rádio do carro brotava a voz do collorido comentarista Claudio Humberto, que apresentava outra realidade: “o país segue vida normal”, dizia o ex porta-voz de Collor, hoje travestido de jornalista temerário. A imagem acima mostra a estação Sé do Metrô em São Paulo: vida normal?

Da tela das tevês, também brotava o divórcio com a realidade. Relatos de colegas jornalistas eram de que as chefias, nas redações, tinham uma cartilha definida: proibido usar a expressão greve geral; obrigatório mostrar imagens de pequenos grupos de manifestantes nas ruas vazias (pra dar a ideia de “manifestação de poucos”); valorizar cenas de confrontos/brigas, acrescidas da informação de que a greve foi organizada “pelos sindicatos” (ia ser organizada por quem? pelo Silvio Santos?); e destacar sempre o drama dos trabalhadores “prejudicados” pela greve.

O dia 28 de abril deixou claro que se pratica no Brasil um jornalismo de guerra. E o alvo não é apenas a esquerda partidária, não é apenas Lula, mas todo tipo de manifestação coletiva que ouse desafiar o projeto de desmonte dos direitos sociais sob comando de Temer/PSDB. Mais triste: o alvo é a verdade; mente-se descaradamente.

A mídia tradicional, azeitada por anúncios federais, tentou construir a narrativa de uma greve de poucos. E antes que algum incauto embarque nesse discurso, explique-se: greve não é comício! Objetivo de greve não é encher as ruas, mas esvaziar locais de trabalho, e barrar a produção. É a luta mais básica no capitalismo: quem produz recusa-se a produzir.

Por isso, a insistência de certos canais de TV em mostrar ruas vazias era além de tudo obtusa. As cenas do vazio, em plena sexta-feira, indicavam a vitória, e não o fracasso da greve.

Às 14 horas, fui ao centro de São Paulo. Metrô Anhangabaú fechado, viaduto do Chá vazio. Calçadão da Barão de Itapetininga às moscas. De cada 10 lojas, uma estava aberta.

Ruas desertas, escolas trancadas, fábricas fechadas, ônibus e metrôs sem circulação. Não há dúvida de que a greve foi um sucesso. O que me interessa discutir não é isso, mas o fato de que o dia 28 de abril coloca a disputa em outro patamar. Trabalhadores perceberam que estão diante de um ataque sem precedentes, que não é ao PT, aos sindicatos, mas a todo aquele que não é patrão. E a turma do golpe mostrou que partiu pra guerra total.

De um lado, a PM com seus carros de combate, que parecem aqueles usados pelos israelenses para massacrar palestinos, aprofunda a violência – em parceria com um sistema judicial que mais e mais será utilizado para criminalizar quem se manifesta. De outro, nas telas a mídia aprofunda a violência simbólica, ajudando a sustentar essa narrativa.

O sistema golpista – baseado num componente policialesco, que vende a imagem do combate à corrupção, mas tem como objetivo eliminar direitos sociais e trabalhistas – não se sustenta sem uma imprensa mentirosa e, literalmente, vendida.

Não se trata mais de jornais e canais de televisão terem posição anti-trabalhista e deixarem isso claro nas coberturas. Mas se trata de falsear a realidade. Jornalismo de guerra.

Não há volta. A mídia, sob comando da Globo, transformou-se em elemento central do campo golpista. Não se reverterá esse quadro se houver qualquer ilusão de que a mídia em algum momento cumprirá papel diferente. Esqueça.

Sobre isso, gostaria de dividir ainda duas reflexões.

Primeiro: até 2013, quando o país crescia e o lulismo era forte, havia brechas em setores da imprensa convencional para estabelecer algum contraditório. Isso desapareceu. Agora, há uma ordem unida sem espaço para qualquer contraditório nas redações.

Segundo: setores da esquerda superestimam o instrumento das redes e da internet. De fato, sem blogs e redes, nossa vida seria pior. Aqui, ao menos, temos alguma voz (na imprensa convencional, temos perto de zero). Mas o fato é que mesmo na internet não falamos sozinhos, longe disso; há pelo menos 3 bolhas em disputa, e que pouco se comunicam: a da esquerda, com algumas nuances; a da direita antipetista, que se divide entre a liberal e a abertamente fascista; e a turma nem lá nem cá.

Para alguns analistas, esse é o desenho dos novos tempos! Toda a estratégia deveria ser: como conversar com as outras bolhas; e, principalmente, como ganhar adeptos entre a turma que fica no meio do caminho (nem lá nem cá)…

Tenho visão diferente. O desenho acima descreve apenas parte do que se passa na batalha de comunicação brasileira.

No Brasil atual, convivem dois tipos de comunicação: o mundo das redes, horizontal, com muitas vozes, e em disputa permanente; e o mundo da comunicação convencional (corporações de mídia, sob liderança da Globo), absolutamente vertical, controlado, com um discurso cada vez mais unificado.

O mundo das redes/horizontal e o mundo da comunicação corporativa/vertical se interpenetram. A mídia convencional mantem o poder não só de formar o discurso da bolha de direita, mas a capacidade de influenciar de forma quase irreversível a turma do meio do caminho.

Num dia como esse histórico 28 de abril, nós aqui vamos resistir e mostrar que a narrativa de uma greve de poucos é mentira grosseira. Certamente, o campo que se informa a partir dessa área terá argumentos e informação para sustentar essa narrativa.

Mas do outro lado há a mídia convencional, com um bombardeio absolutamente unificado. E poderoso. Contra ela, não podemos quase nada. Quem teria força para enfrentá-la seriam governantes, no poder. Durante 13 anos, governos Lula e Dilma fizeram o oposto: em vez de desconstruir o discurso dessa mídia, ajudaram a dar legitimidade a ela.

Milhões de brasileiros seguem acreditando que o que passa no noticiário televisivo/radiofônico vem de um lugar neutro, longe da sujeira da “politica”. Essa legitimidade a Globo e suas sócias menores seguem a carregar.

Só nas épocas de campanha eleitoral, com o horário gratuito, parecemos ter alguma força para enfrentar esse discurso unificado que transforma manifestação em “baderna”, que esconde a greve gigantesca, que mente e manipula.

Acontece que, até 2018, teremos uma imensa travessia. Só chegaremos lá se conseguirmos a tarefa gigantesca de enfrentar esse monstro midiático. E hoje, na cobertura mentirosa sobre a greve, o monstro mostrou que não está para brincadeira

Não nos iludamos: a partir de amanha, 30% do país saberão (pela internet ou pela vivência nas ruas) que a greve foi gigante. Outros 30% seguirão a dizer que foi algo de petistas baderneiros.

E o terço final? Sob influencia da mídia verticalizada, permanecerá no meio do caminho, desconfiado, perdido, sob um bombardeio propositalmente confuso? Pressionará parlamentares contra as reformas? Ou sera dominado pelo discurso de que a greve não foi tão grande e que as reformas são necessárias? A simples dúvida é o que basta para que Temer, mesmo impopular, siga no trabalho de desmonte de direitos. A narrativa de que a greve “não fez assim tanto estrago nas bases” será repetido pela mídia a soldo do Palácio, para ganhar votos decisivos nas chamadas reformas.

Portanto, a batalha do dia 28 prossegue. É preciso manter fogo alto e conquistar corações e mentes, mostrando o divórcio entre mídia e realidade. Nas Diretas, em 84, a Globo perdeu ao apostar no divórcio. Mas em 89, com Collor, a Globo ganhou ao praticar terrorismo eleitoral.

Hoje, o monstro midiático está mais forte do que há cinco anos, pois que mais unificado, e menos aberto para contraditório e dissidência. Essa é a força dele, mas é também sua fraqueza. Quanto mais se divorciar da realidade, maior a chance de que o monstro possa ser abatido e derrotado junto com o governo Temer.

Mas será uma tarefa gigantesca travar esse combate, ao mesmo tempo em que a principal liderança do campo popular se encontra sob ataque e sob ameaça de prisão e interdição.

Trata-se da mesma luta, dividia em duas: resistir ao desmonte social, e garantir que o campo popular tenha candidato em eleições razoavelmente livres.

Nessa luta, o adversário principal a ser batido é o mesmo: o monstro midiático da mentira.

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Este escândalo da carne no Brasil é consequência de uma ação tomada pelo Governo Golpista há 7 meses

19 de Março de 2017, 10:51, por COMUNICA TUDO

Este escândalo da carne no Brasil foi consequência de uma ação tomada pelo Governo Federal há 7 meses. Quando o MAPA resolveu ‘desburocratizar’ o agronegócio através do PlanoAgro+.

O PlanoAgro+ foi lançado no dia 24 de agosto de 2016 e contou com uma cobertura receptiva da imprensa brasileira, que bancou a versão de que se tratava apenas de uma “desburocratização do agronegócio” e que seria benéfica para todos, inclusive para o consumidor final. 

A sexta-feira (17) começou com uma notícia bombástica que foi capa em todos os portais de notícia e pauta nos telejornais também. A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Carne Fraca, a maior operação já realizada pela PF no Brasil.

Mais de 1.100 policiais foram às ruas para cumprir centenas de mandados de prisão e de condução coercitiva em seis estados e também no Distrito Federal. A Operação Carne Fraca é resultado de uma investigação de dois anos onde foi constatada a formação de quadrilha para venda de carnes de forma ilegal para abastecer o mercado nacional e internacional..

O esquema de venda de certificados sanitários e lavagem de dinheiro envolvia fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e grandes executivos das maiores empresas pecuárias do país.

Logo pela manhã, executivos da JBS foram presos. Além da famosa marca Friboi, a JBS tem também a Seara, outra marca presente em todos os municípios do país. A operação cumpre mandados também contra funcionários de alto escalão da BRF, que controla as marcas Sadia e Perdigão.

Os fiscais do MAPA recebiam propina das grandes empresas para liberar mercadorias sem qualquer tipo de fiscalização. Carne moída com papelão misturado e carnes vencidas são apenas algumas das acusações contra as empresas.

No entanto, esse escândalo da carne no Brasil foi consequência de uma ação tomada pelo Governo Federal há 7 meses. Quando o MAPA resolveu ‘desburocratizar’ o agronegócio através do PlanoAgro+.

O PlanoAgro+ foi lançado no dia 24 de agosto contou com uma cobertura receptiva da imprensa brasileira, que bancou a versão de que se tratava apenas de uma “desburocratização do agronegócio” e que seria benéfica para todos, inclusive para o consumidor final. Porém boa parte das medidas não diziam respeito a pagamento de impostos. E sim à saúde. Entre as 69 medidas imediatas estava a redução da fiscalização sanitária. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, justificou as medidas dizendo que é o mercado que deveria de punir as empresas:

– Estamos retirando a fiscalização de áreas em que não havia mais necessidade. Temos de desonerar o setor. O Estado brasileiro não tem mais condições de ficar contratando centenas de técnicos para essas posições burocráticas. Temos de confiar mais nas empresas que fazem. Quem vai penalizar as empresas, uma vez erradas, pegas numa infração, é o sistema de fiscalização, mas (é) principalmente o mercado (que) tem de punir aquele que faz as coisas erradas.

No entanto, em cima deste escândalo há importantes discussões que estão passando ao largo.

O agronegócio. Sua implacável indústria de tortura, morte e seus danos ao meio ambiente.

A ganância do agronegócio não vê limites para manter seus negócios na ativa. Estatísticas revelam dados igualmente alarmantes ao escândalo dos frigoríficos:

Mais de 60 bilhões de animais são mortos a cada ano em matadouros no mundo (isso sem contabilizar o abate doméstico, o abate clandestino e o de animais marinhos). (FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations); ‘Livestock’s Long Shadow’; 2006; )

Mais de 6 bilhões de animais são mortos em matadouros no Brasil a cada ano. (IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística); ‘Produção Animal no 3º Trimestre de 2011′; )

Mais da metade da água potável do mundo é destinada à pecuária (produção de carne, leite, ovos, lã, couro, etc.). Enquanto isso, uma em cada cinco pessoas residentes em países em desenvolvimento —cerca de 1,1 bilhão de pessoas— não tem acesso a água potável. (FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations); ‘Livestock’s Long Shadow’;2006;

- UNDP – United Nations Development Programme; ‘El Agua, Un Derecho en un Mundo Desigual’; 2007; )

 
Cerca da metade da produção mundial de grãos é destinada à pecuária. A média de grãos destinados ao gado nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico –que conta com países como Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Itália, etc- é de 70% da produção. (Fórum Eco-Gaia; ‘Produção de Alimentos, Degradação Ambiental e Fome’; 15/08/2006;
- Stockholm International Water Institute (SIWI); ‘Saving Water: From Field to Fork’; 2008; )
 
- Cerca de 80% da produção mundial de soja, 70% da produção mundial de milho e 70% da produção mundial de aveia são destinadas ao consumo animal. (The Guardian; ‘Ignore the Anti-soya Scaremongers’; 01/07/2010;
- Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária); ‘Cultivo do Milho’; 09/2011;
- Embrapa Trigo – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária; ‘A Aveia no Mundo’; 08/2012; )
 
Cerca de 70% da soja produzida no Brasil (incluindo a parte exportada) e 80% do milho cultivado no Brasil (incluindo o que é exportado) tem como destino servir de ração animal. Além disso, grande parcela de outros alimentos altamente nutritivos também são usados para alimentar o gado, como a aveia, o arroz e o trigo. (Aprosoja; ‘Os Usos da Soja’;
- Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária); ‘Cultivo do Milho’; 09/2011; )
 
- Mais de 80% do desmatamento da Amazônia brasileira deve-se à pecuária, ou seja, áreas desmatadas ocupadas por pastos para o gado. A área ocupada para plantio na Amazônia é de apenas 4%. (IMAZON – Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia; ‘A Pecuária e o Desmatamento na Amazônia em Relação às Mudanças Climáticas.’; 2008;
- Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) / EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária); ‘Levantamento de Informações de Uso e Cobertura da Terra na Amazônia’; 09/2011; http://www.inpe.br/cra/projetos_pesquisas/sumario_executivo_terraclass_2008.pdf>)
 
- Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em 2011, a população de gado bovino no Brasil é de 209,5 milhões de animais. Enquanto isso, o censo demográfico brasileiro de 2011 calcula 190,7 milhões de pessoas. (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); ‘Produção da Pecuária Municipal 2010: Rebanho Bovino Nacional Cresce 2,1% e Chega a 209,5 Milhões de Cabeças’; 26/10/2011;
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); ‘Censo Demográfico 2010′; 2011; )
 
Cada boi mantido em pasto necessita de 1 a 14 alqueires de terra (cada alqueire equivale à 48.400 m2). (‘Caminhos do Boi – Pecuária Bovina no Brasil’; Cândida V. Gancho e Vera V. de Toledo; Editora Moderna; 10ª edição; 1997.)

20 vegetarianos podem ser alimentados com a quantidade de terra necessária para alimentar uma única pessoa consumindo uma dieta à base de carne. (‘The World Food Crisis’; 1h13min.; Tony Gil; 2009.)
 
No Brasil a área total ocupada pelas pastagens de gado ultrapassa a 200 milhões de hectares. Esta área é equivalente a 7 países europeus: Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Suíça e Itália, ou a de 30 países de áreas menores, incluindo Portugal, Inglaterra, Dinamarca e Holanda. Somente a área ocupada pelo gado bovino na Amazônia corresponde à soma de seis estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
- Globo Rural; Rede Globo; 14/08/2011
- Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); ‘Pastagens Produtivas: Lucro Para o Produtor e Para o Meio Ambiente’; s/d; .
- G1; ‘Integração Entre Lavoura e Pecuária Recupera Áreas e Reduz Custos’; 14/08/2011; .
- Instituto Humanitas Unisinos (IHU); ‘Desmatamento é Consequência. Pecuária Bovina é Causa’; 18/10/2009; .
 
Um boi bebe em média 70 litros de água em um só dia, podendo beber até 100 litros; uma vaca leiteira, bebe em média 110 litros e uma vaca leiteira em lactação bebe até 140 litros ao dia. (Agronline; ‘Água na Alimentação Animal’; 07/12/2005; )
 
Apenas a quantidade de comida consumida pelo gado mundial atualmente alimentaria mais de 9 bilhões de pessoas. Sabendo-se que a população humana mundial é de 7 bilhões de pessoas, a quantidade de alimentos destinados ao gado hoje seria suficiente para alimentar toda a população humana do globo e ainda haveria sobra de alimento. Poderíamos nutrir hoje uma população só prevista para 2050. (‘Dicionário Ilustrado de Ecologia’; Editora Azul; n/d; 176 p.)
 
Para que um boi seja abatido ou para que uma vaca passe a produzir um copo de leite é necessário alimentá-los por 2 a até 4 anos. (‘Programa de Saúde’; Carlos R. Vilela, Luiz Antonio L. de Novais e Vera Lúcia D. de Novais; Editora Atual; 1991.)
 
Os recursos usados para alimentar 2,5 bilhões de pessoas com produtos animais poderiam alimentar 20 bilhões de pessoas com uma alimentação vegetariana. Portanto, com uma alimentação vegetariana, alimentaríamos 3 vezes a população atual do planeta e ainda haveria sobra de alimentos. (Época; ‘Paul Roberts – “Em 2050, seremos todos vegetarianos”‘; 12/06/2008; )
Enquanto a produção de 1 kg de trigo exige 132 litros de água e a produção de 1 kg de arroz consome 2.500 litros de água, para a produção de 1 kg de carne são gastos em média 17.000 litros de água –Alguns cálculos ultrapassam este número.
- Planeta Sustentável; “Você sabe quanto vale a água que consome?”; 18/03/2011;
- Revista do Instituto Humanitas Unisinos; ‘O Impacto Ambiental do Consumo de Carne’; 05/11/2007;
 
Ao menos 51% (há cálculos que apontam mais) da produção de gases do efeito-estufa ocorrem devido à pecuária -maior que a produzida pelos automóveis, que é de 11%.
- Worldwatch Institute; ‘Livestock and Climate Change’; 2009;
- Folha Online; ‘Carnes e Laticínios Causam 51% do Gás-estufa Global, Diz Estudo’; 18/12/2009;
 
A produção animal é a principal causa de poluição de rios e lagos. Os dejetos suínos, por exemplo, tem um potencial poluidor 250 vezes maior que o esgoto doméstico. (Natural Rural; ‘Administração de Dejetos em uma Granja de Suínos’; n/d;)
 
Uma única vaca produz em média 25 kg de dejetos por dia. Portanto, 20 vacas produzem em apenas um único dia 500 kg de dejetos. Os dejetos que uma única vaca produz em um dia equivalem aos dejetos produzidos por até 200 pessoas. Grande parte desses excrementos é despejada em rios, junto com litros de urina e sangue dos animais. (Globo Rural; Rede Globo; 25/10/2009)
 
- 100% dos incêndios na floresta amazônica são intencionais e destinados à abrir pasto para o gado. (Profissão Repórter; Rede Globo; 16/09/2008.)
 
A fim de abrir pasto para os rebanhos criados, muitas espécies nativas foram extintas. Na América do Norte, por exemplo, o bisão quase foi extinto para dar lugar a rebanhos de gado domesticado trazido da Europa. E para evitar que os rebanhos criados sejam atacados por predadores, fazendeiros contratam caçadores profissionais para exterminar animais carnívoros nativos. Dessa forma, muitas espécies foram extintas e outras estão hoje à beira da extinção, como a onça-pintada, a onça-parda, o lobo, o coiote, o puma, etc.
- Super Interessante; ‘Deveríamos Parar de Comer Carne?’; Editora Abril; 04/2002.
- Globo Repórter; Rede Globo; 25/06/2010.
- Rota Brasil Oeste; ‘Especialistas Querem Evitar a Morte de Onças por Proprietários Rurais no Nordeste’; 31/10/2002;
- Pantanal News; ‘Ataques de Onças-pintadas São Casos Isolados’; 06/08/2008;
 
Segundo dados oficiais do Ministério da Agricultura, até 40% do abate no Brasil é feito em frigoríficos ilegais. Há estudos que calculam 50%.
- Fator Brasil; ‘Exportação de Carne Rende Mais de US$ 500 Milhões em Setembro’; 03/10/2008;
- ‘Abates clandestinos de bovinos: uma análise das características do ambiente institucional’; Ferenc Istvan Bánkuti e Paulo Furquim de Azevedo; Pensa Centro de Conhecimento em Agronegócios / FIA Fundação Instituto de Administração; 10/2011;
 
- 80% do trabalho escravo no Brasil encontra-se na pecuária.
- Estadão; ‘Brasil tem 25 mil trabalhadores escravos, diz relatório’; 20/09/2006;
- OIT – Organização Internacional do Trabalho; ‘Sumário Relatório Global 2005 – Uma Aliança Global Contra o Trabalho Forçado’;
- Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC); ‘Plano Nacional para Erradicar a Escravidão Tem 66 Metas’; 26/01/2009;
Caso o leitor tenha ficado surpreso com esses números, eu também fiquei.
Por isso que em 2015, após ter contato com algumas estatísticas e documentários sobre o agronegócio, decidi optar pela alimentação vegetariana.
E em 2016, virei vegano.
Fiz uma conexão rápida porque tive contato na adolescência com bandas de punk e hardcore veganas. Entendi que o veganismo é algo muito além de uma mera dieta saudável ou modismo. É um boicote contra um grande ciclo de sofrimento, morte, tortura, escravidão, estupros e violência.
Antes de rotular, aviso, eu tinha os mesmos preconceitos que alguns leitores podem manifestar sobre o veganismo.
A mudança de opinião e a adesão ao movimento se deu a partir de leitura e troca de ideia com veganos.
Percebi que abdicar de carne, derivados de leite, ovos, produtos de origem animal e testados em animais não é difícil. O mais difícil é lidar com uma ação continuada em nossa criação que não faz perceber o que há por trás dos produtos de origem animal. O sofrimento é simplesmente normalizado. E os danos aos meio ambiente são ignorados.
 
A Parte Mais Difícil De Ser Vegano
As indústrias da carne, leite, ovos, peixes, frutos do mar, couro, peles, materiais de limpeza, produtos de higiene pessoal e fármacos escondem a face vil do ser humano. A tortura contra outros seres sencientes e a destruição do meio ambiente..
O veganismo me fez entender que não sou apenas ‘eu’ e que é necessário pensar no coletivo. E que esse coletivo é muito maior do que os humanos. São as pessoas, os animais e a natureza.
Se trata da diferença entre escravidão e liberdade, entre tortura e paz e entre morte e vida.
Existem muitas fontes para se informar sobre o tema, sites, revistas, canais no YouTube, outros veganos, enfim, há informação.
Cada um tem seu tempo para estabelecer uma conexão ampla e romper com o ciclo do abuso animal. Outras pessoas podem não fazer essa conexão, mas é importante ter consciência do que permeia a indústria que utiliza animais para fazer fortuna.
O escândalo das carnes é apenas mais um, já teve o escândalo do leite adulterado e se a PF investigar, outros poderão vir a tona. Quando há um explorado, há a ganância do explorador que não medirá esforços para aumentar seus lucros.
No entanto, para muito além do papelão o verdadeiro escândalo além de existir carne e leite "adulterados" é matar 1 boi, 1 porco e 185 frangos por SEGUNDO no Brasil.
Pra quem quiser se informar sobre o veganismo, convido a fazer pelo menos uma refeição vegana para experimentar essa culinária. E segue uma lista de documentários sobre o tema:

1. FORKS OVER KNIVES ( TROQUE A FACA PELO GARFO)

 
Forks Over Knives é um documentário maravilhoso e tem veganizado muitas pessoas pelo mundo. Você sabia que uma dieta baseada em vegetais pode prevenir e até reverter doenças cardíacas, alguns tipos de câncer e diabetes tipo 2? A proteína animal é um dos maiores agentes cancerígenos. Assistir para aprender a chocante verdade! ( Clique aqui para assistir o trailer.)
 

2. COWSPIRACY (A CONSPIRAÇÃO DA VACA)

 
Cowspiracy é de longe o documentário favorito de muitos veganos. Ele faz assumirmos a responsabilidade por nossas próprias ações. A cada dia vem inspirando as pessoas viverem uma vida mais sustentável e a valorizar a vida de outras espécies que também vivem nesse planeta. Esperamos que o documentário tenha o mesmo efeito em você. ( Disponível na Netflix, clique aqui e assista o trailer.
 

3. ESPECIESISM (ESPECISMO)

 
Este filme ilustra os como seres humanos se sentem superiores a qualquer outra espécie no mundo. Usando essa superioridade para justificar a matança de milhares de milhões de animais a cada ano. Mas será que somnos realmente mais importante do que nossos companheiros terráqueos? E se assim for, isso justifica o nosso comportamento em relação a eles? ( Clique aqui e assista o trailer.)

4. BLACKFISH

 
Blackfish é um documentário comovente sobre as centenas de baleias assassinas que vivem em cativeiro. Ele se concentra em uma orca particular chamada Tilikum, capturado por Sea World em 1983. Demonstrando quais são as consequências e perigos de manter estes belos animais fora do seu habitat natural. ( Clique aqui e assista o trailer.)

5. SIMPLE RAW (SIMPLISMENTE CRU)

 
Este documentário é absolutamente interessante! Você tem Diabetes Tipo 2? Este documentário vai mudar a sua vida! 6 pessoas participaram do teste para reverter a diabete em apenas 30 dias. Deixando de fora qualquer tipo de medicamento. Simplesmente por comer uma dieta de frutas e vegetais crus. (Clique aqui para assistir!)

6. EARTHLINGS (TERRÁQUEOS)

 
Terráqueos mostra que mais de 150 bilhões de animais são abatidos todos os anos. Apenas para o nosso prazer. É hora de abrir os olhos. Temos de enfrentar a verdade feia e começar a viver uma vida mais compassiva. (Clique aqui para assistir!)

7. VEGUCATED

 
No Vegucated 3 pessoas de NYC comprometem-se a uma dieta vegan por seis semanas. O documentário mostra a desconexão entre a compra de produtos de origem animal e criação de animais para alimentação e ilustra os desafios e benefícios da mudança para o modo de vida vegan. (Clique aqui para assistir o trailer.)

8. THE COVE. (A BAIA DA VERGONHA)

 
Cerca de 32.000 golfinhos e botos são mortos no Japão a cada ano. mostra como algumas pessoas corajosas buscaram descobrir um dos assassinatos em massa mais cruéis e criminais que acontecem em Taiji, no Japão todos os anos. Sendo um documentário extremamente importante para a causa animal! (Clique aqui para assistir! )

9. GOT THE FACTS ON MILK ? (VOCÊ SABE TUDO SOBRE O LEITE?)

 
Você acha que beber leite é bom para você? Pense de novo. E assista a este documentário. Beber leite vem com uma tonelada de riscos para a saúde. Mas a indústria de laticínios gasta bilhões de dólares a cada ano para fazer você acreditar no contrário. ( Clique aqui para assistir o trailer! )

10. THE GHOSTS IN OUR MACHINE (OS FANTASMAS EM NOSSA MÁQUINA)

 
Ativista dos direitos dos animais e fotógrafo Jo-Ann McArthur parte o coração de qualquer um em uma jornada com a vida dos animais explorados e abusados. Este documentário foi dentro das fábricas de exploração, operações de peles e instalações de pesquisa. Os olhos dos animais em suas fotos dizem o suficiente. Veja por si mesmo. ( Clique aqui para assistir o trailer. )

11. THE ENGINE 2 KITCHEN RESCUE

 
Este bombeiro forte e saudável chamado Rip Esselstyn vem para mostrar-lhe como você pode implementar todo o estilo de vida baseado alimentos vegetais na vida cotidiana. Neste documentário, ele ajuda 2 famílias, em particular, indo para a cozinha e ensinando-lhes as noções básicas da alimentação vegana. ( Clique aqui para assistir o trailer.)

12. LIVE AND LET LIVE (VIVA E DEIXE VIVER)

 
Live And Let Live é um documentário que examina e explica a ética e a nossa relação com os animais, razões ambientais e de saúde, motivando a todos a seguirem o veganismo. ( Disponível na Netflix, clique aqui para assistir o trailer.)
 

13. A CARNE É FRACA

 
E finalmente uma produção brasileira.A carne é fraca é um documentário sobre a indústria da carne brasileira e demonstrar seus impactos com a natureza, os animais e a nossa saúde.Clique aqui para assistir.)

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Diego Pignones
Publicitário, pesquisador em Comunicação Social e artista marginal
Twitter: @diegopignones

 


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Artigo original do Comunica Tudo por M.A.D.


8 de março: o Dia da MULHER nasceu Vermelho

8 de Março de 2017, 9:48, por Bertoni - 0sem comentários ainda

CapamulheresCapa da Edição publicada em 2006 por TIE-Brasil e NPC

Por NPC

A versão das 129 mulheres queimadas vivas em Nova Iorque em meados do século 19 tem sido amplamente divulgada como a origem do 8 de março. No entanto, é importante lembrar que, apesar de muitas greves de mulheres ocorridas nos Estados Unidos, a data foi fixada a partir de um episódio ocorrido na Rússia em 1917, considerado o estopim da Revolução. Logo, o 8 de março tem uma origem socialista.

Vamos entender o contexto. O início do século 20 foi marcado por inúmeras lutas das mulheres no mundo, principalmente pelo voto feminino. Quem viu o filme Sufragistas acompanhou um pouco da mobilização das mulheres inglesas por esse direito. A questão era tão importante naquele tempo que, em 1907, houve a 1ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, com a presença de importantes intelectuais marxistas como Alexandra Kollontai, Clara Zetkin e Rosa Luxemburgo. Lá, elas já defendiam que todos os partidos socialistas do mundo deviam lutar pelo voto feminino. Greves passam a ocorrer no mundo todo, inclusive nos Estados Unidos. Em agosto de 1910, a 2ª Conferência Internacional da Mulher Socialista delibera que as socialistas deverão organizar, em seus países, um dia de lutas específico, mas a data não é definida. Assim, cada país escolheu o seu dia: Suécia e França optaram pelo 1º de Maio; EUA pelo 26 de fevereiro; Alemanha pelo 19 de março, e assim foi. Neste mesmo ano, em uma greve em Nova Iorque houve um incêndio, no qual morreram 146 pessoas queimadas, a maioria mulheres. Esse é provavelmente o mito da origem do 8 de março.

Foi em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário russo) que estourou uma greve das tecelãs de São Petersburgo. Essa greve gera uma grande manifestação e é considerada o estopim da Revolução Russa, que explodiria naquele ano. No ano seguinte, Alexandra Kollontai lidera as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher e consagra o 8 de março como essa data, em lembrança à greve do ano anterior. A partir de 1922, o Dia Internacional das Mulheres passou a ser celebrado oficialmente neste dia.

Com o tempo, porém, essa origem socialista da data foi esquecida. Quando, na década de 1960, o movimento feminista ganhou força, principalmente nos EUA, o 8 de março voltou a ser comemorado, mas a história da greve das mulheres de Nova Iorque foi tomando força. Na década de 1970, organizações internacionais, como a ONU e a Unesco, reconheceram a data, após muita pressão e insistência do movimento feminista. Mesmo assim, a explicação escolhida para a data foi a das 129 operárias queimadas vivas, a qual, inclusive, não tem nenhum registro.

Foi para resgatar a mobilização das tecelãs russas em 1917 e o esforço das mulheres socialistas pela instituição da data que nós, do NPC, lançamos a cartilha A origem socialista do Dia da Mulher.



O 6º Congresso do PT precisa recuperar a noção de luta de classes

22 de Fevereiro de 2017, 11:02, por Luíz Müller Blog

A publicação deste artigo neste espaço não significa concordância ou discordância de nossa equipe em relação ao seu conteúdo, mas sim um estímulo ao debate aberto e fraternal, coisa rara nestes dias bicudos de intolerância, individualismo e soberba. 

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Por André Singer e Carlos Árabe no Crônicas do Sul

1. O período deve ser elogiado e criticado

Os comentários do companheiro Kjeld Jacobsen (“Afinal, o período histórico deve ser elogiado ou criticado?”) ao texto que preparamos como subsídio para o 6º  Congresso Nacional do PT permitem avançar no debate sobre como avaliar os governos Lula e Dilma. Embora concorde conosco na caracterização dos avanços obtidos durante as gestões petistas, Jacobsen parece descontente quando buscamos mostrar os seus limites. Como se pudesse haver alguma experiência desprovida de limites e como se o papel da reflexão partidária não fosse justamente o de reconhecê-los para avançar além deles, quando possível.

Mas se nos ativermos às questões específicas apontadas por Kjeld, terreno sempre mais profícuo para o esclarecimento do que os princípios genéricos, talvez alguns aspectos possam ser melhor entendidos. Por exemplo, a ideia de que o lulismo desenvolveu uma estratégia de utilização intensiva das margens não significa que as mudanças por ele propiciadas foram “marginais”, no sentido de insignificantes, como parece ter entendido Jacobsen. Quer dizer, buscaram-se espaços que o capital não vetasse ou até pudesse participar, como por exemplo, o Prouni ou o Minha Casa Minha Vida. Nos campos em que essa convergência não existia, portanto, sem margens, como o dos direitos universais, os avanços foram menores.

Assim, foi possível produzir uma série de avanços, mas houve limites. Não é por acaso, para lembrar um limite importante, que o Bolsa Família não se tornou direito constitucional. Mesmo assim, em nenhum momento usamos a expressão “conciliação de classe”, o que demandaria um programa ativo e explícito de concessões mútuas, para caracterizar o período. No entanto, o próprio Kjeld reconhece os movimentos de moderação que buscamos assinalar no texto. Ao indicar que Lula é capaz de negociar e compor, de que as eleições dele e Dilma foram apertadas, mostrando falta de apoio para mudanças estruturais, e que houve necessidade de alianças com o “outro lado” para vencer o adversário principal, Kjeld corrobora a nossa análise de que houve uma escolha por mudanças sem confronto.

2. O que essa avaliação elogiosa e crítica nos ensina?

Em primeiro lugar, que foi possível trazer uma série de benefícios para os setores mais pobres, com reflexos importantes para a classe trabalhadora como um todo. Sobretudo à medida que se consolidou uma política de pleno emprego e aumentos contínuos do salário mínimo, houve uma melhora significativa nas condições de vida e luta do conjunto dos trabalhadores. Pode-se até cogitar em que medida a continuidade de tal política não foi o elemento estrutural que começou a desconfigurar o quadro de alianças com os empresários herdado por Dilma em seu primeiro mandato.

Em segundo lugar, a partir de 2011, aprendemos que para dar continuidade a tal política numa conjuntura “apertada”, uma vez que a crise mundial diminuiu os ganhos do período anterior, seria necessário mobilizar as bases populares. A ex-presidente Dilma fez a opção de comprar brigas para manter o emprego e a renda, mas não tirou as consequências políticas necessárias da decisão de confrontar. O partido, talvez por estar ainda embalado pelos ganhos anteriores, também não teve a capacidade de perceber que a conjuntura havia se alterado e requeria novas posturas.

Portanto, aprendemos que o nosso programa de governo não pode ter um caráter dogmático. A luta de classes não é uma escolha, é um movimento da realidade capitalista para o qual um partido de trabalhadores precisa estar sempre atento. Reintroduzir tal variável em nossa avaliação do período que acaba de se encerrar ajuda a desenhar o futuro.

 

3. O sucesso do golpe só pode ser entendido a partir dessa análise.

Compreender porque fomos apeados do governo (apesar de os nossos governos terem sido, sem dúvida, muito superiores aos governos neoliberais e se proporem, no seu desenvolvimento, a ultrapassar o neoliberalismo) é uma exigência para definir nosso futuro. Se não aprendermos com a nossa derrota histórica, a consequência será a incapacidade de erguer um programa de transformação: frente a ele, a “vaca” vai tossir novamente. Estaríamos, então, frente a um dilema terrível: ou o programa será de mudanças e sofrerá o risco do golpe ou o programa deverá recuar o bastante para não sofrer o risco do golpe. Esse é o beco sem saída a que nos levaria a recusa a examinar criticamente nossa experiência.

Buscamos ver o momento-chave em que houve uma inversão na relação entre as classes fundamentais, quando a burguesia, no dizer de Lula para a Comissão Executiva Nacional, reintroduziu a luta de classes. A mudança de curso produzida pelo enfrentamento da crise do neoliberalismo iniciada em 2008 não podia mais ser comprimida nas margens estreitas das garantias oferecidas pela Carta ao Povo Brasileiro.

No 5° Congresso, a rejeição da proposição formulada pelos petistas dirigentes da CUT defendendo uma nova política econômica comprometida com o salário, o emprego, o investimento e políticas sociais marcou a responsabilidade do partido com a derrota histórica que viríamos a sofrer mais adiante. Interpretamos esse suporte à guinada neoliberal como uma ilusão de retomar um pacto com as classes dominantes ao estilo Carta ao Povo Brasileiro, que a seu tempo fora extremamente polêmica e que no auge dos conflitos de 2015 abriu as portas para a maior derrota que já sofremos.

4. No plano mais geral, não há contradição entre reformas e socialismo

O ponto de vista do PT até 2001, conforme destacamos no nosso texto, ao contrário da barreira entre reformas e socialismo recomendada por Kjeld, é de considerar que a realização de reformas através da conquista de governos deve acumular forças para a transformação da sociedade em direção ao socialismo democrático.

É verdade que de 2006 para frente esse tema não foi tratado, o que tem relação direta com o fato de que o partido, acomodando-se aos seus êxitos eleitorais, passou a elaborar menos e isso se refletiu nos programas de governo, que foram mais produtos da experiência de governo e menos da interação entre o programa socialista do partido e a experiência de governo. É, portanto, uma razão negativa – e não uma virtude – o que explica essa limitação. É dela, no entanto, que Kjeld se vale ao nos advertir que “os programas eleitorais do partido nunca foram socialistas, e sim reformistas”.

A falsa ideia de que as reformas impulsionadas pelos nossos governos não têm nada que ver com o socialismo implica em não se preparar e não organizar mudanças crescentes na economia, na sociedade e no Estado. Essa visão, certamente, foi responsável pela convivência com estruturas conservadoras de poder, por alianças com partidos de direita e por uma baixa mobilização e organização das forças sociais interessadas em mudanças crescentes em favor das maiorias. E, em última instância, pela crença de que a luta de classes não estava mais em vigor.

Por André Singer, cientista político e professor da USP, e Carlos Henrique Árabe, secretário Nacional de Formação Política do PT, para a Tribuna de Debates do 6º Congresso. Saiba como participar.



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