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O novo Alckmin pode morrer pela boca

7 de Abril de 2014, 22:01 , por Desconhecido - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Nestes últimos dias o governador paulista, Geraldo Alckmin, incorporou um personagem que nem de longe lembra o verdadeiro Alckmin.
O de agora é uma ficção. Gosta de aparecer, de dar entrevistas, ao contrário do Alckmin real, que se esconde de tudo e de todos, que some em momentos de crise, que sofre ao ver um repórter, mesmo aqueles cujo trabalho se limita a reproduzir, muitas vezes com incorreções, o que dizem as "autoridades".
É óbvio que o novo Alckmin boquirroto está trajando as vestes do candidato à reeleição.
Como tal, segue fielmente a cartilha oposicionista, um grosso livro cujo conteúdo se limita a uma só frase, a receita infalível para quem não tem programa, ideias ou propostas para o Brasil:
"Em qualquer circunstância, fale mal do governo Dilma e do PT."

Dessa forma, fiel soldado de seu partido, o governador danou-se a aplicar, com a sua costumeira competência - e carisma - a fórmula mágica das oposições.
No sábado, fez graça com a Petrobras, a maior empresa do país e uma das maiores do mundo.
Disse que, por causa do PT, as suas ações viraram pó.
Na segunda, ao lançar um "programa" que copia o Mais Médicos do governo federal, tanto criticado pela gente de seu partido, o novo Alckmin desceu a lenha no SUS.
Não houve referência direta, mas todos sabem que seu maior adversário nesta eleição é o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criador do Mais Médicos e, na mente brilhante de Alckmin, médico por formação - coitado de seus pacientes... -, o único responsável por todas as mazelas da saúde pública brasileira.
É de se esperar que até outubro o governador insista em vestir essa sua nova indumentária de crítico mordaz do governo federal, do PT, e em especial do candidato petista. 
Os marqueteiros que contratou vão ter muito trabalho para criar as frases "de efeito" que Alckmin, que já foi alcunhado de "Picolé de Chuchu", soltará, a cada aparição pública.
O governador deverá ter cuidado com esse novo personagem que interpreta.
Por estar acostumado a transitar nas sombras da política durante anos e anos, não vai ser fácil para o novo Alckmin convencer a plateia da sinceridade de seu discurso.
Esse pequeno ensaio dos últimos dias mostra o quanto as suas alocuções são desastrosas.
Falar do valor do mercado da Petrobras, por exemplo, não é uma boa ideia, pelo menos neste momento em que o universo inteiro está descobrindo a realidade da Sabesp, a estatal paulista de saneamento que preferiu aplicar na Bolsa o que deveria investir para garantir o abastecimento de água para dezenas de milhões de pessoas.
A Sabesp, governador, é uma tragédia.
O gerenciamento da crise de abastecimento de água em São Paulo é outra calamidade.
Tampouco foram felizes as suas críticas ao SUS, que, com todos os seus problemas, garante atendimento gratuito a todos os brasileiros.
O setor de saúde em São Paulo, o Estado mais rico da federação, como o sr. sabe, governador, sofre de anemia profunda.
Frases de efeito em campanhas eleitorais são rapidamente esquecidas, para a sorte do novo Alckmin.
Se não, ele inevitavelmente teria de acrescentar ao seu perfil de político sem carisma mais um incômodo rótulo: o de um falastrão inconsequente.
Fonte: http://cronicasdomotta.blogspot.com/2014/04/o-novo-alckmin-pode-morrer-pela-boca.html

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